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A nadadora pernambucana Joanna Maranhão conta em entrevista à repórter Renata Mendonça, da BBC Brasil, como superou o abuso sexual que sofreu aos 9 anos. Na qual, a atleta defende educação sexual nas escolas para prevenir ações de pedófilos.

A denúncia feita por ela em 2012, contra seu ex-treinador, resultou na Lei 12.650/2012 - batizada de Lei Joanna Maranhão -, que altera o Código Penal e, a partir de então, a prescrição de crime de abuso sexual, começa a contar somente quando a vítima completa 18 anos e não a partir de quando ocorreu a ação criminosa.

A nadadora que disputa sua quarta olimpíada no Rio de Janeiro, aos 29 anos, criou em 2014 a ONG Infância Livre para apoiar crianças que sejam molestadas sexualmente na região da Grande Recife, onde ela reside atualmente.

Em sua ONG ela diz receber "muitas mensagens com relatos de vítimas de abuso”. Para ela, "mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola".

"Uma pessoa com o destaque que tem a Joanna Maranhão, defender a inclusão de educação sexual nos currículos escolares é importante para mostrar a necessidade de se levar para dentro das escolas o debate sobre as questões de gênero, tanto para as meninas quanto para os meninos", diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

"Isso é importante, porque orienta as crianças sobre algo que elas ainda não são capazes de entender sozinhas e, portanto, não sabem lidar", afirma Isis Tavares, presidenta da CTB-AM. Para ela, "esse tipo de orientação para crianças e adolescentes nas escolas deve ser abordado com base na biologia e na psicologia, levando em conta a afetividade e questões sobre a cidadania, tudo de modo interligado para possibilitar o conhecimento pleno e sem tabus", complementa.

Para Marilene, “a escola tem que ser plural. Precisa ter um olhar amplo sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo”. Por isso, “nós defendemos que a escola forme cidadãos e cidadãs plenamente, com uma pedagogia voltada para o respeito e para a igualdade”.

Mas a educadora ressalva que não adianta querer ensinar a anatomia do corpo humano, em vez de “debater tudo o que envolve a sexualidade humana e levar para as crianças e jovens informação adequada sobre tudo o que se relaciona com os seus corpos e de como enfrentar os problemas do desenvolvimento humano”.

Ela defende que os currículos contenham todos os assuntos que afetam a infância e a juventude, "ensinando-os a estarem preparados para enfrentar a vida com a disposição necessária".

Para evitar que aconteçam violências como o caso de Joanna, Marilene defende que é fundamental “romper o tabu de a escola não poder dialogar com as crianças e jovens sobre tudo o que se relaciona com a vida delas, inclusive para precaver ações de pedófilos”.

“A família cumpre um papel importante na educação e proteção dos filhos, mas é na escola que crianças e jovens têm a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial, desde que a educação tenha o compromisso de ensinar os alunos a trilhar os caminhos dos avanços que a humanidade requer”, reforça Marilene.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: CBDA SSPress

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