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Seg, Maio

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De um ponto de vista classista o resultado do segundo turno das eleições presidenciais realizado no último domingo (26) deve ser analisado e exaltado acima de tudo como uma grande vitória da classe trabalhadora brasileira. Ao nosso êxito correspondeu, do outro lado, uma clara derrota das frações hegemônicas da classe dominante: a grande burguesia e sua mídia golpista, os banqueiros, os especuladores, os velhos e novos latifundiários e o imperialismo, representados pela candidatura tucana e neoliberal de Aécio Neves.

Não restam dúvidas de que foi um dos pleitos mais disputados e polarizados da história brasileira, com uma desesperada iniciativa golpista de última hora protagonizada pela revista “Veja” e respaldada pelo “Estadão”, a “Globo” e outros monopólios da comunicação. Uma vez mais o povo não se deixou enganar, soube discernir o joio do trigo, tendo identificado e derrotado seus verdadeiros inimigos, abrindo caminho para concretizar as mudanças mais profundas que o povo e a nação reclamam.

Diante do risco de derrota para o candidato da direita sinalizado pelos institutos de pesquisa (bem como pelo posicionamento de Marina e da cúpula do PSB), a militância dos movimentos sociais e partidos políticos progressistas se uniu e ganhou as ruas durante o segundo turno, disputando voto a voto. Este movimento dos militantes foi essencial para reverter a onda conservadora que já havia se revelado na nova composição do Congresso Nacional e virar o jogo a favor de Dilma Rousseff.  

A vitória evitou que o país caminhasse para trás. Aécio seria o retrocesso em toda linha, começando pelo ajuste fiscal anunciado por Armínio Fraga, acompanhado de demissões em massa e recessão econômica; o fim da política de valorização do trabalho e dos salários; a flexibilização da legislação trabalhista; a perseguição e criminalização das lutas sociais; a privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras; o esvaziamento do Mercosul; a subordinação do Brasil ao projeto imperialista dos EUA.

As batalhas eleitorais deste outubro não deixaram apenas saldos positivos. A composição social e política do Congresso Nacional, que já não era lá grande coisa, sofreu um notório revés. Tornou-se ainda mais conservadora, hostil aos projetos oriundos da classe trabalhadora e favorável à agenda regressiva apresentada pelos porta-vozes do patronato. O crescimento da direita também se refletiu no resultado final da eleição presidencial.

A leitura classista da conjuntura indica que é indispensável avançar nas mudanças para consolidar o que foi conquistado ao longo dos últimos 11 anos, evitar futuros retrocessos e viabilizar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, soberania e democracia.

O caminho das mudanças passa pela realização de reformas democráticas estruturais, começando pela reforma política e da mídia, bem como pelo atendimento de demandas históricas do nosso povo e das centrais traduzidas na pauta trabalhista, como mais investimentos no SUS, bem como em educação e transporte público; fim do fator previdenciário (com o qual a presidenta Dilma se comprometeu); reforma agrária; redução da jornada de trabalho; rejeição do PL 4330 (que escancara a terceirização) e a ratificação das convenções 151 e 158 da OIT, entre outras.

Alcançar tudo isto não será nada fácil, especialmente diante da correlação de forças na Câmara Federal e Senado. Mas é plenamente possível. O fator chave, que constitui o desafio número 1 da CTB, bem como do conjunto dos movimentos sociais, do governo federal e forças progressistas do país, é elevar o grau de consciência e mobilização da classe trabalhadora e do povo brasileiro, pois só como (muito) povo nas ruas lograremos as transformações que o Brasil reclama.

São Paulo, 27 de outubro de 2014
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

*A nota  também está disponível nos idiomas:  inglês, espanhol e francês

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