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Mais uma vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga pesquisa onde comprova que a mulher trabalha 7h30, por semana, a mais que os homens. Além disso, os salários femininos são cerca de 30% menores do que o dos homens.

De acordo com Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), as manifestações deste 8 de março – Dia Internacional da Mulher – marcarão a força de mais da metade da população brasileira. Ela ataca a reforma da previdência.

“Somente no dia em que houver igualdade de gênero no país, no mundo do trabalho, nas instituições públicas e privadas, no Congresso e na família é que se poderá pensar em igualar o tempo de contribuição para a aposentadoria entre os sexos”, diz. Pereira cita também o projeto de lei que escancara a terceirização e precariza ainda mais o trabalho da mulher.

“Os governantes e os parlamentares deveriam se ater aos textos constitucionais contra a discriminação, em vez de procurarem aumentar o foço entre os gêneros”. Ela afirma que recaem ainda sobre as mulheres as responsabilidades de cuidar da família, dos filhos e os afazeres domésticos".

A sindicalista comenta também a questão do assédio moral e sexual. "Nós somos assediadas desde o momento em que pisamos na rua, no transporte coletivo, no trabalho e muitas vezes até dentro de casa", reforça.

Tarefas domésticas

Ela se refere à informação de que 90% das mulheres declararam ao IBGE exercer trabalho não remunerado, ou seja, atividades domésticas. Segundo o levantamento, em 2015, 40% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres, 34% deles sem a presença do cônjuge. Em 2000, 24,9% das famílias eram chefiadas por mulheres.

Os dados revelados pelo IBGE mostram o dilema que as mulheres vivem na sociedade brasileira. “Nós trabalhamos mais, ganhamos menos, temos mais responsabilidades e sofremos mais discriminações”, afirma Pereira.

Assista a menina Helena Prestes Lopes, bisneta de Luís Carlos Prestes 

Contra a violência

Ela lembra também que a campanha deste ano do 8 de março “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós”, protesta contra a violência a qual as mulheres são vítimas constantemente.

No Brasil, são denunciados cerca de 50 mil estupros anualmente. E estima-se que apenas 10% das vítimas denunciem. A cada 11 minutos uma mulher é vítima de violência doméstica e milhares são assassinadas todos os anos pelo fato de serem mulheres.

“Se com as políticas públicas da última década, a violência contra a mulher continua alarmante, os estupros crescem dia a dia, o feminicídio também, imagine com um governo que abandona as políticas de proteção às mulheres e se recusa a debater as questões de gênero”, questiona.

De acordo com a sindicalista sergipana, a reforma da previdência vai impactar ainda mais a vida da mulher. “Carregamos conosco a responsabilidade pela maternidade e pela família. Os homens têm apenas 5 dias de licença paternidade, podendo chegar a 20 dias, se a empresa aderir ao programa Empresa Cidadã”. Mas ela garante que pouquíssimas aderiram.

Aborto legal

Chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação que pode levar à legalização do aborto. “Essa questão começa desde a imposição que se tenta impor sobre que tipo de roupa a mulher deve vestir”, diz.

“Aí parte para o poder de decisão sobre o próprio corpo. Querem decidir por nós o que devemos fazer com os nossos corpos e isso é inconcebível”. Para ela, a luta pela legalização do aborto é centenária e precisa levar em consideração o direito de a mulher decidir e a questão da saúde pública.

“A decisão pela interrupção da gravidez deve ser tomada pelo casal, mas em geral, as mulheres decidem sozinhas e arcam com tudo. A sociedade só faz é condenar sem levar em conta as condições de vida da mulher”, afirma Pereira. "É um crime contra os direitos humanos o que as mulheres pobres sofrem em clínicas de aborto clandestinas".

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: O barato de Floripa

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