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adilson entrevista1Há 12 anos, na manhã do dia 11 de setembro de 2001, o mundo acordou aturdido pela notícia dos atentados às torres gêmeas de Nova York, nos EUA, que deixou um saldo de 2753 mortes. O ato, atribuído aos terroristas da Al-Quaeda, mereceu uma condenação unânime das forças progressistas no Brasil e outros países.

Além da morte de civis inocentes, ocorreu desde então o que muitos temiam. O governo estadunidense, na ocasião presidido por George Bush (figura de triste memória), aproveitou-se do estado de choque do povo americano e da opinião pública mundial para intensificar a agressividade imperialista dos EUA pelo globo.

Começou pela invasão do Afeganistão, perpetrada em 07 de outubro de 2001. O Iraque, em 2003, foi a vítima seguinte. Bush, que usou e abusou da mentira e do cinismo para justificar a belicosidade e mascarar os reais interesses que orientaram a ação imperialista, chegou a declarar que recebeu ordem divina para cometer o crime.

Contudo, a mentira a que recorreu, de que o governo iraquiano possuía “armas de destruição em massa” e financiava a Al-Quaeda, teve perna curta. Bush acabou desmoralizado no front externo e acuado pela Grande Recessão que teve início no final dos anos 2007 em seu país. Seu Partido Republicano perdeu as eleições presidenciais de 2008 para o “democrata” Barack Obama.

A eleição de Obama, que criticou a guerra no Iraque e prometeu acabar com a base militar de Guantânamo (que se transformou num centro de tortura da CIA em território cubano) despertou em muita gente a falsa e vã esperança de que a conduta da Casa Branca ia mudar de conduta e nosso sofrido planeta caminharia para um cenário de paz e amor. Não foi isto que ocorreu. Apesar das aparências e do eterno sorriso, o atual presidente parece cada vez mais com o predecessor. Chega mesmo a ultrapassá-lo em matéria de crueldade e cinismo.

Sob Obama, a política externa dos EUA tornou-se ainda mais belicosa e o mundo, vasto mundo, bem mais perigoso. O comandante das Forças Armadas do império hoje se diverte definindo os alvos dos seus drones (aviões não tripulados) assassinos no Oriente Médio e no Sul da Ásia, ordenou (no momento em que visitava o Brasil) os bombardeios contra a Líbia e deu curso a um sofisticado e obscuro programa internacional de espionagem, que consome mais de US$ 100 bilhões de dólares por ano.

Neste momento o chefe da Casa Branca ameaça o mundo com uma nova guerra imperialista, desta vez contra a Síria, levantando argumentos furados e prováveis mentiras sobre o uso de armas químicas naquele país árabe que lembram as “armas de destruição em massa” de George Bush. A reação enérgica da Rússia (que ainda é uma grande potência militar), a oposição da China, do Brasil, Índia e do próprio secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, talvez evitem a agressão militar que pode incendiar o Oriente Médio e se desdobrar em conflitos mais amplos e até na 3ª Guerra Mundial.

Em todos os campos e níveis, especialmente no combate à crise e ao desemprego, Obama frustrou as expectativas de mudança e hoje se comporta como um imperialista vulgar, um boneco do Pentágono a serviço dos grandes monopólios e do gigantesco e custoso complexo militar dos EUA. A estratégia imperialista não mudou, senão para pior. A Humanidade corre o sério de risco de ser mergulhada uma vez mais na barbárie. O caminho de guerras e sangue traçado pelo imperialismo só pode ser contornado pela força e a luta dos povos.

Outra tragédia que data de 11 de setembro e ficou gravada na memória do mundo e, em especial, da América Latina, ocorreu há 40 anos: o golpe militar de 1973 no Chile, desfechado pelo general Augusto Pinochet com total apoio da CIA, contra o presidente Salvador Allende, que alimentava o sonho de realizar por meios democráticos uma revolução socialista. Seu sonho foi afogado em sangue, o Chile viveu um longo pesadelo, com milhares de lideranças e militantes de esquerda mortos, e ainda não acertou as contas com a tortura e o terror do período fascista.

A classe trabalhadora brasileira homenageia a memória de Allende, que continua a inspirar as forças progressistas em seu país e no mundo, enquanto os generais golpistas fazem parte agora da ignomínia universal. Reitera também sua disposição de preservar na luta sem tréguas contra o imperialismo e a guerra, em defesa do direito à autodeterminação dos povos, da democracia, do socialismo e da paz entre as nações.

São Paulo, 11 de setembro de 2013


Adílson Araújo é presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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