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Qui, Jun

cultura do estupro

  • Em duas semanas, a Justiça de São Paulo tomou duas decisões diametralmente opostas para processos de pedido de indenização por passageiras que sofreram abuso sexual em vagões de trens do metrô.

    Nestes tempos de maior notificação de casos de violência contra as mulheres, chama a atenção a diferença das sentenças, principalmente porque uma juíza negou indenização a uma passageira e um juiz deu ganho de causa a outra.

    “Esses fatos mostram claramente que o machismo é uma questão cultural e cultura não tem sexo. Existem mulheres tanto ou mais machistas que os homens. A lição que fica desses episódios é a necessidade urgente de um trabalho de educação de toda a sociedade”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A juíza Tamara Hochgreb Matos negou indenização no valor de R$ 788 mil a uma passageira de 31 anos, na quinta-feira (16). “Com efeito, segundo a inicial e a testemunha da autora, esta ficou impassível e nada fez enquanto era tocada por terceiro, ocasionando a demora na intervenção dos seguranças da ré, que estavam no próprio trem e já suspeitavam da conduta do agressor, observando-o, mas precisavam de uma confirmação para agir”, escreveu a juíza em sua sentença.

    No outro caso, o juiz Guilherme Madeira Dezem deu ganho de causa a outra passageira e condenou o metrô a pagar R$ 50 mil de indenização. "O caso permite a conclusão de que a dor, o sofrimento, a tristeza e o vexame impingidos à autora (passageira) fugiram à normalidade, interferindo intensamente em seu comportamento e bem-estar psíquicos, de tal sorte a configurar dano moral indenizável", escreveu o juiz.

    Para Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, a Justiça deveria ter critérios iguais para todos os processos. “É incrível que uma mulher absolva o metrô e o abusador e um homem faça o contrário. É incompreensível essa cultura do estupro”.

    O advogado das duas mulheres, Ademar Gomes, diz que a juíza foi incoerente em sua decisão. “Ela condenou a vítima ao dizer que esta não teve qualquer reação”. Ivânia afirma que a decisão da juíza "desconhece a realidade do transporte público e da violência de gênero no país”.

    O metrô alega em sua defesa que vem promovendo campanhas de conscientização sobre o fato de que o abuso sexual é crime. Porém, “são inúmeras as acusações de abusos dentro do metrô, inclusive já teve funcionária estuprada e casos de seguranças questionarem as roupas da agredida”, diz Gicélia.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Fabiana Santos

  • Quando se pensa que não poderia piorar, aparece um Alexandre Frota da vida levando “sugestões” ao Ministério da Educação (MEC). Parece piada, mas não é. A falta de educação do desgoverno Temer se consubstancia.

    Isso mostra a verdadeira face desse desgoverno que se apossou do lugar da presidenta legítima Dilma Rousseff.

    Revela também a face mais cruel do arraigado machismo brasileiro. Explica a reportagem de uma revista de desinformação com o título “bela, recatada e do lar”, ou seja, a mulher deve estar sempre pronta para servir, sem abrir a boca para reclamar.

    O ator pornô Alexandre Frota representa a face mais cruel desse machismo rude, para o qual qualquer manifestação de delicadeza se liga apenas e tão somente ao feminino, quer dizer que cultura é coisa de mulheres e homossexuais.

    Mostra ainda porque a proposta de debater as questões de gênero nas escolas assusta tanto os setores conservadores dessa elite carcomida e obsoleta. Para quem solidariedade humana é coisa de "esquerdopata".

    As educadoras e os educadores brasileiros discutiram durante anos em inúmeras conferências as maneiras de dialogar com a sociedade, as formas de se construir a igualdade de direitos entre as brasileiras e brasileiros, ensinando o respeito à dignidade humana.

    Aí golpeiam a democracia e juntamente toda a possibilidade de convivência com o diferente, com o respeito e com a justiça. Em poucos dias de desgoverno mostram ao que vieram em todos os setores.

    Começaram extinguindo ministérios com a desculpa de promover economia, mesmo sabendo que não economizam nada com esses cortes.

    Principalmente porque os cortes promovidos, como sempre os conservadores fazem, se concentram nos ministérios sociais, nos setores mais sensíveis à população mais carente.

    E para o MEC foi nomeado um ministro afinado com o setor privado da educação. Já começou falando em acabar com a educação pública para o ensino médio e para o superior. Porque para eles, o Estado deve somente prover a educação pública básica.

    Iniciou sua gestão cortando recursos do Programas Universidade Para Todos (ProUni), do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Financiamento Estudantil (Fies), entre tudo o que significa possibilidade de acesso à educação aos mais pobres.

    Agora, receber um conhecido defensor da “supremacia” masculina e ainda se orgulhar disso, permitindo ser fotografado ao lado de tão ignóbil companhia, mostra uma afronta à civilização e à possibilidade de progresso civilizacional no país.

    É esse tipo de educação que os pais querem para seus filhos e filhas? Onde a mulher é figurada como mera coadjuvante de “varões” dispostos a usar a vara para prevalecer sobre todos e todas que os contestem?

    É o prazer do “macho” conquistado a qualquer custo, independente da vontade alheia. Só conta o falo e o regozijar-se de predominar custe o que custar. Nem Freud consegue explicar.

    Receber Alexandre Frota no Ministério da Educação com pompa denuncia o caráter transfigurado de um desgoverno ilegal e imoral. 

    A educação da infância e da juventude não pode estar submetida à ignorância e à completa falta de respeito às pessoas.

    Entre as prioridades da sociedade, a educação precisa de gente séria, antenada com a contemporaneidade e com os avanços da humanidade. E isso o desgoverno Temer não tem. Assim, cresce ainda mais o grito de Fora Temer.

    Alexandre Frota em qualquer órgão governamental nem em piada. No MEC é o fim. Representa a cultura do estupro na educação de crianças e jovens. Estupro, inclusive, à inteligência.

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal CTB.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Aconteceu nesta terça-feira (6) a primeira audiência do processo movido pelo ator Alexandre Frota contra a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do governo Dilma, Eleonora Menicucci. 

    Dezenas de mulheres realizaram um ato de solidariedade à Menicucci e contra a cultura do estupro (leia mais aqui), em frente ao Fórum do Juizado Especial Cível Central no bairro Paraíso, na capital paulista.

    Frota move uma ação indenizatória no valor de R$ 35 mil porque a ex-ministra o acusou de fazer apologia ao estupro em um programa de tevê. Menicucci fez a crítica quando o ministro golpista da Educação Mendonça Filho recebeu o ator em uma reunião para uma consultoria sobre políticas educacionais, em maio deste ano.

    Menicucci reclamou de o ministro receber alguém que já confessou ter feito sexo com uma mãe de santo sem o consentimento dela, no programa “Agora É Tarde”, da Band, que era apresentado por Rafinha Bastos à época, o mesmo que insinuou fazer sexo com Wanessa Camargo e o bebê dela, ainda no ventre.

    “É inadmissível alguém como esse sujeito ter tamanho prestígio nesse governo golpista. Por isso, se julga no direito de atacar os direitos das mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Basta assistir ao programa em que o ator fez a sua parafernália, com vídeo disponível na internet, para a Justiça entender que a ex-ministra tem toda razão e quem vai ser obrigado a indenizar será o ator pornô, não a Menicucci”, complementa.

    Ivânia afirma que a CTB presta solidariedade à ex-ministra e cientista política e se põe a disposição para o que “ela precisar para vencer essa batalha judicial tão descabida e imoral”. O Instituto Patrícia Galvão também se solidariza com Menicucci.

    O “posicionamento crítico em relação a um episódio de banalização do estupro narrado pelo ator Alexandre Frota em rede nacional, quando Ministra das Mulheres, foi imperativo, essencial e importante para as mulheres do país”, diz nota do instituto sobre Menicucci.

    A audiência conciliatória terminou sem conciliação e o processo continua. A ex-ministra garante que vai até o fim. Porque tem a certeza do dever cumprido. Ela acusa o governo golpista de promover amplo retrocesso nos direitos conquistados pelas mulheres na última década.

    Depois do término da audiência, a ex-ministra disse que “a minha história jamais permitiria que eu fizesse um acordo. Nem pedir desculpas e, tampouco, achar que ele fez o programa gratuitamente. Ele está me processando por eu ter falado que ele fez apologia ao estupro? Há uma articulação maior do que o simples fato dele estar me processando. Essa é uma cultura fascista que nós estamos enfrentando no Brasil”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Luciana Maria da Silva

  • A cantora e compositora Maria Gadú gritou "Fora Temer" em seu show no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, no domingo (5). Ao interpretar a bela "Sonhos Roubados". Diz parte da letra que "Não sou escravo de sonho/eu não caio nessa armadilha/ao meu caminho eu que faço/sou eu que traço essa trilha/a minha esperança eu invento/e sigo em movimento/não tem parada pra mim". Aí ela falou contra a cultura do estupro e pediu a saída do presidente golpista.

    Maria Gadú dá o seu recado político:

     

    Michel Pastel, de Luciana Sou Eu Mesma

    Versão de Michelle (John Lennon e Paul McCartney)

    Preste atenção da adaptação:

    "Michel... Pastel

    Quer levar o Brasil

    Pro beleléu

    Vaza Michel!

    Michel... Go to hell !

    Na velocidade 5 do créu

    Vaza Michel!

    Golpistas

    Golpistas

    Golpistas

    Vocês não passarão

    Cambada de ladrão

    Saqueando a pátria

    Sem perdão

    E mentindo sem fim

    Michel... Pastel

    Se não é golpe

    Eu sou o papai Noel

    Vaza Michel!

    O pior de tudo

    É ator pornô

    Opinar na educação

    Me dá depressão"... 

    Acompanhe Luciana cantando. Também entre na sua página no Facebook aqui:

     

    A atriz Tássia Camargo gravou um vídeo para explicar porque sugeriu levarmos comida para a presidenta Dilma, que está exilada pelo presidente golpista, segundo ela. Para ela, não é humilhante para a presidenta, ams sim para os golpistas. De acordo com ela, sua atitude foi para denunciar esse ato degradante do golpista Temer para a imprensa internacional. "Humilhação é o que estão fazendo com a democracia". E acentua que "estão estuprando a democracia, as mulheres, nossos direitos".

    Assista abaixo:

    Mais uma vez a politizada atriz Letícia Sabatella defende a democracia e a Nação brasileira. Desta vez no programa "Altas Horas", da Globo, que levou o ator Márcio Garcia para falar sobre o outro lado. Letícia diz que o processo de impeachment é ilegítimo e que é necessário manter a legalidade e a democracia. Foram tirados "40 milhões da pobreza" ela diz defender essas políticas de inclusão e conclui que é necessário "garantir a nossa cidadania".

    Veja Letícia Sabatella:

     

    Já o goleiro do Palmeiras, Fernando Prass, ao ser provocado por repórter global sobre uma briga de torcidas no jogo do seu time contra o Flamengo, pelo Brasileirão, em Brasília, respondeu que a violência está nas ruas. "O país está assim". Aí ele menciona a adolescente de 16 anos estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro e lembra do menino de 10 anos morto pela polícia.

    Acompanhe Fernando Prass:

     

    A Orquestra Debout, do movimento Nuit Debout (Levante Noturno) executar "Apesar de Você", de Chico Buarque e entusiasma público, na Praça da República, em Paris, França. A manifestação ocorreu em apoio aos movimentos sociais que lutam contra o governo golpista de Michel Temer.

    Aproveite e deleite-se com essa obra prima:

     

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Enganam-se as pessoas que ainda pensam que nós, lésbicas feministas emancipacionistas, nos tornamos cidadãs fazendo apenas as nossas lutas especificas, por conquistas de direitos civis, sociais e políticos para as mulheres.

    Nossa luta pela conquista da cidadania passou e passa pela nossa participação protagonista nos movimentos democráticos pela Independência do país, contra o crime brutal da escravatura, pela República, contra o Estado Novo, pela paz. Contra a ditadura militar, pela Anistia, contra a carestia, pelas Diretas Já. Pela igualdade racial, pela Constituinte, pelo impeachment de Collor. Contra a privatização do Estado, pelas reformas agrária, da mídia, política e da educação. Pela criminalização da homofobia, contra o Estatuto da Família, contra o Estatuto do Nascituro, pela descriminalização e legalização do aborto, contra a LGBTfobia, pela laicidade do Estado. Pela democracia, pela soberania nacional, pela Petrobras, pelo pré-sal. Pela escola sem mordaça, pela não redução da maior idade penal, pela manutenção da questão de gênero na educação em todos os níveis e modalidades de ensino. Contra a Emenda Constitucional 95, pela autonomia dos movimentos sociais, pelos direitos da classe trabalhadora, contra a terceirização, a reforma trabalhista e da Previdência. Contra o impeachment da presidenta Dilma — que não cometeu nenhum crime de responsabilidade — que levou à instauração do golpe, jogando o povo brasileiro numa profunda crise política, econômica e institucional.

    Hoje, mais do que nunca, precisamos continuar lutando. Afinal, vivemos uma conjuntura de avanço do conservadorismo e de perda de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, com aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, o crescimento do racismo, do feminicídio, da lesbofobia, da homofobia, da transfobia, além da repressão e criminalização da política e dos movimentos sociais, populares e sindicais.

    A cultura do estupro na ordem do dia

    Mas, não é “só isso”. Neste momento, em que as forças reacionárias fascistas cravam suas garras no povo brasileiro, nos sentimos violentadas e estupradas todos os dias.

    A cultura do estupro está na ordem do dia. Um estupro acontece a cada 11 minutos no Brasil, de acordo com o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, cujos dados mais recentes são de 2014. Segundo informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 67% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por parentes próximos ou conhecidos da família; 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e apenas 10% dos estupros são notificados. A esmagadora maioria dos agressores não é punida, o que mostra a face mais cruel de uma cultura misógina, patriarcal, racista, lesbofóbica, bifóbica e transfóbica que continua nos atingindo brutalmente.

    Agenda ultra-liberal do golpe

    Estamos vivendo dias que valem por anos e, a cada dia, lutamos para garantir nossos direitos. A Constituição brasileira foi rasgada; o golpista usurpador, Michel Temer, busca, com o apoio do consórcio político-empresarial-midiático-jurídico, dar prosseguimento, em ritmo acelerado à aprovação e à efetivação da agenda ultra-liberal do golpe.

    Assim, depois da Emenda Constitucional 95 — que acabou com as dotações orçamentárias obrigatórias para as políticas sociais com destaque para a educação e a saúde a fim de assegurar os ganhos astronômicos dos rentistas —, vieram o ataque ao regime de partilha do pré-sal — que abriu caminho para a entrega dessa grande riqueza às multinacionais — e a desastrosa aprovação da reforma trabalhista. Agora, Temer ainda quer aprovar a reforma da Previdência, ou seja, a morte sem aposentadoria!

    Luta das mulheres neste cenário

    Desde 2015, na Marcha das Margaridas e na Marcha das Mulheres Negras, expressamos nossa indignação, resistência e luta contra a retirada de direitos das mulheres e da classe trabalhadora e contra os retrocessos nas políticas sociais. Bradamos, em alto e bom som, o “Fora Temer”, denunciando o golpe, e defendemos, com unhas e dentes o Estado democrático de direito como ponto de partida para que tenhamos uma vida digna, justa e mais feliz.

    No 8 de Março de 2017, protagonizamos uma grande manifestação nacional das mulheres em todos os cantos do Brasil em defesa da democracia e contra a reforma trabalhista e da Previdência. Consideramos que nossa articulação e mobilização nacional fortaleceram as greves gerais e os grandes atos que ocuparam as ruas no ano passado.

    Neste 8M de 2018, continuaremos nas ruas com a importante e significativa unidade das mulheres e em parceria com os movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, artistas, intelectuais, e todas e todos que desejam construir um novo projeto de nação.

    Acreditamos que o caminho para enfrentarmos os grandes desafios que estão colocados e retomarmos as rédeas do Brasil, é seguirmos na construção de uma política de frente ampla, mantendo a unidade na luta, buscando elevar a consciência política da classe trabalhadora, ganhando, sobretudo, corações e mentes das mulheres e da juventude trabalhadora para derrotarmos o golpe, garantirmos a soberania do voto popular e retomarmos a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, democracia e soberania nacional.

    Por um projeto de nação democrático, soberano, igualitário, equânime e justo!

    Pela vida das mulheres!

    Em defesa da democracia!

    Contra a reforma trabalhista e da Previdência!

    Silvana Conti é professora aposentada da rede pública de Porto Alegre; vice-presidenta da CTB-RS e membro da Executiva Nacional da UBM na pasta LBT.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • A ONU Mulheres definiu em 2015 a campanha Dia Laranja Pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, efetivado no dia 25 de cada mês. “Data muito significativa para a conscientização de todos e todas sobre a necessidade imperiosa de acabarmos com essa violência que vitima mulheres todos os dias em nosso país”, diz Santa Alves, secretária de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF).

    Já para a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira, “a existência de campanhas como essa e a presença constante das mulheres nas ruas e nas redes sociais têm sido fundamental para elevarmos o patamar da luta das mulheres por direitos iguais”.

    A mídia faz um papel perverso na propagação do machismo e das ideias patriarcais e arcaicas, diz ela. “De um modo geral, a mídia transforma a mulher em mercadoria, sempre com pouca roupa para vender os produtos e agradar aos homens”.

    Pereira afirma que estão “vendendo a inocência, a juventude e com isso criam o fetiche mercadológico dessa cultura machista, que chega a ser pedófila, muitas vezes”. Ela cita também a recente pesquisa do Datafolha, pela qual 33% dos entrevistados responsabilizam a vítima por ter sido estuprada.

    E ainda vem “esse desgoverno Temer e pretende uma reformulação do ensino médio tirando as matérias que cultivam a criatividade na juventude, como artes, filosofia e sociologia e educação física que propicia desenvolvimento corporal saudável”, reforça. Tem ainda a discriminação sofrida pelas mulheres no mercado de trabalho.

    Veja vídeo da ONU Mulheres sobre a campanha  

    “Somos as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem recontratadas. Trabalhamos mais e ganhamos menos e ainda temos a tripla jornada”, acentua Pereira. Ela conta que “em pleno século 21, existem fábricas que obrigam as trabalhadoras a mostrarem seus absorventes com sangue todo mês, para provarem que não estão grávidas”.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, lembra dos 10 anos da Lei Maria da Penha. “Criada há 10 anos para punir os agressores de mulheres, a Lei Maria da Penha por si só não está sendo suficiente para inibir a violência. Precisamos de delegacias da mulher 24 horas e de mais aparatos repressivos, além de campanhas educativas”, afirma.

    A própria Maria da Penha diz em entrevista à BBC Brasil, que "hoje em dia a violência continua. Mas tem muita mulher que acha que só é violência quando ela está machucada. Ela não entende que a violência doméstica também é psicológica, moral, sexual". (Leia a entrevista na íntegra aqui).

    Para Bitencourt, “o movimento feminista está no rumo certo e enfrentando as adversidades do machismo com a cara e a coragem”. Pereira mostra fé na juventude. “Essas meninas estão firmes e fortes estudando o feminismo e mostrando para a sociedade que as mulheres não estão para brincadeira, principalmente na luta por igualdade de gênero”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • “Não dá mais para continuar assim”, assevera Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Ela se refere a mais um feminicídio que ceifou a vida da militante da União da Juventude Socialista (UJS) e da União Brasileira de Mulheres (UBM), Débora Soriano, de apenas 23 anos.

    Soriano foi estuprada e assassinada. “Débora era uma jovem mulher, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos”, diz nota da UBM. Leia a íntegra no final.

    A secretária de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo, Denise Mota Dau também prestou solidariedade. “A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) de São Paulo manifesta sua revolta e tristeza com a notícia da morte da jovem que foi violentada e morta”, diz trecho de nota divulgada pela SMPM.

    “O machismo mata”, diz Dau. “Para combater essa dura realidade é fundamental a continuidade e ampliação de políticas públicas que priorizem a vida das mulheres”, afirma.

    “A CTB se indigna com mais esse crime hediondo e exige apuração rigorosa para a imediata prisão do algoz”, reforça Pereira. “As mulheres não podem mais a levar a vida com medo. Precisamos tomar as ruas e denunciar todo o tipo de agressão, desde um assovio indesejado na rua até a violência física. As mulheres precisam se unir para dar um basta definitivo”.

    De acordo com Pereira, "há necessidade de punições mais severas aos crimes hediondos como esse". A UJS e a UBM estão convidando a todas e todos para um grande ato de solidariedade à família dessa jovem no vão do Masp, na avenida Paulista, neste domingo (18), às 14h. Compareça para dar fim a tanta violência contra as mulheres.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Leia a íntegra da nota da UBM e UJS:

    Do luto à luta!

    Nenhuma Débora a menos!

    Foi com imenso pesar e indignação que recebemos a notícia da morte da jovem Débora Soriano. O machismo ceifou a vida de mais uma de nós, diante de um poder público que pouco ou nada faz para combater a violência patriarcal. Débora era uma jovem mulher de 23 anos, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos.

    Nos solidarizamos com a família neste momento de dor e despedida e exigimos dos órgãos responsáveis que este crime bárbaro seja esclarecido e o autor, rigorosamente punido. Não admitimos que os crimes contra as mulheres continuem sendo secundarizados e esquecidos pelas autoridades. Nós não esqueceremos!

    A morte trágica de Débora reforça a necessidade de políticas públicas para as mulheres, para que não precisemos mais nos despedir de nenhuma de nós desta maneira.

    Por isso, convocamos a todas as mulheres a se somarem a nós neste domingo 18 de dezembro, às 14h na Paulista por Débora e por todas as mulheres que morrem vítimas do machismo e do feminicídio.

  • O assassinato da juíza do trabalho Claudia Zerati pelo marido, o delegado Cristian Sant’Ana Lanfredi, que se matou em seguida, reacende a discussão sobre a violência contra as mulheres no Brasil.

    Lanfredi estava afastado do trabalho por motivo de saúde e pelas informações da filha do casal, de apenas 6 anos, ele e Zerati haviam brigado porque o delegado recusou-se a tomar um remédio de seu tratamento.

    A tragédia ocorreu  em um condomínio de um bairro de classe média alta, na capital paulista, no domingo (20). As informações dão conta de que após a briga, Manfredi levou a menina para o apartamento dos padrinhos, no mesmo prédio. Ao voltar para casa matou a companheira e se matou.

    A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região (Amatra 2) divulgaram nota conjunta denunciando o feminicídio.

    Repudiam “os gritantes números de feminicídio que ainda grassam no Brasil”, diz trecho da nota. Isso porque somente em “em 2016, contabilizávamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, ocupando o 5º lugar no ranking mundial de países, quanto ao feminicídio”.

    Para Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), casos como esse “evidenciam a necessidade de políticas públicas de proteção para as mulheres”.

    Ela afirma ainda que “o número de violência de gênero no país é tão assustador que há necessidade de reforçar as leis existentes para a punição dos agressores”.

    Ela se refere à Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que, segundo Pereira, “devem ser amplamente divulgadas para toda a sociedade, juntamente com a aplicação de medidas protetivas para coibir a violência”.

    Já a secretária de Formação e Cultura da CTB, Celina Arêas, defende a criação de um amplo trabalho de educação, mobilizando a sociedade.

    "Cada vez nota-se mais que é fundamental debater as questões de gênero na escola e conjuntamente criando uma grande mobilização nacional em defesa da vida das mulheres”, diz.

    De acordo com Arêas, “é impossível conviver com números tão exorbitantes de violência. Todos os dias ficamos sabendo de casos de espancamentos, estupros e mortes, pelo simples fato de serem mulheres. Precisamos dar um basta”.

    Pereira reforça a proposta ao defender a mobilização e unidade do movimento feminista para “denunciar essa situação de guerra em que vivemos e construir modos de defesa de nossas vidas. Nenhuma a menos é a nossa palavra de ordem”.

    A socióloga Lourdes Bandeira, que é pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a situação vivida no Brasil equivale “a um estado de guerra civil permanente”.

    O Mapa da Violência 2015 (Cebela/Flacso) revela que de 1980 a 2013, 106.093 brasileiras foram vítimas de assassinato. Somente em 2013, foram 4.762 assassinatos, ou seja, 13 mulheres mortas por dia.

    Arêas reafirma a necessidade de mobilização das mulheres “de todas as classes sociais para combater o machismo e a cultura do estupro, tentando fazer com que os meios de comunicação participem desse projeto e não contribuam para a proliferação da violência”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • A Câmara dos Deputados da Alemanha aprovou uma lei nesta quinta-feira (7) que amplia o conceito de estupro. A partir de agora, quando uma mulher disser não, qualquer ato sexual forçado será considerado crime.

    É a campanha Não Significa Não, que ganhou o país europeu depois das violências contra as mulheres ocorridas recentemente. Na Alemanha são registrados em média 8 mil estupros por ano, mas os especialistas dizem que menos de 10% das agredidas denunciam.

    “Muito importante essa lei, porque muda todo o conceito da cultura de estupro. Com isso, as mulheres podem sentir-se mais respeitadas como mulheres, como pessoas”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Depois de três meses de uma discussão cheia de tensões, os deputados aprovaram por unanimidade (todos os 601 votos emitidos foram a favor) o endurecimento legal com o qual o Ministério da Justiça pretende garantir que nenhuma agressão sexual fique impune”, afirma Luis Doncel, do jornal espanhol El País.

    Para Ivânia, é um grande avanço. “Imagina hoje no Brasil, com as mulheres ficando cada vez mais vulneráveis, uma lei como essa seria fundamental para manter o respeito nas relações entre as pessoas". Aqui, garante ela, "a cultura do estupro nos impinge o conceito de que somos subalternas, tratadas como objetos, propriedades dos homens”.

    De acordo com Doncel, basta que a mulher "diga ‘não’ ou ‘pare’, ou que mostre alguma outra forma de descontentamento, como, por exemplo, chorar. Aquele que não respeitar esse posicionamento terá de enfrentar as consequências legais, com penas que podem chegar a até cinco anos de prisão”, na Alemanha.

    nao significa nao alemanha

    Muito diferente do Brasil, onde o Congresso Nacional conta com projetos que retiram direitos e conquistas das mulheres. “Com esse governo golpista algumas propostas que trazem enorme retrocesso vêm ganhando muita força”, acentua Ivânia.

    De acordo com ela, é necessário um amplo debate sobre a cultura do estupro, inclusive levando o debate sobre as questões de gênero para dentro das escolas. “Acredito que educação sexual, que ensine os meninos a respeitar as meninas, é fundamental para construirmos uma sociedade regida pelo respeito à dignidade humana”, diz.

    Aqui, segundo Ivânia, inclusive o conceito do que seja estupro é minimizado. “A mentalidade atrasada dos brasileiros ainda não compreende a mulher como sujeita e dona do seu próprio nariz e ainda querem retroceder em nossos direitos”.

    “A maioria não entende como estupro”, diz ela, “quando o marido força a mulher a manter relação sexual, mesmo contra a vontade dela”. Ivânia conta que “o sujeito xinga a mulher de feia, reclama da comida, não tem um carinho o dia todo, mas quando chega a noite quer transar”.

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    “E não adianta a mulher dizer não. Na cabeça de grande parte dos homens, as mulheres têm obrigação de atender seus desejos”, complementa.

    Para ela, essa lei alemã representa um grande avanço civilizacional. “A partir dessa mudança de conceito, a relação sexual entre as pessoas deixa de ser por obrigação e passa a ser de carinho, de troca de afeto, o que é fundamental para a vida de todas e todos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Mais uma violência contra as mulheres brasileiras. Na sexta-feira (3), MC Biel, de 20 anos, foi acusado de assédio sexual, insinuando vontade de estuprar a uma repórter do portal iG, que lhe entrevistava. Áudios e textos divulgados pelo portal complicam a vida do funkeiro paulista.

    O boletim de ocorrência foi feito na 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo. Segundo a matéria publicada pelo iG, o diálogo foi gravado em áudio e vídeo, e o conteúdo já foi entregue à polícia.

    Apesar de tão jovem, é acusado de chamar a jornalista de “gostosinha” e teria dito que “se eu te pego, te quebro no meio”, bem ao estilo do ator pornô – promovido a conselheiro educacional do governo golpista – Alexandre Frota, que faz escola.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), Gicélia Bitencourt, afirma que essas agressões misóginas acontecem por que “a situação política e o machismo secular da sociedade brasileira contribuem para isso”.

    Para ela, “o cantor parece ter arrumado uma maneira de aparecer na mídia, que dá muito espaço para atitudes desse tipo e apresenta as mulheres como meros objetos”. 

    “Parece que após o afastamento temporário da presidenta Dilma e a posse do governo golpista com Michel Temer na presidência, parece que todas as políticas voltadas para os direitos da classe trabalhadora e o respeito às pessoas caiu por terra”, reforça.

    Nesta terça-feira (7), o portal iG publicou o que Biel disse, inclusive com áudio e vídeo, que complica a vida do cantor. Um jornalista do Portal da Música, postou em sua página no Facebook, onde relata outro caso de assédio sexual envolvendo o funkeiro como outra repórter. Para quem, ele teria dito: “não quer fazer (a entrevista) no meu colo?”.

    Segundo o iG, o jornalista escreveu que Biel se mostrava solícito e humilde, mas “o que me assusta, é a brusca mudança em seu comportamento diante das câmeras em menos de um ano. A incessante tentativa de se posicionar como hétero e pegador. As piadas machistas e sem cabimento com qualquer figura feminina que tentou entrevistá-lo. E o orgulho do pai nisso tudo”.

    Biel diz que tudo foi um “mal-entendido”, que não passou de “brincadeira”. Isso mostra que “a cultura do estupro é tão marcante em nossa sociedade que os rapazes tratam o tema com brincadeira, mas uma brincadeira que deixa marcas para toda a vida das mulheres”, ataca Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional.

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    Os reflexos dessas “brincadeiras”, segundo Ivânia, “são os altos índices de violência contra as mulheres”. Ela se refere aos dados oficiais de que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, apenas dentre os casos denunciados. Mas há estudos que apontam que esse número é muito superior.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rosa Rovena/Agência Brasil

  • Diego, preso em flagrante após abuso sexual em ônibus, saindo da prisão (Foto: Reprodução TV Globo)

    O ajudante geral Diego Ferreira Novais, 27 anos, foi preso nesta terça-feira (29) após ejacular no pescoço de uma mulher sentada num ônibus na capital paulista. Menos de 24 horas depois, o rapaz foi solto pelo juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O juiz recomendou tratamento psiquiátrico ao acusado.

    Para o magistrado, o crime não foi considerado estupro, mas se insere no artigo 61 da lei de contravenção penal. O rapaz que já conta com 16 passagens pela polícia, responderá em liberdade por "importunar alguém em local público de modo ofensivo ao pudor", somente.

    O caso trouxe à tona um debate sobre a atuação da Justiça em casos de assédio sexual e sobre a responsabilidade do Estado e das empresas de transporte público na segurança das passageiras.

    “A maioria dos assédios em transporte público caem nessa vala comum de se entender sempre como uma contravenção penal. E a gente não consegue coibir a conduta. A pessoa faz e não acontece nada, como ocorre com esse rapaz”, diz ao G1 Teresa Cabral, Juíza de Direito titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Santo André e integrante da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo.

    “As atitudes, inclusive do Judiciário têm apresentado um viés machista nos julgamentos desse tipo de violência contra as mulheres”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). "Além do Estado, as empresas de transporte público devem ser responsabilizadas por não darem segurança às passsageiras". complementa.

    A sindicalista mineira diz sentir uma “falta de preparo da maioria dos magistrados para empreender uma punição mais rigorosa aos agressores”. Lembrando que o Brasil tem o triste índice de a cada 11 minutos uma mulher ser estuprada, segundo o Mapa da Violência 2016, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

    “O pior de tudo”, reforça Arêas, “é que pelas estatísticas apenas 10% das vítimas fazem a denúncia”. Como são denunciados quase 50 mil estupros anualmente no país, estima-se que o número real se aproxime de 500 mil mulheres violentadas todos os anos.

    A maioria dos casos, de acordo com o Fórum de Segurança Pública do Brasil, ocorre nos lares. “Cerca de 80% das vítimas é constituída de meninas com menos de 16 anos, o que afere outras implicações como o incesto e a pedofilia”, acrescenta Arêas.

    Já sobre assédio sexual e, locais públicos não existe um índice sistematizado, mas sabe-se que vem crescendo assustadoramente. No ambiente de trabalho, as denúncias desse tipo de agressão vêm caindo, de acordo com levantamento do Ministério Público do Trabalho.

    Em 2012, ocorreram 146 denúncias, mas com as políticas de proteção às trabalhadoras chegou a 250 em 2015. Já com o aprofundamento da crise, caiu para 248 em 2016 e ocorreram 144 denúncias à Justiça até julho deste ano.

    “Isso serve para comprovar que as mulheres são as mais atingidas em momentos de crise como a que o país vivencia neste momento”, diz a sindicalista. “Ganhamos menos, somos as primeiras a ser demitidas, as últimas a ser realocadas e sofremos assédio moral e sexual todos os dias”.

    De acordo com Arêas, é fundamental um trabalho de educação de toda a sociedade para o combate à cultura do estupro. “A cultura patriarcal, forjada ideologicamente para oprimir as mulheres, persiste, em pleno século 21, e as manifestações opressivas vêm se acentuando após o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff”, diz.

    Para ela, “a sociedade conservadora cerceia o debate e os meios de comunicação naturalizam a violência contra as mulheres”. Por isso, “debater as questões de gênero nas escolas é essencial para educarmos as meninas e os meninos para a construção de um novo mundo, onde o respeito e a liberdade predominem”. Aliado a isso, Arêas defende uma legislação mais rigorosa aos agressores.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A ESPN rescindiu nesta sexta-feira (30) o contrato com o jornalista José Trajano alegando contenção de despesas. A informação foi confirmada ao Portal Vermelho pelo próprio Trajano em conversa por telefone no início desta tarde. O jornalista, fundador do canal e atuante na empresa há 21 anos, definiu as razões alegadas pela ESPN como “esquisitas”. Para ele, “não tiveram coragem de dizer os reais motivos”.

    Um dos comentaristas esportivos mais populares do país, Trajano se surpreendeu com a notícia, que foi dada a ele em uma reunião de “cinco minutos” realizada na quinta-feira (29) com o “German”. German Von Hartenstein é o diretor da ESPN.

    “Eu esperava que isso acontecesse há algum tempo mas não agora”, disse Trajano.

    Combate ao golpe

    Contundente no posicionamento político, José Trajano havia sido “orientado” pela ESPN a amenizar os comentários políticos após ele se declarar contra o golpe de Estado, que se consolidou no país contra a presidenta eleita Dilma Rousseff.

    Ao Portal Vermelho, ele gravou um vídeo convocando os paulistanos a participarem de atos na paulista. Também esteve presente em manifestações contra o golpe promovidas por entidades que atuam pela democratização da comunicação.

    Críticas ao governo Temer

    Em um meio de raras manifestações políticas, Trajano fez críticas ao governo interino de Michel Temer e condenou com veemência as declarações de Romero Jucá, que afirmou em gravações que o objetivo do impeachment contra a presidenta era acabar com as investigações da Lava Jato já que Dilma deu toda a autonomia para que a operação se fortalecesse.

    Protesto contra cultura do estupro

    “Sem papas na língua”, o comentarista foi alvo de comentários da turma do ódio nas redes sociais quando criticou a participação de Danilo Gentili em um programa da emissora. Ao vivo, Trajano fez um protesto.

    “O canal abrigou esta semana um personagem engraçadinho, que se porta como um sujeito que faz apologia do estupro. Em nome do humor, dizendo que no humor cabe tudo. Esse grupo ficou enojado com a presença dele”, declarou Trajano. Em 2012, Gentili elogiou uma relação sexual no programa Big Brother. Na cena, a participante estava alcoolizada.

    O jornalista apresentava o programa Linha de Passe na ESPN todas as segundas e sextas-feiras.

    Fonte: Portal Vermelho, por Railídia Carvalho

  • O slogan “Lute como uma Mulher” nunca esteve tão em alta como em 2017. Faz tempo que as mulheres estão à frente das principais campanhas em defesa da democracia e das conquistas que estão sendo retiradas.

    Neste ano, elas tomaram as ruas contra a cultura do estupro, o assédio moral e sexual e denunciaram a violência que mata quase 5 mil mulheres todos os anos no país.

    “Parece que a deposição da ex-presidenta Dilma Rousseff aflorou um instinto de vingança aliado a um sentimento de impunidade”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Leia as notícias mais importantes de 2017 sobre a resistência feminista:

    Mulheres trabalhadoras saem às ruas de São Paulo para denunciar a violência de gênero no país

    Outubro Rosa chama a atenção para a necessidade de prevenção ao câncer de mama

    Violência contra as mulheres cresce assustadoramente no governo Temer

    Mulheres trabalhadoras tomam as ruas em defesa de aposentadoria decente

    Casos de feminicídio no Brasil equivalem a um estado de guerra civil, diz socióloga

    Mulheres no front: senadoras ocupam o Senado e barram votação da reforma trabalhista

    Manuela D’Ávila: precisamos falar sobre gênero

    Exploração do trabalho infantil retorna ao mundo das trabalhadoras domésticas e salários caem

    Milhares de mulheres marcham por São Paulo pelo fim da desigualdade e por mais direitos

    Portal CTB 

  • A Frente Brasil Popular (FBP) realiza um Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia, nesta sexta-feira (8), a partir das 16 horas, na Casa de Portugal, região central da cidade.

    “Vamos barrar o golpe mostrando que queremos a nossa presidenta de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    De acordo com a dirigente, está mais do que provado que a presidenta afastada não cometeu nenhum crime que possa justificar seu impedimento. “É fundamental a nossa presença nas ruas contra a cultura do estupro, em defesa dos interesses da classe trabalhadora e do país”.

    Informações da FBP dizem que “as participantes também irão denunciar o descaso do governo golpista com as políticas para mulheres, que sob Michel Temer (PMDB) perdeu sua importância e agora está subordinada ao ministério da Justiça, com um ministro machista, que criminaliza os movimentos sociais, é permissivo com a violência institucional e é contra os direitos e emancipação das mulheres”.

    Gicélia vai ainda mais longe e afirma que a secretária de Políticas para as Mulheres, do governo golpista, Fátima Pelaes, também do PMDB, “é tão machista quanto os homens brancos e ricos que compõem o desgoverno Temer”.

    A dirigente da CTB-SP e do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo defende a volta de Dilma à Presidência para que seja “convocado um plebiscito, onde o povo possa decidir se quer novas eleições ou não”.

    Para ela, “o plebiscito com Dilma no poder, trará o necessário debate político para a superação da crise e a construção de um novo governo, que tenha respaldo popular e com isso possa unir o Brasil em defesa da democracia e dos interesses populares e nacionais”.

    Participações Culturais

    Ilú Obá de Min
    Luana Hansen
    Sharylaine

    Serviço

    Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia

    Sexta-feira (8), a partir das 16h

    Local: Casa de Portugal São Paulo  -Av. da Liberdade, 602 - Liberdade

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O estupro bárbaro de uma adolescente no Rio de Janeiro, reacendeu com muita força o debate sobre as questões de gênero e como vencer a cultura do estupro em nossa sociedade.

    “A juventude, principalmente as meninas, está nas ruas e continuará até que nenhuma mulher seja estuprada no país”, diz a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes.

    Ela entende que a cultura do estupro predomina no mundo, “não é só no Brasil”, afirma. “A questão só se alvoroçou após a divulgação desse crime hediondo de uma secundarista, ainda adolescente”.

    Isso, para Camila, mostra a necessidade imperiosa de o debate das questões de gênero ser levado para dentro da escola. “Já passou da hora de o debate ser colocado, estamos em pleno século 21 e esses machistas com medo de debater com a mulherada”, reforça.

    Ela conta também que a repressão às meninas está muito presente nas escolas. “A cultura do estupro é muito sentida por nós já no início da puberdade”, fala. “A violência está nos olhares, nas mexidas e às vezes nas tentativas de nos tocar sem nossa permissão”.

    A presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM), Isis Tavares, confirma essa questão e conta que alguns anos atrás, em Manaus, fizeram uma atividade na escola pedindo para as crianças e jovens desenharem ou escreverem o que acontece em suas casas.

    Assista manifestação desta quarta (1) na Paulista, em São Paulo, "Todas Por Elas" (emocionante):

    “O resultado foi assustador. Muitos desenhos de crianças mostravam familiares no quarto e a menina gritando não, não”, revolta-se. Uma aluna de 14 anos, muito introvertida, magrinha e malvestida entregou o seu trabalho diretamente a mim e me contou sua história.

    “Ela me contou que o tio a molestava há anos, mas nunca foi houve penetração, mas que ela resolveu me contar porque acreditava que o mesmo tio molestava a sua irmã de apenas 10 anos”, relata Isis.

    Como educadora responsável, Isis contou para a mãe que ficou louca. “Ela vivia com um homem que não era o pai das meninas e levava as duas para a casa da mãe por questão de segurança e foi ali que aconteceu”.

    Camila diz que histórias como essas revoltam ainda mais as feministas mais conscientes, mas ela sabe que isso acontece em todos os lugares. “Nós vivemos com medo. Medo de andar sozinha a noite, medo e usar roupa curta, medo de usar transporte público”.

    Mas “precisamos encarar esses canalhas e mostrar que estupro não é sexo é crime, é desumanidade”, ataca. Ela acentua que também o assédio sexual deve ser coibido e punido quando necessário.

    “Os homens precisam entender que quando uma garota diz não quero, significa não quero e pronto", diz. “Inclusive nas escolas somos reprimidas por causa de nossas roupas, do cabelo e do comportamento, somos julgadas o tempo todo”.

    Ela explica que a Ubes recebe algumas denúncias como a de um professor de Goiás que trocava “favores sexuais” para dar nota boa às alunas. “Uma covardia sem fim”.

    Ela realça também que a mídia não cumpre o seu papel social de debater essas questões com seriedade. “Uma novela da Globo mostrava uma adolescente molestada pelo padrasto e incriminava a vítima, em vez do agressor”, reflete.

    Mas, a primavera feminista, desde o ano passado está movimentando a sociedade e forçando esse necessário debate. “Chega de mulheres e meninas estupradas todos os dias”, reforça Camila. “Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Eduardo Valente

  • Viraliza na internet uma situação constrangedora ocorrida em uma prova oral para admissão de candidatos ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Nela, o promotor Alexandre Couto Joppert elabora um caso hipotético de estupro e cai na armadilha do inconsciente. Inclusive a prova foi gravada e tem um áudio divulgado na internet. 

    Joppert expõe o caso: "um segura, outro aponta arma, outro guarnece a porta da casa, outro mantém a conjunção - ficou com a melhor parte, dependendo da vítima - mantém a conjunção carnal, e o outro fica com o carro ligado para assegurar a fuga."

    A repercussão foi imediata. “É lamentável que uma coisa dessa aconteça em um órgão do Judiciário, que existe para nos defender”, reclama Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    À BBC  Brasil, Joppert disse que "essa frase, talvez ouvida fora do contexto, pode dar uma ideia errada. Eu quis dizer 'a melhor parte' não na minha ótica, obviamente. A melhor parte na ótica da mente doentia do criminoso. Em todo o estupro, o objetivo principal do criminoso, naquela patologia psíquica que ele tem, é alcançar a satisfação da sua lascívia. Como no estelionato a melhor parte a é obtenção da vantagem indevida".

    A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, Gicélia Bitencourt argumenta que “quanto mais ele tenta se explicar, mais se complica. Está muito claro que a cultura do estupro não escolhe classe social e precisa de um combate mais efetivo com um amplo trabalho de educação de toda a sociedade”.

    homem respeitar mulher nao temer

    Enquanto Ivânia ressalta a complexidade do tema. “Todas essas expressões e violências dos últimos dias estão intrinsicamente ligadas ao regime de exceção que estamos vivendo”, diz. “O que esperar de um governo composto por homens, brancos, ricos e defensores desse nível de posicionamento?”

    Para ela, os projetos do governo golpista e os em tramitação no Congresso Nacional que retiram direitos da classe trabalhadora e, essencialmente das mulheres “incitam essas posturas, a violência,a misoginia e empobrece a vida de todos e todas, porque nos joga na barbárie”.

    Gicélia afirma que “a visão de que o afastamento da presidenta Dilma, deixou as mulheres sem proteção parece ter reacendido uma vontade de vingança contra as conquistas que tivemos e contra os espaços que conquistamos”.

    “Aflora também um sentimento de impunidade com o recente corte de mais de R$ 12 milhões da já enfraquecida Secretaria de Políticas para as Mulheres”, afirma Ivânia. Além disso, diz ela, “a mídia reforça a cultura do estupro quando mostra a mulher como objeto”.

    Ouça o áudio abaixo:

    De acordo com a reportagem da BBC Brasil, o Ministério Público do Rio instaurou procedimento para apurar a conduta de Joppert e que ele foi afastado cautelarmente da banca examinadora até que tudo se resolva.

    Mesmo com os pedidos de desculpas feitos por Joppert, a antropóloga Jacqueline Muniz, professora da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, acredita que ele “incitou mais uma vez a prática de estupro, portanto é chocante que isso venha de segmentos do Ministério Público que representam a sociedade. É como se a atitude dele fosse duplamente violenta: ela por si mesmo reitera a lógica da cultura do estupro, e a outra pela posição que a pessoa ocupa, certamente fere decoro e ética de sua função".

    Ivânia acentua que a questão colocada pelo promotor “da forma como foi feita se iguala à fala do deputado Bolsonaro (Jair) quando disse à deputada Maria do Rosário que não a estupraria por ela ser feia. É a mesma ideia absurda de que a mulher é propriedade dos homens”.

    De acordo com ela, “inclusive a Justiça começa a tomar como verdade o não direito, a não cidadania e o não respeito aos direitos mais elementares da pessoa humana”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A partir das 18h, a Praça Afonso Arinos, no centro da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, será palco de mais um protesto pelo fim da violência contra as mulheres. A manifestação faz parte da campanha Ni Una Menos (Nenhuma a Menos). Saiba mais pela página do evento no Facebook aqui.

    O movimento que se empoderou (entenda o termo aqui) após o assassinato violento da menina Lúcia Pérez, de 16 anos, em Buenos Aires no dia 8 de outubro. O crime causou comoção mundial e a manifestação ocorreu em vários países no mesmo dia - 19 de outubro. Muitas manifestações se espalham pelo Brasil com a Primavera Feminista aderindo ao Ni Una Menos.

    “A sociedade brasileira se sente aprisionada com a velocidade dos projetos do governo golpista que retiram nossos direitos”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ela lembra que John Lennon disse nos anos 1970 que a mulher era o negro do mundo, numa referência à escravidão e à exploração desumana. “A luta contra o machismo é a luta pela emancipação da humanidade, por isso as mulheres estão tomando as ruas como na Polônia, na Argentina, no Brasil, enfim no mundo todo para acabar com essa chaga”.

    “As manifestações vêm denunciando a cultura do estupro porque ninguém aguenta mais tamanha barbárie, as meninas estão sendo assassinadas com requintes de crueldade”, complementa.

    A sindicalista defende a unidade do movimento feminista e com isso “juntar toda a sociedade para acabar com o machismo. A mídia tem que assumir a responsabilidade de difundir a necessidade de políticas públicas que visem a igualdade de gênero, a começar pela educação, levando esse debate para dentro das escolas”.

    De acordo com Pereira, a sociedade está se degradando com tanta violência, tratando a mulher como objeto. “Num país como o Brasil onde os direitos humanos são cada vez mais desrespeitados, os direitos da classe trabalhadora e das chamadas minorias podem ir para o ralo se não fizermos nada. Devemos agir e unir todas as mulheres e fazer greve como as argentinas fizeram. Basta de violência”.

    São Paulo

    Ocorre nesta quinta-feira também um ato na frente do Tribunal de justiça do Estado de São Paulo, durante o a sessão de julgamento que apreciará o recurso de apelação da estudante de Medicina de 19 anos, vítima de estupro cometido por seu ex-namorado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O algoz foi absolvido no primeiro julgamento.

    Rio Grande do Sul

    Inúmeras entidades assinam nota de repúdio ao do deputado estadual e candidato a prefeito de Santa Maria (RS), Jorge Pozzobom (PSDB). Ele disse que daria de presente “um superbonder” para a sua empregada doméstica ao saber que ela estava grávida do quarto filho (leia a íntegra da nota aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • No primeiro Dia Internacional da Mulher – 8 de março – depois do golpe à democracia brasileira com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, as brasileiras prometem sair às ruas para pôr fim à violência de gênero e os retrocessos do governo Temer.

    As mulheres prometem cruzar os braços, pelo mundo afora, contra a cultura do estupro e todas as formas de discriminação de gênero. O slogan usado já diz tudo: “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós”.

    De acordo com Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “já passa da hora de dar um basta. Todas juntas podemos derrotar o machismo que nos oprime e construir um mundo onde predomine a justiça e a igualdade”.

    A CTB defende a equidade para avançar à igualdade nas questões de gênero. Entre as principais bandeiras que tremulam na campanha feminista deste ano está o combate às reformas da previdência e trabalhista (saiba mais aqui).

    Assista depoimento da atriz Sonia Braga aos Jornalistas Livres: 

    As mulheres são as primeiras a serem demitidas e as últimas a se recolocarem no mercado de trabalho. Além disso, “trabalhamos horas a mais que os homens todas as semanas, temos que dar conta de casa e dos filhos, geralmente sem apoio de ninguém”, reforça Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

    A situação das mulheres negras é ainda mais degradante, informa Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Trabalhamos em situação mais precarizada, em serviços de menores salários e ainda moramos mais longe, em situação de vulnerabilidade total”.

    Tristemente, o Brasil é um dos países mais violentos com as mulheres. “A cultura do estupro mata milhares todos os anos, grande parte constituída de meninas, com menos de 14 anos e dentro de casa, por pessoas conhecidas ou da família”, diz Lenir Fanton, secretária da Saúde da CTB-RS.

    Confira explicação da deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila sobre a reforma da previdência: 

    “É muito importante que a CTB e as demais centrais sindicais definam como prioridade a bandeira da igualdade de gênero para que as mulheres, que constituem 52% da população do país possam viver em paz, em segurança e possa realizar-se plenamente como ser humano”, defende Érika Piteres, secretária da Mulher da CTB-ES.

    Por isso, “levaremos para as manifestações em todo o país, além da denúncia da perversidade das reformas do Temer, a necessidade de termos mais mulheres na política para asvançarmos nas conquistas dos últimos anos. Políticas públicas abandonadas pelo governo golpista”, sintetiza Pereira.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Foi aprovada nesta quarta-feira (5), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/2016, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC). A PEC visa alterar o inciso XLII do art. 5º da Constituição, promulgada em 1988, para tornar o crime de estupro imprescritível.

    O autor utiliza como justificativa, um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a afirmação de que menos de 10% dos casos de estupro são denunciados no país. A estimativa é de que ocorram 527 mil estupros anualmente no país.

    A mesma pesquisa afirma que 70% das vítimas são crianças e adolescentes. Grande parte dos casos ocorre dentro de casa. Isso, mostra que “não é pela roupa que se usa ou pelo horário que se está na rua que provoca o crime, mas a visão de que a mulher é propriedade privada do homem”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Atualmente, pela Constituição, são imprescritíveis apenas os crimes de racismo e a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito. Para Pereira, a PEC pode ajudar no debate sobre mais rigor na punição a agressores de mulheres.

    “A violência de gênero vem crescendo no país na medida de avanço das ideologias do ódio e do medo. E o governo golpista ataca todas as políticas públicas em favor dos direitos de igualdade de gênero. Inclusive impedidno que esse debate seja levado para as escolas, melhor maneira de darmos um salto civilizacional para a construção de um país mais igual", diz.

    Para a sindicalista sergipana, juntamente com a PEC 64, “é fundamental um trabalho de conscientização da sociedade de que a mulher deve ter plenos direitos de exercer a cidadania e construir a igualdade de gênero". Por isso, diz ela, "é essencial denunciarmos esse crime hediondo para dimensioná-lo e combatê-lo com mais efetividade e rigor”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Thinkstock Photos

    Assista vídeo da Revista Azmina: 

  • Em nova trapalhada, o governo golpista Temer nomeou, nesta terça-feira (31), para a Secretaria de Políticas para as Mulheres a ex-deputada Fátima Pelaes, do PMDB do Amapá, conhecida por suas posições fundamentalistas e profundamente machistas.

    “O machismo foi forjado cultural e ideologicamente e por isso não tem sexo. Muitas mulheres são tão ou mais machistas que muitos homens”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Fátima tem posições contra as bandeiras do movimento feminista. Ela é contra a descriminalização do aborto, mesmo em casos de estupro. Ela garante que não “levanta bandeiras contrárias aos valores bíblicos”, desconhecendo que o Estado é laico.

    Também defende o Estatuto do Nascituro, que coloca a mulher em posição de inferioridade até em relação ao feto. Além de apoiar o Estatuto da Família, cujo teor não reconhece famílias contemporâneas que fogem à regra do patriarcado.

    Com posições extremamente moralistas, conservadoras, machistas e homofóbicas, esteve envolvida no caso de desvios de dinheiro público do Ministério do Turismo em 2011.

    “Precisamos escolher bem nossas representações”, reforça Ivânia. “Necessitamos de representantes qualificadas, que entendam que a mulher é discriminada e tida como vulnerável para podarem a sua liberdade de ir e vir em segurança e em paz”.

    Por isso, “não basta trocar um machista masculino por uma machista feminina. É necessário enxergar o mundo com os olhos da mulher que sofre com a tripla jornada, com o assédio, com a cultura do estupro e vive com medo”, afirma.

    Mas também com “os olhos da mulher que vai à luta por direitos iguais”, diz ela. “A mulher que acredita no futuro e exige seus direitos seja no mercado de trabalho, no lar, no transporte público, em todos os lugares e exige uma vida sem violência e sem opressão venha de onde vier”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy