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Dom, Maio

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Viraliza na internet um vídeo em que as 23 candidatas ao título de Miss Peru 2018 denunciam a violência contra as mulheres em seu país durante suas apresentações no concurso. “Minhas medidas são: 2.202 casos de feminicídio nos últimos nove anos no meu país”, disse uma das candidatas. 

Já a sua concorrente falou: “Minhas medidas são: 81% dos agressores de meninas menores de cinco anos são pessoas próximas da família”. E assim falaram todas. A hashtag #MisMedidasSon chegou ao trending topics (assuntos do momento do Twitter).

“Apesar de não gostar muito de concursos de beleza, a atitude da organização do evento e das candidatas foi uma maneira interessante de denunciar a dureza de ser mulher em países violentos e profundamente machistas, como são os da América Latina”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

No decorrer do evento, enquanto as candidatas desfilavam, apareciam manchetes de jornais locais com notícias de violências. “O mais triste de tudo isso é que no Brasil os números são ainda mais avassaladores, onde uma mulher é assassinada a cada duas horas”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

Assista as falas das candidatas peruanas: 

De acordo com o jornal espanhol El País, numa outra etapa, várias candidatas atacaram a violência de gênero e a discriminação. A vencedora da competição, Romina Lozano propôs a criação de um banco de dados "com informações sobre cada agressor, não apenas de feminicídio, e assim podermos nos proteger”.

Para Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, “as leis precisam ser mais rigorosas com os agressores, além de melhorar os mecanismos de denúncia e de atendimento das vítimas. No Brasil, estão procurando dificultar a vida das pessoas agredidas em vez de defendê-las e ajudá-las”.

Em 2016, foram registrados 124 feminicídios e 258 tentativas de assassinato, segundo dados do Ministério da Mulher e das Populações Vulneráveis do Peru. Já no Brasil, um dos países mais violentos do mundo em questões de gênero, em 2016 foram assassinadas 4.657 mulheres, segundo o 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Precisamos unir todos os esforços para enfrentarmos essa dura realidade e juntas forçarmos que o governo brasileiro pare de retroceder nas políticas públicas pelos direitos das mulheres e avançarmos com um trabalho forte de educação para extirpar a violência do país e do mundo”, diz Valéria Morato, presidenta da CTB-MG.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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