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Nesta última quinta-feira, participei da reunião do Codefat - Fundo de Amparo do trabalhador, em Brasília, quando discutimos o orçamento para o ano de 2016, que chega a um total de mais de 76 bilhões de reais. O FAT é quem garante o pagamento do seguro desemprego e do abono salarial (34 e 17 bilhões de reais, respectivamente). Todos acompanharam a luta do movimento sindical contra a MP 665, que alterou a regra de pagamento do seguro e que visava modificar o abono salarial, retirando direitos.

Não bastassem as medidas aprovadas no congresso contra os trabalhadores, que retirou direitos num momento tão difícil para a renda das famílias brasileiras que começam a sofre as consequências do aumento dos juros e do desemprego, agora o Governo continua jogando a conta do "ajuste fiscal" apenas nas "costas" dos trabalhadores.

Nesta reunião do Codefat, o governo consegue aprovar sua proposta que protela o pagamento do abono salarial (um salário percebido por todo trabalhador que tem renda até dois salários mínimos), de uma parte dos trabalhadores para o ano de 2016, portanto, ao invés de receber até o mês de outubro deste ano, estes trabalhadores receberão numa escala nos meses de janeiro à março de 2016, numa "manobra" para economizar aproximadamente 7 bilhões, como parte do ajuste fiscal patrocinado pelo ministro Levi (Fazenda) e sua política econômica de arrocho e recessão, que nós combatemos, pois acredito que levará o País ao fundo do poço, prejudicando o trabalhador que até aqui foi quem pagou a conta.

Cadê a parte dos ricos?

Porque não taxamos as grandes fortunas e os bancos? Ao contrário, o rentismo continuará faturando alto em detrimento da produção. A cada ponto percentual de aumento dos juros, o Brasil joga fora (com o aumento da dívida) mais de 2 bilhões, por isso os juros têm que baixar. Continuando esta escalda do aumento dos juros, o País continuará a trajetória recessiva.
Ao jogar o pagamento de parte dos trabalhadores para receber o abono em 2016, o governo comete um erro e uma injustiça que prejudica milhões de famílias que dependem desse salário (décimo quarto) para pagar as dívidas ou, quem sabe, fazer as compras de final do ano.

Nesta quinta feira (Como conselheiro do CODEFAT, representando os trabalhadores (em nome da SSB/ CTB), entrei com um recurso na votação desta matéria, na tentativa de negociar com o governo, e demover a proposta aprovada por uma diferença de 3 votos (governo e empresários), contra a bancada dos trabalhadores.
Solicitei, em forma de recurso, para que seja marcada uma nova votação, em reunião extraordinária, para reabrir o debater e aprovar um novo calendário de pagamento dentro do ano de 2015, que não prejudique os trabalhadores.

Esperamos que o governo atenda nossa reivindicação a favor dos trabalhadores, à quem, como Conselheiro do Codefat, presto contas, como cidadão lamento que seja assim: as medidas estão atingindo apenas os mais frágeis; como militante socialista continuarei combatendo esta nefasta política econômica rentista e neoliberal do governo contra a classe trabalhadora.

Joilson Cardoso é vice-presidente nacional da CTB e secretário-geral da SSB nacional e Conselheiro do Codefat


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