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Sex, Abr

racismo

  • Combater o racismo é defender o futuro da humanidade

    Que o Brasil é um país altamente racista é fato inquestionável. Desnudar e combater as manifestações racistas faz parte do ideário de todas e todos ativistas do movimento negro brasileiro.

    Todos os dias os jornais estampam notícias de jovens negros e pobres mortos pela polícia nas periferias das grandes cidades. O assassinato e o estupro de mulheres negras crescem vertiginosamente a cada ano. E não adianta se espantar, isso é realidade.

    Recente levantamento do IBGE mostra que 63,7% dos mais de 13 milhões de desempregados no país são negros. Lembrando que representamos 54,9% da população brasileira, nota-se a gravidade do racismo institucional, a começar pelo mercado de trabalho.

    No ano que estaremos refletindo sobre os 130 anos da Abolição, que marginalizou os seres humanos escravizados, a partir de então sem trabalho, sem terra, sem moradia, abandonados ao léu. Aos olhos da elite escravocrata só serviam para o trabalho escravo.

    Já para o trabalho remunerado como determinava o nascente capitalismo, foi importada mão de obra europeia, na vã esperança de “branquear” a sociedade, como se a negritude ferisse o orgulho da classe dominante.

    É exatamente essa mentalidade que dizima a população negra onde 71 em cada 100 pessoas assassinadas são negras no país. Matam a nossa juventude por única e exclusiva falta de vontade política em se avançar para uma sociedade sem discriminações, onde predomine a solidariedade.

    Mas insistimos e resistimos pela nossa humanização. Permaneceremos nas ruas e nas redes em defesa da vida de nossas filhas e filhos. Precisamos fortalecer a memória de Zumbi dos Palmares no Dia da Consciência Negra (20 de novembro) em respeito aos nossos ancestrais, mas principalmente pelo direito ao trabalho e a uma vida digna com igualdade de direitos.

    Mônica Custódio é secretária da Igualdade Racial da CTB.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Comerciários do Rio defendem trabalhadora que sofreu racismo em supermercado

    Amanda Gregório, 30 anos, trabalha há quase dez anos no supermercado Mundial, no Rio de Janeiro. Atualmente, está na função de atendente, mas esteve de licença médica pelo INSS durante seis meses. Voltou ao trabalho há pouco mais de um mês. Em 26 de outubro, numa consulta, recebeu atestado médico para dispensa por quatro dias.

    Para ter direito à licença, Amanda precisou confirmar o diagnóstico com o médico do trabalho na sede da empresa, em Bonsucesso. Chegando ao local, Amanda foi atendida pelo Dr. Eduardo Carvalho. Ele quis colocá-la novamente de licença pelo INSS. Ela tentou explicar que o motivo do afastamento era diferente daquele de sua licença médica e que não haveria necessidade de retornar ao INSS. Nesse ponto, o médico disse que ela deveria voltar ao hospital para pedir um laudo. Quando Amanda perguntou o porquê, o médico teria jogado o atestado em cima dela e dito, dentre outras ofensas: “ah, sua neguinha, vai estudar!”.

    Segundo Amanda, que faz tratamento de saúde contínuo e precisa ir ao médico regularmente, o problema com o Dr. Eduardo Carvalho parece ser pessoal, porque sempre que ela vai ao seu consultório ele coloca uma série de dificuldades para realizar a troca de atestados e outros procedimentos. Até então, ela vinha suportando da melhor forma possível os insultos do médico, mas a agressão racista foi a gota d'água. Dias depois, Amanda foi à 27ª Delegacia de Polícia (Vicente de Carvalho) para fazer o registro da ocorrência, que foi classificada pelo inspetor que a atendeu como injúria por preconceito racial.

    Sindicato compra o barulho – Após o registro da ocorrência, Amanda foi ao Sindicato dos Comerciários pedir ajuda. Conversou com o diretor Marcelo Black, que coordena o coletivo de promoção da igualdade racial do Sindicato, recebeu orientações no Departamento Jurídico e foi atendida também no Departamento Médico pela psicóloga do Sindicato. “Compramos o barulho da Amanda. Vamos dar a ela todo o suporte e partir pra cima da empresa, para que esse tipo de problema não mais se repita no Mundial. Queremos não apenas uma retratação, mas que o Mundial passe a orientar seus funcionários sobre questões relacionadas ao racismo e a todas as formas de discriminação”, comentou Marcelo Black, que acrescentou: “Outros funcionários do Mundial que passaram por situações parecidas devem aproveitar e também denunciar ao Sindicato”.

    Racismo x injúria racial – O racismo no Brasil é considerado um crime inafiançável e imprescritível. Um problema que ainda ocorre é a sua confusão com o crime de injúria racial. A injúria racial ocorre quando são ditas ofensas como, por exemplo, chamar um negro de “macaco” ou uma negra de “neguinha”. A acusação de injúria racial permite fiança e tem pena máxima de um a três anos. Já o racismo envolve o menosprezo à raça de alguém, seja por impedimento de acesso a determinado local, seja pela negação de algum direito tomando por base a raça da pessoa. Como exemplo, pode-se considerar o impedimento de matrícula de uma criança em uma escola por ela ser negra como um caso de racismo. A pena é de três a cinco anos de prisão.

    Como denunciar o racismo – Existem muitas formas de denunciar. A mais eficaz delas é registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia e, em seguida, procurar um advogado para cuidar do processo. Os comerciários do Rio podem contar com atendimento jurídico gratuito e especializado oferecido pelo Sindicato.

    Do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro

  • CTB-RJ emite nota de repúdio contra o deputado Jair Bolsonaro

    Na segunda-feira (3), o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tornou-se centro de uma nova polêmica ao dar declarações extremamente racistas em palestra no Clube Hebraica, no Rio. Em resposta, a CTB-RJ emitiu uma nota oficial de repúdio. Confira:

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro manifesta, a partir da presente nota, seu total repúdio às declarações racistas e xenofóbicas proferidas pelo Deputado Federal Jair Bolsonaro no Clube Hebraica, no último dia 3. Denunciamos, pois, que as declarações feitas pelo deputado, além de ferir a dignidade humana e toda a história das comunidades Quilombolas, fere princípios estabelecidos pela Constituição Federal e constitui uma infração gravíssima que deve ser apurada e punida pelas autoridades competentes.

    Reafirmamos nosso apoio às comunidades Quilombolas que possuem um valor histórico e social inestimável e não podem ser desrespeitadas como foram na noite do dia 3. A afirmação de ir contra às demarcações de territórios indígenas e quilombolas é mais um ataque do deputado aos Direitos Humanos. Um ataque que não pode ser tolerado pela sociedade brasileira em pleno Século XXI.

    É inadmissível a incitação ao ódio na sociedade brasileira. Somos um país onde negros e indígenas sofrem um verdadeiro genocídio O discurso de Bolsonaro é um ataque direto à legislação pátria e Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário e, por isso, não pode ficar impune.

    Em defesa dos direitos humanos, do povo negro, das comunidades quilombolas e indígenas.

    Rio de Janeiro, 07/04/2017

    Mônica Custódio – Secretária Nacional de Promoção da Igualdade Racial da CTB

    Ronaldo Leite – Presidente da CTB Rio de Janeiro

    Da CTB-RJ

  • De Shaperville à Marielle Franco: a resistência à discriminação racial

    Cena do filme "Corra!" (Get Out), de Jordan Peele, que denuncia o racismo (Crédito: Divulgação)

    O 21 de março foi instituído, em 1966, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em homenagem às vítimas do episódio conhecido como Massacre de Shaperville, ocorrido nessa data em 1960.

    Em pleno apartheid (regime sul-africano de segregação racial, que vigorou de 1948 a 1994), a polícia da África do Sul reprimiu e matou 69 pessoas que participavam de uma marcha de mais de 20 mil negros contra a Lei do Passe, que determinava espaços restritos aos negros.

    “Combater o racismo é defender a emancipação da humanidade”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “O que está acontecendo atualmente no Brasil é assustador porque mostra uma virulência extremada contra uma população que foi o sustentáculo da nação por quase quatro séculos como escravos”, acentua.

    Para ela, no ano em que acontecem os 130 anos da Abolição, “é essencial refletirmos sobre as nossas ações para barrar o avanço das ideias conservadoras, racistas, sexistas e misóginas”.

    A sindicalista lembra ainda o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) no dia 14 deste mês. Para ela, esse crime hediondo remonta à mesma visão de ódio e de discriminação racial da África do Sul sob o apartheid.

    “O Brasil ainda não superou totalmente a mentalidade escravista. A reação às políticas afirmativas e mais ainda contra as pessoas que ousam levantar a voz pela igualdade de condições de vida está matando mais do que muitas guerras”, diz.

    marielle franco presente

    A questão é tão marcante, lembra Custódio, que uma empresária do Pará decidiu fazer a festa de 15 anos da filha com o tema “Imperial Garden" e postou nas redes sociais fotos de um ensaio preparativo da festa onde a menina está vestida de sinhá e é servida por atores interpretando escravos.

    A cena é tão grotesca que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará decidiu enviar uma representação ao Ministério Público pedindo providências. A empresária nega a acusação de racismo.

    Ela disse ao G1 que “racismo é uma acusação pesada. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça menosprezar uma raça, tanto que em nossa família existem negros e índios”.

    Custódio comenta a atitude da empresária. “O racismo está tão internalizado, que as pessoas já acham natural discriminar negras e negros”. Nesse caso, “remontam ao passado escravista que parece estar na psiquê da elite brasileira”.

    Outro episódio demonstrativo da intolerância e do ódio às origens sociais e culturais africanas do Brasil, está no fato de o Sesi de Volta Redonda (RJ) ceder à pressão de grupos fundamentalistas religiosos proibindo a utilização do livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas”, de Kiusam de Oliveira, mesmo depois de adotá-lo em seu currículo.

    Everaldo Vieira, secretário de Combate à Discriminação Racial da Fetim-BA, afirma que o ódio já atinge níveis inimagináveis e é necessário reagir. Após o assassinato de Marielle Franco, “milhares de Marielle surgiram e se espalham por todo canto deste país” dando uma lição de mobilização política pela “eliminação do racismo, do ódio, da intolerância religiosa” e a defesa intransigente “dos direitos humanos”, lutando pela “retomada da economia, da soberania, da inclusão e do poder político nas mãos da classe trabalhadora”.

    Custódio concorda com ele afirmando que “é fundamental o movimento sindical atuar de forma mais contundente pela igualdade, combatendo o genocídio da juventude negra e a discriminação racial no mundo do trabalho, onde os negros ganham menos e as negras salários muito menores ainda”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Lidiane Gomes: Movimento sindical precisa cooperar na luta histórica contra o racismo

  • Medalhista de Ouro em 2016, Rafaela Silva sofre abordagem racista em táxi no Rio de Janeiro

    A judoca Rafaela Silva, campeã olímpica em 2016, denuncia em suas redes sociais ter sofrido abordagem racista de policiais militares, na noite de quinta-feira (22), quando voltava para casa na capital fluminense. Ela conta que os PMs fizeram o taxista encostar, o chamaram para conversar e depois com arma na mão um policial bateu em seu vidro e a mandou sair.

    "Quando o taxista encostou eles o chamaram para um canto, quando olhei na janela outro policial armado mandando eu sair de dentro do carro, levantei e saí”, conta Silva em seu Twitter. Perguntaram se ela trabalhava e onde morava e não explicaram o motivo da abordagem.

    Assista ao vídeo de Rafaela Silva no Instagram 

    Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que esse tipo de acontecimento significam "as ‘novas formas’ de racismo baseadas nas páginas dos velhos livros. Esse pensamento vem sendo forjado desde o Brasil colônia para justificar a escravidão e depois o capitalismo continuou porque precisa criar diferenças para justificar a exploração do homem pelo homem”.

    Se você é negro 

    Exatamente por isso, os youtubers Spartakus Santiago e AD Junior ensinam a como sobreviver a uma abordagem indevida das forças repressoras em todo o país. Mas com a intervenção militar no Rio de Janeiro o vídeo deles viralizou.

    “Se você é negro, preste atenção nisso que vamos falar (...) evite sair de casa em altas horas (...), leve o cupom fiscal de equipamentos caros e nunca ande sozinho e sempre com documentos”, dizem eles.

    Assista o vídeo com o manual de sobrevivência para negros  

    Não é a primeira vez que Rafaela Silva sofre discriminação. Após ser eliminada na Olimpíada de Londres em 2012 por ter aplicado um golpe proibido na competição, ela foi xingada de “macaca” para baixo. Superou e ganhou o primeiro Ouro brasileiro no Rio de Janeiro quatro anos depois.

    Leia os twitters da judoca carioca

    rafaela silva tweet 1 reproducao

    rafaela silva tweet 2 reproducao

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    Para Custódio, “é muito difícil ser negro no Brasil, apesar de sermos maioria na população, porque o racismo é histórico e institucionalizado”. Como contam os youtubers ser negro no Brasil é correr o risco de ser morto por policiais pelo simples fato de estar com uma furadeira nas mãos.

    "A gente no Rio de Janeiro tem que passar essa vergonha. Descobri que preto não pode andar de táxi, porque deve estar assaltando ou roubando", afirma a atleta em um vídeo no Instagram.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações de Gil Alessi, do El País Brasil. Foto: UOL

  • Morre Muhammad Ali, o lutador do boxe, da vida e da negritude

    O mundo perdeu nesta sexta-feira (3), uma das figuras mais importantes e emblemáticas do século 20. Muhammad Ali faleceu em consequência do Mal de Parkinson, com o qual conviveu por mais de 30 anos. 

    Ele nasceu Cassius Clay, em Lousiville, no Estados Unidos. Aderiu ao Islã e então mudou de nome em protesto ao racismo norte-americano. Foi amigo de Malcolm X, sendo preso por negar-se a lutar no Vietnã.

    ali muhhamad

    “Não, eu não vou 10 mil milhas de casa para ajudar a assassinar e queimar outra nação pobre para continuar a dominação dos senhores de escravos. Este é o dia em que esses males devem chegar a um fim. O verdadeiro inimigo do meu povo está aqui”, disse então.

    Com um estilo irreverente e expansivo, Ali tornou-se um dos maiores ídolos do boxe mundial. Não deixava passar em brancas nuvens o racismo de seu país, que denunciava o tempo todo. Sempre dizia “black is beaultiful” (negro é lindo). E se dizia lindo.

    Criticava o pouco espaço dado aos negros nos EUA e a segregação. “Eu sei que alcancei meus objetivos enquanto a massa de pessoas negras está presa no inferno. Mas enquanto elas não continuarem livres, eu não serei livre”, afirmava.

    Também dizia que “eu sou a América. Eu sou a parte que você não vai reconhecer. Mas se acostume comigo. Preto, confiante, arrogante; meu nome, não o seu; minha religião, não a sua; meus objetivos; se acostume comigo”.

    Além de se destacar no boxe, por sua técnica única e refinada, Ali atacava o status quo e a hipocrisia racista de seu país, defendendo direitos iguais para os negros e negras.

    muhammad ali reuters

    Sua vida foi narrada em documentários e longas nas telonas do cinema, tamanha a importância de Ali para a elevaçaõ da autoestima nos afro-americanos.

    Assista Eu Sou Ali - A História de Muhammad Ali, de Clare Lewins, de 2014. E conheça um pouco da performance e da vida desse ser humano ímpar na história.

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Olimpíadas Rio 2016: racismo e machismo contra Bárbara, goleira da seleção de futebol

    Os Jogos Olímpicos Rio 2016 trazem a atenção de bilhões de pessoas para o Brasil. Com isso, a mídia internacional vem denunciando a ditadura em consolidação no país, através de um processo de impeachment fajuto (leia aqui).

    Mas outras mazelas da sociedade brasileira também entram em cena. Ao ganhar a medalha de ouro na categoria até 57 quilos, Rafaela Silva (negra e pobre) trouxe à tona as ofensas racistas que sofreu nos jogos de Londres 2012, quando perdeu a possibilidade de medalha.

    Agora, a postagem de um internauta em uma rede social, consegue cometer dois crimes de uma só vez. E a sua argumentação para justificar o que escreveu só faz piorar ainda mais. O membro do Conselho Federal de Administração Marcos Clay escreveu: "Eu odeio preto, mas essa goleira do Brasil tinha chance".

    A goleira em questão é Bárbara Micheline do Monte Barbosa, da seleção brasileira de futebol feminino. “É muita cara de pau. A pessoa escrever isso e depois dizer que foi brincadeira”, afirma Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ao G1, da Globo, Clay, disse que "foi uma brincadeira de mau gosto... Uma brincadeira que infelizmente algumas pessoas se ofenderam, mas não era minha intenção. Tanto é que minha esposa é negra, todo mundo sabe disso. Quem me conhece sabe que eu não sou racista, tenho vários amigos que são negros, não tenho problema com isso".

    monica custodio 2014Para Custódio, esse tipo de argumentação é muito comum. Porém, “escrever ‘eu odeio preto’, significa o que? Brincadeira? Que tipo de brincadeira é essa? E aí a emenda fica pior do que o soneto, quando diz que a Bárbara ‘tinha chance’. Chance de que? Quem disse que ele tem alguma chance com ela?”

    Isso mostra, afirma a sindicalista da CTB, que em "pleno século 21", além de “racista esse rapaz é um tremendo de um machista” e reforça a proposta da ativista Nana Queiroz que lançou o “Guia Prático e Didático da Diferença entre Paquera e Assédio”, durante o carnaval, para ensinar os homens como paquerar, sem agredir (leia aqui).

    “Essa é mais uma postagem racista na internet e é necessário ir fundo na questão e, dentro da lei, punir todos as postagens racistas e discriminatórias para acabar com esse tipo de atitude”, reforça Custódio.

    Ela lembra ainda que a prática de racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas que “dificilmente alguém é punido, porque a própria Justiça age com racismo, infelizmente”.

    Clay tenta se defender. "Uma pessoa pegou meu post e republicou dando uma conotação de racismo. Deve ter alguma coisa contra mim. Já fiz uma retratação dizendo que era uma brincadeira. O povo de hoje está muito melindrado, ninguém pode mais falar nada nas redes sociais que vira polêmica”.

    “Parece que as pessoas perderam completamente o bom senso, principalmente após o afastamento da presidenta Dilma e querem expressar toda a sua animalidade nas redes sociais”, afirma Custódio.

    Para ela, “somente organizados e unidos, os afrodescendentes brasileiros conseguirão combater com mais tenacidade a chaga do racismo”. Ela convoca todos à luta porque “combater o racismo é defender o processo civilizatório brasileiro e o desenvolvimento da humanidade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Pesquisa aponta que brancos ganham 72,5% mais do que pretos e pardos

    Pesquisa divulgada nesta quarta (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, aponta que pessoas brancas ganham, em média, 72,5% a mais do que um profissional preto ou pardo em 2017.

    Ou seja, em 2017, uma pessoa branca teve rendimento médio de R$ 2.615, já uma pessoas negra (soma da população preta e parda) recebeu R$ 1.516. 

    O Instituto indica que o levantamento não apresenta resultados sobre as pessoas identificadas como amarela (pessoa que se declara de origem japonesa, chinesa, coreana etc.), indígena ou sem especificação.

    Portal CTB - Com informações do IBGE

  • Preconceito está em todas as partes do Brasil

    Recente pesquisa realizada pelo Datafolha aponta que 30% dos brasileiros dizem ter sofrido discriminação por causa da classe social. O levantamento também considerou local onde mora, religião, gênero, cor ou raça, e orientação sexual. A pesquisa foi feita com 2.077 pessoas com 16 anos ou mais, em 130 cidades.

    Sentiram-se discriminadas por local onde mora 28% dos entrevistados, por religião 26%, por gênero 24%, cor ou raça 22% e orientação sexual 9%. O maior índice de preconceito por classe social por região foi registrado no Sudeste, com 35%, seguido de Centro-Oeste, com índice de 29%, Sul (27%). O menor índice foi no Nordeste, com 25%.

    Por raça, 11% dos brancos disseram já ter sofrido preconceito, entre os pardos, 18%, amarelo, 9%. Preto e indígenas registraram maior índice de preconceito, com 55% e 30%, respectivamente. A pesquisa também fez levantamento por orientação sexual. Entre os bissexuais, 38% responderam que já sofreram algum tipo de discriminação, heterossexuais (6%) e homossexuais (55%).

    Fonte: SEEB Bahia

  • Rafaela Silva ganha o primeiro ouro do Brasil nas Olimpíadas Rio 2016

    A primeira medalha de ouro para o Brasil na Rio 2016, saiu na tarde desta segunda-feira (8). A judoca Rafaela Silva, de 24 anos, venceu a atleta da Mongólia Sumiya Deorjsurem. Esta foi a segunda Olimpíada da brasileira.

    “Em Londres, chamaram minha filha de macaca. Agora, estamos aqui”, disse dona Zenilda, mãe de Rafaela. Isso porque nos jogos de 2012, ela aplicou um golpe ilegal e foi desclassificada. O fato gerou inúmeras ofensas racistas contra a judoca, negra e criada na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

    Foi graças ao trabalho do Instituto Reação e a dedicação de seus pais, que Rafaela ingressou no judô. Com apenas 24 anos, ela já acumula títulos importantes. 

    Em 2011, já mostrava a que se dispunha e venceu Ketleyn Quadros – a primeira judoca brasileira e subir num pódio olímpico – e competiu nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, ficando com a medalha de prata.

    No mesmo ano, foi vice-campeã mundial adulta em Paris, com apenas 19 anos de idade. Em 2013 ganhou ouro no Pan-americano e em agosto, Rafaela entrou para a história do Judô brasileiro ao tornar-se a primeira brasileira a se sagrar campeã mundial na categoria.

    "Em 2014 e 2015 ninguém treinou mais do que eu. Torcida estava ajudando bastante, balançando o ginásio, e eu não podia decepcionar", declarou ela à ESPN Brasil, após a sua vitória, com muita humildade, mas com a certeza de que derrotou os racistas.

    Portal CTB