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Sáb, Maio

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Viraliza na internet uma situação constrangedora ocorrida em uma prova oral para admissão de candidatos ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Nela, o promotor Alexandre Couto Joppert elabora um caso hipotético de estupro e cai na armadilha do inconsciente. Inclusive a prova foi gravada e tem um áudio divulgado na internet. 

Joppert expõe o caso: "um segura, outro aponta arma, outro guarnece a porta da casa, outro mantém a conjunção - ficou com a melhor parte, dependendo da vítima - mantém a conjunção carnal, e o outro fica com o carro ligado para assegurar a fuga."

A repercussão foi imediata. “É lamentável que uma coisa dessa aconteça em um órgão do Judiciário, que existe para nos defender”, reclama Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

À BBC  Brasil, Joppert disse que "essa frase, talvez ouvida fora do contexto, pode dar uma ideia errada. Eu quis dizer 'a melhor parte' não na minha ótica, obviamente. A melhor parte na ótica da mente doentia do criminoso. Em todo o estupro, o objetivo principal do criminoso, naquela patologia psíquica que ele tem, é alcançar a satisfação da sua lascívia. Como no estelionato a melhor parte a é obtenção da vantagem indevida".

A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, Gicélia Bitencourt argumenta que “quanto mais ele tenta se explicar, mais se complica. Está muito claro que a cultura do estupro não escolhe classe social e precisa de um combate mais efetivo com um amplo trabalho de educação de toda a sociedade”.

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Enquanto Ivânia ressalta a complexidade do tema. “Todas essas expressões e violências dos últimos dias estão intrinsicamente ligadas ao regime de exceção que estamos vivendo”, diz. “O que esperar de um governo composto por homens, brancos, ricos e defensores desse nível de posicionamento?”

Para ela, os projetos do governo golpista e os em tramitação no Congresso Nacional que retiram direitos da classe trabalhadora e, essencialmente das mulheres “incitam essas posturas, a violência,a misoginia e empobrece a vida de todos e todas, porque nos joga na barbárie”.

Gicélia afirma que “a visão de que o afastamento da presidenta Dilma, deixou as mulheres sem proteção parece ter reacendido uma vontade de vingança contra as conquistas que tivemos e contra os espaços que conquistamos”.

“Aflora também um sentimento de impunidade com o recente corte de mais de R$ 12 milhões da já enfraquecida Secretaria de Políticas para as Mulheres”, afirma Ivânia. Além disso, diz ela, “a mídia reforça a cultura do estupro quando mostra a mulher como objeto”.

Ouça o áudio abaixo:

De acordo com a reportagem da BBC Brasil, o Ministério Público do Rio instaurou procedimento para apurar a conduta de Joppert e que ele foi afastado cautelarmente da banca examinadora até que tudo se resolva.

Mesmo com os pedidos de desculpas feitos por Joppert, a antropóloga Jacqueline Muniz, professora da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, acredita que ele “incitou mais uma vez a prática de estupro, portanto é chocante que isso venha de segmentos do Ministério Público que representam a sociedade. É como se a atitude dele fosse duplamente violenta: ela por si mesmo reitera a lógica da cultura do estupro, e a outra pela posição que a pessoa ocupa, certamente fere decoro e ética de sua função".

Ivânia acentua que a questão colocada pelo promotor “da forma como foi feita se iguala à fala do deputado Bolsonaro (Jair) quando disse à deputada Maria do Rosário que não a estupraria por ela ser feia. É a mesma ideia absurda de que a mulher é propriedade dos homens”.

De acordo com ela, “inclusive a Justiça começa a tomar como verdade o não direito, a não cidadania e o não respeito aos direitos mais elementares da pessoa humana”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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