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Sex, Jan

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O médico infectologista Humberto Motta, da cidade de Natal, Rio Grande do Norte, semanas atrás, em seu blog, denunciou alguns alunos do Colégio Marista daquela cidade, por preconceito, racismo, com “cânticos misógino e discriminatório, contra a torcida do Instituto Federal do Rio Grande do Norte”!

O acontecido de cunho fascista se deu na final do basquete juvenil masculino, competição escolar do Estado. Esse tipo de comportamento vai ganhando corpo em setores da sociedade, que acha que o privado é melhor que o público, fazer parte deste mundo reduzido e exclusivo, começa a ser o sonho de uma parcela da população, mesmo que ela se ponha de joelhos às práticas fascistas!

O time de basquete do Marista de Natal venceu a partida, pais, alunos efuncionários, entraram na quadra para comemorar e ouviram-se palavras de ordem como “1, 2, 3,4, cinco mil, quereremos Bolsonaro presidente do Brasil”, ou “sua mãe é empregada da minha”, em alusão ao estado social dos envolvidos naquela competição esportiva.

Eu não tenho dúvidas que parte da juventude rica ou de classe média, anda hoje flertando com o fascismo, com um discurso mais que exclusivistas, próprio da luta de classes, eles andam também com o ovo da serpente para ser chocado, o fascismo está cada vez mais presente em suas vidas, votar no obscurantismo ou pelo menos ter esta intenção, mostra o caráter de classe, a visão de mundo reduzida que estes setores absorvem no seu dia a dia.

Impressiona que na maioria das escolas particulares, principalmente aquelas de médio e grande porte, tem um discurso hoje para lá de liberal e antipovo (é bom citarmos) em suas entranhas. Falar em humanizar o mundo já é motivo para se rotular professores como um perigoso comunista, embora todos nós saibamos que nada se humaniza no capitalismo.

Uma parte desta geração, enlouquecidas que são pelo pragmatismo dos pais, acredita piamente que só privatizando tudo que seja patrimônio nacional e estatal é que iremos sair da crise. Parte dessa geração acredita que nazismo é a mesma coisa que comunismo, até quando vamos ter que ouvir ou ler asneiras como essas?

Ouvindo o relato do médico Humberto Motta, passa aquela sensação de que estamos perdendo o discurso e o embate das ideias para estes grupos! Parece, mas ainda não perdemos, estamos sim numa disputa, não como foi o jogo da final de basquete, mas o jogo real da vida, das nossas vidas, o que está em choque agora, mais do que nunca, ou é socialismo ou é barbárie capitalista! Ou nos posicionamos de forma categórica agora, nos unimos em uma Frente Ampla, ou pagaremos caro, não podemos nos isolar, não podemos perder este jogo!

Parte dessa geração vem sendo educada nos princípios exacerbados de uma religiosidade hipócrita, aonde em sua maioria propugnam os valores do “deus dinheiro”, independente de tabuletas na porta, propondo a salvação eterna.

A nossa elite conta com vários instrumentos de dominação, embora nos últimos treze anos tivessem vários momentos de avanços sociais em nosso país, com uma visão de mundo mais voltado para o social, mas não politizamos estas conquistas, dizer quem e qual governo estavam à frente desse projeto de mudança, não podíamos ter sido tão republicanos assim!

Eles, os de cima na Pirâmide social, utilizou-se de todos os mecanismos que o Estado Burguês dispõe, para eles mesmos, para retirar uma presidente honesta, com o argumento mentiroso de combate a corrupção!

Por outro lado, muitos professores (as) hoje, fazem um discurso privatista, dizem que a iniciativa privada é o caminho, tem alguns que até se fantasiam, nada contra, mas a preocupação não é com a fantasia em si, sim com a mensagem que é passada, milhões de jovens ouvindo e em transe se preparando para entrar em uma universidade, o mercado assumiu de vez a educação, pagam caro por uma educação duvidosa, mas que garante o acesso aos filhos dos ricos e da classe média a uma universidade pública, enquanto os filhos do povo, da classe operária, dos cortadores de cana, que sustenta também esta universidade pública, tem uma dificuldade extrema.

Sim, é isso mesmo, aqueles tais, que acham que a vida só tem sentido se for a livre iniciativa, utilizam as universidades publicas para colocar em prática suas teses ultraliberais!

Todo um aparato é montado, desde a escola (privada), passando pelos cursinhos (privados), um discurso que vai moldando uma geração inteira, que tudo o que for de cunho social não presta, mas seus sonhos passam ainda por uma universidade pública ou concurso público se apoderando do estado, não largam o osso, ou melhor, não querem largar o filé mignon.

Critica o estado, suas políticas e as conquistas sociais para os mais carentes, este foi um dos discursos de ódios durante o impecheament de Dilma Rousseff, os vídeos contra o Bolsa Família era um dos mais destacados, condenava os governos Lula/Dilma, por “alimentarem vagabundos”, estes era um dos discursos preferidos dessa gente!

Essa mesmo elite atrasada, que tem os pés no Brasil, mas a cabeça em Miami pensa ainda se estivesse em pleno século 19, os discursos dos seus filhos bem criados, reproduzidos em larga escala, é o discurso do ódio, do preconceito e da visão escravagista!

Nivaldo Mota é vice-presidente do Sindicato dos Professores de Alagoas e dirigente da Contee.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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