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Realizado em São Paulo nos dias 21 e 22 de novembro de 2014, o 1º Encontro Nacional sobre Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CTB promoveu intenso debate com especialistas do ramo. Dele, foram extraídas conclusões relevantes sobre o tema, que é negligenciado pelo empresariado brasileiro e ainda não recebe do movimento sindical brasileiro a atenção prioritária que merece. 

O Brasil exibe índices vergonhosos e alarmantes de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Os números, mais de 700 mil acidentes de trabalho por ano, denunciam o descaso com a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Mas os problemas não se restringem à saúde corporal, física. Com a crescente exigência de produtividade e o estabelecimento de metas pelas empresas, crescem também os casos de doenças mentais, associadas ao estresse, ao Assédio Moral e sexual, bem como jornadas de trabalho excessivas em intensidade e extensão.

Além da dimensão humana, individual e familiar do drama, a saúde da classe trabalhadora, assim como sua educação e nível de escolaridade, tem um impacto imediato e direto na produção e na produtividade do país, sendo esta outra razão para que o problema seja tratado como prioridade pelo Estado, assim como pelo empresariado e os representantes da classe trabalhadora. Os custos dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais para a economia e o conjunto da sociedade não são desprezíveis.

Observando o conjunto de questões associados ao tema e tendo em conta que 70% da classe trabalhadora brasileira depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento em caso de doença, o fortalecimento do SUS é uma condição básica para bem cuidar da saúde do trabalhador e da trabalhadora. É preciso destinar pelo menos 10% do Orçamento Bruto da União para a saúde pública.

A nova organização do trabalho nessa quadra histórica do capitalismo tem levado trabalhadores e trabalhadoras ao adoecimento pelo tipo de trabalho que realizam em péssimas condições, dentro de ambientes cada vez mais insalubres e a prática constante do assédio moral, que pressiona para o comprimento de metas absurdas na busca por mais lucro.

A valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo é outro passo fundamental e deve começar pela elaboração e execução de um Plano Nacional de Carreira de Estado para os Profissionais de Saúde. O combate à precarização e terceirização; o fim das metas de produção; redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários; fim do fator previdenciário e a defesa de reformas democráticas são algumas bandeiras que estão associadas direta ou indiretamente à saúde de trabalhadores e trabalhadoras, levantadas por esse 1º Encontro da CTB. Nele, ressaltou-se a importância da nossa participação na 4ª Conferência Nacional da Saúde, que será realizada em Brasília de 15 a 18 de dezembro de 2014 e terá como meta principal implementar a Politica de Saúde do Trabalhador no âmbito do SUS.

A CTB, através da sua Secretaria Nacional de Saúde, buscará potencializar o seu trabalho pelo fortalecimento e a defesa da saúde pública através do SUS, com a participação das secretarias estaduais da CTB, realizando encontros, seminários e cursos para a qualificação de nossos dirigentes em torno desse importante tema para a classe trabalhadora.

Com este objetivo, elegemos um Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador, que conta com a participação de secretários e Secretárias estaduais, membros da CIST, CTTP e entidades sindicais nacionais para a elaboração e execução do planejamento de luta em defesa da Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

São Paulo, 22 de novembro de 2014.

Adilson Araújo, presidente da CTB

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