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O Coletivo Sindical de apoio ao Grupo de Trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV) “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical” realizou em parceria com as comissões estadual e nacional da verdade, neste sábado (15), um amplo debate sobre o envolvimento das empresas que apoiaram a ditadura militar.

A atividade, que ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, foi dividida em duas partes: Pela manhã, num debate não-público, quatro pesquisadores apresentaram seus estudos em relação ao tema.

No período da tarde os convidados: Denise Assis, Jorge José de Melo, Pedro Campos e Marlon Weichert, fizeram um resumo das exposições realizadas anteriormente e abriram para o debate com o público.

O evento contou com a participação do presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva”, Adriano Diogo, que coordenou a mesa junto com a integrante da CNV, Rosa Cardoso e o coordenador do grupo de trabalho, Sebastião Neto.

Na ocasião, muitos participantes destacaram que o golpe de 1964 “quebrou a organização sindical dos trabalhadores” e que foi consolidado com o apoio de grandes grupos empresariais que enriqueceram, e se mantêm sua hegemonia até os dias atuais, devido à contribuição com o regime militar.

Um exemplo deste dado, apresentado pela jornalista, Denise Assis, são vídeos que serviram como instrumento para convencer e manipular a sociedade brasileira para a implantação do regime ditatorial.

A pesquisadora localizou 14 vídeos produzidos pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipês) que, segundo a definição dela, tratava-se de “um grupo conspiratório que se formou para tramar a derrubada de João Goulart” – um deles foi transmitido para os expectadores verem a propaganda ideológica.

Denise denunciou que as empresas: Listas Telefônicas Brasileiras; Ligth, Cruzeiro do Sul, Refinaria e Exploração (de Petróleo União e Icomi) arcavam com mais de 70% das contribuições para manter o Ipês.

Já o mestrando em história, Jorge José de Melo, mostrou sua análise sobre o presidente da Ultragaz, Henning Albert Boilesen, e sua colaboração com o financiamento da Operação Bandeirantes (Oban), que antecedeu o DOI-CODI (Departamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna).

Também analisando a Oban, o procurador da república e mestre em direito constitucional, Marlon Weichert, argumentou que “A Oban não tinha dotações orçamentárias próprias. Assim, há diversas fontes históricas e jornalísticas que referem terem sido procurados empresários para contribuir financeiramente com a montagem e suas operações”.

Por sua vez, o professor do Departamento de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ),Pedro Campos, analisou os empreiteiros na ditadura, segundo ele, é durante o período militar que eles deram grandes saltos, inclusive com a atuação internacional.

“O papel das centrais sindicais é fundamental para construir a elaboração das recomendações do relatório final”, afirmou o membro da comissão estadual da verdade de São Paulo, Ivan Seixas.

No fim das atividades, Adriano Diogo convidou para o ato unificado “Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar”, que ocorrerá no dia 31 de Março, a partir das 10 horas, no antigo DOI-CODI.

O encontro também recebeu integrantes das comissões estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), Renato Bastos, jornalistas, acadêmicos membros de partidos políticos e da sociedade civil.

Érika Ceconi - Portal CTB 

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