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Dom, Jun

Nova York

  • Viraliza nas redes sociais um vídeo onde uma passageira, de um voo do Rio de Janeiro para São Paulo, diz ao deputado federal cassado Eduardo Cunha: “Senhor Eduardo Cunha muito obrigada por roubar o Brasil inteiro (...) Quero que o senhor apodreça na cadeia”.

    Assista o escracho em Eduardo Cunha 

    Em show em Nova York, o cantor e compositor paulista Criolo incluiu no roteiro um projetor com os dizeres “Fora Temer”, seguido de “Diretas Já”, depois por “É Golpe”, “Pelo fim do foro privilegiado”, "pelo fim da pensão vitalícia" até que no final aparece “A luta é hoje” porque “Amanhã é tarde” e o show prossegue.

    Veja o espetáculo de Criolo 

    Em show de Caetano Veloso e Gilberto Gil em São Paulo, mais uma vez o público acompanhou a música Odeio, de Caetano. Quando o cantor baiano canta “odeio você” o público responde Temer.

    Acompanhe os cantores baianos Gil e Caetano

    Portal CTB

  • O mundo comemora em 28 de junho o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data foi escolhida porque em 1969, os frequentadores do bar gay Stonewall Inn., em Nova York, Estados Unidos, se rebelaram contra uma ação policial, transformando-se num marco da resistência LGBT.

    O episódio ganhou o mundo, “mas ainda em 2018, existem muitos países que criminalizam a homossexualidade”, afirma Silvana Conti, dirigente licenciada da CTB-RS. Ela argumenta que no Brasil “tivemos muitos avanços, mas “uma onda conservadora ganha força e fortalece o patriarcado, a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro e a violência contra as mulheres – negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, prostitutas, ciganas, deficientes, enfim, todas as mulheres com suas diversidades e especificidades.

    Tanto que um estudo do Grupo Gay da Bahia mostra a dificuldade em ser LGBT num país onde avançam o ódio e a violência.  Somente em 2017 foram mortas 445 pessoas por motivação de orientação sexual no Brasil. Sendo 194 gays, 191 pessoas trans, 43 lésbicas e cinco bissexuais.

    “A violência só aumenta com o clima de ódio e desrespeito aos direitos humanos”, enfatiza Conti. “Justamente para se contrapor à violência e ao preconceito que foi criado do dia do orgulho LGBT”, acentua a sindicalista.

    “A palavra orgulho tem sido usada para fazer um contraponto, dizendo que mesmo nessa adversidade é importante ter orgulho de ser que é”, diz Luiz Mott, do GGB ao site Huffpost Brasil.

    Tanto que as marchas do orgulho LGBT vêm se espalhando pelo mundo desde 1970, quando ocorreu a primeira em Nova York. Na 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (foto), mais de 3 milhões de pessoas tomaram a avenida Paulista para defender a igualdade e eleições limpas em 2018.

    Inclusive, lembra Conti, o projeto ultraconservador denominado “cura gay” que desconhece que desde 1990 a Organização Mundial de Saúde reconhece a homossexualidade como uma variação da sexualidade humana.

    No Brasil, desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia segue a mesma determinação e orienta os profissionais a não participar de qualquer tipo de terapia para mudar a orientação sexual das pessoas.

    “Muito importante atuarmos no Dia Internacional do Orgulho LGBT para elevar a consciência política da classe trabalhadora sobre a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, direitos sociais e enfretamento ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia”, conclui Conti.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Nurphoto/Getty Images

  • Por Altamiro Borges

    “Seu ódio não é bem-vindo aqui”. Com essa palavra-de-ordem estampada em faixas e cartazes, milhares de argentinos foram às ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira (6) para protestar contra a visita do fascistoide Jair Bolsonaro ao país. Os atos foram organizados por diversas organizações políticas e de direitos humanos e por movimentos sociais e culturais – entre eles, Mães da Praça de Maio Linha Fundadora, Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, coletivo Nenhuma a Menos e Central dos Trabalhadores da Argentina. 

    Logo no início da tarde, houve uma marcha no centro da cidade até a Casa Rosada, sede oficial do governo. No local, tradicional palco de protestos na capital, ocorreu o festival “Argentina Rechaça Bolsonaro”, com a apresentação de vários artistas. Em manifesto, as entidades enfatizaram que “a violência que [Bolsonaro] emite, negando os crimes contra a humanidade das ditaduras, coloca em perigo a continuidade democrática de um dos países com maior peso na nossa América Latina”. O texto ainda ironiza o odiado Maurício Macri, “um dos poucos presidentes no mundo que fariam uma foto” com o fascista brasileiro. 

    Como relembra o jornal Brasil de Fato, “as reações contrárias à viagem de Bolsonaro começaram desde que ela foi anunciada, ao final de maio. Desde então, passaram a circular nas redes sociais argentinas cartazes com dizeres como ‘seu ódio não é bem-vindo aqui’ e ‘Argentina rechaça Bolsonaro’. No dia 22 de maio, após o anúncio da visita presidencial, a Anistia Internacional enviou carta a Macri em que expressa ‘preocupações em matéria de direitos humanos’. O documento afirma ainda que a ‘retórica hostil’ de Bolsonaro ‘estimula a proliferação de discursos de ódio, polarização e poderiam legitimar violações aos direitos humanos’”. 

    Nova York, Paris e o vexame mundial 

    A manifestação desta quinta-feira sinaliza que Jair Bolsonaro virou um pária internacional – o que prejudica a imagem e os próprios negócios do Brasil no exterior. Famoso por sua postura racista, machista e homofóbica, o fascistoide já é motivo de protestos em vários países. Em maio, o presidente brasileiro que bate continência à bandeira dos EUA cancelou presença no “jantar de gala” em sua homenagem em Nova York (EUA). Após muita hesitação, o convescote foi transferido para Dallas, mas também foi esvaziado e virou novo vexame. 

    Já nesta terça-feira (4), o presidente Emmanuel Macron desistiu de participar do VI Fórum Econômico Brasil-França, em Paris, que teve a presença do general Santos Cruz como o representante do governo brasileiro. O gesto foi encarado por setores da mídia como uma humilhação. Em frente ao local do evento, manifestantes gritaram slogans contra Jair Bolsonaro, a prisão política de Lula e o assassinato de Marielle Franco. Mais de 20 organizações não governamentais francesas exigiram o rompimento de negócios com o governo “fascista” do Brasil. Uma petição contrário ao Fórum Econômico obteve mais de seis mil assinaturas.

  • Cresce a mobilização de artistas e intelectuais para a realização do show Canta a Democracia, na terça-feira (23). Um acontecerá no Rio de Janeiro, no Circo Voador e o outro em Nova York, no Apollo Theater, com a participação de artistas brasileiros e de diversos países.

    Por isso, os artistas pedem ajuda para o financiamento dos espetáculos pelo site do Catarse, que apoia financiamento de eventos (acesse aqui e dê a sua contribuição).

    canta a democracia cartaz

    Vídeo com a canção "Canta a Democracia" - vários artistas 

    A filósofa Márcia Tiburi pede apoio ao Canta a Democracia. “Vamos fazer arte, falar bastante, chamar a atenção do mundo”, diz ela, “contra esse poder mumificado que quer que a gente se acabe”.

    Márcia Tiburi contra o poder mumificado de Michel Temer

     

    A atriz Sílvia Buarque lê texto do avô, o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1920-1982), onde diz que “a democracia no Brasil foi sempre um mal-entendido, uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la a seus direitos e seus privilégios”.

    No mesmo vídeo, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-199 ) diz que os filhos da elite brasileira levam “na alma o pendor do senhor de escravo” e por isso a “classe dominante é muito ranzinza e não deixa esse país ir para a frente”.

    Veja o vídeo completo com Sílvia Buarque e Darcy Ribeiro: elite "não deixa o país ir para a frente"

     

    O ator e cantor André Abujamra diz que “é claro que teve golpe e a gente como artista não pode deixar”. Inclusive a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirma que este show “não é apenas para denunciar o golpe em curso, mas para resgatar a democracia”.

    André Abujamra "a gente como artista não pode deixar" o golpe vencer

     

    Vanessa Grazziotin: "resgatar a democracia"

     

    Para o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) o “golpe foi perpetrado por corruptos que querem solapar nossos direitos” e o Canta a Democracia é uma das “várias maneiras de resistir ao golpe”.

    Para Jean Wyllys golpe aconteceu para retirar direitos 

    A veterana atriz Bete Mendes faz parte do show porque “necessito de educação livre, cultura livre, respeito à diversidade e respeito ao voto livre”, acentua. Já a atriz Ana Cecília Costa conta que apoia o movimento “porque amo o meu país” e não tem nada contra a presidenta Dilma.

    Ana Cecília Costa defende a democracia por amor ao país 

    Bete Mendes quer "respeito ao voto livre"

     

    O Canta a Democracia tem participação de Wagner Moura, Bebel Gilberto, Fernando Morais, Letícia Sabatella, Tico Santa Cruz, Zélia Duncan, Bia Lessa, Ernesto Neto, Sérgio Sérvulo da Cunha, Márcia Tiburi, Edgard Scandurra, Tata Amaral, Arrigo Barnabé, Roberto Amaral e Daniel Filho, entre muitos outros de todos os cantos do Brasil.

    Zélia Duncan convida: "apareça antes que nossa democracia desapareça" 

    Leia mais

    Vários artistas cantam a democracia e denunciam o golpe contra o Brasil

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Um grupo de deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), juntamente com entidades de defesa dos Direitos Humanos e da população LGBTT, promovem um Ato Solene sobre o Dia Do Orgulho LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

    O Dia do Orgulho LGBTT é celebrado no dia 28 de junho porque nessa data os frequentadores do bar gay Stonewall Inn, em Nova York, no ano de 1969, reagiram às costumeiras e violentas batidas policiais no local, o fato ficou marcado como a Rebelião de Stonewall. E resultou no ano seguinte na 1ª Parada do Orgulho LGBTT do mundo, que ocorreu em Nova York. 

    "Precisamos mobilizar toda a sociedade para defender o direito à vida de todas as pessoas, independente de orientação sexual, cor, idade ou classe social", diz a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), uma das organizadoras do evento.

    ato solene alesp orgulho lgbt

    O Ato Solene pelo Dia do Orgulho LGBTT é aberto ao público e acontece nesta terça-feira, às 19h. “No Brasil muitos integrantes da população LGBTT são assassinados todos os dias por ignorância, intolerância e falta de generosidade", complementa a deputada comunista.

    Para ela, a luta é pela cultura da paz e por mais conhecimento, como forma de acabar com o preconceito. "A dignidade da pessoa humana deve prevalecer nestes tempos de violência, ódio às mulheres e de brutalidade pura e simples. Precisamos dar uma basta nessa onda de discriminações”.

    Leci reafirma ainda a necessidade de o debate das questões de gênero ser inserido no âmbito escolar. "Educação sexual sem tabus e sem medo é importante para ensinar as crianças o que é carinho e o que é abuso".

    Confirme presença no evento:

    https://www.facebook.com/events/1154463837924985/

    Serviço:

    Quando: Terça-feira (28), às 19h
    Onde: Auditório Paulo Kobayashi da Alesp - Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, andar monumental, Ibirapuera, São Paulo

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Considerado o diário mais importante do mundo, o jornal The New York Times (NYT) faz uma série de reportagens sobre o golpe de Estado jurídico-parlamentar em marcha contra a democracia brasileira.

    A equipe de correspondentes acompanhou algumas manifestações em defesa do Estado Democrático de Direito e das conquistas sociais dos últimos 13 anos. Os jornalistas norte-americanos produziram um vídeo, visualizado no mundo inteiro.

    Assista o vídeo do NYT 

    Camila Márdila (a Jéssica de Que Horas Ela Volta?) gravou uma chamada à resistência ao golpe. "Algo muito importante ainda está pra acontecer, não tem nada definido... A gente tem que prestar muita atenção ao que pode acontecer nos próximos dias nesse país, e não é só nas Olimpíadas”, diz a atriz.

    Veja Camila Márdila

     

    O vídeo “Golpe x Democracia”, do grupo Juventude Decidida, pergunta: "De que lado você está? De Eduardo Cunha, com várias acusações de atos ilícitos, ou de Dilma, sem nenhuma acusação comprovada?"

    Veja o vídeo e decida 

    Com muita irreverência, centenas de brasileiros e brasileiras tomaram a Times Square em Nova York, Estados Unidos, em defesa da democracia e pelo “Fora Temer”, no domingo (31). Chico César canta “as velhas raposas querem o galinheiro”...

    Assista

    Os Jornalistas Livres gravam vídeo de uma solenidade com a presença de políticos graúdos do PSDB paulista sobre a questão da saúde, onde ocorre um protesto contra o desmanche do SUS e os políticos se fazem de desentendidos.

    Estavam presentes José Serra (ministro interino das Relações Exteriores), Fernando Capez (presidente da Assembleia Legislativa de SP), Geraldo Alckmin (governador de SP), David Uip (secretário de Estado da Saúde) e Ricardo Barros (ministro da saúde do interino).

    Repare a cara de pau dos tucanos 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Charge: Latuff

  • Na noite de sexta-feira (22),  mesmo dia em que a presidenta Dilma denunciou a trama golpista dos sem voto no país, o letreiro luminoso do conhecidíssimo Times Square em Nova York, Estados Unidos, diz em tradução literal que "os brasileiros vão se opor às tentativas de minar a democracia".

    Assista o vídeo de Paulo Villaça:

     

    Portal CTB com Jornalistas Livres

  • Tudo começou com a Corrida pela Cura, realizada em Nova York, nos Estados Unidos, em 1990, quando o laço rosa (símbolo do Outubro Rosa) foi distribuído pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A partir de 1997, cidades norte-americanas começaram a fomentar a campanha todos os anos.

    Para Elgiane Lago, secretária da Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o movimento mundial é “muito importante porque abre espaço para o debate sobre a prevenção a essa doença, que atinge 28,1% das cancerígenas no país”.

    A sindicalista gaúcha informa ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) faz tratamentos, exames e desenvolve campanhas de esclarecimentos para a prevenção desse tipo de câncer “com muita qualidade”.

    Ela lamenta apenas que o governo ilegítimo de Michel Temer mostra interesse em acabar com o SUS. “Liquidar com o SUS significa tirar a possibilidade da população mais pobre de ter um atendimento digno para a sua saúde”, diz.

    A campanha chegou ao Brasil com a iluminação em rosa do Obelisco do Ibirapuera, em 2002. A ideia de iluminar monumentos pegou e nos governos da presidenta Dilma Rousseff, até o Palácio do Planalto ficava rosa em outubro.

    “A CTB adere ao Outubro Rosa porque é fundamental orientar as mulheres a cuidar da saúde e a prevenir o câncer de mama”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Por isso, “continuaremos nas ruas defendendo a ampliação do SUS e contra a sua extinção. O Outubro Rosa serve para combater o câncer de mama e levar informações sobre os direitos que todas as mulheres têm a uma vida saudável”.

    O Instituto Nacional do Câncer dá dicas de como prevenir

    - Praticar atividade física regularmente;

    - Alimentar-se de forma saudável;

    - Manter o peso corporal adequado;

    - Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

    - Amamentar

    Sinais e sintomas

    - Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;

    - Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;

    - Alterações no bico do peito (mamilo);

    - Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;

    - Saída espontânea de líquido dos mamilos

    No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde - assim como a da Organização Mundial da Saúde é a realização da mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) em mulheres de 50 a 69 anos, uma vez a cada 2 anos.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A redução do limite de velocidade no trânsito tem incendiado os debates na campanha eleitoral de São Paulo. A medida, adotada pelo prefeito Fernando Haddad no ano passado, gerou polêmica imediatamente e agora é matéria-prima para a plataforma dos candidatos a prefeito.

    Dos cinco principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, apenas Haddad e Luiza Erundina (PSol) disseram que vão manter a redução e até aprimorá-la. Celso Russomanno (PRB) e Marta Suplicy (PMDB) prometeram revisar a medida. Com o slogan “Acelera SP”, o candidato João Doria (PSDB) já afirmou que irá aumentar os limites de velocidade no primeiro dia do seu mandato caso eleito.

    O El País acionou sua rede de correspondentes no mundo para saber qual é o limite de velocidade das principais capitais. A conclusão é que a redução do limite de velocidade é uma tendência inexorável. Em Nova York, por exemplo, há quase dois anos o limite na área urbana passou para 40 km/h e, em Londres, a máxima diminui para 32km/h em importantes avenidas da capital inglesa. Nas duas capitais os óbitos caíram. Em Santiago, por outro lado, houve aumento de 50 para 60 km/h do limite em 2002, e foi atestado um aumento de mortes no trânsito.

    A redução é apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que recomendou a adoção do limite de 50 km/h em áreas urbanas para diminuir os acidentes e melhorar o fluxo do trânsito nas cidades. De fato, em 2011, a Assembleia Geral da entidade lançou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. Uma série de medidas foi definida para que as vítimas de acidentes fatais no trânsito fossem reduzidas em todo o mundo. Entre elas, estava a o limite de velocidade de até 50 km/h para qualquer via urbana – sem distinção de tamanho ou capacidade. E, em áreas com grande movimentação de pedestres e ciclistas, a recomendação é de 30 km/h.

    Em São Paulo, a medida começou a ser adotada pela Prefeitura em julho do ano passado. De forma geral, o padrão adotado foi o mesmo estabelecido pela OMS. Em avenidas com cruzamentos, semáforos e circulação de pessoas, os limites foram reduzidos para 50 km/h. Nestas vias, radares de trânsito e guardas fiscalizam a velocidade dos veículos. Em grandes avenidas, sem semáforo ou cruzamento, como a 23 de Maio, que corta a cidade de Norte a Sul, os limites foram fixados em 60km/h.

    No caso específico das Marginais Pinheiros e Tietê – maiores vias de deslocamento da cidade –, existem três tipos de velocidades diferentes: 50 km/h nas “pistas locais”, que oferecem acesso a outras avenidas da cidade; 60 km/h nas “pistas centrais”, que são a ligação entre as pistas expressas e locais; 70 km/h nas “pistas expressas”, que não têm conexão direta com as vias da cidade. As duas marginais são fonte da maior parte das polêmicas da cidade. Segundo os críticos das medidas adotadas pela Prefeitura, as avenidas não deveriam ter entrado na redução do limite de velocidade por serem “vias expressas”. Apesar de grandes, contudo, elas estão dentro da mancha urbana e passam ao longo de inúmeros bairros da cidade.

    A Prefeitura defende a redução de velocidade com os dados de diminuição de mortes. Segundo estatísticas divulgadas pela Prefeitura de São Paulo e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no último ano houve uma queda de 20,6% no número de mortos em acidentes de trânsito. Pela primeira vez em dez anos, o número de acidentes fatais ficou abaixo dos 1.000. No caso específico das Marginais, a CET diz que na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e 2015, os acidentes caíram de 608 para 380 e de 27 fatais para nove.

    A crítica de muitos paulistanos, porém, foi o ônus que veio junto com a medida: as multas. Se a proposta é positiva por um lado, a mudança de hábito forçada – e com a falta de uma campanha de esclarecimento mais ostensiva, segundo alguns críticos – acabou irritando os motoristas. Fernando Haddad tornou-se alvo de desconfiança da população que entendeu o movimento do prefeito como uma tentativa de arrecadar recursos por meio de uma “indústria da multa”. De fato, mais que dobraram. No ano passado, entre agosto e dezembro, quando a nova regra já estava valendo, foram registradas 2,8 milhões de multas eletrônicas (registradas por radar) de excesso de velocidade. No mesmo período de 2014, quando o limite não era aplicado, a quantidade de infrações foi bem menor: 1,18 milhão, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

    A proposta acabou aumentando a fama negativa de Haddad, fartamente explorada na campanha eleitoral por seus adversários. Mas, se o próximo prefeito de São Paulo voltar atrás e aumentar as velocidades, estará se descolando da tendência global das grandes metrópoles. Aos poucos, a nova política tem ganho apoio, mas ainda divide a população. Segundo pesquisa Ibope divulgada no último dia 19, no ano passado, 43% dos paulistanos eram favoráveis à redução e 53%, contrários à medida. Neste ano, 47% se posicionaram a favor e 50% contra a redução. Leia aqui o relato dos correspondentes do El País sobre a política de velocidade urbana adotada em oito importantes metrópoles no mundo. Confira:

    Em novembro de 2014, a cidade de Nova York diminuiu o limite de velocidade nas ruas, que passou de 48 km/h para 40km/h. A medida é uma das implementadas pelo programa conhecido como Vision Zero. A ação está pensada principalmente para proteger os pedestres, já que a maioria dos acidentes com mortes na cidade é por atropelamentos. Um pedestre tem o dobro de possibilidades de sobreviver a um golpe de um carro a 40 km/h que a 48. Quando a nova legislação foi adotada, o total de mortos rondava 330 pessoas (em uma cidade de oito milhões).

    O limite dos 40 km/h cobre essencialmente 90% de todas as ruas nos cinco condados de Nova York. O limite de 48 km/h, em vigor desde 1995, se mantém para vias expressas e grandes avenidas que são consideradas artérias importantes do trânsito, como Queens Boulevard. Nestes casos se deve sinalizar que a velocidade é superior ao novo limite, assim como se faz nas zonas de colégios para indicar que é inferior a 40 km/h. (Por Sandro Pozzi)

    Na França o limite de velocidade nas ruas das cidades é de 50 km/h e de 30 km/h nas ruas de direção única. Nas vias de acesso aos aeroportos o limite é de 70 km/h e, em alguns casos, de 80km/h. Em 2005, a cidade de Grenoble começou a aplicar uma fórmula que se estendeu a várias outras: a velocidade nas ruas é de 30 km/h, salvo exceções que se aplicam a poucas avenidas e vias rápidas: 50km/h. Desde que Grenoble alterou o limite de velocidade, o número de acidentes na cidade caiu 65%, segundo a prefeitura. ( Por Carlos Yárnoz)

    Há mais de 15 anos, a cidade de Roma impôs medidas para limitar a circulação de veículos e de velocidade. Atualmente, o limite de velocidade urbana é de 50km/h, embora haja zonas, denominadas “ilhas ambientais”, em que o limite está restrito a 30km/h e outras, no centro, que o tráfego está proibido.

    No centro histórico, especialmente, a circulação de carros é restrita. Os 15 quilômetros estão reconhecidos como uma “Zona de Tráfego Limitado” e nela os carros só podem transitar quando autorizado – geralmente após as 18h30.

    Em parte devido a essas medidas, mas também como consequência de outros fatores como a melhora tecnológica dos carros, a criação do carnê por pontos e o aumento dos controles, os acidentes com mortes em Roma caíram 38% nos últimos 10 anos. ( Por María Salas Oraá)

    O tema da velocidade máxima nunca esteve presente na agenda de segurança das vias na Argentina. Em 2012, a cidade de Buenos Aires estabeleceu um novo regime de velocidades máximas, com dez limites diferentes segundo o tipo de veículo. Além disso, se determinou uma velocidade para as ciclovias. Nas ruas internas a máxima é de 40 km/h, mas em frente às escolas o limite é de 20 km/h e nas com ciclovia é de 30km/h. Nas avenidas, a velocidade máxima permitida para os carros é de 60km e para os ônibus, 50. Em algumas vias rápidas os veículos podem transitar a 70 km/h. As estradas urbanas variam de 80 a 100 km para carros e 90 para caminhões a ônibus. Já nas estradas fora da cidade, como as que levam ao aeroporto internacional ou a chamada Panamericana, o limite é de 130 km/h para os carros, 100 para os ônibus e 90 para caminhões. ( Por Federico Rivas Molina)

    Desde 2002, a velocidade máxima nas ruas de Santiago do Chile é de 60 quilômetros por hora e nas estradas é de 120 km/h. Antes disso, o limite da velocidade era menor: nas vias urbanas era permitido 50 km/h e nas estradas 100km/h. Um ano após o aumento do limite, houve um crescimento de 25% no número de mortes em acidentes de trânsito na cidade, segundo a Subsecretaria de Transportes de Santiago.

    Há um ano, o governo de Michelle Bachelet anunciou que tentaria baixar a velocidade máxima e retornar aos 50 km/h das zonas urbanas, mas até agora a mudança não aconteceu e nem houve uma discussão com a sociedade sobre o tema. Dado o aumento do uso de bicicletas, o Executivo também buscaria facilitar que os municípios determinem zonas calmas de velocidade, onde os carros não possam ultrapassar 20, 30 ou 40 km/h. (Por Rocío Montes)

    A Cidade do México tem seis zonas em que a velocidade dos automóveis está restrita. As pistas centrais das vias de acesso à capital têm um limite de 80 km/h, já nas avenidas principais a máxima permitida é de 50 km/h. Os motoristas não podem ultrapassar os 40 km/h em vias secundárias nem uma velocidade de 30km/h em áreas de trânsito mais calmo. Em zonas de hospitais, escolas, asilos e albergues a velocidade máxima é de 20 km/h.

    A lei vigente se estabeleceu no novo regulamento de trânsito de agosto de 2015 e entrou em vigor em dezembro do ano passado. A nova normativa também estabeleceu controles mais estritos como multas com fotos. Segundo a Secretaria de Mobilidade da Cidade de México, os incidentes de trânsito caíram 50% durante os primeiros meses deste ano. A Secretaria de Segurança Pública assegura que até agosto de 2016 as mortes associadas a acidentes diminuíram 18%. O objetivo é reduzir com a nova regulamentação 35% das mortes por acidentes de trânsito até 2018.( Por Elías Camhaji)

    A capital inglesa adota o limite de velocidade de 32 km/h em ruas e avenidas importantes da cidade. São as chamadas “20 mph zones”, que já representam 25% de todas as vias de Londres. A medida ajudou a reduzir em 40% o número de mortos e feridos graves em acidentes de trânsito.

    Em Barcelona, a velocidade máxima nas ruas da cidade é de 50 km/h e nas vias interurbanas 80 km/h. Também há ruas nas chamadas zonas 30, onde este é o limite máximo de velocidade. Geralmente estão localizadas em bairros com ruas antigas.

    No caso dos acessos à cidade, a velocidade baixa de 120 km (o limite da estrada) a 80 km quando há episódios de forte poluição (algumas vezes por ano). Antes, entre 2008 e 2011, um governo regional de esquerda reduziu a velocidade nesses acessos, sempre para diminuir a poluição. A medida não reduziu os acidentes, mas sim a gravidade deles. Quem determina a velocidade das vias urbanas é um regulamento de tráfego estatal. As prefeituras, no entanto, podem baixar a velocidade se quiserem. (Por Clara Blanchar)

    Fonte: El País Brasil

  • Por Leonardo Sakamoto, em seu blog na UOL

    Um ataque em duas mesquitas em Christchurch, terceira cidade mais populosa da Nova Zelândia, deixou 49 mortos e 48 feridos, entre eles, crianças, nesta sexta (15). O atirador, um australiano, transmitiu o massacre via uma live no Facebook.

    No manifesto de ódio deixado por ele, descreve-se como “um homem branco comum”, de “sangue europeu”, “etnonacionalista” e “fascista”. Com seu ato, quis, segundo ele, “mostrar aos invasores que nossas terras nunca serão as terras deles, enquanto um homem branco viver”.

    Independentemente do nível de sanidade ou psicopatia do autor, o discurso que ele reproduziu como justificativa para o massacre está alinhado às porcarias ultranacionalistas e xenófobas pregadas por grupos políticos de extrema direita ao redor do mundo. Porcarias que conquistam cada vez mais espaço à medida em que seus líderes assumem o poder em diferentes países.

    Xenofobia

    Nesta sexta, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, solidarizou-se com as vítimas na Nova Zelândia, chamando o ocorrido de “perverso ato de ódio”.

    O mesmo Trump, contudo, havia afirmado “nós devemos manter o ‘mal’ fora de nosso país!”, em sua conta no Twitter, em referência a uma decisão do Tribunal Federal de Seattle que havia suspendido temporariamente o seu decreto impedindo a entrada de pessoas de sete países de maioria islâmica em 2017.

    Essa paradigmática declaração é útil para entender o massacre desta sexta nesse pacífico país da Oceania. A ideia de “mal” usada por Trump tem significados que se desdobram. A princípio representa o terrorismo de algumas organizações que ele afirma tentar evitar – apesar de nenhuma pessoa dos países barrados por ele, até aquele momento, ter cometido atentados nos EUA. Mas ao baixar uma proibição indiscriminada a todos os cidadãos desses países, Trump os tornava suspeitos simplesmente porque foram proibidos de entrar. E a percepção do que seja o “mal” se estende, metonimicamente, aos inocentes. É a tática do linchamento: se adoto uma punição contra você é porque você fez algo errado.

    Durante a campanha de Trump à Presidência, o tema da migração ganhou destaque com o então candidato culpando os estrangeiros pobres por todas as desgraças que acontecem em solo norte-americano – de estupros ao tráfico de drogas e principalmente o terrorismo.

    Supremacistas brancos

    E isso está longe de corresponder à realidade. Mayra Cotta, pesquisadora da New School for Social Research, em Nova York, mostrou, em artigo neste blog na época, que 64% dos ataques com armas em espaços públicos nos Estados Unidos eram causados por homens brancos que nasceram naquele país. Homens, frequentemente supremacistas brancos, que entraram armados com sua ideologia racista em jardins de infância, escolas, universidades, cinemas, igrejas, mesquistas, repartições e escritórios e começaram a matar as pessoas ao se redor, sem necessariamente um alvo específico.

    Líderes nacionalistas em várias partes do mundo evitam se referir aos seus “soldados”, que matam e morrem em nome dessa ideologia, como o “mal”. Até porque seria muito difícil explicar a seus eleitores – pelo menos os que buscam soluções fáceis para o medo que sentem – que parte da violência em seu país está ligada a desvios e questões mal resolvidas de seus próprios indivíduos e sociedade e não necessariamente de agentes externos.

    Trump, o presidente da maior potência global, cumpriu um papel importante para os ultranacionalistas em todo o mundo ao escancarar tudo isso sem mediações e esticar a corda, ultrapassando o limite da racionalidade e atingindo pilares da democracia. Ao eleger inimigos, tachá-los (famílias de latino-americanos como ladrões e estupradores, muçulmanos, terroristas, chineses, desleais…) e afirmar que estão apodrecendo a sua sociedade, transfere o problema para terceiros e enfraquece a possibilidade de reflexão.

    O “mal” é sempre o outro, o migrantes, o islâmico, o negro, o homossexual, o que não se parece conosco, nunca nós mesmos. Mesmo que tenha sido um homem branco de “sangue europeu” a causar o mal, não migrantes e refugiados.

    Com já disse aqui, esse discurso empodera muita gente. Nos Estados Unidos, isso ajudou a que centenas de desprezíveis racistas e neonazistas marchassem em Charlottesville, carregando tochas e entoando palavras de ordem contra negros, migrantes, homossexuais, judeus.

    Mas também no resto do mundo. Os 49 migrantes em Christchurch eram culpados, na cabeça do atirador. Afinal, iriam morrer por suas mãos para o reestabelecimento da ordem.

    O que fazer quando o “mal” somos nós mesmos? A resposta que vem sendo largamente adotada é encontrar um inimigo e insistentemente transferir o problema a ele até que nos esqueçamos de nossa responsabilidade.

  • Wagner Moura, Bebel Gilberto, Fernando Morais, Letícia Sabatella, Tico Santa Cruz, Zélia Duncan, Bia Lessa, Ernesto Neto, Sérgio Sérvulo da Cunha, Márcia Tiburi, Edgard Scandurra, Tata Amaral, Arrigo Barnabé, Roberto Amaral e Daniel Filho criaram o movimento Canta a Democracia para arrecadar fundos para dois espetáculos contra os projetos de retirada de direitos da classe trabalhadora e do povo brasileiro.

    Um show será no Rio de Janeiro, dia 23 de agosto, no Circo Voador e em Nova York com o Shout For Democracy Concert, no Apollo Theater.

    Para a realização dos espetáculos, os artistas pedem a sua colaboração pelo www.catarse.me/cantaademocracia.

    "Canta a Democracia é o nome do espetáculo e também da campanha que coloca no palco artistas e nomes da cultura brasileira que querem defender os direitos de todo cidadão brasileiro. O Brasil das mulheres. Dos negros. Dos cidadãos LGBT. Dos indígenas. O Brasil dos trabalhadores, dos aposentados, dos estudantes, de todos nós. O Brasil que já teve importantes conquistas e não pode, de forma alguma, voltar para trás. Um país que tem de preservar o que já conseguiu com muita luta. Um país que tem de assegurar o direito do voto. Um país que diz não ao golpe", dizem os organizadores do evento.

    Assista o vídeo promocional da campanha Canta a Democracia

     

    Público acompanha a orquestra que transforma mais uma vez a obra "Carmina Burana", de Carl Orff, em um canto da vontade popular com o "Fora Temer", na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro.

    Geraldo Azevedo puxa o canto "Fora Temer" em seu show no sábado (16). no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Logo após, cantou “Canção da Despedida” (letra abaixo), composta em 1968, em parceria com Geraldo Vandré.

     

    Canção da Despedida

    (Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo)

    Já vou embora, mas sei que vou voltar
    Amor não chora, se eu volto é pra ficar
    Amor não chora, que a hora é de deixar
    O amor de agora, pra sempre ele ficar
    Eu quis ficar aqui, mas não podia
    O meu caminho a ti, não conduzia
    Um rei mal coroado,
    Não queria
    O amor em seu reinado
    Pois sabia
    Não ia ser amado
    Amor não chora, eu volto um dia
    O rei velho e cansado já morria
    Perdido em seu reinado
    Sem Maria
    Quando eu me despedia
    No meu canto lhe dizia

    Os Jornalistas Livres apresentam, com muito humor, o Sarau de Michel Temer. Os poemas de um presidente golpista. Segundo os autores "esta é obra de ficção. Qualquer semelhança comigo ou com terceiros é mera coincidências - TEMER, Michel. Livro Antônima Intimidade, p.19". 

    Para quem reclama do papel que a mídia burguesa tem feito nos últimos anos, finalmente ela se redime nessa montagem hilária. Assista e sinta a profundidade do tema.

     

    Veja o que falou o jornalista Xico Sá em um programa do canal pago Sportv. Quando o apresentador disse que Temer anunciou que não tem time do coração, Xico Sá disse: "ele não tem coração". Todos gargalharam. Infelizmente o vídeo foi bloqueado, mas fica a constatação.

    O compositor tropicalista Tom Zé disse em entrevista ao Diário de Notícias, de Portugal, que "realmente é um golpe, todo o mundo sabe. A gente vive uma ditadura mascarada. É um governo fazendo tudo o que uma democracia não faz e que não quer ser chamado de ditadura. Todo o dia mudam a acusação (contra Dilma), agora no Senado disseram que ela não tem nada com pedaladas fiscais [a deliberação veio do Ministério Público Federal, em relação ao caso Safra, onde foi decidido não existir crime do governo de Dilma. Se muda a acusação têm de tirar todo o processo de impeachment".

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • No campo e na cidade, o corte nos investimentos e a flexibilização dos direitos encolhem mercado de trabalho para jovens (Foto: Esquerda Diário)

    A crise afeta a vida de todas as pessoas, mas atinge principalmente a juventude, as mulheres e os negros. O Brasil que já tem quase 14 milhões de desempregados e mais de seis milhões de subempregados vê as novas gerações sem muitas alternativas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25,3% dos cidadãos entre 18 e 24 anos estão sem trabalho. E para piorar, quase 26% dos jovens nem trabalham, nem estudam.

    Acesse e leia a revista na íntegra aqui

    No campo e na cidade, o corte nos investimentos e a flexibilização dos direitos encolhem mercado de trabalho para jovens “A situação está piorando porque o governo golpista corta investimentos nas áreas sociais e afeta profundamente a juventude que fica sem perspectivas e está indo para o trabalho informal ou à mercê da criminalidade”, afirma Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB.

    O estudo “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2017”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostra que 70,9 milhões de jovens estão desempregados no mundo, e a expectativa para este ano é que este número chegue a 71,1 milhões de desocupados na faixa etária dos 14 aos 29 anos. Ainda de acordo com o estudo da OIT, 77% destes jovens estão na informalidade, sem carteira assinada.

    infograafico g1 desemprego entre jovens

    “As perspectivas são sombrias, por isso, o movimento sindical deve se aproximar e trazer essa parcela significativa da população para dentro dos sindicatos, mostrando que essa é uma das formas mais eficazes de se derrotar o projeto neoliberal em marcha no país”, sintetiza a sindicalista.

    Segundo a OIT, as mulheres são muito mais penalizadas com o desemprego. No mundo, a taxa de moças jovens que não está trabalhando, estudando nem recebendo treina - mento é de 34,4%, enquanto que este índice cai para 9,8% entre os homens jovens. Os números não são acalentadores.

    Para Bezerra, no entanto, é importante que a educação pública esteja voltada para o desenvolvimento nacional autônomo e em consonância com as aspirações da juventude. “A reforma do ensino médio não contempla as necessidades da juventude trabalhadora porque privilegia o setor privado da educação e tira o sonho dos mais pobres de melhorar de vida pelo estudo”.

    Juventude trabalhadora rural

    No campo não é diferente. Como revela Marilene Faustino Pereira, secretária adjunta da Juventude Trabalhadora da CTB, a estrutura fundiária pautada no agronegócio emprega muito pouco devido à monocultura e à mecanização.

    “A permanência dos jovens no meio rural depende de uma boa geração de renda, além de acesso à educação, à saúde, ao esporte, ao lazer e à cultura”. Além disso, a sindicalista aponta a falta de políticas públicas no campo.

    “O que torna mais difícil atrair a juventude para permanecer no campo é a falta de políticas e investimentos na agricultura familiar, que propiciem boas condições de trabalho e de desenvolvimento para os mais jovens”.

    Miséria em todo canto

    Atualmente, 39% dos jovens nos países em desenvolvimento, o equivalente a 160 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, vivem abaixo da linha de pobreza, mesmo estando empregados.

    “Eles têm ocupação, mas não ganham o suficiente para viver”, diz o pesquisador Vinícius Pinheiro, chefe do escritório da OIT, em Nova York. A secretária de Políticas Sociais da CTB, a sindicalista Vânia Marques Pinto, afirma que os índices vêm piorando com a crise econômica e se aprofundando com as medidas propostas pelo governo.

    “Cresce a precarização do trabalho, a instabilidade no emprego e os contratos intermitentes e a terceirização ilimitada produzem subempregos e trabalhadoras e trabalhadores sem nenhuma garantia”, afirma.

    Para ela, “o governo golpista abandonou as políticas públicas destinadas aos jovens e com isso a situação se deteriora, somando-se à ausência de estrutura das escolas, ao desemprego e à falta de perspectivas”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB


    Matéria publicada na revista Visão Classista, número 22, de julho de 2018.