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Sex, Mar

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Por Renato Rovai*

Aquele apito que às vezes soa e desperta ao mesmo tempo uma grande quantidade de pessoas, parece ter disparado para chamar a atenção de parte da sociedade brasileira para a Conferência da Comunicação.

Aumenta a cada dia a quantidade de pessoas que tem se reunido em inúmeros debates por todos cantos do Brasil com o objetivo de construir propostas para um novo modelo no setor. Só isso já é algo que torna esse processo  relevante. Mas o melhor é que não são apenas os “especialistas” que têm participado desses debates.

Há gente da cultura, do movimento negro, feministas, GLBT, sindicatos, igrejas, sem-terra, universidades etc. Pessoas de diferentes cantos e áreas. Com histórias de vida e culturas distintas.

Gente com compreensões muito próximas em diversos aspectos, mas com diferenças sensíveis em outros.

Não há nada de mal nisso. É a diversidade a nossa principal riqueza. E o Fórum Social Mundial nos lembra isso a cada edição.

Mas são tantas as bandeiras da sociedade civil para a Confecom que podemos terminar esse processo sem avançar em alguns aspectos estratégicos. E talvez nada seja mais estratégico para a democracia brasileira e para a democratização das comunicações do que garantir o quanto antes a banda larga e gratuita para todos os cidadãos.

E por que não propor que isso se dê 2015? Afinal as metas do milênio firmadas pelo Brasil têm nesse ano o marco para um balanço das realizações. E como temos 8 metas do milênio, na Confecom poderia se consagrar a banda larga e gratuita como nossa nona e nova meta.

É suficiente essa conquista para democratizar a comunicação no Brasil? Evidente que não. Ao mesmo tempo ela ampliaria razoavelmente todas as nossas outras lutas.

Nenhum movimento não terá mais força quando todos os brasileiros puderem ter acesso ao universo virtual e à sua diversidade de conhecimento.

Evidente que é preciso ao mesmo tempo garantir que a internet mantenha a sua neutralidade atual e que leis escatológicas como a do senador Azeredo não sejam aprovadas.

Evidente que é preciso lutar para que o modelo atual de concessões seja revisto e que a sociedade passe a ter mais espaço para a produção de comunicação.

Evidente que é preciso forçar a barra para que a produção cultural nacional tenha mais espaço em rádios e TVs. E que isso seja garantido por lei.

Evidente que é preciso lutar para que os recursos da publicidade governamental não sustentem apenas meia dúzia de grupos midiáticos.

Evidente que cada grupo deve gritar mais alto aquilo que mais lhe toca.

Mas essa bandeira comum da banda larga gratuita e para todos poderia ser o “outro mundo é possível” onde todos caberíamos.

Somos muitos e teremos muitas propostas nessa Conferência. Mas seria ótimo se todos tivessemos conjutamente ao menos uma.

Se conseguissemos conquistar a banda larga gratuita até 2015 para todos os brasileiros, deixaríamos um legado sensacional para as próximas gerações. E mudaríamos radicalmente a correlação de forças nesse setor.

E sem dúvida teríamos muito mais força para novas conquistas.

* Renato Rovai é Editor da Revista Fórum

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/sitefinal

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