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Trabalhadores do campo e da cidade do interior do estado de São Paulo foram homenageados neste sábado (26) no “Ato Unitário em Homenagem à Memória dos que lutaram, para que a Sua Luta Seja Eternizada”, realizado em Sorocaba, São Paulo.

O evento foi realizado pela CNV e pelo Grupo de Trabalho (GT) “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e às Trabalhadoras, e ao Movimento Sindical”, coordenado por Rosa Cardoso e composto por dez centrais sindicais (CSB, CUT, CTB, UGT, CGTB, Força Sindical, Nova Central, CSP-Conlutas, Intersindical e Intersindical Central).

“Esse é certamente um dia inesquecível, inesquecível porque reúne aqui pessoas de diferentes procedências, de diferentes idades, de diferentes ofícios, mas todas elas pertencendo à mesma tribo, que é a tribo dos trabalhadores, do movimento sindical, dos indignados com a violência praticada pelo Estado”, afirmou Rosa Cardoso. “Essa é uma comissão que tem levantado incessantemente que a questão da memória não se esgota na própria comissão, mas deve avançar na luta por justiça”, disse.

O ato foi realizado em Sorocaba porque a região concentrou, na primeira metade do século XX, com a expansão da malha ferroviária e das indústrias no estado de São Paulo, trabalhadores ferroviários, rurais, metalúrgicos, bancários, têxteis, entre outros. Essas categorias se organizaram para reivindicar melhores condições de trabalho e muitos deles se articularam por meio de sindicatos. Em 1964, com o golpe, muitos foram perseguidos e vítimas de violações de direitos humanos.

Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a perseguição a trabalhadores e organizações sindicais se intensificou. Houve muitas prisões, detenções ilegais, torturas, assassinatos, desaparecimentos, demissões em massa, além das intervenções em sindicatos.

“Os militares fizeram o serviço sujo, mas quem derrubou João Goulart foi a canalha a golpista civil cujos crimes não foram apurados. Por isso, as Comissões da Verdade representam o processo mais importante da recuperação da memória e da dignidade do povo brasileiro, ao demonstrarem que as empresas financiaram o golpe, usufruíram do golpe e todas as apropriações indevidas que houve após o golpe não foram revistas. É a política da reconciliação entre gaviões e passarinhos como se fosse possível colocar no mesmo poleiro assassinos e assassinados, vítimas e algozes”, afirmou o deputado Adriano Diogo.

Entre as lideranças da época perseguidas e homenageadas no evento estão os ferroviários Raphael Martinelli (presente no evento), Guarino Fernandes dos Santos, Hary Normanton, Nilson Costa, Sebastião Pereira da Silva e Hélio Lobato. Dos têxteis, foi lembrado Antonio Chamorro; dos metalúrgicos, Antonio Cabeça Filho e Wilson Fernando da Silva (Bolinha), dos trabalhadores rurais, Nestor Vera, Paulo Kurak e Armando Kurak e, da luta dos aeronautas, o comandante Paulo de Mello Bastos.

O evento contou com exposição de fotos histórias do acervo dos trabalhadores e com a exibição de um vídeo (clique aqui para assistir). Foi feita também coleta de testemunhos. Atos unitários como este estão sendo organizados em diversas regiões do Brasil, não apenas com a finalidade de prestar homenagens, mas também de recolher documentos e testemunhos. A repressão a trabalhadores e ao movimento sindical será tema de um dos capítulos do relatório entregue à CNV.

Fonte: Blog GT dos Trabalhadores 

 

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