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Em plena terça-feira (5), cerca de mil pessoas de todas as cores e orientações sexuais “tomaram a Praça Roosevelt”, como disse a atriz Ana Petta, uma das apresentadoras do Sarau das Mulheres pela Democracia, que aconteceu no centro da capital paulista, a partir das 17h.

“Estamos aqui para repudiar esse ataque covarde que a revista IstoÉ promoveu à presidenta Dilma. Numa reportagem insidiosa e mentirosa”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

“Estamos nas ruas com toda essa alegria, contando com a irreverência da juventude para barrar esse golpe contra o país e o povo brasileiro e dizer à mídia golpista que quando atacam a Dilma, atacam a todas nós, mulheres guerreiras brasileiras”, diz a sindicalista.

Representando a Unão Nacional LGBT, Valéria Rodrigues afirma que a UNA-LGBT está nas ruas para defender os direitos de todas as pessoas por uma vida digna. "É fundamental que nós, da comunidade LGBT, estejamos aqui nessa praça linda, defendendo nossos direitos".

Coordenado por inúmeros coletivos culturais de São Paulo, o sarau foi transmitido ao vivo na internet pela Fundação Perseu Abramo e pelos Jornalistas Livres. “As mulheres sempre estiveram na frente da batalha pela liberdade e por direitos iguais neste país”, diz a militante veterana Liége Rocha, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

A nefasta matéria de capa da revista IstoÉ foi lembrada todo o tempo. "Quando ofendem a Dilma, ofendem cada uma de nós, mulheres brasileiras”, fala Juliana Borges, secretária da Mulher do Partido dos Trabalhadores de São Paulo.

As apresentações artísticas foram se sucedendo no palco e nas imediações da praça. "O espaço público está sendo ocupado por uma juventude que pede avanços à jovem democracia brasileira", diz Cláudia Rodrigues, da UBM-SP. É o caso da Marina Veneto, presente no ato: "Toda mulher tem o coração guerreiro e, por isso, nós somos a democracia”.

Coletivos culturais da periferia se apresentaram. Rappers da Frente Nacional Feminista do Movimento Hip Hop cantaram e encantaram com poesias fortes contra o machismo e a misoginia (ódio às mulheres). “Os caras não têm se segurado porque não suportam o fato de termos hoje uma mulher no poder”, realça Preta Rara.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Mota Dau, lembrou que outras publicações fizeram a mesma coisa que a revista IstoÉ em diversos países onde as mulheres ocupam o cargo de mandatária. "Estamos nas ruas para denunciar todas as manipulações dessa mídia partidária, para defender a democracia e para superar todas as desigualdades”, defende Denise.

A ativista feminista Rachel Moreno fez questão de participar do sarau. "Eles pensaram que estávamos dormindo ou que sua ladainha midiática faria nossas cabeças, mas estamos bem acordadas e ligadas nos acontecimentos em tempo real”.

Logo a seguir, a presidenta da Apeoesp (sindicato das educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo) Maria Izabel Noronha, a Bebel, afirmou: "Não aceitaremos nenhum golpe contra a nossa jovem democracia. Permaneceremos nas ruas até enterrarmos de vez essa sanha golpista midiático-jurídica infame”.

Gicélia lembra que “o bicho homem é o único animal que agride a sua companheira”. Ela conta que, antigamente, sarau era feito pela burguesia e as mulheres eram vistas como adornos. "Agora fazemos este sarau para mostrar à burguesia que não aceitaremos nenhum direito a menos”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy – Foto: Mídia Ninja

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