Uma investigação do jornal Morning Star descobriu que Yaroslav Hunka, o veterano ucraniano da SS homenageado pelo Parlamento canadense na semana passada, foi inicialmente protegido pela Grã-Bretanha após a Segunda Guerra Mundial. Aqui, Hunka é visto na Câmara dos Comuns em Ottawa no dia em que foi saudado pelo primeiro-ministro Justin Trudeau e pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. | Foto: AP / Ilustração: Mundo das Pessoas

LONDRES – O ex-soldado SS Yaroslav Hunka, cuja ovação de pé no parlamento canadense escandalizou o mundo esta semana, recebeu refúgio na Grã-Bretanha após a Segunda Guerra Mundial, o Estrela da Manhã pode revelar.

Apesar de ter servido na Divisão Galiza da Waffen-SS, uma unidade associada aos massacres de judeus, polacos e outros civis durante a guerra, Hunka foi autorizado a estabelecer-se na Grã-Bretanha após a queda da ditadura de Hitler.

Ele emigrou para o Canadá em 1954 e foi apresentado à Câmara dos Comuns daquele país como um herói na semana passada, recebendo uma recepção entusiástica, entre outros, do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em visita.

O presidente da Câmara dos Comuns, Anthony Rota, foi forçado a renunciar em meio a uma tempestade de protestos globais, depois que o passado alinhado ao nazismo de Hunka foi revelado. O governo polaco comprometeu-se a procurar a sua extradição.

Durante seu tempo na Grã-Bretanha, Hunka trabalhou como montador de aeronaves, morou em Northamptonshire e foi membro ativo da Associação de Ucranianos na Grã-Bretanha (AUGB).

Ele foi um dos muitos veteranos ucranianos da Waffen-SS autorizados a viver na Grã-Bretanha após a guerra. O governo britânico decidiu considerá-los “apátridas”, o que significa que não poderiam ser devolvidos para enfrentar a justiça nos países onde as suas atrocidades foram cometidas.

Havia tantos ex-soldados ucranianos anti-soviéticos vivendo na Grã-Bretanha que uma organização separada, a Associação de Ex-Combatentes Ucranianos na Grã-Bretanha (AUFC), foi formada em Londres em 30 de julho de 1949.

Um pôster de recrutamento impresso em ucraniano para a Divisão SS à qual Hunka ingressou quando jovem. Foi publicado no site de uma organização de veteranos SS ucranianos. | via Notícias do Combatente

No seu auge, o AUFC tinha 5.800 membros, dos quais cerca de 84% serviram na Divisão Waffen-SS Galicia. O AUFC não parece mais funcionar.

Respondendo ao EstrelaDurante a investigação, uma porta-voz do AUGB sublinhou que Hunka e pessoas como ele “foram autorizados pelo governo britânico a vir para a Grã-Bretanha. Ele foi autorizado a entrar legalmente.

“As pessoas usam a palavra ‘nazista’”, acrescentou ela, perguntando: “O que está por trás disso? Naquela época, as pessoas no oeste da Ucrânia eram contra o regime comunista.”

Quando questionada sobre o registo de massacres de civis da Divisão da Galiza, a porta-voz respondeu: “Não significa que todos fizeram isso”.

Outros combatentes nazis ucranianos podem ainda estar à solta na Grã-Bretanha.

No ano passado, o Notícias da noite de Manchester entrevistou um ucraniano de 98 anos chamado Iwan Kluka, que se gabava de ter “lutado contra o Exército Vermelho de Estaline”. O jornal excluiu o artigo online depois que leitores indignados apontaram que Kluka claramente lutou ao lado dos invasores nazistas da Alemanha.

Estrela da Manhã


CONTRIBUINTE

André Murray


Fonte: www.peoplesworld.org

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