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Sáb, Maio

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Uma extensa agenda mobiliza movimentos e organizações de mulheres na semana do 8 de março, data que lembra as bandeiras feministas por todo o mundo. A programação, que inclui debates e projeção de filmes, culmina com um ato na manhã de sábado (7 de março), a partir das 9 horas no vão central do Mercado Público. Haverá intervenções públicas e distribuição de fitas lilases, a cor-símbolo do feminismo.

No domingo, 8 de março, as mulheres voltam a se encontrar para o lançamento nacional do documentário filme Pray the devil back to hell (Reze para o Diabo voltar para o inferno), no shopping Itaguaçu (veja programação abaixo). A promoção é da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal.

Para além dos contornos festivos que o comércio costuma atribuir ao Dia Internacional da Mulher, os movimentos sociais e acadêmicos relembram a sua origem, marcada por intensas reivindicações sociais, política e trabalhista. “É uma data que simboliza a busca pela igualdade social entre homens e mulheres no sentido de que as diferenças biológicas sejam respeitadas sem servir de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher”, explica a coordenadora estadual da União Brasileira de Mulheres (UBM), Simone Lolatto.

Também participam da atividade a Casa da Mulher Catarina, o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas (MMTU), União de Negros e Negras pela Igualdade (UNEGRO), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), Instituto de Estudos de Gênero (IEG-UFSC), Laboratório de Relações de Gênero e Família (LabGeF-UDESC), representantes de partidos políticos, sindicatos e outras organizações da sociedade civil.
 
Mulheres em desvantagem
 
O movimento feminista teve no século passado alguns dos seus momentos mais efervescentes. Entre os mais conhecidos, estão a queima dos sutiãs pelas feministas européias em diferentes países no final da década de 60. Passados mais de quarenta anos desse episódio emblemático, o legado de Simone de Beauvoir e Clara Zetkin (que propôs a instituição do 8 de março como Dia Internacional da Mulher) encontra um contexto bem diferente. O impacto das mudanças provocadas pelas conquistas femininas, como direito ao voto, ao divórcio e à licença-maternidade revolucionaram o mundo ocidental, em especial.
 
Apesar disso, as bandeiras feministas continuam atuais nas sociedades patriarcais. Se a Lei Maria da Penha condenou o uso da força como instrumento de sobreposição da vontade masculina, o cuidado com a casa e os filhos continua sendo função exclusivamente feminina na maioria dos lares, o que faz perdurar a dupla jornada das mulheres. A última PNAD/IBGE contabilizou que entre as 109,2 milhões de pessoas a partir dos 10 anos que declararam realizar tarefas domésticas, 71,5 milhões (65,4%) são mulheres.
 
Elas também continuam em desvantagem no mercado de trabalho. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a média salarial das mulheres é, em média, 30% mais baixa que as dos homens, apesar delas possuírem níveis de escolaridade superiores: 7 anos contra 6,8. Em 2006, pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) constatou que as mulheres contratadas em Santa Catarina receberam 14,7% menos que os homens. Quando ambos têm ensino superior, este diferencial supera os 36%.
 
Desafios
 
Em tempos em que as reivindicações sociais começam a ser transformadas em políticas de Estado, os movimentos feministas também adquirem um papel vigilante do cumprimento de compromissos. É preciso pressionar para que os governos ampliem o orçamento destinado à efetiva implementação da Lei Maria da Penha e invista em medidas que ataquem diretamente os problemas das mulheres, como a falta de creches e atendimento adequado à saúde.
 
Outro desafio do movimento feminista é a sensibilização da sociedade para a igualdade de direitos. “O sistema patriarcal é tão arraigado que ainda é muito comum que as mulheres sejam vistas como propriedade dos homens. Mudar comportamentos e consciências leva séculos”, afirma Simone Lolatto.
 
Feminismo faz história em Florianópolis

 
A Casa da Mulher Catarina completa vinte anos em 2009. Criado a partir de um projeto de extensão do Departamento de Saúde Pública da UFSC, o grupo feminista desenvolve programas, capacitações e ações de acompanhamento das questões de gênero. Nesse período, a instituição, que tem sede em um prédio da Universidade no centro da capital, representou o Estado em discussões de nível nacional e até mundial, como a Quarta Conferência Mundial sobre Mulheres em Beijing, na China, em 1995.
 
Segundo a coordenadora geral da Casa, Neusa Freire Dias, os embates do movimento feminista para superar as discriminações contra as mulheres há duas décadas tinham contextos diferentes, mas as mesmas bandeiras: o direito ao aborto, à saúde, a um trabalho com salário digno, contra a violência e mais espaços nos espaços de poder. “A caminhada não foi fácil e parece que avançamos pouco, mas  hoje a mulher já desfruta de um lugar significativo na sociedade, embora a tarefa não tenha terminado. Existem ainda situações de opressão”, observa.


Programação Dia Internacional da Mulher


 

 

Data

Horário

Atividade

Local

Promoção

7/3

9h

Panfletagem e caminhada

Concentração no vão central do Mercado Público

Movimentos feministas

 

 

8/3

10h

Lançamento do filme Pray the devil back to hell (Reze para o Diabo voltar para o inferno)

Em Florianópolis no Cinema do Shopping Itaguaçu; em Tubarão no Espaço Farol de Cinema

Secretaria de Políticas para as Mulheres

 

9/3

9h

 

 

 

 

 

14h

 

 

 

 

 

 

19h30min

 

 

 

Palestra “Mulheres e feminismos: reflexões”, com a Profa. Dra Claudia Fonseca (UFRGS)

 

 

Aula Inaugural do PPGHS e do PPGICH com Irene Vaquinhas – Coimbra/Portugal: “Quando a gordura começou a deixar de ser formosura”

 

Lançamento de livros e revistas

Auditório da FAED/UDESC (Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi)

 

 

 

Auditório do CFH

 

 

 

 

 

 

Auditório do CFH

Laboratório de Relações de Gênero e Família/FAED/UDESC, Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade

 

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

 

 

 

 

 

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

10/3

15h

 

 

 

 

 

19h

Projeção do filme “Volver”(Almodóvar), seguido de debate

 

 

 

Palestra de Irene Vaquinhas

Auditório da FAED/UDESC (Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi)

 

 

 

UNISUL

Laboratório de Relações de Gênero e Família/FAED/UDESC, Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade

 

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

 

11/3

14h

 

 

 

16h30min

 

 

 

18h30min

Conversa com pesquisadores (Irene Vaquinhas)

 

Palestra “Gênero, poder e sexualidade”, com Fraçoise Gaspard

 

Mesa Redonda “Violências e conjugalidades: reflexões sobre a Lei Maria da Penha e os direitos das mulheres”

Auditório da FAED/UDESC (Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi)

 

Auditório do CFH/UFSC

 

 

 

Auditório da FAED/UDESC (Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi)

 

 

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

 

 

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

 

 

Núcleo de Identidade de Gênero e Subjetividade – NIGS – UFSC

 

 

12/3

14h

Palestra “Estudos sobre as mulheres em Portugal”, com Irene Vaquinhas (aula para estudantes de pós-graduação

 

Sala 334 – CFH/UFSC

Instituto de Estudos de Gênero  UFSC

 

 

 






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