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Trabalhadores, sindicalistas e moradores da Baixada Santista se reuniram na noite da última quarta-feira (27) em Santos para o Ato Sindical Unitário ‘Verdade e a Memória dos Trabalhadores por Justiça e Reparação’. 

O encontro, organizado pelo Coletivo Sindical do Grupo de Trabalho (GT) “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical”, ligado a Comissão Nacional da Verdade (CNV), permitiu o resgate à luta dos trabalhadores durante o período do Regime Militar, homenageou as pessoas que fizeram parte desta história e cobrou resultados das Comissões da Verdade instaladas por todo o Brasil.

A mesa do foi composta por representantes das centrais sindicais, Raphael Martinelli, o presidente da Comissão Estadual da Verdade ‘Rubens Paiva’, Adriano Diogo, e de Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade e coordenadora do Grupo de Trabalho ‘Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical’. “Nós não temos o objetivo só de contar essa história. É necessário enfrentar, sem esquecer a luta dos velhos combatentes e não deixar nada barato, apurar e punir morte por morte, tortura por tortura”, declarou Adriano.

O representante da CTB, Uriel Villas Boas, que integrou a mesa, avaliou que o evento foi importante para que as centrais sindicais se forteleçam na busca pela verdade, sobre as brutalidades ocorridas contra os trabalhadores durante a ditadura instaurada no país.

No ato foram exibidos diversos vídeos com depoimentos de atingidos e que mostram a resistência feita pelos trabalhadores ao regime militar. Parte importante foi sobre o Fórum Sindical de Debates , fundado em 1956 por 53 sindicatos de Santos e Região. A entidade é considerada a primeira central intersindical regional do Brasil. Na época, era uma das mais poderosas organizações de trabalhadores, e consequentemente estava na mira dos agentes da ditadura.

O dirigente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária Oswaldo Lourenço, de 88 anos, foi duramente perseguido pela ditadura, sendo preso no ‘Raul Soares’ e no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo. “Lembro que quando minha primeira filha nasceu fui visitá-la no Hospital e uma enfermeira me pegou pelo braço e me levou para uma saída nos fundos do Hospital, porque a polícia estava na porta esperando que eu saísse para me prenderem”, recordou-se o militante.

Na quinta-feira (28), aconteceu a segunda parte do Ato, com o recolhimento para a CNV de depoimentos de pessoas que foram alvo de violações, perseguições, presas e torturadas. O Ato e os testemunhos aconteceram no Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista.“É importante investir o tempo em um trabalho como esse. Somos muitos e se nos organizarmos faremos valer a justiça”, finalizou Rosa Cardoso.

A região litorânea paulista foi um dos fortes alvos da repressão, que instalou em Santos o navio prisão ‘Raul Soares’, servindo como cárcere para sindicalistas, trabalhadores e militantes políticos. 

Por Fabíola Andrade 

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