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Impactos da privatização do setor elétrico na vida dos trabalhadores foi tema de uma audiência realizada hoje (10) na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados. O debate foi uma proposição dos deputados Assis Melo (PCdoB-RS), Erika Kokay (PT-DF) e Leonardo Monteiro (PT-MG), com a participação de entidades representativas e trabalhadores das empresas integrantes da Eletrobrás. 

Durante exposição, Gustavo Teixeira, representante do Dieese,  desmistificou a questão da eficiência, um dos argumentos usados pelo governo para a privatização. Teixeira usou dados do estudo divulgado pelo Dieese sobre a desestatização do setor. Ele afirmou que, segundo o estudo, quando são analisados os resultados do processo de privatização do setor elétrico brasileiro da década de 1990, é possível verificar a precarização dos serviços e das condições de trabalho e o aumento das tarifas acima dos índices de inflação. Ademais, empresas públicas de energia elétrica são comuns e estão crescendo nos Estados Unidos e em diversos países da Europa. A principal marca do processo de privatização na década de 90 foi a ampliação da terceirização. "O emprego formal caiu, a tarifa, acidentes de trabalho, condições precárias, aumentaram", afirmou.

O impacto na vida dos trabalhadores foi enfatizado por Fabíola Latino, representante do Coletivo Nacional dos Eletricitários. Ela destacou que o desemprego, a perda de direitos, serão ameaça crescente. "Aconteceu com a CESP e CELG, privatizadas recentemente. A CELG já teve 50% do seu quadro demitido em menos de um ano. Acidentes de trabalho se ampliarão, pois saúde e segurança serão relegados a segundo plano - vão querer  cortar custos de todas as formas. Haverá ainda aumento de tarifas de todos os serviços que estão no meio desse processo. A gente vê que vai ser  um processo onde direitos e benefícios básicos, como plano de saúde, previdência, serão cortados, enxugados", alertou Fabíola, chamando atenção ainda para a possibilidade de um apagão.

Gunter Angelokorte Dieéa, da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Engenheiros (FISENGE), disse que além dos prejuízos na vida dos trabalhadores, "a venda de empresas do setor elétrico vai tornar energia, telefone e internet ainda mais caros no Brasil".
 

Ameaçada pelo governo entreguista de Michel Temer, a Eletrobras é a maior empresa de energia da América Latina, estratégica para o desenvolvimento do País. Nailor Gato, vice-presidente da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), alertou para o fato de que "a privatização da Eletrobras é mais uma negociata desse governo ilegítimo, cujo compromisso é apenas com o capital financeiro, para aplicar a agenda neoliberal rejeitada por quatro vezes nas urnas".

O pacote de privatizações promovido por Temer contempla a venda de 57 empresas dos setores aéreo, portuário, elétrico, fundamentais à soberania e ao desenvolvimento do Brasil. Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), presidente da Frente Paramentar Mista em Defesa do Setor Elétrico, o que está ocorrendo é também um "ataque ao desenvolvimento científico e tecnológico. O Brasil está sendo desconstruído na sua soberania de forma muito rápida e assustadora", disse a deputada.

"Quando se parte de um governo que deu um golpe não é surpresa. Conceito dessa administração é Estado mínimo para o povo. Esse presidente é um dono de supermercado que pôs o País em liquidação e isso não pode ser feito à revelia do povo", declarou a parlamentar Luciana Santos (PCdoB-PE).

"De que lado está a agência reguladora (ANEEL)?", questionou o dirigente da CTB, representante do Sindicato dos Urbanitários no Amazonas, Edinei Martins. Ele chamou atenção para a necessidade de conscietizar a população sobre o significado da desnacionalização das empresas públicas. 

"Essas audiências aqui e nos estados são extremamente importantes para que a gente organize uma luta de resistência contra a entrega do patrimônio nacional e contra este equivoco que é a entrega do setor elétrico brasileiro para  rentistas e empresas multinacionais. É importante esclarecer à sociedade de que energia não é uma mercadoria. Deve ser utilizada para fomentar nossa indústria, comércio, não deve ser objeto de lucro para especuladores internacionais. Portanto, a  visão de vender o setor elétrico do Brasil é o maior ataque à soberania nacional, porque deixa o país, a indústria brasileira, dependente de outras nações. No Amazonas o risco é maior porque estamos falando de se entregar um passe livre para que nossas riquezas naturais sejam exploradas pelas multinacionais", concluiu Martins.

Representante da central e dos urbanitários do DF, Íkaro Chaves acrescentou - "o que esse governo quer é transformar o setor de energia elétrica do Brasil num oligopólio privado, que vai ser controlado por meia duzia de empresas estrangeiras".

Vítor Frota, dirigente da CTB-DF, concluiu dizendo que "a população perde na qualidade dos serviços, os trabalhadores, com demissões e acidentes de trabalho. Precisamos nos mobilizar para levar esse assunto ao conhecimento da população".

De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB

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