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Causou furor nas redes sociais a postagem de um indivíduo supostamente brasileiro no site “Reis do Camarote”, dos Estados Unidos, de um guia ensinando a estuprar estudantes no campus da Universidade de Brasília (UnB).

“Vivemos no Brasil uma realidade de predominância da cultura machista, com reflexos sem precedentes na história. Processo pelo qual os legisladores têm muita responsabilidade em deixar as mulheres vulneráveis a violências de toda a ordem”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

Porque "eles encaminham projetos e discussões contra os direitos humanos, contra as chamadas minorias, contra as mulheres. E isso insufla a violência. Além de termos uma mídia que apresenta a figura da mulher como objeto, visão motivada por interesses puramente comerciais", afirma a cetebista.

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Ivânia Pereira

O autor da postagem diz que os brancos são superiores, portanto têm o direito, inclusive de estuprar mulheres brancas. Escreve ele: “Se a invasão de propriedade privada pode ter uma “Função social” no Brasil, nós também acreditamos que o estupro pode ter. Se os partidários da presidenta Dilma podem falar livremente em pegar em armas para instituir um golpe de estado, nós também podemos defender o estupro”.

Para Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), “é um absurdo! O machismo é gritante na universidade, já são centenas de casos de estupro registrados. Os estupradores se aproveitam na insegurança dos campi para agir”.

Por isso, diz ela, “é preciso discutir a segurança na universidade”. Carina também entende que “os movimentos sociais devem seguir lutando por inclusão da população historicamente excluída da universidade, as mulheres, os negros, os índios”.

carina vitral Vitor Vogel

Carina Vitral

A coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincon, acredita que casos como esse são frutos “de uma sociedade patriarcal, cuja cultura está impregnada da ideia de que a mulher deve ser submissa ao homem”.

De acordo com Lúcia, prega-se o conceito de que “a mulher deve ser oprimida pelo homem quando não quer fazer sexo com ele, quando não aceita as suas normas de convivência”. Para ela, “esse pensamento conservador acarreta grandes prejuízos aos setores mais vulneráveis da sociedade”.

Já Ivânia defende a democratização dos meios de comunicação para que “pare de predominar o pensamento único, pelo qual as mulheres são vistas como meros objetos e nunca como seres pensantes e com direitos”.

Ela se baseia nos dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), pelos quais houve 179 denúncias de violências por dia contra mulheres, pelo Ligue 180, somente no primeiro semestre de 2015. E que mais de 50 mil são estupradas anualmente no país.

Inclusive estimativas apontam que esse número é muito maior, pois ele refere-se apenas às denúncias feitas. “Atualmente é muito importante a atuação de toda a sociedade para extinguir a cultura do estupro, a começar pelo Congresso Nacional, que atua contra as conquistas das mulheres por direitos iguais”, afirma Ivânia.

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Lúcia Rincon

A postagem praticamente apócrifa ainda zomba de todos ao dizer que “nós não odiamos mulheres, nós as amamos, por isto estamos fazendo o que elas querem, querem ser mortas e estupradas”.

Carina cita a "Primavera das Mulheres" que no ano passado levou milhares de pessoas para as ruas contra o Projeto de Lei 5069/2013, de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que retira conquists históricas das mulheres como o direito ao aborto em casos de estupro e que ainda proíbe a distribuição da pílula do dia seguinte. Já Ivânia defende a realização de políticas públicas mais abrangentes ainda e um projeto amplo de educação de toda a sociedade, além de punições mais severas aos agressores.

"Em 2016 pernameceremos nas ruas com mais perseverança ainda para combater esse machismo enraigado e empoderar as mulheres na política e em todos os setores da vida", acentua Ivânia.

 Vídeo da Secretaria de Políticas para as Mulheres sobre o enfrentamento à violência contra a mulher

“As mulheres vêm lutando pela sociedade da felicidade, na qual prevaleça a convivência fraterna e a solidariedade”, diz Lúcia. “É pedir muito pedir o direito de viver a vida conforme as normas sociais de respeito aos direitos humanos e à diversidade?”, questiona.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

Serviço:

Mulheres em situação de vulnerabilidade podem recorrer ao Ligue 180, a denúncia pode ser feita anonimamente. Também podem recorrer à Delegacia da Mulher mais próxima e já foram inauguradas Casas da Mulher Brasileira, que reúnem todo tipo de serviço para vítimas de violências. Também pode ser usado o Disque 100, que atende denúncias de violações dos Direitos Humanos.

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