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Um golpe branco está em curso no Congresso do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo. Dominada pela direita neoliberal – representante dos latifundiários, da grande burguesia e do imperialismo –, a Câmara de Deputados do país aprovou nesta quinta-feira (21), por 73 votos a 1, a instalação de um processo de impeachment contra o mandatário, usando como pretexto o conflito pela posse da terra em Curuguaty no Departamento (Estado) de Canindeyú, próximo da fronteira com o Brasil, na sexta-feira, 15, que deixou 11 camponeses sem-terra e sete policiais mortos. O pedido vai ser examinado provavelmente ainda nesta quinta no Senado, onde ruralistas e golpistas também contam com ampla maioria. O impeachment pode ser aprovado em rito sumário no prazo de apenas 24 horas, sem tempo hábil para a defesa.

As versões sobre os fatos são controvertidas. Os representantes dos sem-terra acusam os latifundiários pelos crimes, enquanto esses, respaldados pela direita e a mídia golpista, alegam que os camponeses receberam os policiais à bala. Sem aguardar a apuração rigorosa do episódio, determinada por Lugo, os parlamentares responsabilizam o presidente e aproveitam a ocasião para tentar roubar-lhe, através do impeachement, o mandato que lhe foi concedido pelo povo em 2008. Em seu lugar, assumiria o vice, Frederico Franco, político aliado dos latifundiários e do imperialismo. Lugo já declarou que não renuncia e convocou o povo à resistência. A Unasul enviou uma delegação ao Paraguai, presidida pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, para acompanhar a crise. “Nosso compromisso é com a democracia”, proclamou Patriota.

Eleito em 2008, com a promessa de realizar a reforma agrária e contemplar outras demandas históricas dos movimentos sociais, Fernando Lugo faz parte da leva de políticos progressistas latino-americanos e tem sofrido recorrentes tentativas golpistas. Sem respaldo no Congresso, totalmente dominado por forças reacionárias, ele não reuniu condições de realizar as reformas anunciadas durante a campanha presidencial, em particular a reforma agrária. Cerca de 40% dos 6 milhões de paraguaios residem no campo e a democratização da propriedade fundiária é um grande anseio dos sem-terra.  

O confronto que serve de pretexto aos golpistas ocorreu numa fazenda do milionário Blas Riquelme, ex-senador do Partido Coloroda, que enriqueceu à sombra do general Alfredo Stroessner, ditador que comandou o país com mão de ferro entre 1954 a 1989 e distribuiu a amigos e aliados latifundiários (inclusive grandes fazendeiros brasileiros produtores de soja, os brasiguaios) centenas de milhares de hectares de terras públicas, exacerbando a concentração fundiária na nação vizinha, onde 2% dos proprietários dominam cerca de 80% do espaço rural destinado à produção agropecuária.

A responsabilidade pela crise sangrenta cabe aos latifundiários e políticos que se negam a observar os princípios elementares da Justiça e impedem a realização de reformas democráticas, especialmente no campo, mediante a recuperação de terras desabitadas, a expropriação de latifúndios improdutivos e a distribuição gratuita de terra aos trabalhadores camponeses e indígenas.

O golpe em curso no Paraguai não é um acontecimento fortuito e isolado na América Latina. Associa-se às iniciativas golpistas na Venezuela (2002), Bolívia (2008), Equador (2010) e Honduras (2009), este bem sucedido, patrocinadas pela direita neoliberal em aliança ostensiva ou velada com os EUA. Trata-se de uma reação à mudança do cenário político na América Latina iniciado com a eleição de Hugo Chávez na Venezuela em 1998 e que já resultou na criação da Unasul, Alba e Celac.

Em nome da classe trabalhadora brasileira e com a certeza de representar o pensamento das demais centrais, a CTB manifesta seu apoio e solidariedade ao presidente Fernando Lugo, aos sem-terra e trabalhadores e trabalhadoras do Paraguai, ao mesmo tempo em que rechaça a iniciativa da direita golpista e se soma à voz dos que reclamam a reforma agrária e a efetiva democratização do país.  

São Paulo, 21 de junho de 2012.

Wagner Gomes
Presidente Nacional da CTB
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