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Sáb, Maio

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Nem a semana em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, fez diminuir a violência contra a mulher na Bahia. Nesta quinta-feira (11/3), os jornais locais noticiam o assassinato de mais três mulheres, sendo duas comprovadamente vítimas de seus companheiros. A terceira vítima foi executada a tiros em casa, na frente do filho de sete anos. Infelizmente, os casos não são isolados e refletem a triste realidade das mulheres baianas.

Para se ter uma ideia do problema, só em Salvador, de 1º de janeiro a 4 de março de 2010, as duas unidades da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam) registraram 2.194 ocorrências. “A maioria dos casos de violência contra a mulher tem como agressor o companheiro da vítima. Esta, antes, silenciava, mas, hoje, procura a delegacia nos primeiros indícios de violência, pois estão mais confiantes na aplicação da penalidade prevista na Lei Maria da Penha”, pontua a delegada Cely Carlos, titular da Deam do Engenho Velho de Brotas.

As vítimas de crimes passionais desta semana foram Camila Vieira dos Santos, 21 anos, e Ivete Jesus dos Santos, 36 anos, ambas mortas a tiros pelos companheiros. Os crimes ocorridos, respectivamente nos municípios de Itabuna e Ilhéus, no sul do estado, têm várias semelhanças, como o fato de terem ocorrido após o fim de relacionamentos conturbados e marcados pela violência. Os casos são parecidos com os que vitimaram três mulheres em menos de 24 horas no estado, no final de janeiro. O desfecho também é igual, até o momento os criminosos continuam foragidos.

Apesar da Lei Maria da Penha, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das mais avançadas do mundo, a impunidade ainda é uma realidade quando se fala em violência contra a mulher. As denúncias aumentaram mais o número de ocorrências ainda é muito alto, principalmente o de assassinatos. De acordo com a delegada Cely Carlos, a principal causa da violência doméstica é cultural. “Os homens não foram e ainda não são criados para entender que são iguais às mulheres, até porque o homem é criado podendo fazer tudo e a mulher, com restrições”, avalia.

Exatamente por isso, o combate à violência contra mulher é um dos principais temas em debate durante as atividades em celebração ao centenário do Dia Internacional da Mulher, na Bahia. As formas de combate a este crime foram amplamente difundidas durante a marcha das mulheres de Salvador, no 8 de março, e o assunto continua a ser abordado em eventos por todo o estado, nas atividades do projeto Março Mulher. O principal objetivo da campanha é romper o silêncio das vítimas.

Ainda existem mulheres que resistem em denunciar a agressão sofrida por medo de ameaças, dependência financeira ou um sentimento que nutre pelo agressor. “São situações relacionadas com questões psicológicas. A vítima, muitas vezes, não se dá conta do que faz, se vê presa e sem possibilidade de sair da relação”, explica a psicóloga Fernanda Landeiros. A especialista chama atenção ainda para os danos que podem ser causados a partir da violência, seja física ou moral. “A violência doméstica ocorre de vários modos. A agressão física é o ápice. Mas a agressão verbal também compromete a autoestima, podendo levar a um transtorno psíquico”, explica.

Eliane Costa


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