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Dom, Maio

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A fundação da CTB constitui-se em importante vitória da concepção classista no movimento sindical brasileiro, como também para o movimento emancipacionista de mulheres, ao consagrar, no seu estatuto e na sua ação prática, papel de destaque às mulheres trabalhadoras.

A Secretaria da Mulher da CTB, no curto espaço de tempo entre a fundação da Central e o momento do 2º Congresso, apresenta um balanço positivo de suas ações e do alcance de suas propostas.

A representação da Secretaria ultrapassou o ambiente sindical - onde contribuiu fortemente para a filiação de novas entidades à Central, especialmente no RS, estado de origem da Secretária – e estendeu-se a outros setores da luta social, como no movimento autônomo de mulheres e em órgãos oficiais (Congresso, Poder Executivo e Legislativo, Fóruns e Conselhos), abrindo espaços para a concepção emancipacionista da igualdade de gênero.

Além da representação, a Secretaria cumpriu com seu objetivo de organizar as trabalhadoras, orientando a criação das secretarias nas estruturas estaduais da CTB, fornecendo material político e de divulgação nos principais eventos ligados às lutas das mulheres (Dia Internacional da Mulher, 1º de Maio, manifestações políticas, Fórum Social Mundial), além da elaboração de slides sobre Violência, Assédio Moral e  Situação da Mulher Trabalhadora, que serviram de apoio em seminários e palestras realizadas em vários estados, com ou sem a presença da Secretária. Regularmente, também foram realizadas postagens no Portal da CTB, com opiniões sobre esses e outros temas ligados às questões de gênero.

A criação da logomarca da Secretaria, utilizada em materiais, como panfletos, camisetas e cartazes, constituiu-se em importante marca visual para a divulgação da Secretaria e da própria Central.

Destaque maior, contudo, deve ser dado à elaboração e publicação da Cartilha “A Mulher no Mundo do Trabalho”, com tiragem de 20.000 exemplares,  resultado do esforço coletivo das mulheres que integram a direção geral da CTB, com a colaboração e apoio de técnicos, jornalistas e trabalhadoras de fora da estrutura da Central. A qualidade da publicação foi reconhecida pelo público alvo e pelo conjunto do movimento sindical. O lançamento da Cartilha, em várias cidades do país,  transformou-se em atos representativos não só do movimento sindical e de mulheres, mas também do movimento social, com boa repercussão política e, sobretudo, como instrumento de organização da luta de gênero nas entidades sindicais.
A Secretaria da Mulher também ocupou seu espaço em organizações internacionais, como a CCSCS, participando com destaque nas atividades do Dia Internacional de Mulheres, em Santana do Livramento, fronteira com Rivera.

As experiências das mulheres que integram a direção da CTB têm sido debatidas nas reuniões do Coletivo, realizadas regularmente.

Em todos os seus materiais, a Secretaria posicionou-se firmemente nas questões conjunturais do país e do mundo, em especial contra a crise econômica, denunciando a responsabilidade do capitalismo, conclamando as mulheres trabalhadoras a lutarem para a sua superação sob a ótica classista, defendendo o papel do estado para fortalecer a economia, com investimentos sociais, com redução da taxa de juros e da jornada de trabalho para geração de mais emprego e maior distribuição da renda. As bandeiras da CTB tiveram na Secretaria da Mulher um espaço sólido de divulgação, cumprindo também com a tarefa de fortalecimento da Central.

 

No entanto, a par desses avanços, temos necessidade urgente de superar as dificuldades inerentes a pouca estrutura financeira, técnica e de representação da Secretaria, assim elencados:

- Representação da Secretaria: A secretária eleita, Abgail Pereira, pelo fato de ser de outro estado que não o da sede da CTB, dificultou a representação da Secretaria em todos os estados em que foi solicitada a sua presença. Ainda assim, esteve presente, além do RS, em eventos realizados em São Paulo, Maranhão, Bahia e na Capital Federal, além de três eventos internacionais, em Cuba, Uruguai e no Paraguai.

- Estrutura Financeira e Apoio Técnico: Muito embora tenha sido aprovada verba própria mensal para a Secretaria, o valor nunca chegou a ser disponibilizado, ficando sempre a cargo da direção da Central a aprovação ou não de orçamentos e despesas necessárias à execução dos projetos e das ações aprovadas pelo Coletivo de Mulheres ou solicitadas pela Secretária. Essa limitação orçamentária inibe e ou atrasa a execução de atividades e impede o uso de apoios técnicos, especialmente em setores como a propaganda e o planejamento. A Secretária sequer dispõe de apoio para a elaboração da agenda de representação, o que gera inúmeros contratempos e remarcações de atividades confirmadas.

Não se trata de superestimar a importância dessa Secretaria frente às demais. O que ocorre é que o movimento de mulheres tem uma dinâmica própria e forte impacto na sociedade, razão pela qual exige maior demanda de ações, de elaboração teórica e de representação em relação ao outros movimentos.

Por isso, para a seqüência e qualificação das atividades da Secretaria, é urgente sua estruturação, com um mínimo de recursos humanos necessários, além de uma dotação mensal fixa, para planejamento antecipado das atividades e peças a serem criadas, de vez que a execução da maior parte das publicações exige tempo razoável de preparação.

Nesse momento histórico em que as mulheres detêm o maior índice de inserção no mercado de trabalho sem que isso signifique redução das desigualdades, é imprescindível a denúncia da maxi-exploração capitalista e a divulgação das perspectivas da luta emancipacionista, o que exige planejamento das ações e do conteúdo de nossas publicações,  questões que não podem ser realizadas sem uma estrutura adequada. 

Ao mesmo tempo, é preciso intensificar o debate das questões de gênero no seio das direções dos sindicatos filiados, discutindo a implantação do sistema de cotas com vistas a ampliar a participação feminina nas diretorias, bem como propondo um patamar mínimo de ações para enfrentamento da discriminação e das desigualdades no mundo do trabalho.


Neste sentido, propomos que a Secretaria da Mulher, no próximo mandato, tenha como metas:

- A realização de seminários sobre a questão de gênero, em vários estados, englobando diversas categorias profissionais;

- A realização do 1º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, tendo como objetivo o debate dos principais temas da luta de gênero no mundo do trabalho, bem como a estruturação orgânica de Secretaria no âmbito nacional e nos estados em que a CTB está organizada;

- Manter a representação da Secretaria no movimento sindical e nos diversos fóruns governamentais e não governamentais que tratam da questão de gênero, no âmbito nacional e internacional.

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