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Sáb, Maio

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Surtos de ternura, fervor emocional, energia intensa, oscilações de humor: do êxtase ao desespero, dependência emocional, empatia e "pensamento intrusivo" ou meditação obsessiva - aquele estado de letargia em que a gente mergulha e se embriaga do ser amado... Do que estamos falando mesmo?
 
De sinais e sintomas do "estado de paixão", uma alteração da consciência, velha conhecida de gregos e troianos, que evidencia que nos viciamos e ficamos impregnados de alguém, pois o "estado de paixão" é uma decorrência de reações químicas que envolvem endorfinas, outros neurotransmissores e proteínas NGF (neurotrofinas) em combustões incensadas pelo olhar e/ou pelo olfato. Pessoas apaixonadas têm aumento dos níveis de dopamina - estimulante natural viciante...

A paixão é um vício, em qualquer idade, resultante de um imperativo físico-químico, sob certo controle da racionalidade e de interdições de diferentes ordens, que produz aquele desejo incontido de ansiedade de beijar na boca e de falar bobagens; de querer tocar, pegar, alisar, amassar, lamber, abraçar, sentir o cheiro do corpo e tudo o que nos balança, embriaga, embaraça, entontece, alucina e faz a gente "surtar" deliciosa ou dolorosamente quando a paixão não é correspondida.

A neurobiologia atesta a materialidade da paixão e do amor. Cabe pontuar que atração sexual, decorrente também de um imperativo físico-químico, embora integre a paixão, é uma coisa e paixão é outra. É possível ter atração sexual daquelas "matadeiras" sem que seja uma paixão. C'est la vie...

Os processos de encantamento de uma pessoa por outra tem origem num mesmo caminho químico. Ao "endoidecer" por alguém vivenciamos as mesmas emoções, apenas as pessoas mudam e como elas são diferentes e seus repertórios culturais são outros, sentimos diferentemente. É o que faz cada paixão única. Nem todo mundo entende ou aguenta o "tranco" do empuxo das endorfinas. Há pessoas que desenvolvem fobias à paixão e assim perdem muitos prazeres.

Sou uma "viciada" confessa em "estado de paixão". Amo estar apaixonada, o torpor que a paixão provoca e sentir em meu corpo a força das endorfinas, das altas doses de outros neurotransmissores e o empuxo das proteínas NGF. Tem idéia do que é um coração bandoleiro? É o complexo coração de pessoas viciadas em "estado de paixão".

A antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers (New Jersey, EUA), autora de "Porque Amamos", pesquisando 20 jovens universitários recém-apaixonados, submeteu-os à ressonância magnética, que visualiza o cérebro em atividade, em dois momentos: após olhar a foto da pessoa objeto da paixão e depois a de outra pessoa. As conclusões corroboraram outros estudos de imagem: hiperatividade em locais identificados como áreas que compõem o sistema de recompensa e prazer, as mesmíssimas envolvidas com a dependência de drogas psicotrópicas!

Para Fisher, a resposta cerebral na paixão e no consumo de drogas é semelhante. No tocante ao amor romântico, ela não vê mudanças da antiguidade aos dias atuais: "Podemos ver os elementos desse amor expressos em poesias antigas no mundo todo. E esses mesmos elementos continuaram na modernidade. Estamos falando de um sistema que é similar ao do medo. O objeto do seu medo pode mudar, mas o sistema cerebral que desperta essa sensação não. Da mesma maneira, nós nos apaixonamos por diferentes pessoas, mas o sentimento que temos é o mesmo".


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