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“Com o objetivo de mapear e coletar essas histórias, lançamos esta semana a PretaLab, iniciativa com objetivo de aumentar o número de meninas e mulheres que atuam nas diversas áreas da tecnologia e inovação no país”, diz texto da organização social Olabi, sobre o projeto, lançado na quinta-feira (16), no Rio de Janeiro.

Para a secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, é muito “importante incluir as negras e indígenas nas novas tecnologias para propiciar igualdade de oportunidades. É uma iniciativa importante já que a maioria de nós vai para a área de humanas. E é onde as oportunidades são mais acessíveis”.

“Já que”, diz ela, “o governo de Michel Temer está abandonando todas as políticas afirmativas para a inclusão dessa parcela marginalizada na sociedade”. De acordo com Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam 25,5% da população do país.

Já a Medium Corporation afirma que não há nenhuma negra entre as 19.000 mulheres citadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já entre os bolsistas para ciências exatas, apenas 5,5% são negras. Além disso, diz ainda,  10 negras se formaram na Politécnica da Universidade de São Paulo em 120 anos.

"O CNPq é um espaço de fundamental importância na relação do saber e do conhecimento. É uma ferramenta de construção de novos nomes na ciência dentro e fora de no país".

pretalab

“Pena que o racismo institucional impede a população negra de ter as mesmas oportunidades dos brancos. Em relação às mulheres a situação piora ainda mais porque vivemos numa sociedade patriarcal e sexista”, afirma Custódio.

"Nossa juventude negra tem há um tempo disputado esse espaço selecionado e quase fechado. Em especial as jovens mulheres desbravadoras negras".

De acordo com a reportagem “estima-se que nos Estados Unidos apenas 2% da força de trabalho em todo universo da ciência e engenharia seja de mulheres negras. No Brasil, esse dado sequer existe”.

Para Custódio, “a sociedade e torna as mulheres negras invisíveis e todos os projetos que visem estimular e desenvolver a nossa autoestima torna-se essencial para a melhoria de vida da população mais carente da população”.

A entidade se propõe a criar possibilidades para as pessoas desenvolverem saberes, “propondo uma reflexão crítica e propositiva sobre as mulheres negras e indígenas e as tecnologias no mundo contemporâneo”.

“O mundo digital é uma realidade e quanto mais incluirmos as pessoas que têm menos possibilidade de acesso a essas novas tecnologias, criamos condições de atingir cada vez com menos injustiças uma civilização mais humana e avançada”, diz a sindicalista carioca.

Ela ressalta ainda a discriminação que as negras sofrem no mercado de trabalho. “Ganhamos cerca de 40% dos salários dos homens brancos e nos destinam os piores trabalhos”.

Por isso, para Custódio projetos desse porte são importantes para a emancipação dessas mulheres, “esquecidas pelo Estado”.

O projeto se destina às meninas e mulheres negras e indígenas “que tenham qualquer tipo de atuação relacionada ao campo da inovação e da tecnologia”. Para participar acesse e preencha o formulário aqui.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy