Sidebar

23
Ter, Jul

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times




Para Fabiana Generoso, diretora da secretaria da Mulher da CTB-SP, mais do que uma comemoração a passeata teve o objetivo de mostrar à sociedade que a mulheres não irão se calar. “A CTB está aqui em nome das trabalhadoras na luta pela igualdade de direitos, pela legalização do aborto, além de mostrar que não queremos pagar por essa crise”, frisou.

Direito ao próprio corpo

 Durante o protesto foram feitas duras críticas à postura retrógrada da Igreja Católica e do arcebispo de Recife, que excomungou médicos e familiares de uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto.

A representante da União Brasileira de Mulheres - UBM, Olivia Rangel, afirmou que a UBM defende em seu programa a legalização do aborto como direito democrático das mulheres à autonomia sobre o próprio corpo e o livre exercício dos direitos sexuais e reprodutivos. Em sua fala Olivia se solidarizou com a criança violentada e sua mãe, com a equipe médica e as entidades feministas que se envolveram no episódio e conseguiram garantir um direito humano amparado pela lei. “Protestamos contra o estupro de uma menina de 9 anos e a atitude da Igreja. Isso mostra que ainda temos muito que conquistar! Lutamos para que uma mulher que realize um aborto não seja considerada uma criminosa”, declarou a representante da UBM.

As manifestantes destacaram também a importância de barrar uma CPI do aborto que está sendo gestada no Congresso Nacional. “Congresso, congresso, a CPI é um retrocesso”, foi uma das palavras de ordem mais ouvidas durante a passeata, que saiu do Paraíso descendo a Brigadeiro Luís Antônio em direção ao Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. Ao final, foi realizada uma grande ciranda em torno do monumento, que foi usado como palco para o protesto por manifestantes de diversas entidades que elevaram faixas pedindo a legalização do aborto e cartazes com fotos e nomes de mulheres que estão sendo processadas por terem praticado aborto.

Mulheres no poder


Durante o trajeto foram distribuídos aos transeuntes diversos panfletos que revelavam os motivos da passeata, bem como as desigualdades sociais a que são submetidas as mulheres. Um estudo do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) revelou que, na democracia representativa no Brasil e no mundo, o poder político institucional continua sendo masculino, assim como branco, heterossexual, cristão, urbano e proprietário.


Para as manifestantes, está mais do que na hora as mulheres exigirem seu espaço em todas as estâncias de poder. Ivania Moura, diretora da Secretaria da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo alertou que as desigualdades de oportunidades estão aí para quem quiser ver. “Ainda somos minoria do poder, apesar de sermos maioria na sociedade. Estudos e dados confirmam as desigualdades a que somos submetidas e as dificuldades que as mulheres têm para chegar ao poder, dentro dessa sociedade predominantemente machista”, garante a diretora.

 Rosa Anacleto, representante da CTB-SP, diz que o meio sindical é um exemplo. Para ela, deve ser implementado o critério de cotas que garanta a participação da trabalhadora. “Os sindicatos precisam implantar o critério de cotas de gênero. Percebemos que até no sindicalismo existe essa desigualdade de participação. Precisamos, além de implantar, respeitar as cotas para aumentar a participação das mulheres nos debates promovidos dentro do seu sindicato”, concluiu.

Além de mulheres, muitos homens também participaram do protesto.  Antônio Donizete Rodrigues, ex-metalúrgico, acompanhou a passeata desde o início e ressaltou a importância  do evento. “Os homens sempre estiveram no poder, então, é fundamental essa união das mulheres para reverter esse cenário. Porque esse espaço que hoje elas têm não foi dado, mas sim, conquistado!”.

As mulheres e a crise

Outro eixo da passeata foi a crise que assola o mundo capitalista e que tem fortes impactos nos países em desenvolvimento. Os pronunciamentos deixaram claro que o povo e as mulheres não querem pagar o custo desta crise. E defenderam a valorização do trabalho da mulher, que compreende garantia de acesso ao trabalho em condição de igualdade de direitos na lei e na vida, salário igual para trabalho igual e registro em carteira, entre outras reivindicações.



Para Gilda Almeida, secretária de meio Ambiente da CTB, que participou do protesto, além das questões específicas que balizam as lutas das trabalhadoras é preciso se mobilizar contra a crise econômica que emerge dos países capitalistas. “Hoje a principal questão é a crise e seus impactos para a mulher trabalhadora. Elas são as mais penalizadas. Essa luta é prioritária em nossa agenda”, afirmou.

A CTB acredita que este 8 de Março representou um avanço do movimento e na conquista de uma sociedade igualitária.

Clique aqui para ver as fotos da manifestação em São Paulo

Por Cinthia Ribas / Fotos: Láldert Castello Branco


0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.