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Ter, Abr

IPEA

  • “Mãe nenhuma cria filho para matar ou morrer”, diz dirigente da CTB sobre Atlas da Violência

    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta segunda-feira (5) o relatório Atlas da Violência 2017, feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os números são aterradores e confirmam o genocídio negro, principalmente da juventude e das mulheres.

    Os dados mostram que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Isso significa que a população negra possui 23,5% maiores de serem assassinados em relação aos brasileiros não negros.

    “Mais uma vez as pesquisas comprovam que a violência no Brasil tem cor, idade e mira nos mais pobres”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pelo levantamento do Ipea, somente em 2015, ocorreram 59.080 homicídios no Brasil. O que significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. O período analisado é de 2005 a 2015 e retrata crescimento de assassinatos de jovens negros e de mulheres negras. Mais de 92% das vítimas de homicídios são jovens negros.

    No período houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídios de negros entre 15 e 29 anos, moradores da periferia e pobres. Na população de não negros o índice diminuiu 12,2% nos 10 anos pesquisados. 

    O Atlas mostra ainda que mais de 318 mil jovens foram assassinados entre 2005 e 2015. Mais do que países em guerra. Para ela, “isso configura um verdadeiro genocídio da população negra, além da fábrica de prisão em que se transformou o sistema carcerário brasileiro”.

    Leia a pesquisa completa pelo link abaixo

    www.ipea.gov.br

    Já em relação às mulheres a situação se repete. Houve crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra elas, que subiu de 54,8% para 65,3%.

    “As mulheres negras sofrem violência direta e indireta. Direta quando são assassinadas, espancadas, violentadas e indireta quando perdem seus filhos. Nenhuma mãe cria filho para matar ou morrer”, acentua Custódio.

    Os dados apresentam crescimento maior da violência nos estados no Norte e Nordeste. “Justamente onde há menor presença do Estado”. Ela acrescenta ainda que as mulheres negras carregam o maior fardo, inclusive na questão da violência.

    Para a sindicalista carioca, isso justifica o aumento da população carcerária de jovens negros e “ainda querem reduzir a idade penal para ganharem mais dinheiro ainda com a desgraça alheia”. E com isso, as mulheres negras sofrem ainda mais.

    “Elas sofrem violência dentro de casa, institucional, não têm o respeito do Estado e são jogadas à própria sorte. São chefes do lar, porque os homens não assumem a paternidade e ficam vulneráveis a todo tipo de violência”, reforça.

    Para ela, a situação tende a piorar com os projetos do governo de Michel Temer. “Com o aumento do desemprego, da recessão e da insegurança no trabalho, a violência tende a aumentar e sempre sobra para os mais vulneráveis: os mais pobres, os negros, as mulheres”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Latuff

  • Empresários da saúde e governo golpista criam proposta para acabar com o SUS

    A Federação Brasileira de Planos de Saúde realizou nesta terça-feira (10), em Brasília, o 1º Fórum Brasil - Agenda Saúde: a ousadia de propor um Novo Sistema de Saúde, que contou com a participação do Ministério da Saúde e decretou o fim do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Veja como foi o evento aqui. 

    Os empresários da saúde defendem um “novo sistema nacional de saúde” que “de novo não tem nada”, afirma Elgiane Lago, secretária de Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A proposta defendida é a de transferir recursos do SUS para financiar a Atenção de Alta Complexidade nos planos de saúde particulares. “Isso é ainda pior do que privatizar, porque significa tirar dinheiro da saúde pública e dar para os barões da saúde que só pensam em lucros”, acentua Lago. A proposta é extinguir o SUS e manter apenas planos de saúde privados.

    Os empresários do setor e o Ministério da Saúde querem inclusive um Conselho Nacional de Saúde Suplementar com o mesmo poder do atual Conselho Nacional de Saúde. “O golpe de Estado de 2016 avança para tirar a participação popular de todos os setores. Querem ganhar dinheiro com a desgraça alheia”, reforça a sindicalista gaúcha. "A saúde é um direito humano inalienável, vamos resistir e defender o SUS com todas as nossas forças".

    Uma nota técnica, de 2016, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos (saiba mais aqui) já alertava para a necessidade de ampliação dos investimentos no SUS para aprimorar os serviços de um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

     

  • Filosofia e Sociologia devem ser disciplinas obrigatórias? Vote em enquete do Senado

    O jornal Folha de S.Paulo publicou matéria capciosa na segunda-feira (16) com o título “Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática”, sobre um estudo que ainda será publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    De acordo com Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, responsáveis pela pesquisa, o estudo foi feito de maneira ampla entre jovens de 16 a 25 anos. Eles analisaram as notas de estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012 e os de três anos antes da obrigatoriedade dessas disciplinas. Os que estudaram filosofia e sociologia tiveram desempenho mais fraco em matemática e línguas.

    “Pela reportagem da Folha, parece que os pesquisadores partem de uma premissa errada. Eles baseiam seu estudo apenas no método de avaliação tradicional de desempenho em provas e notas”, afirma Marilene Betros, Políticas Educacionais da CTB.

    Ela explica que é necessária uma avaliação com mais amplitude para uma afirmação tão categórica. “Por que uma disciplina deve eliminar a outra?, questiona. “Um estudo afirmando isso justamente num momento em que o governo golpista tira a obrigatoriedade dessas importantes matérias, soa algo estranho”.

    Ademais, complementa, “o ser humano é muito complexo e tem uma grande capacidade de aprendizado. O problema está na falta de qualidade da educação, totalmente para a avalição com provinhas e notas”.

    Betros defende a tese de nota diagnóstica que leva em conta o desempenho dos alunos em todo o transcorrer do ano. Ademais, “a partir de 2009, o Enem se transforma no segundo processo seletivo para o ensino superior do mundo”.

    Antes o Enem era somente uma avaliação do ensino médio, que “visava privilegiar as escolas particulares e consequentemente defender a sua privatização como esse governo quer fazer agora”, acentua.

    De acordo com a sindicalista, o movimento educacional defende a “obrigatoriedade de filosofia, sociologia, artes, educação física, porque essas disciplinas contribuem para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional dos jovens e são necessárias para a vida tanto quanto a matemática e a língua portuguesa”.

    O problema é que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possibilita o ensino de filosofia e sociologia de forma diluída durante todo o ensino médio.E “quando se quer acabar com uma disciplina, se transforma em ‘estudos e práticas'”, diz a deputada federal Professora Marcivânia (PCdoB-AP).

    Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, mostra que “a educação, que por muitos anos ficou protegida da disputa política, e isso aconteceu de fato no governo Lula e menos no governo Dilma Rousseff, volta a ser centro de disputa”.

    E a questão de tirar a obrigatoriedade de “disciplinas tão fundamentais está no bojo da reforma do ensino médio que visa acabar com a educação pública e gratuita”, diz Betros.

    A questão é tão importante que o Senado Federal colocou em votação a proposta “Pela obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio”, no site e-cidadania, no qual você pode votar. Até o fechamento desta matéria, quase 30 mil pessoas apoiaram a ideia, o que transforma o projeto em uma Sugestão Legislativa e o Senado terá que apreciá-la.

    Vote você também aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Projeto do Senado visa tornar imprescritível o crime de estupro. Você concorda?

    Foi aprovada nesta quarta-feira (5), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/2016, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC). A PEC visa alterar o inciso XLII do art. 5º da Constituição, promulgada em 1988, para tornar o crime de estupro imprescritível.

    O autor utiliza como justificativa, um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a afirmação de que menos de 10% dos casos de estupro são denunciados no país. A estimativa é de que ocorram 527 mil estupros anualmente no país.

    A mesma pesquisa afirma que 70% das vítimas são crianças e adolescentes. Grande parte dos casos ocorre dentro de casa. Isso, mostra que “não é pela roupa que se usa ou pelo horário que se está na rua que provoca o crime, mas a visão de que a mulher é propriedade privada do homem”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Atualmente, pela Constituição, são imprescritíveis apenas os crimes de racismo e a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito. Para Pereira, a PEC pode ajudar no debate sobre mais rigor na punição a agressores de mulheres.

    “A violência de gênero vem crescendo no país na medida de avanço das ideologias do ódio e do medo. E o governo golpista ataca todas as políticas públicas em favor dos direitos de igualdade de gênero. Inclusive impedidno que esse debate seja levado para as escolas, melhor maneira de darmos um salto civilizacional para a construção de um país mais igual", diz.

    Para a sindicalista sergipana, juntamente com a PEC 64, “é fundamental um trabalho de conscientização da sociedade de que a mulher deve ter plenos direitos de exercer a cidadania e construir a igualdade de gênero". Por isso, diz ela, "é essencial denunciarmos esse crime hediondo para dimensioná-lo e combatê-lo com mais efetividade e rigor”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Thinkstock Photos

    Assista vídeo da Revista Azmina: