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Sáb, Maio

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Terminou no último domingo (04) com a Declaração de Havana, o 6º Encontro Sindical Nossa América (ESNA), iniciado no sábado (03) em Cuba pela Federação Sindical Mundial (FSM).

Foram dois dias de debates, quando cerca de 455 delegados e delegadas de 181 organizações representando 30 países, aprofundaram a discussão acerca da importância da integração latino-americana e a necessidade de luta social contra a ofensiva do capital na América Latina e no Caribe.

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Na plenária final, os representantes aprovaram a Declaração de Havana, um documento oriundo das discussões efetuadas, que declara o apoio aos governos progressistas, ante as ofensivas neoliberais do imperialismo e incluí uma série de ações em defesa da da classe trabalhadora do continente.

No documento, os sindicalistas destacam a necessidade da luta social contra a ofensiva do capital. “São as lutas populares as geram condições para a ascensão ao poder de nossos países, de projetos que incluem no âmbito constitucional a agenda trabalhadora da cidade, campo, mulheres, jovens, e das minorias” afirma o texto.

A Declaração de Havana lida Juan Castilho, coordenador-geral do ESNA, expressa também total apoio a Cuba. "Território em que se desenrola a mais importante experiência na construção do socialismo", destaca.

 

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Em sua intervenção Juan Castillo, também reforçou o apoio ao Governo e ao povo da Venezuela antes das tentativas de desestabilização na Venezuela impulsionada pelo governo dos Estados Unidos, que têm aumentado desde fevereiro passado.

"A situação denunciada, tem como objetivo provocar e gerar contradições na população desses países, a fim de buscar um confronto do povo contra o povo, apoiado por uma campanha de mídia. Temos de tomar uma resolução condenando o imperialismo empresa e suas diversas estratégias para dominar o nosso povo e declarar a mais profunda solidariedade com a Revolução Bolivariana, o povo venezuelano e o governo liderado por Nicolas Maduro", conclamou.

 

6esna final10Os delegados ratificaram ainda apoio à Venezuela pelo então presidente Hugo Chávez, agora sob a liderança do presidente Nicolas Maduro. Os sindicalistas  também alertaram sobre a ofensiva reacionária na região contra os governos progressistas do Equador, Bolívia e Nicarágua. E os perigos de retrocesso no Brasil a partir do resultado do processo eleitoral presidencial a realizar-se ainda em 2014.

Ramón Cardona, coordenador-geral FSM nas Américas convocou uma frente comum contra a criminalização dos processos progressistas e as lutas populares no mundo. "São lutas populares que criaram condições para a ascensão ao poder em vários dos nossos países, incluindo projetos dos trabalhadores do campo, das mulheres e dos jovens e minorias”, disse.

1º de Agosto: Dia de Luta Continental

Para João Batista Lemos, vice-presidente da FSM, o Esna não é movimento político social, que tem como núcleo as centrais. “Nossas bandeiras do estão calcadas no processo de integração do nosso continente. É preciso fortalecer o protagonismo politico nesses processos de integração tipo Unasul, Celac, Alba porque sem o protagonismo político da classe trabalhadora essa integração sem um aprofundamento pode não servir aos povos”, ressaltou Batista.

O dirigente lembra que com a crise sistêmica do capitalismo, a Europa que sempre foi um paradigma para os sindicalistas, passa hoje por uma crise muito grande e os trabalhadores não tem conseguido mudar a situação. “Foram muitas greves em Portugal, na Grécia, na Espanha e não conseguiram mudar nada em termos da regressão dos direitos sociais. Já aqui no nosso continente há um avanço do sindicalismo de classe a partir da vitória dos governos progressistas”, salienta Batista.

Tanto que o ESNA aprovou o Dia de Luta Continental em Defesa da Revolução Bolivariana na Venezuela, com Nicolás Maduro à frente. Outras bandeiras serão a Paz na Colômbia, contra a criminalização dos movimentos sociais pelo imperilismo norte-americano, e o desemprego. "São bandeiras essencialmente politicas. Mas com elas vamos levantar a luta em todo continental em parceria com o conjunto dos movimentos sociais e não apenas das centrais. No Brasil vamos chamar diversas entidades dos movimentos sociais para juntos sair as ruas”, revelou Batista.

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Brasil: Capitulo básico

A ampliação da participação tanto de delegados como de entidades do movimento sindical e social, foi comemorada pelos organizadores que destacaram a relevância da representatividade para os povos ali representados.

"O sexto encontro foi uma oportunidade, desenvolvimento e evolução da participação quantitativa, mas, sobretudo a sua participação qualitativa elevando os debates e fomentando reflexões acerca da realidade política, da nova geopolítica e sobretudo desse nosso ambiente latino-americano e Caribenho”, afirmou Divanilton Pereira, secretário de Relações Internacionais da CTB.

Opinião compartilhada por João Batista Lemos, que destacou o crescimento da representativa e a ampliação geopolítica do Encontro. “O ESNA começou como um encontro de correntes classistas e hoje passa a ser um encontro de centrais e movimentos sociais com base de trabalhadores como a União de Bairros dos Estados Unidos o Movimento Indígena da Guatemala, do Peru, o Movimento Sem-Terra (MST). E vem crescendo junto com o crescimento das conquistas políticas sociais na América Latina com a vitória em 98 com Chávez, depois Lula, Evo Moralez, José Mojica... O ESNA vem acompanhando o crescimento da luta política e dos avanços no continente”.

 

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Ao fazer uma análise do Encontro o dirigente analisa como altamente positivo. “Participaram desta edição diversas organizações, a exemplo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), da União Sindical de Trabalhadores (UST), a Intersindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra não veio, mas justificou sua ausência. E nós vamos atrás para organizar esse novo capítulo do ESNA porque nos propomos a ser um espaço de ação antineoliberal e anti-imperialista. Mas se nem no nosso país conseguirmos construir a unidade de ação, como vamos fazer isso em nível continental? Então, temos esse desafio para construir o capitulo Brasil do Encontro Sindical Nossa América”, destacou Batista.

É também o que pensa Divanilton Pereira, que também é coordenador da FSM Cone Sul. “A CTB se sente confortável do ponto de vista de sua contribuição e continuará fortalecendo esse processo. Nosso continente há doze anos vive um novo momento histórico. Então, dentro dessa perspectiva, preciso garantir novos avanços e evitar o retrocesso em função de uma nova ofensiva anti-imperialista”, argumentou.

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Na plenária final, representantes de sindicatos de China, França e Nigéria, chamaram as organizações a globalizar a luta pelas reivindicações trabalhistas e sociais.

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Confira algumas das bandeiras contidas no documento:

  • Defesa dos direitos trabalhistas e sociais; para o pleno emprego , redução da jornada de trabalho sem perda de remuneração .
  • Contra o trabalho precário, a discriminação no trabalho com base em gênero, etnia, religião e orientação sexual; contra a privatização e para o Estado a assumir o seu papel como indutor do desenvolvimento econômico e social e educação universalizar as políticas públicas, saúde, transporte e Previdência social.
  • Integração soberana Pro e da solidariedade entre os povos e apoio para a mudança política e social.
  • Para a unidade contra a ofensiva militar do imperialismo e seus aliados conservadores e forças corruptas da região.
  • Reforçar a luta em defesa da soberania alimentar sobre os recursos de energia, água , biodiversidade e sustentabilidade ambiental.

 

De Havana, Cuba
Cinthia Ribas - Portal CTB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

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