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Sindicalistas de todo o Brasil e do mundo estarão reunidos em Salvador, entre os dias 24 e 26 de agosto, para participar do 4º Congresso Nacional da CTB.

O Congresso, que marcará uma década de lutas da Central, deve reunir 1,2 mil delegados e delegadas de diversas categorias. Para Pascoal Carneiro, presidente da CTB Bahia, a escolha da cidade sede do evento é o reconhecimento do esforço da contribuição que a Bahia deu à CTB desde a sua fundação.

A delegação baiana contará com 350 delegados e delegadas. "Vêm dos grandes e pequenos municípios. São professores, operários, trabalhadores do comércio e do serviço público das três esferas, ou seja, é uma grande aliança do campo e da cidade", diz Carneiro.

No entanto, apesar do caráter comemorativo da data, Carneiro reconhece que o cenário é nebuloso e a discussão a ser travada será fundamental para municiar os dirigentes para as batalhas vindouras.

Confira a entrevista concedida ao Portal CTB:

O Congresso acontece em um cenário de ataques sem precedentes aos direitos trabalhistas. Nesse sentido, qual o papel das discussões que serão travadas durante o evento?

Os ataques aos direitos trabalhistas no Brasil assumem proporções inimagináveis. A reforma trabalhista aprovada recentemente forçará o trabalhador a aceitar empregos inferiores ao seu último trabalho ou com salários menores. Vai ampliar a jornada de trabalho (aumento da mais-valia absoluta) e diminuir o poder de sindicatos, o que acarreta maiores dificuldades para as lutas dos trabalhadores.

Vivemos em um sistema econômico que muito fala do trabalho, mas que pouco o valoriza. Retirar direitos trabalhistas não é uma medida econômica para ajudar o país a sair da crise, é apenas uma forma de explorar os que nunca pararam de trabalhar por esse país. A história está farta de épocas onde o trabalhador foi explorado em benefício de poucos. A Revolução Industrial na Inglaterra talvez seja o melhor exemplo.

Como mostrou o escritor norte-americano Leo Huberman (1903-1968, autor do clássico A história da riqueza do homem), na Inglaterra do século XIX era muito comum crianças de oito anos trabalharem mais de oito horas nas fábricas, mulheres entrarem em serviço de parto e voltarem ao trabalho poucos dias depois e homens trabalharem até dezesseis horas por dia.

Não havia indenização por acidentes e nem impedimentos a demissões. Neste mundo das livres iniciativas, os sindicatos eram considerados ilegais ou coagidos e preponderava o direito dos empresários de fazerem operários trabalharem até morrer ou morrerem de tanto trabalhar.

É neste cenário que vai acontecer o congresso nacional da CTB, em Salvador, e neste congresso vamos debater as formas de lutas para enfrentar a sanha capitalista. A nossa militância carrega em suas organizações sindicais a coragem e o destemor da luta anticapitalista.

É sabido que a delegação baiana é a maior. Fale um pouco de sua composição?

A delegação da Bahia é composta por 350 delegados e delegadas, com mais de 30% de mulheres. Conta com um grande número de delegados e delegadas jovens, que levará ao congresso a força da juventude baiana.

Além de uma expressiva delegação de trabalhadores e trabalhadoras rurais, coordenada pelo nossa Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetag-BA), que levará ao congresso 60 delegados e delegadas.

Na verdade, a delegação da Bahia conta com delegados e delegadas dos grandes e pequenos municípios. São professores, operários, trabalhadores do comércio e do serviço público das três esferas, ou seja, é uma grande aliança do campo e da cidade.

O 4º Congresso Nacional marca uma década de lutas da CTB. O que representa a realização da atividade na Bahia?

Esse congresso é o retrato e o fruto de um trabalho sério e consequente de toda nossa militância, e o reconhecimento de uma direção atuante e coerente. É a defesa do sindicalismo classista: a CTB somos nós, nossa força nossa voz. Isso significa o controle que o trabalhador deve ter sobre o que é o sindicato. É fazer uma reflexão sobre o momento político em todas as discussões. Afinal, sem os trabalhadores organizados e preparados, nenhuma luta é vitoriosa.

O 4º Congresso Nacional da CTB, terá o dever de discutir e combater uma das práticas mais comuns no sindicalismo: a burocratização, prática que afasta o dirigente sindical da classe e da base. O Congresso deve aprovar resoluções específicas sobre a desburocratização. E a realização do 4º Congresso na Bahia é o reconhecimento do esforço da contribuição que a Bahia deu à CTB desde a sua fundação.

Cinthia Ribas - Portal CTB

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