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Sáb, Maio

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Às ruas

 Ao som do grito de guerra “Legalizar o aborto, direito ao nosso corpo” mais de mil mulheres e homens saíram da Praça Patriarca, rebatizada de Matriarca por elas, e percorreram as ruas do centro da cidade para reivindicar igualdade de direitos, salários, o combate à violência e a discriminação.

Organizada pela CTB – em parceria com entidades dos movimentos sociais estudantes e partidos políticos, como UBM, Unegro, entre outras –, a manifestação contou com faixas, banners, camisetas e até cartazes escritos à mão que reforçavam as denúncias de discriminação sofrida pelas mulheres há mais de um século.  “São mais de 100 anos de lutas e vitórias. É uma luta que temos que travar cotidianamente”, afirmou Rozina Conceição, coordenadora estadual da UBM (União Brasileira de Mulheres).

 Durante a passeata, se manifestaram mulheres de diversas categorias. Bancárias, metroviárias, professoras universitárias, farmacêuticas, advogadas, entre outras. Para elas, além de comemorar o Dia Internacional das Mulheres, o prioritário foi mostrar que estão na luta e farão valer seus direitos. “Não encontramos espaço na mídia cotidianamente. Por isso estamos aqui para levantar nosso grito e fazer valer nossos direitos. Queremos que eles sejam cumpridos”, clamou a representante da UBM.

A dirigente se referiu principalmente à Lei Maria da Penha, que, apesar de representar uma conquista, enfrenta os ataques da bancada machista em Brasília, que pretende alterar a lei. “Temos que cobrar a aplicação da lei. O funcionamento das delegacias para mulheres deve ser aprimorado, com melhores horários, profissionais mais preparadas, para atender à mulher vítima da violência”, revelou Rozina Conceição.

Tripla discriminação

 Na dura luta por equidade de direitos e contra a opressão - uma luta que já perdura por mais de cem anos –, atualmente as mulheres ainda enfrentam, além da questão da violência, a discriminação na vida social e no mercado de trabalho, que está enraizada no pensamento machista da sociedade brasileira.

Vitima constante de discriminação, a mulher tem esse quadro agravado quando é pobre e negra.  Rosa Anacleto, representante da Unegro, observou a situação das enchentes nas periferias. “As pesquisas mostram que nós, as mulheres negras e pobres, somos as que mais sofremos com a discriminação. Nessa época de enchente quem mais sofreu foram as mulheres, as mães, que habitam as periferias por não terem condições financeiras de estarem em um lugar melhor. Queremos emprego, estudo e segurança, para nós e para nossos filhos. Não aquela segurança que oprime, que persegue os pobre e os negros. Mas sim aquela que nos dá condições de estarmos no mercado de trabalho, consciente de que nossos filhos estão seguros. Queremos estar em pé de igualdade com os homens. Para disputarmos espaços de igual para igual”, afirmou a representante da Unegro.

Outro tema que mereceu destaque durante a marcha foi a questão da legalização do aborto. Especialistas alertam para o risco que as mulheres correm ao realizarem o procedimento em clínicas clandestinas. ”São as mulheres pobres que mais sofrem com a criminalização do aborto, elas sofrem o riscos dos procedimentos e do pós-aborto. Já aquelas que têm dinheiro vão fazer em clínicas particulares, com toda estrutura e segurança”, lembrou a representante das católicas pelo Direto de Decidir.



Mulher: trabalhadora, mãe e dona de casa


 Bandeira defendida pela CTB e demais centrais sindicais, a Redução da Jornada sem Redução de Salários foi um dos eixos da passeata. Luzinete da Silva, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, lembrou que exposta à tripla (e extenuante) jornada, a trabalhadora, defende como ninguém a redução para 40 horas. “Hoje não estamos apenas celebrando os 100 anos do Dia Internacional da Mulher. Estamos reivindicando postos de poder, principalmente na política.
Queremos mais mulheres nos representando na câmara, no senado. Em todas as instâncias: estaduais, municipais e federais. Outra reivindicação, e talvez uma das mais importantes, é a Redução da Jornada. Isso não deveria nem ser reivindicado, deveria ser um direito pelas múltiplas jornadas que realizamos", disse.

Luzinete ainda lembrou a questão da licença-maternidade de seis meses, que é um direito facultativo e não obrigatório. “Só teremos direito à licença de seis meses quando ela for obrigatória. Do contrário não será cumprida pelos patrões. É importante mostrarmos que estamos aqui para garantir nossas conquistas e direitos. Pela igualdade de direitos e salários!”, concluiu, com o brado, a dirigente sindical.

Elaine Damásio, secretária de Finanças do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que reforçou a importância da luta pela Redução da Jornada, advertiu que ainda há muito que se conquistar.  “Apesar de ser um momento de comemoração, pelos 100 anos da data, ainda há muito que se conquistar. Estamos longe da igualdade, na base da pirâmide”, frisou.


Cenário político


Com posições políticas diferentes, as manifestantes por vezes lembraram o importante momento que se aproxima: o do processo eleitoral, quando aqueles que defendem a política neoliberal, que representa o retrocesso, podem voltar ao poder.

“Não podemos deixar que isso aconteça. Que aqueles que defendem uma política privatista, a entrega do patrimônio público à iniciativa privada, volte ao poder. Temos que defender um governo que garanta o avanço das conquistas e a continuidade desse processo implementado a partir de 2002”, afirmou a representante da União Brasileira de Mulheres, ao final da passeata.

A caminhada terminou na Praça da Sé, nas escadarias da catedral, onde as manifestantes prestaram solidariedade às mulheres do Irã, Haiti, Colômbia, África, entre outros, que enfrentam um cotidiano marcado pela violência.





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Cinthia Ribas – Portal CTB
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