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Dom, Maio

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O 2º Encontro com Mulheres Sindicalistas realizado na última segunda-feira, na cidade de São Paulo, foi marcado com a presença de várias líderes sindicais de todo o Brasil, secretárias de Centrais de Sindicatos e representantes da classe feminina trabalhadora, e o tema abordado foi "Desafios para a Autonomia Econômica das Mulheres".

Com a estrutura do diálogo em dois painéis de discussão, um em cada período, o primeiro enfatizou o diálogo da Política de Salário Mínimo e o segundo, o Rendimento das Mulheres. Na bancada do primeiro painel, participou Ivânia Pereira, Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. Seu discurso se iniciou em torno da categoria das bancárias, mencionando transferências indevidas ocorridas no setor.

“Com a inserção da regra de remanejamento - alguns bancos não aceitando o acordo e outros aderindo -, digo que ainda são poucos os avanços que conquistamos, porque nossas trabalhadoras são atingidas pelas doenças como Síndrome do Pânico, LER, DORT e depressão. Nas mesas de negociações da Fenaban, sempre insistimos nos apontamentos das questões sofridas pelo gênero e também pela raça”, disse.O fator Previdenciário que já é considerado uma agressão à vida dos trabalhadores, com as mulheres obtendo apenas a faixa salarial de 70% dos homens, é um dos motivos que mais aumentam encontros e mobilizações sobre este tema.“Com a alta da redução dos benefícios sobre a previdência, infelizmente apenas é previsto uma expectativa de uma aposentadoria doente para nossas mulheres”, ressaltou a Secretária Ivânia.

1º Painel – Políticas de Salário Mínimo

“A política de salário mínimo é um dos principais instrumentos para melhoria das condições de trabalho. É um desafio importante por ser um debate de renovação, e que precisa cada vez mais se vincular com outras políticas de inserção e qualificação das mulheres no mercado de trabalho. Vejo nesse encontro uma excelente oportunidade para buscarmos a renovação da nossa política”, disse Tatau Godinho, Secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres (SPM/PR). E finalizou: “A existência de uma política forte de salário mínimo nos ajuda muito. É claro que não atende a todos os problemas, mas é uma coluna importante para a diminuição das desigualdades entre gêneros. Já o fator previdenciário, é necessário o Governo analisar e readequar sua política, mas uma das questões que é importante destacar é que a cobertura de previdência aumentou, e mais mulheres foram favorecidas por saírem da condição de informalidade”.

2º Painel – Dilema para os Trabalhos das Mulheres

Os desafios históricos e estruturais das finanças, educação e emprego do Brasil agridem metade da economia do país e são as raízes da informalidade ainda existente entre os brasileiros. Os dados foram apresentados por Patrícia Pelatieri, diretora-executiva do Dieese entre os anos de 2004 a 2012. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento de 10.9 milhões no número de trabalhadores ocupados no Brasil, assalariados e não assalariados, com 48% de mulheres. Com carteira assinada, obteve-se um aumento de 9 para 14 milhões das mulheres no funcionalismo público, trabalhadoras domésticas com carteira de trabalho assinada ou profissionais liberais. No conceito de formalidade (carteira assinada), as mulheres tinham participação 38.6% em 2004, subindo para 49.8% 2012, com oito milhões e meia novas inserções no emprego formal. Registrou-se boa redução na taxa de desemprego, com mais presença feminina no setor de educação, saúde, serviços e repartições públicas. O valor, no entanto, ainda é maior em comparação aos homens, com número acentuado nas regiões Norte e Nordeste.

Depois da apresentação do tema, outros temas debatidos pelos sindicalistas foram o setor do agronegócio atingido pela terceirização, a rotatividade e os assédios morais e sexuais ocorridos entre as bancárias, o déficit de creches para as mães trabalhadoras, a exemplificação do surgimento de creches empresariais e noturnas em todo o país e a profissionalização das mulheres denominadas profissionais de sexo. "Fiz a mobilização no Congresso Nacional para que a valorização do salário mínimo se torne uma política de Governo, independente da região brasileira e do tipo de categoria. A mulher trabalhadora não pode ganhar menos que um salário. Era semiescravidão, quando tínhamos a empregada doméstica atuando sem jornada de trabalho estabelecida e sem seus direitos sociais garantidos. Com as mudanças, trouxemos um número expressivo de sete milhões de trabalhadoras para o mercado formal", disse Ivânia Pereira.

“A SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres) tem contribuído para a construção de uma sociedade igualitária entre os gêneros. É necessário que as centrais sindicais reconheçam o esforço do debate, não apenas para compreensão, mas também para a união de toda a classe feminina em prol das possibilidades de mudanças no mercado de trabalho”, concluiu a Secretária da CTB.

Por Arthur Dafs - Portal CTB

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