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Sáb, Maio

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Essa pergunta veio à tona após a denúncia de censura no programa Altas Horas, da Rede Globo, feita pela jornalista maranhense Letycia Oliveira ao Portal Vermelho. Ela conta que foi convidada pelo programa para contar como superou a sua história de violência doméstica. As pesquisas indicam que a maioria das mulheres brasileiras já sofreram esse tipo de agressão.

A jornalista diz também que a produção ligou para ela dizendo que a entrevista não iria mais para o ar, por questões de segurança dela e da filha. “Eles não tinham noção de quão forte seria aquele depoimento, e mais, que aquilo poderia chocar mais do que as novelas”, diz.

Quando “um garoto do auditório me fez uma pergunta, a ‘clássica’, ‘por que a mulher volta pro agressor?’. Eu respondi que a mulher está só, muitas vezes depressiva, com a estima arrasada, e ama o agressor, ele pede desculpa, diz que vai mudar e você volta, e apanha de novo”.

jornalista feminista censurada altas horas

Letycia Oliveira no programa Altas Horas (Reprodução)

Praticamente as mesmas respostas dadas pela estudante de jornalismo Natália Belizário no site do Geledés. “Não podemos esquecer que relacionamentos abusivos não são marcados somente por violência física, mas também por violência psicológica”, afirma.

A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira, confirma o que elas dizem. “Vivemos numa sociedade onde quase tudo é proibido à mulher, inclusive trazer à tona a sua vida doméstica”.

Além disso, afirma a sindicalista, “em muitos casos a mulher sente medo e vergonha de denunciar o agressor”. Pereira diz ainda que a violência de gênero vinha sendo combatida de forma tenaz nos governos Lula e Dilma, “mas agora nos assombram retrocessos enormes”.

"É fundamental superar a cultura machista e conservadora, não apenas por parte dos juristas e legisladores. Há que se respeitar as conquistas democráticas e assim contribuirmos com a cultura do respeito e de uma educação libertária. A sociedade mudou, mas precisa se humaniza cada vez mais", afirma Ailma Maria de Oliveira, presidenta da CTB-GO.

Para Érika Pistere, secretária da Mulher da CTB-ES, ressalta a importância da aprovação da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio como formas de punir o agressor, mas ressalva a “falta de mais delegacias da Mulher, que elas funcionem 24 horas, em todos os dias da semana”.

Além disso, Piteres acredita na necessidade de se “trabalhar melhor as políticas públicas que facilitem a denúncia da violência e também se faça um trabalho de recuperação da autoestima das agredidas. E ainda as proteja”.

A colocação da sindicalista capixaba é confirmada pela história contada poro Kaique Dalapola no site ponte.org, onde ele relata a denúncia de uma jovem que foi assediada no cinema de um shopping em Recife e se viu obrigada a registrar a ocorrência com homens, sendo desrespeitada e aconselhada a desistir.

Já Piteres lembra da recente pesquisa do ActionAid Brasil, pela qual 87% das brasileiras relatam já terem sofrido assédio sexual na rua, no transporte público, no trabalho, entre outros locais.

Assista vídeo do grupo Mulheres que podem 

“Pensam que se a mulher está sozinha, está disponível, se usa short ou saia curta está querendo. Ignoram que somos livres para ir e vir para onde quisermos e vestir as roupas com as quais nos sentimos bem, sem significar que queremos ter relações com desconhecidos”, diz.

A ActionAid mostra também, no mesmo levantamento que 86% das entrevistadas mudam de atitude para se proteger. A estudante Ninive Nascimento conta viver em constante insegurança no caminho que faz de casa, em Heliópolis (favela da capital paulista) para o trabalho, depois para a faculdade e de volta para casa tarde da noite.

“Não existe ponto de ônibus em Heliópolis. Então, eu tenho que fazer a pé todo o caminho de casa até a rua principal e o ponto de ônibus. O ponto de ônibus é escuro e não tem segurança”, reclama.

 Ninive Nascimento Heliopólis sp 1

Ninive Nascimento, em Heliópolis, voltando para casa (ActionAid Brasil)

Pereira argumenta que o assédio sexual é o primeiro passo para a violência doméstica e para o estupro. "A mentalidade patriarcal acredita que pode fazer o que quiser com a mulher, pois ela pertence ao homem. Por isso, é fundamental combater essa mentalidade de todas as formas, principalmente com união de todas, irmanadas no desejo de viver sem medo".

Para denunciar:

Ligue 180

Disque 100

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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