Pauta Unitária

  • Centrais emitem nota condenando invasão da Câmara: “Ódio e intolerância política”

    Depois do episódio lamentável da última quarta-feira (16), em que cerca de 40 manifestantes paralisaram a Câmara dos Deputados para pedir uma intervenção militar no Brasil, as centrais sindicais se reuniram e emitiram uma nota oficial de repúdio ao gesto.

    Os manifestantes de extrema-direita invadiram o plenário do Congresso por volta das 15h30, quebrando a porta de vidro na entrada. Naquele momento, o primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), presidia uma sessão com menos de dez deputados presentes. Houve tumulto com os policiais legislativos, e um parlamentar foi chutado enquanto recolhia seus pertences.

    CTB repudia tentativa de invasão ao gabinete de Jamil Murad por grupo fascista

    Entre gritos de “Viva Sérgio Moro” e apologia aos militares, os fascistas disseram que não sairiam enquanto não falassem com Michel Temer - um “comunista”, na visão dos invasores.

    As centrais alertaram para a escalada de “diversas manifestações de ódio e intolerância política” representada no ato. Confira a nota:

    NOTA DAS CENTRAIS SINDICAIS SOBRE A INVASÃO DO PLENÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

    A invasão do plenário da Câmara dos Deputados por um grupo de aproximadamente quarenta fascistas na tarde de ontem (16/11), defensor da intervenção militar e da supressão das garantias constitucionais, consiste num grave episódio contra a Constituição e a democracia brasileira, e deve ser duramente repelida por todas as forças democráticas do País e pelas mais altas instituições da República.

    A invasão de ontem soma-se a diversas manifestações de ódio e intolerância política promovidas por grupos radicais, antidemocráticos e minoritários, interessados em conturbar ainda mais o ambiente político e, assim, criar as condições para atacar a democracia e os direitos políticos, sociais e trabalhistas.

    Não é possível ser conivente com manifestações que visem solapar a democracia duramente conquistada.

    São Paulo, 17 de novembro de 2016.

    Adilson Araújo - Presidente da CTB

    Vagner Freitas - Presidente da CUT

    Paulo Pereira da Silva - Presidente da Força Sindical

    Ricardo Patah - Presidente da UGT

    José Calixto Ramos - Presidente da NCST

    Antonio Neto - Presidente da CSB"

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  • Centrais reafirmam unidade contra o desmonte da Previdência na Jornada Nacional do DIEESE

    O auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo ficou lotado na manhã desta quinta-feira (23), quando sindicalistas e acadêmicos se reuníram para inaugurar a 13ª Jornada Nacional de Debates do DIEESE. A mesa de abertura, com representantes de nove centrais sindicais, serviu de palco para a reafirmação da unidade sindical contra a Reforma da Previdência do governo Temer (PEC 287).

    Você pode conferir a agenda das palestras aqui.

    “Essa Jornada é uma oportunidade para os sindicalistas no estados, porque vai passar por todas as unidades da federação. É preciso que todos os trabalhadores se instrumentalizem para discutir a questão da reforma, que eu chamaria ‘desforma’, porque vão acabar com a aposentadoria”, conclamou Eduardo Navarro, membro da Direção Executiva da CTB e um dos organizadores do ciclo de debates. “Esse projeto de desmonte é muito profundo, e vai transformar o país novamente numa colônia se não houver união na resistência”.

    Para Navarro, o momento exige articulação entre entidades e conscientização das bases, a começar pelos próprios sindicalistas. “Está em perigo toda a seguridade social, inclusive o SUS. É o neoliberalismo 2.0, com o desmonte da educação pública, com o desmonte da saúde pública. Não adianta só falar ‘Fora Temer’, porque cai o Temer e entra outro. As centrais têm de se posicionar contra o projeto neoliberal em curso e construir formas de resistência como essa jornada. O DIEESE já fez sua parte, agora cabe às 9 centrais e aos 11 mil sindicatos fazerem o mesmo”, analisou.

    PEC que desmonta a Previdência é voo sem escala para a pobreza no Brasil; ouça na Rádio CTB

    Além do dirigente cetebista, falaram ao público representantes da CUT, da Força Sindical, da CGTB, da CSB, da CSP-Conlutas, da Intersindical, da Nova Central e da UGT, todos contrários à reforma da Previdência proposta na PEC 287. 

    De forma unitária, os sindicalistas convocaram para as manifestações do dia 15 de março, data que marcará o Dia Nacional de Lutas, com greves e paralisações em defesa da previdência pública. A Jornada Nacional acontecerá na semana anterior a ele, entre os dias 7 e 14 de março, e atravessará o país realizando debates e apresentando estudos (inclusive o mega-documento do professor Eduardo Fagnani) para o público sindical. O objetivo é expor os equívocos nos argumentos da atual proposta.

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  • Contra agenda regressiva de Temer, centrais organizam protestos pelo país no dia 11

    Em reunião na sede da CUT em São Paulo nesta quarta-feira (19), as principais centrais sindicais brasileiras aprovaram um plano de mobilização para os próximos meses. O objetivo é reforçar a defesa aos direitos sociais e o protesto contra as reformas da Previdência e da Trabalhista, e especialmente contra a PEC 241 (a "PEC do Fim do Mundo"). Além da CTB, participaram da reunião UGT, Força Sindical, CUT, CGTB, Nova Central, Intersindical e Conlutas.

    Conselho político da CTB: Lutaremos sem trégua contra o retrocesso e em defesa dos direitos

    Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB, acompanhou a reunião e destacou que há consenso as centrais no calendário conjunto. "Segunda-feira (24), as centrais irão a Brasília para acompanhar a votação, em segundo turno, da PEC 241, que congela os investimentos públicos por 20 anos. No dia 11 de novembro, vamos realizar mais um Dia Nacional de Luta com greves e paralisações, e também há acordo para um novo protesto nacional no dia 25, com formato a ser definido".

    Nunes ainda ressaltou que "o dia 11 está sendo definido há muito tempo, não podemos nos desviar desta data. As outras datas ainda devem ser negociadas, mas a CTB vai apoiar em tudo o que puder. O que nós precisamos fazer é começar a colocar o termo 'greve geral' nas passeatas, para que essa ideia vá tomando força e viabilize uma paralisação nacional".

    Na mesma linha, o presidente da CTB/SP, Onofre Gonçalves, acrescentou que "o dia 11 de novembro será uma data importante com uma grande mobilização. Paralisaremos vários setores. Um recado claro para a gestão sem voto de Michel Temer, que desde que tomou de assalto o Palácio do Planalto tem empreendido uma verdadeira devassa nos direitos sociais e trabalhistas conquistas pela classe trabalhadora".

    Onofre ainda informou que na oportunidade foi debatida a organização de um grande encontro da classe trabalhadora, uma nova Conclat, que será realizada ainda no primeiro semestre de 2017.

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  • Em nota, centrais rechaçam PL da terceirização: "Proposta condena o trabalhador à escravidão"

    Unidade, mobilização e resistência foram os sentimentos que nortearam a reunião da centrais sindicais (CTB, UGT, CSP - Conlutas, CUT, Força Sindical, Nova Central e CSB) na manhã desta quinta-feira (23), na sede da UGT, em São Paulo. As centrais se reuniram para seguir na luta contra a retirada de direitos promovidas pelo governo, que está traduzida em propostas como o Lei da Terceirização Irrestrita (PL 4.302/98, aprovado nesta quarta) e as reformas da Previdência e Trabalhista.

    Há consenso de que a classe trabalhadora está sofrendo um ataque sistêmico, que tem como objetivo mergulhar a classe trabalhadora em um ambiente de retrocesso, precarização e escravidão moderna.

    Ao se posicionarem sobre a terceirização, as centrais foram unânimes: "O projeto, aprovado nesta quarta (22), é um retrocesso e acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e condena a classe trabalhadora à escravidão. Com mais de 12 milhões de desempregados, o trabalhador não pode ser ainda mais penalizado pelo governo para resolver a grave crise político-econômica do país".

    Centrais sindicais se reúnem para construir agenda de luta contra retrocessos

    Os sindicalistas indicaram que haverá luta e já programam uma ampla agenda para reverter esse retrocesso. Para tanto, ao final da reunião assinalaram uma agenda para a próxima semana, que já compõe o debate para a construção da greve geral. Confira:

    - 27/03 - Às14h - reunião das centrais para definir data da greve geral;

    - 28/03 - Reunião com o Senador Romero Jucá - Na pauta: Terceirização (PL 4302);

    - 29/03 - Reunião com o Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

    A reunião avaliou que a próxima semana será crucial para as lutas que se avizinham. E já destacaram que a mobilização e resistência nos estados será também fundamental nessa etapa.

    Leia íntegra da nota das centrais:

    A terceirização aprovada condena o trabalhador à escravidão

    É inaceitável!

    O projeto de terceirização, PL 4302/98, aprovado nesta quarta-feira, dia 22, é um retrocesso e acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

    Com mais de 12 milhões de desempregados, o trabalhador não pode ser ainda mais penalizado pelo governo para resolver a grave crise político/econômica do País. 

    Essa terceirização promove uma reforma trabalhista e sindical. Aumenta a insegurança jurídica, acaba com os direitos trabalhistas, divide as categorias e permite que o setor patronal faça o que bem entender com os sindicatos dos trabalhadores.

    O trabalhador ganhará menos, trabalhará mais e ficará exposto a acidentes de trabalho. O governo Temer e o Congresso Nacional atendem somente a interesses da classe empresarial.

    As centrais sindicais condenam o projeto da forma que foi aprovado. Seguiremos firmes na organização de nossas bases, cobrando a abertura de negociações e a manutenção da proibição de terceirização na atividade fim.

    As centrais sindicais reinteram todos os esforços de mobilização dos trabalhadores.

    Adilson Araújo
    Presidente da CTB

    Ricardo Patah
    Presidente da UGT

    Vagner Freitas
    Presidente da CUT

    Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
    Presidente da Força Sindical

    José Calixto Ramos
    Presidente da Nova Central

    Antonio Neto
    Presidente da CSB

    Portal CTB

  • Em reunião na CTB, centrais sindicais organizam ato nacional em defesa dos direitos no dia 22

    Representantes de diferentes centrais sindicais se reuniram nesta terça-feira (13) na sede nacional da CTB para discutirem os próximos passos no enfrentamento do governo golpista de Michel Temer.

    A reunião com a participação de representantes da CTB, da CUT, da Força Sindical, da CSP-Conlutas, da Intersindical e da Nova Central tratou especificamente da proposta do ato nacional em defesa dos direitos trabalhistas, organizado para o dia 22.

    “Do ponto de vista da pauta, esta muito claro que o que une o movimento sindical é a defesa dos direitos da classe trabalhadora”, analisou Adilson Araújo, presidente da CTB. “A classe trabalhadora sofre um drama pelas consequências da grave crise econômica. As medidas conservadoras adotadas por Temer tem rebatimento direto na vida dos trabalhadores, sobretudo nesse estágio de elevado desemprego. Diante dessa agenda ultraliberal, o fórum das centrais buscam efetivamente responder com uma agenda unitária”, continuou.

    Ficou definido que o novo Dia Nacional de Luta da classe trabalhadora será realizado em todo o país no próximo dia 22 (quinta-feira). Pela manhã, dezenas de fábricas e indústrias farão uma paralisação preparatória para o ato, que será continuada no período da tarde pelos funcionários públicos em todos os estados.

    Programação preliminar

    Em São Paulo, onde ocorrerá o ato mais numeroso, a concentração se dará a partir das 10h em a Fiesp, momento em que as centrais entregarão pauta em defesa dos direitos sociais e trabalhistas; às 11h, está previsto o início do ato político; às 14h, a manifestção seguirá para a frente do Masp. As lideranças sindicais de todas as centrais se alternarão no uso do microfone para denunciar a agenda regressiva imposta pelo governo Temer e exigir respeito nas negociações das reformas da Previdência e trabalhista.

    O que pensam as outras centrais

    Joaninha, da CSP-Conlutas: “Nós conversamos aqui sobre a necessidade de construção da unidade do conjunto de trabalhadores deste país. Nós viemos articular, para o dia 22, um ato das centrais na parte da manhã, que continua à tarde com os servidores, e também fortalecer o dia 29, que já está sendo indicado como a greve dos metalúrgicos em caráter nacional. Nesse sentido, eu acho bastante importante as centrais se pronunciarem em apoio às greves que estão ocorrendo, para que a gente possa impor uma derrota a todos os projetos que estão no Congresso Nacional ou ainda irão, que vêm no objetivo de tirar direitos dos trabalhadores”.

    Luisinho, presidente da Nova Central-SP: “A ideia é fazer uma grande manifestação em nível nacional, e aqui em São Paulo uma grande mobilização, envolvendo as categorias que puderem parar e fazer um grande ato na Paulista e demarcar, na conjuntura, que não abrimos mão dos nossos direitos. Nenhum direito a menos, não importa que governo seja! Isso é o norte dessa reunião”.

    Nilsa Pereira, Intersindical: “Nós estamos fazendo um processo de resistência neste momento, em que o Brasil está sob um governo que não foi eleito pelo povo brasileiro, que cumpre uma pauta de direita e atrasada. A unidade de ação e a unidade política do movimento sindical e do movimento social é que vão garantir a não-retirada dos nossos direitos e, se possível, avanços”.

    Douglas Izzo, presidente da CUT-SP: “O dia 22 vai ser um esquenta para a greve geral que nós estamos construindo para o segundo semestre. É uma demonstração de unidade das centrais para poder conter os ataques que estão colocados sobre a classe trabalhadora. Vai ser um momento importante, em que os trabalhadores mostrarão sua força em todo o país, paralisando as atividades e construindo atos unitários”.

    João Carlos Juruna, secretário-geral da Força Sindical: “Eu creio que essa agenda unitária com as centrais sindicais é importante, porque conseguimos unir trabalhadores do setor industrial e trabalhadores do setor público. Isso é bom porque a reforma da Previdência e a reforma trabalhista com certeza pode trazer prejuízo a todos nós. Às 10h, entregaremos as pautas do metalúrgicos e dos químicos, faremos o nosso debate e daremos continuidade com os servidores públicos. Essa unidade é fundamental porque se o governo nos chama para negociação, só tem força quem tem organização lá embaixo, nos locais de trabalho”.

    Portal CTB

  • Em reunião, centrais comemoram #OcupeBrasília e apontam nova greve geral para junho

    As centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, Nova Central, Força Sindical, Intersindical, CGTB, CSB, CSP-Conlutas) se reuniram nesta segunda-feira (29) na sede da CTB Nacional para debater os próximos passos na luta contra o governo golpista de Michel Temer. Em comum, todas comemoraram a vitória significativa do #OcupeBrasília no último dia 24, e apontaram para a realização de uma nova greve geral.

    A defesa dos direitos sociais e o repúdio às Reformas da Previdência Social e Trabalhista continuam sendo o fio condutor do movimento sindical. Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, será possível continuar na unidade de ações enquanto cada central puder convergir nesses dois pontos.

    “A manifestação em Brasília teve papel importantíssimo, os números chegaram ao patamar da grande marcha do MST em 1997. Infelizmente, houve uma repressão desmedida, que impediu a imprensa de cobrir nossas reivindicações, mas a avaliação da CTB é que o ato teve uma função política essencial, dando um novo baque no governo”, avaliou. “As centrais, mais uma vez, tiveram um papel de liderança, e isso nos impõe a responsabilidade de continuar pressionando contra essas reformas”.

    Já para o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, a reunião serviu para demonstrar a unidade dos movimentos trabalhistas: “Todas as centrais saudaram a vitória retumbante em Brasília, com a maior marcha já vista na cidade. Do ponto de vista da continuidade, a principal resolução foi a da realização de uma nova greve geral, a depender dos presidente das centrais. As grandes bandeiras serão novamente o Fora Temer e a defesa dos direitos dos trabalhadores”. Ouça a avaliação completa de Nivaldo:

    Todos os representantes lamentaram a grande violência cometida contra Carlos Geovani Cirilo, aposentado de 61 anos, que foi atingido por um tiro de arma de fogo da PM e está em estado grave. Ele passará por cirurgia para reconstruir o maxilar. As centrais estudam as ações legais específicas contra a PM.

    Ao final da reunião, foram definidos seis encaminhamentos unitários:

    1. Continuará a luta pelo Fora Temer, impulsionada sobremaneira pelas revelações recentes de corrupção ligadas diretamente à figura do presidente;
    2. Uma nova greve geral de 24 horas será organizada para o período entre 26 e 30 de junho, a definir;
    3. Será editado um novo jornal unitário de 4 páginas, para distribuição gratuita em todo o Brasil;
    4. Continuarão as manifestações independentes nos estados, com as mesmas pautas;
    5. Foi aprovada uma Nota de Repúdio unitária contra a violência que matou 10 trabalhadores rurais no Pará;
    6. As centrais se reunirão novamente na próxima segunda-feira, 5 de junho, para ajustar o plano de mobilização do próximo período. O encontro será na sede da Nova Central, Rua Silveira Martins, 53, às 10h da manhã.

    O que dizem as outras centrais

    João Carlos “Juruna” Gonçalves, da Força Sindical: “A força que tivemos em Brasília só foi possível, em primeiro lugar, porque nós conseguimos criar uma pauta que fosse confortável para todas as centrais, contemplando diferentes opiniões. Nós conseguimos superar o número de pessoas esperado para Brasília, e isso deu continuidade para um movimento que vem sendo construído desde o início do ano. A luta unitária foi possível porque há consenso contra as Reformas do Temer.”

    Ubiraci Dantas, CGTB: “Eu queria parabenizar a todos os companheiros pelas mobilizações recentes - em todos os meus 65 anos, 40 de sindicato, eu nunca vi uma coisa dessa dimensão. Muita gente não acreditou na greve geral, e ela saiu linda daquele jeito. Isso deu um salto de qualidade na nossa luta, porque travou as Reformas. Mas isso aconteceu primeiramente pela força do Fora Temer, porque é ele que está tentando levar adiante essas propostas. 90% dos brasileiros querem esse energúmeno fora do governo, e isso unifica o país. É por isso que os caras lá querem fazer as eleições indiretas, e isso vai incendiar o país!”

    José Calixto Ramos, Nova Central: “Nós vamos processar formalmente o governo pelo uso de munição real e repressão desnecessária na manifestação de Brasília. E acusamos também a imprensa, que em nenhum momento visitou as barracas ou nos perguntou sobre nossas reivindicações, mas apareceu para registrar o caos. A questão do Fora Temer, na minha opinião, é uma questão superada, porque este governo já caiu. As delações que vimos recentemente colocaram o presidente em uma situação de crise, então a questão das Diretas Já é o que devemos perseguir”.

    Luiz Carlos “Mancha” Prates, CSP-Conlutas: “Gostaria de parabenizar a nossa capacidade de caminhar juntos, mesmo diante de certos desentendimentos - como foi lá no início, por exemplo, quando algumas das centrais acharam que poderiam negociar as reformas, e outras não. Foi com esse espírito que nós fizemos o #OcupaBrasilia, que aconteceu depois da vitoriosa greve geral do dia 28. E nós fomos lá para protestar de verdade, não foi um passeio, e isso resultou numa reação exacerbada do governo, com a selvageria do Exército. Mas o que a população está falando? Está tudo mundo junto querendo se colocar contra o governo, e o movimento sindical não pode parar. Nós achamos que é preciso anunciar outra greve, porque eles vão mudar o governo mas vão manter a Reforma Trabalhista, manter a Reforma da Previdência, e os ataques vão continuar.”

    Sérgio Nobre, CUT: “Quem duvidava da nossa capacidade de fazer luta não tem mais o que dizer. É claro que existiram problemas, mas isso não tira o brilhantismo do ato. É triste que a imagem que se propagou foi a da molecada jogando pedra e a polícia reprimindo, pois o que a gente queria era ter os manifestantes na Esplanada exigindo direitos. A CUT não acredita em manifestações violentas. Sobre os próximos passo, vai depender de como as coisas vão andar no Congresso. É importante já preparar novas ações, que podem culminar na realização de outra greve geral, mas é preciso apontar para a construção da greve. A data em si é móvel, pois depende das ações dos parlamentares.

    Ricardo Patah, UGT: “Foi um ato cívico de uma importância sem precedentes. Foi uma marcha muito importante, e que demonstrou a indignação dos brasileiros. Mas a ação daqueles jovens dos black blocs me preocupou, porque trouxe um problema grave. Eles avançaram para cima da polícia, e a polícia mal preparada reagiu daquele jeito. Porque na cabeça da população está que o movimento sindical foi lá pra fazer isso, e que a marcha foi apenas um pretexto. Nós todos vimos, foi uma coisa triste. A imprensa ajuda nessa compreensão distorcida. Para eles, tudo o que está sendo feito é só uma questão do imposto sindical, como se nós só nos importássemos com isso.”

    Ricardo Saraiva Big, Intersindical: “Todas as centrais estão de parabéns, foi uma manifestação bem organizada. Sobre os black blocs, eu queria dizer que ali havia uma orientação do governo para reprimir. No dia 28, foi a mesma coisa, e eu posso dizer que os companheiros portuários não fizeram absolutamente nada e o pau comeu do mesmo jeito. Quando o governo está acuado, ele age como bicho, pula pra lá e pra cá. É fundamental que as centrais tirem uma nova data para a realização da greve geral, porque é assim que a gente vai pressionar pelas Diretas Já. Esse governo já caiu, o que eles estão organizando é uma eleição indireta, inclusive colocando um banqueiro como presidente. Lá na Baixada Santista, esse presidente nefasto conseguiu unificar todas as centrais no 1º de Maio, até com os movimentos mais sectários.”

    Antonio Neto, CSB: “Eu fiquei assustado com o aconteceu em Brasília. Nós vamos responsabilizar a Polícia Militar do Distrito Federal pelo ocorrido, porque foram eles que isolaram o local, foram eles que revistaram as bolsas dos trabalhadores, então se passou gente com arma na mochila, é porque eles deixaram. E tem também o uso de arma letal. Nós vamos processar a PM. E nós temos que fazer também uma autocrítica, não podemos deixar isso acontecer novamente. Por outro lado, isso serviu para liberar uma energia na população, e daqui a pouco será o Brasil inteiro que vai ficar assim. Qual é o próximo passo? Acho que é fazer outra greve geral, que comece com os transportes e cutuque trabalhadores e não trabalhadores, estudantes, todos.”

    Portal CTB

  • Frente Brasil Popular

    A Frente Brasil Popular foi criada em agosto de 2015 por militantes de movimentos populares, sindicais, da juventude, negros, mulheres, LGBT, pastorais, partidos políticos, intelectuais, religiosos e artistas. Objetivo da Frente é o de enfrentar de forma unitária as forças conservadoras e golpistas que cresceram no esteio das Jornadas de Junho de 2013.

    O grupo propõe outra política econômica, de cunho progressista, para caminhar em direção às transformações estruturais modernizantes que o Brasil precisa. Também se propõe a defender as liberdades democráticas e os direitos civis, trabalhistas e sociais, com atenção à soberania nacional e à inclusão popular na política. Por último, defende o aprofundamento dos processos de integração latino-americana em curso, como a Unasul, a Celac e o Mercosul.

  • Manifestação das centrais sindicais mineiras fecha Praça Sete contra PEC da Morte

    O coração de Belo Horizonte foi ocupado novamente na sexta-feira (25/11) para dizer não à PEC 55, antiga 241, que pretende congelar os investimentos públicos no Brasil. Às vésperas da votação da chamada PEC da Morte no Senado, proposta pelo governo golpista, as Centrais Sindicais organizaram novos atos em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, a CTB-MG, a UGT, a Nova Central, a Conlutas, a Força Sindical, a Intersindical e o movimento das ocupações estudantis pararam o centro da capital mineira por quase duas horas.

    O eixo do protesto das centrais sindicais se direciona em defesa da saúde e educação, contra a PEC 55 e reforma do ensino médio; em defesa da aposentadoria - contra a reforma da previdência; em defesa dos direitos e contra a reforma trabalhista; em defesa do emprego e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

    Para o vice-presidente da CTB-MG, José Antônio de Lacerda - o Jota - o saldo da manifestação foi positivo. “Cumprimos um desafio importante. Ampliar o movimento nos ajuda neste momento. Essa é uma tática acertada da CTB”, avaliou. O ato recebeu muito apoio popular. Com o fechamento das pistas da Avenida Afonso Pena e Amazonas, a polícia militar ensaiou uma ação repressiva, mas a negociação com as centrais garantiu a continuidade do protesto. As pistas ficaram fechadas até às 13h40.

    O ato também serviu como um preparativo para uma grande resistência em Brasília no dia 29 de novembro, data da votação da PEC da Morte em Plenário do Senado. O movimento sindical e social de Belo Horizonte levará à capital federal uma caravana com cerca de 40 ônibus. Outras caravanas também sairão do interior do Estado.

    Da CTB-MG

  • MG: Em Plenária Unificada, centrais sindicais se preparam para a greve geral

    Na manhã da última quarta-feira (12), as centrais sindicais em Minas (CTB, CUT, UGT, Força Sindical, CSP-Conlutas, CSB, CGTB e Intersindical), em conjunto com movimentos populares e estudantis, definiram em Plenária as estratégias e organização para a greve geral marcada para o dia 28 de abril. Na deliberação, as centrais farão na sexta-feira do dia 28 um ato unificado com concentração na Praça Sete às 09 horas. De lá, a manifestação seguirá em passeata pela cidade.

    Os sindicalistas destacaram a importância do movimento unificado e as frentes de resistência no país para barrar as propostas dos golpistas contra a classe trabalhadora. As centrais, em suas bases, farão mobilizações para construção da greve geral. Durante a plenária, foi grande a participação do movimento estudantil que irá somar as forças no dia 28. Estiveram presentes lideranças da UEE-MG, UCMG, além de entidades como UJS, Unegro, dentre outros.

    As mobilizações para greve geral estão sendo direcionadas unitariamente com todas as centrais e movimentos populares contra as reformas da previdência e trabalhista. Outro motivo da greve que unificou a classe trabalhadora é a terceirização irrestrita aprovada recentemente pelo governo golpista e que irá expor a classe trabalhadora a níveis altíssimos de precarização do trabalho.

    Um material com assinatura de todas as centrais foi distribuído para ampliar a panfletagem nas bases de cada sindicato.

    Da CTB-MG

  • Neste 31 de março, centenas de milhares saíram às ruas - o próximo passo é a greve geral

    Dezenas de municípios brasileiros foram palco para as manifestações desta sexta-feira, 31 de março, quando as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo sem uníram às centrais sindicais em uma nova demonstração contra o governo Temer. A pauta principal, como no dia 15, foi a Reforma da Previdência, mas a iminência da sanção da Lei da Terceirização Irrestrita trouxe grande atenção a esse tema.

    O comparecimento de trabalhadores e trabalhadoras continua forte, diante das medidas ultraliberais cada vez mais apressadas do governo golpista. A maior concentração aconteceu em Belo Horizonte, onde se reuníram mais de 100 mil pessoas para um ato que misturou intervenções culturais e discursos inflamados dos movimentos sociais. São Paulo teve um público igualmente grandioso, com 70 mil em marcha em ato que começou na Avenida Paulista e terminou na Praça da República. No Rio de Janeiro, 60 mil pessoas tomaram conta da Avenida Rio Branco, e as cidades de Fortaleza e Natal tiveram respectivamente 35 mil e 20 mil pessoas, e Aracaju concentrou mais 15 mil.

    As atividades, no entanto, percorreram dezenas de cidades do interior, começando já às cinco horas da manhã com trancaços e assembleias de trabalhadores paralisados. Do Acre ao Rio Grande do Sul, uma extensa lista de eventos foram levados adiante, variando de manifestações em frente a sedes de governo até o fechamento de rodovias federais.

    Na Bahia, ao menos 10 municípios realizaram demonstrações simultâneas à de Salvador, e, no Rio de Janeiro, o ato também incorporou uma cerimônia de memória pela data do golpe militar de 64, 1º de abril, diante da Rede Globo. Curitiba realizou um grande debate na Assembleia Legislativa do Paraná contra a Reforma da Previdência, com a participação dos senadores Paulo Paim, Gleisi Hoffmann e Roberto Requião e com o ex. Ministro da previdência Carlos Gabas.

    Apesar da amplitude dos protestos, apenas em uma localidade foi registrada uma ação de repressão violenta por parte da polícia, em Uberlândia (MG). Segundo a Frente Brasil Popular, a Polícia Militar reprimiu uma mobilização do MTST no município. “Sem diálogo, a tropa de choque e mais viaturas de outros batalhões chegaram atirando e soltando bombas, com o apoio de um helicóptero”, diz um comunicado da Frente. 15 pessoas ficaram feridas e 2 manifestantes foram presos.

    A construção de uma greve geral

    Em São Paulo, um ponto em comum na fala de todos os representantes foi a construção de uma greve geral, que teria dois objetivos principais: primeiro, impedir os projetos de retirada de direitos de Michel Temer de prosperarem; segundo, afastá-lo da Presidência para a realização de uma nova eleição presidencial. A presença massiva de professores do ensino público determinou especial atenção para a pauta específica dos professores - especialmente pela situação dramática que a Reforma da Previdência impõe a essa categoria, que perderá toda a redução de exigências do magistério.

    O secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes, definiu a situação de Temer como “fraca”, e conclamou: “Basta que a gente balance ele o suficiente que ele não aguenta, pois seu governo é ilegítimo e sua aprovação está lá em baixo”.

    Ele detalhou esse raciocínio em seu discurso:

    Confira a galeria fotográfica da manifestação em São Paulo no FLICKR DA CTB

    Outro discurso de destaque, que fez propostas ousadas para os participantes da passeata, foi o de Guilherme Boulos, coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). “A aprovação de Temer hoje está tão baixa, mas tão baixa, que só é comparável à do ditador Figueiredo, que ficou conhecido por dizer que preferia cavalos do que gente. Esse é o presidente que os golpistas colocaram no poder”, analisou Boulos, jocosamente. E previu: “Se eles estão achando que podem fazer o que quiserem lá em Brasília, estão muito enganados, porque a gente não vai deixar. A gente vai fazer essa greve e, se eles não desistirem dessa Reforma da Previdência, a gente vai ocupar aquele Congresso! Uma hora a conversa vai acabar!”.

    O presidente da CUT, Vagner Freitas, falou das relações dos membros do Congresso com Michel Temer, e disse que não dará trégua para os parlamentares que se aliarem aos cortes de direitos. “A gente vai ficar em cima de cada deputado que votar por essas reformas, vamos colar o retrato deles em cada poste deste país. O recado é um só: ajudou no corte de direitos, não vai mais ser eleito para nada”, ameaçou.

    Nunes, Boulos e Freitas fizeram coro com dezenas de outras lideranças em várias partes do Brasil, cuja principal tarefa é articular uma paralisação nacional para o dia 28 de abril. Nas palavras do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), presente no ato de São Paulo, a amplitude das conversas realizadas até agora indica que esta poderá ser “a maior greve já realizada no país”.

    Portal CTB

  • No Dia dos Aposentados (24), trabalhadores mineiros fazem manifestação pela Previdência

    O Dia dos Aposentados, comemorado em 24 de janeiro, esse ano é simbólico e uma data de luta contra o desmonte da previdência social proposto por Temer. As Centrais Sindicais em Minas – CTB, UGT, Força Sindical e Nova Central – convocaram a classe trabalhadora para o Ato Contra a Reforma da Previdência na praça Sete.

    A população precisa se levantar contra essa proposta de mudanças na aposentadoria que fará o brasileiro trabalhar mais e ganhar menos. No dia 07 de dezembro, o governo Temer enviou para o Congresso Nacional o projeto da Reforma da Previdência. Em síntese, a proposta altera para pior todas as possibilidades de aposentadoria para o trabalhador contribuinte do INSS. A proposta elimina a aposentadoria por tempo de contribuição, cria a idade mínima de 65 anos. Além da idade mínima para se aposentar, a reforma exige 49 anos de contribuição e não faz distinção entre mulheres, homens, trabalhador urbano ou rural. Temer, que recebe aposentadoria desde que tinha 50 anos quer que os brasileiros trabalhem mais indistintamente.

    O desmonte da aposentadoria também quer alterar a aposentadoria especial e por invalidez que passarão, se a reforma for efetivada, a ser sempre proporcional. É o trabalhador, no momento que mais precisa do INSS, descobrir que vai ganhar menos.

    A população brasileira precisa ser rápida na resposta ao governo. É por isso que as Centrais Sindicais – CTB, UGT, Nova Central e Força Sindical – convocam o protesto nas ruas contra a reforma da previdência. Em fevereiro a proposta de Temer volta a ser discutida na Câmara dos Deputados e a tramitação deve ocorrer rápido. A pressão social é que pode conseguir ser o freio contra a PEC da maldade.

    Veja a publicação assinada pelas Centrais Sindicais feita nos jornais mineiros:

    dia dos aposentados ato previdencia mg

    Da CTB-MG

  • Orlando Silva, presidente da Comissão do Trabalho, e os leões da Câmara: “Sentiram o calor das ruas”

    A noite desta segunda-feira (3) foi agitada no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo - por lá passaram centenas de sindicalistas e acadêmicos para prestigiar o ato de posse da nova presidência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) passará a coordenar os trabalhos naquele espaço.

    Orlando Silva foi eleito, na realidade, no dia 23 de março, há pouco mais de uma semana. A comemoração atrasada, no entanto, era necessária: “É preciso sentir o povo, sentir a energia das pessoas que lutam ao seu lado”. Falando ao auditório lotado, o deputado usou seu discurso inaugural para enfatizar a necessidade de reconstrução democrática, seguindo o golpe de Estado de 2016.

    “Esse ato tem a finalidade de firmar compromisso público com os direitos dos trabalhadores e com a defesa da Justiça do Trabalho, que está sendo muito atacada”, disse, arrancando aplausos efusivos. “No fundo, isso é firmar um compromisso com o país. Nós já passamos por momentos mais difíceis do que esse e soubemos sair num patamar ainda superior. E a solução é pela política - esse ato é uma convocação para que os nossos amigos trabalhadores e sindicalistas tenham mais compromisso com ela. Se a democracia brasileira foi atingida duramente no último período, nós temos que ter o compromisso de tecer novamente o tecido democrático, refazê-lo e garantir mais participação e protagonismo dos trabalhadores”, avaliou.

    Para o representante, as medidas de austeridade extrema promovidas por Michel Temer terão um efeito negativo sobre o equilíbrio econômico do país, ao invés de saná-lo. Ele afirmou que sua intenção à frente da Comissão será a de priorizar pautas de temas sociais, como os serviços públicos, e defender o papel do Estado como indutor de direitos sociais e dos trabalhadores.

    Leia também: UM MILHÃO DE PESSOAS saíram às ruas contra as reformas de Michel Temer

    “É um momento muito difícil, mas o certo é que é o trabalho produz a riqueza, o trabalho produz a vida, o trabalho produz a dignidade para o nosso povo”, resumiu, arrancando mais reações acaloradas. Ele fez uma oposição desse valor com as “velhas ideias” empurradas pelo governo golpista, e fez especial crítica às mudanças na CLT e na Lei da Terceirização.

    Sua mensagem final, no entanto, foi positiva: “A luta que estamos fazendo já teve impacto no Congresso, amigos. Depois das manifestações do dia 15, a oposição [a Temer], que não passa de 100 deputados, alcançou 188 votos contra a terceirização - já melhorou. Vocês acham que esses votos que se juntaram a nós foi porque nós fizemos um discurso bonito para o Plenário e convencemos os deputados? Foi não, pessoal. Foi porque eles sentiram o calor das manifestações. Eu confesso pra vocês, depois do dia 15, tiveram outras manifestações, e o bom é que está espalhando! Os protestos se espalham da cidade grande para a cidade média para a cidade pequena, e é desse jeito que a coisa chega lá no Congresso Nacional”.

    Assista abaixo a íntegra do discurso:

    Unidade na defesa dos direitos constitucionais

    Além de Orlando, estiveram presentes no palco várias autoridades políticas, sindicais e acadêmicas, que falaram ao público sobre suas expectativas para os novos trabalhos da Comissão. Na lista de oradores, figuraram, entre outros, Lívio Enescu, presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado de São Paulo; Tamiko Inoue, prefeita de Andradina (SP); Sônia Mascaro Nascimento, desembargadora do TRT-SP; Leci Brandão, deputada estadual pelo PCdoB; e Magnus Farkatt, assessor jurídico da CTB.

    Do lado sindical, falaram o presidente da CTB, Adilson Araújo, além de representantes da Força Sindical, UGT, Intersindical e o próprio presidente dos Eletricitários, Chicão.

    Adilson pintou um retrato dramático da situação do país, que classificou como “um golpe do capital contra o trabalho”, e avisou: “Não há motivo nenhum para a classe trabalhadora ter ilusão de paz. O Brasil está diante do maior programa de desconstrução nacional”. Para ele, a tentativa de resgatar a tentativa fracassada de FHC sinaliza um retorno aos tempos de enfrentamento de classes sem descanso.

    “Eles criminalizaram a política, e nisso salvam-se aqueles que carregam o ódio e o ranço conservador. O Orlando assume a Comissão, mas as dificuldades para a manutenção e a continuidade do mandato serão muitas. Então o sindicalista vai ter que acordar mais cedo, vai ter que se informar melhor, vai ter que ocupar a Comissão do Trabalho. Porque quem toma posse é o Orlando, mas amanhã ele vai estar lá naquela selva de leões”, avaliou.

    A solução para reverter esse quadro estaria não apenas na luta de rua, que tem que continuar, mas no diálogo insistente com os deputados. “Tem gente que apoiou o golpe, mas que a gente vai precisar do apoio para lutar contra o desmonte da Previdência, contra o desmonte da CLT. A política é a arte da guerra, e nós vamos ter que fazer política se a gente quiser sobreviver”, concluiu.

    Para Sônia Mascaro, o momento exige especialmente uma coordenação de esforços entre a Justiça do Trabalho e as organizações sindicais, pois há diferente tentativas de deslegitimá-la. "Tem sido um período de reforma na legislação, então compete aos sindicatos participar disso e lutar pelo melhor resultado possível. Nós estamos à disposição para debatermos essas questões, eu acredito que possamos encontrar uma solução com ganhos, e não só perdas, para os trabalhadores”, refletiu. Ela insistiu que o TRT de São Paulo está “de portas abertas” para discutir as mudanças propostas pelo governo.

    Já Lívio Enescu preferiu fazer uma retomada histórica para ilustrar a importância de Orlando na Comissão do Trabalho: “O último país a banir a escravidão volta às suas origens. Eles estão tentando desmontar a maior social-democracia do mundo, querem privatizar o país, vender nossa soberania”. Enescu fez uma comparação pessimista entre o Brasil sonhado por Temer e Porto Rico, que vendeu sua soberania aos Estados Unidos, mas garantiu: “Nas nós vamos parar esse país, não vamos aceitar esse tipo de coisa. Eu confesso aos senhores que todo vez que eu ouço uma notícia de Brasília, eu tento me esconder. Mas hoje é um dia feliz”.

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    Também presente, o Procurador-Geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, usou seus minutos para fazer uma análise das intenções não-declaradas do governo Temer. "Eu ouvi assustado recentemente, desse pessoal em Brasília, que ‘esse negócio de trabalho digno é uma bobagem’, que ‘o importante é que a pessoa tenha trabalho’. Ora, sob essa lógica, o trabalho escravo seria digno! Essa é a mentalidade que a gente precisa enfrentar. As reformas existem não para modernizar, como dizem, mas para EXTERMINAR o Direito do Trabalho, e coroar esse projeto com a destruição dos sindicatos”, discorreu. Ele enfatizou as batalhas em torno da prevalência do negociado sobre o legislado - na sua avaliação, a maior das ameaças não é a terceirização, mas a do contrato temporário hiperflexível. "Em vários países da Europa, esse tipo de contrato já foi proibido, pois cria uma dinâmica em que a pessoa trabalha em múltiplos empregos e ainda não consegue pagar suas contas. Eles falam que querem modernizar a lei, e aí propõe adotar o modelo adotado em Bangladesh. A Comissão é um lugar essencial para clarificar esse tipo de coisa”.

    Orlando assume a Comissão do Trabalho com as bênçãos de múltiplas centrais sindicais, membros da Justiça do Trabalho e partidos progressistas. A agenda dos trabalhos da CTASP, assim como os relatórios produzidos, podem ser acompanhados pelo portal da Câmara dos Deputados, e deveriam - Orlando precisará de toda pressão que puder para enfrentar os golpistas.

    Portal CTB

  • UM MILHÃO DE PESSOAS saíram às ruas contra as reformas de Michel Temer

    Um milhão de pessoas. Essa foi a dimensão nacional da paralisação deste 15 de Março, organizada por nove centrais sindicais, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, os partidos políticos progressistas e centenas de movimentos sociais. Com uma pauta unitária, as manifestações aconteceram em todos os 27 estados do Brasil, interrompendo o fluxo de comércio exterior por um dia inteiro e congelando a maior metrópole do país. Nada mal para a primeira grande mobilização de 2017.

    São Paulo foi a cidade com a maior concentração de manifestantes, superando a marca dos 200.000 no ponto alto do evento. Outras capitais atingiram marcas igualmente impressionantes, como Belo Horizonte (com 150.000 pessoas), Rio de Janeiro (100.000), Fortaleza (50.000), Curitiba (60.000), Recife (40.000), Brasília (20.000) e Campo Grande (20.000).

    As primeiras atividades se iniciaram às 5h da manhã nas portas de milhares de locais de trabalho pelo país, declarando as paralisações de setores muito variados. Portos, correios, escolas públicas e privadas, transportes metropolitanos e postos de saúde foram apenas alguns dos pontos a terem suas atividades suspensas ou reduzidas para que os trabalhadores pudessem participar dos atos em defesa da aposentadoria. Em São Paulo, a paralisação total do serviço de metrô e ônibus pela manhã fez com que a cidade ficasse dormente.

    Ao contrário das manifestações do ano passado, o foco deste Dia Nacional de Lutas não foi a oposição ao golpe de Michel Temer, mas às propostas que seu governo vem empurrando sobre a população - especificamente, a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. O apelo mais palpável dessas pautas fez com que muitos trabalhadores normalmente avessos a atos políticos comparecessem às atividades promovidas pelas centrais.

    Unidade de discursos

    O palanque erguido sobre o caminhão de som da Frente Brasil Popular na Avenida Paulista foi palco de dezenas de falas diferentes, variando de representantes de movimentos estudantis até o aguardado discurso do ex-presidente Lula.

    <#15M - Dia Nacional de Luta pela Previdência

    O presidente da CTB, Adilson Araújo, foi um dos que usou o microfone diante da avenida lotada: “O Brasil hoje acordou mais cedo, disposto a dar uma resposta a esse governo ilegítimo que tenta impor a todo custo uma agenda extremamente neoliberal. Nós sabemos o quanto foi importante a conquista da CLT, o quanto foi importante a luta pela democracia e a conquista da Constituição Cidadã de 1988. Nós aprendemos a fazer a lição de casa, e apostamos numa forma nova de governar este país, e agora esse governo entreguista tenta a todo custo liquidar nossas conquistas! Eles querem nos transformar nos patinhos da FIESP, mas aqui tem povo, tem periferia!”.

    Ele exaltou a resposta firme dos metroviários diante da tentativa de impedir a greve pelo governo de São Paulo, e elogiou as respostas positivas que a população deu à imprensa quando questionados sobre a situação. Mencionou também a provocação do relator da Reforma da Previdência, o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que afirmou que as manifestações não mudam "absolutamente nada". “Ele que tente colocar a reforma em votação, nós não vamos deixar!”, disse Adilson.

    Fala similar foi oferecida por Guilherme Boulos, coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Boulos também chamou o 15 de Março de “dia histórico”, mas atribuiu a força dos atos justamente à participação de pessoas para além dos movimentos organizados. “Uma coisa é ocupar as ruas com os movimentos sociais, outra coisa é quando o povo e a periferia resolve ir para o protesto. A cidade parou! Isso aqui é um aviso: nossa paciência acabou!”, disse. Boulos sugeriu aos manifestantes que visitem cada deputado para cobrá-los do voto contrário à reforma, e disse que pretende impedir a votação de acontecer, nem que seja pela ocupação do Congresso Nacional.

    Outra liderança a subir no caminhão foi a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Maria Izabel “Bebel” Noronha. Ela foi responsável pela agregação de um ato setorial que ocorria na Praça da República à manifestação das centrais, somando 80 mil educadores à Av. Paulista. Bebel frisou os dificuldades que sua categoria enfrenta para se aposentar, a começar pelo tempo mais longo de formação dos profissionais, e refletiu sobre a real importância da Previdência:

    “Não se pode pensar em aposentadoria somente como um problema econômico, ela é uma proteção social, é a garantia de dignidade da população. Eles criaram essa crise, deram o golpe, e agora querem sangrar os trabalhadores, mas não fomos nós que criamos isso! Nós não vamos deixar, se votarem contra nós, a gente vai parar esse país”. A mensagem foi repetida até por setores mais sectários da esquerda, como o PCO e o PSOL.

    O discurso de Lula

    A última fala, como de praxe, foi a do ex-presidente Lula, que preferiu fazer um discurso breve sobre o superávit oculto da Previdência e as conquistas ao longo dos governos do PT. Lula comentou a importância de vincular as aposentadorias ao Salário Mínimo, e criticou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por tratar a Previdência como um “problema”. Assista sua fala na íntegra no vídeo abaixo:

    “O que eles querem é enfiar goela abaixo do povo brasileiro uma reforma que vai impedir a aposentadoria de milhões", analisou. “Ao invés de acabar com a aposentadoria, faça com que a economia volte a crescer que o problema está resolvido”, continuou, arrancando aplausos dos manifestantes.

    Ele criticou também a falta de credibilidade que Michel Temer imprimiu sobre o governo brasileiro. “O Brasil era um país que era respeitado pelos EUA, pela China, pela Rússia, pela Índia, e agora este presidente não tem coragem de viajar para a Bolívia com medo de ser rejeitado. É um governo fraco, mas que conseguiu uma força que nenhum representante eleito conseguiria, e usa essa força para desmontar o que demorou tanto para construir”, disse. “Está ficando cada vez mais claro que o golpe dado neste país não foi apenas contra a Dilma, foi contra todos nós”.

    A solução, para Lula, só virá com a convocação de novas eleições presidenciais. “Está muito claro que o povo só vai parar de protestar quando voltar a ter um governo democraticamente eleito. O governo tem que voltar a governar, o BNDES tem que voltar a investir, é preciso parar com essa bobagem de cortar, de terceirizar, porque só vende quem não sabe governar”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB