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Quinta-feira, 12 de maio, no dia em que terminou, em Brasília, a 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4ªCNPM), a classe feminina amargou a notícia do afastamento da primeira mulher a presidir o Brasil, de maneira injusta e arbitrária.

O evento, que reuniu cerca de 3 mil mulheres de todas as regiões do País, teve a sua quarta edição num dos piores contextos políticos da história da Nação. Na luta por igualdade e maior participação feminina na política e nos espaços de poder, as participantes da conferência assistiram aos primeiros retrocessos das conquistas obtidas pelas mulheres nos últimos anos, com o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República e a exclusão total das mulheres da equipe de governo de Michel Temer, seu sucessor.

A 4ªCNPM foi encerrada com a consciência de que agora, mais do que nunca, a luta será árdua para manter direitos e dar continuidade às políticas de proteção e de direitos para as mulheres.

Logo após ter sido notificado da decisão do Senado Federal, que aprovou, na manhã desta quinta, a abertura de processo de impeachment e o afastamento por até 180 dias de Dilma, Temer assumiu e já anunciou seu novo quadro de ministros. Na equipe, nenhuma mulher, negro ou representante de movimentos sociais. Num País onde a população é formada por 51% de mulheres e cerca de 50% de afrodescendentes, o Congresso afastou a primeira mulher eleita presidenta e Temer extinguiu as mulheres dos ministérios. 

O Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos foi extinto. Os temas referentes à antiga pasta serão, agora, discutidos no âmbito do Ministério da Justiça e Cidadania. É o primeiro governo sem a presença feminina na direção desde o presidente Ernesto Geisel.

Para a Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira, “Não existe democracia sem a participação das mulheres” e assistimos neste momento “a uma agressão aos avanços sociais imensos que ocorreram no Brasil, inclusive quando, pela primeira vez na nossa história uma mulher foi eleita para assumir o maior posto da nação”.

Ela afirma que a maior crise enfrentada pelo País neste momento “é a crise democrática” e que o impeachment é um golpe, sobretudo, sexista. A eleição de Dilma, disse Ivânia, “ameaçou o poder machista, o poder do capital, porque, além de ser mulher, Dilma tem compromisso com as políticas sociais, com a garantia dos direitos. A expectativa para esse novo momento no Brasil, principalmente para as mulheres, é de grande retrocesso”, declarou a sindicalista.

De Brasília, Ruth de Souza – Portal CTB

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