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Sáb, Maio

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A professora de pós-graduação Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), está sendo processada pela ex-aluna Ana Caroline Campagnolo, porque ela se diz constrangida pela aula sobre feminismo ministrada por Fáveri, em curso sobre questões de gênero.

“É surpreendente que uma aula de um curso de mestrado possa ir aos tribunais pelo simples fato de discordar da aula. A Justiça não pode levar isso a sério", afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Campagnolo é professora de História na educação básica em Chapecó (SC) e pede indenização por “danos morais”, mas em suas redes sociais compartilha publicações contrárias inclusive ao voto feminino e às mulheres transgêneras. Em entrevista ao Diário Catarinense ela tenta explicar sua decisão.

“Ela não está sendo processada por ser minha professora, por ser feminista ou por falar sobre feminismo em sala de aula. O problema é que quando ela ficou sabendo disso (que a estudante é cristã e antifeminista), começou a me atacar em sala de aula”, diz.

Como adepta do projeto Escola Sem Partido, a estudante postou que “não existe classe mais totalitária que a dos professores”, porque “tudo usam como justificativa, falsos cataclismos: aquecimento global, combate ao tabaco, educação sexual, fundamentalismo religioso, epidemia de bullying e etc. Ancorados em ‘assuntos perigosos’ eles se tornam mais perigosos ainda”.

Assista uma aula se a Escola Sem Partido prevalecesse: 

A estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro critica a atitude de Campagnolo. “Uma escola tem que ser um ambiente de diálogo para favorecer a troca de saberes e onde predomine a diversidade”, reforça.

A Associação Nacional de História (ANPUH) trouxe o caso à tona e se solidariza com Fáveri. “O que procuram nos impor não é uma escola sem partido, mas uma escola amordaçada, sem espaço para a informação e o pensamento crítico”, diz nota da entidade.

Nota de colegas de Fáveri no programa de pós-graduação da Udesc afirma que “no âmbito deste programa, nunca houve, de parte de sua coordenação ou de seu corpo docente, qualquer orientação ou ação que desconhecesse direitos fundamentais garantidos por nossa Constituição, tais como os de liberdade de expressão e os de liberdade de consciência ou de crença”.

A nota da ANPUH afirma ainda que “a professora está sendo processada por uma ex-aluna, que se inscreveu no seu curso e que se diz constrangida, como cristã e anti-feminista, pela matéria apresentada e discutida nas aulas’.

Já a direção da Udesc diz “estar acompanhando o andamento do processo que envolve a aluna e a professora, como interessada no processo, para melhor elucidação dos fatos, prestando informações à Justiça quando for necessário”.

Ribeiro acredita que a Escola Sem Partido desrespeita todos os preceitos básicos de uma educação de qualidade. “Querem nos tirar a possibilidade de aprender em liberdade, querem impedir o diálogo, porque têm medo de que seus preconceitos desabem com argumentos fundamentados na realidade e no conhecimento científico”.

Para Pereira, a mestranda se baseia em verdades preestabelecidas e não quer sair do casulo. “Ela parece ter medo de ser livre, de ter que tomar decisões e se escora em preconceitos contra a emancipação feminina”.

A procesasante "parexce estar feliz em ganhar 26% a menos que os homens e trabalhar muito mais. também com o número exorbitante de estupros e assassinatos de gênero no país”. Certamente, “feliz em ser bela, recatada, do lar e totalmente submissa à ideologia patriarcal”, conclui.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Sul 21

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