Sidebar

19
Sex, Abr

25 de julho

  • 25 de julho: escravidão e patriarcado atingem a vida das mulheres negras na América Latina e Caribe

    O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha é um marco de reflexão e de luta sobre as condições de vida das mulheres negras triplamente atingidas pelo entrelaçamento do racismo e do machismo com a brutal exploração capitalista. As marcas dos 388 anos de escravidão e do patriarcado atingem duramente a vida das mulheres negras na América Latina e Caribe resultando em baixos salários, altíssimo desemprego, chefias de famílias em situação de pobreza extrema, mortes em decorrência de abortos clandestinos e inseguros, altas taxas de feminicídio, baixo acesso a sistemas públicos de saúde, cultura do estupro, invisibilidade e sub-representação nos espaços de poder.

    A situação global das mulheres negras tem passado por sensível piora devido à duradoura crise do capitalismo que tem representado o aprofundamento das desigualdades sociais, econômicas e raciais. No Brasil com o Golpe de 2016 e o avançado Estado de Exceção, milhões de mulheres negras tem tido suas vidas e de suas famílias atravessadas pela violência, desemprego e desesperança. A alteração deste estado de coisas depende em grande medida da organização popular e da realização e eleições livres e limpas para a retomada da democracia e um projeto de país com justiça social e equidade.

    Assim, a União de Negras e Negros Pela Igualdade (Unegro) nos marcos dos seus 30 anos de luta contra o racismo, o machismo e por uma sociedade com justiça social, equidade e livre da exploração de classe, conclama sua militância à uma ativa participação na construção do Encontro Nacional de Mulheres Negras em dezembro próximo em Goiânia e também na continuidade da resistência para interrupção do golpe e suas medidas além de ampla participação no processo eleitoral resgatando o Brasil para a maioria de sua população e elegendo especialmente mulheres negras comprometidas e progressistas para os espaços de decisão e poder.

    Salve as mulheres negras latino-americanas e caribenhas!

    Ângela Guimarães é presidenta da União de Negras e Negros Pela Igualdade (Unegro).

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • CTB-ES e Unegro capixaba realizam debate sobre a Reforma Trabalhista e seus impactos na vida das mulheres negras

    O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, é mais do que uma data comemorativa; é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. Foi instituído, em 1992, no 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-americanas e Afro-caribenhas, para dar visibilidade e reconhecimento a presença e a luta das mulheres negras nesse continente.

    A União de Negros pela Igualdade do Espírito Santo (Unegro-ES) em parceria com a Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil no Espírito Santo (CTB-ES), e com o apoio do Fórum Estadual de Mulheres Negras, e o Mucane (Museu Capixaba do Negro) estará realizando o debate "As Mulheres Negras e as Reformas Trabalhistas" e a 4ª edição das homenagens às Mulheres Negras Capixabas no sábado (4), às 18h30 hs no Mucane, com objetivo de criar um espaço de idéias, análises, reflexão troca de experiências sobre a atual condição das mulheres negras no Brasil a partir da discussão de temas estratégicos. Hoje há que se resgatar e os laços de unidade das mulheres negras e estabelecer trocas reais de estratégias criadas por experiências diversas de reação à pobreza, a invisibilidade e a baixa representação política das mulheres nas estruturas de poder.

    Para Adriana da Silva Secretária da Igualdade Racial da CTB-ES, "há que se cantar criatividades, histórias de sobrevivência que em nível de comunidades reconstroem solidariedade que possibilita vida, continuidade e recriação cultural, além das estruturas de consumo mediáticas, oficiais", Adriana ressalta também que a reforma trabalhista recentemente aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela presideência da República, precariza as relações de trabalho, além de impor retrocessos como possibilitar que mulheres grávidas e lactantes trabalharem em locais insálubres.

    Serviço

    Homenagem e Debate da Unegro e CTB-ES sobre a Reforma Trabalhista e as Mulheres Negras
    Local: Museu Capixaba do Negro
    Data: Sábado (4)
    Horário: 18h30
    Endereço: Av. República, nº 121, Centro, Vitória

    Fonte: CTB-ES

     

  • Mulheres negras marcham contra a cultura do estupro e em defesa da paz e da justiça

    A marcha das mulheres nesta segunda-feira (25) – Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha – levou para as ruas da cidade de São Paulo, cerca de 5 mil pessoas para protestar contra o golpe machista e racista e em defesa da democracia.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) esteve representada pela secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, Gicélia Bitencourt, que atacou as políticas propaladas pelo governo golpista que visa acabar com os direitos trabalhistas.

    “Não vamos aceitar a retirada de nenhum direito”, disse. “As mulheres negras são as mais discriminadas pelo mercado de trabalho. São as últimas a conseguirem um emprego e as primeiras a serem demitidas, por isso estaremos nas ruas o tempo que for necessário para defender nossas conquistas”.

    mmn ato 2016 ctb ujs ubm

    Com a bandeira da CTB, Gicélia Bitencourt e Raimunda Gomes (Doquinha), secretária de Imprensa e Comunicação da CTB

    Enquanto a marcha saia da Praça Roosevelt e caminhava para o Largo do Paissandú, as pessoas paravam para olhar as mulheres negras, latino-americanas e caribenhas cantando e dançando a alegria de serem mulheres “belas, nada recatadas e muito menos do lar”.

    A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Motta Dau defendeu a utilização permanente dos espaços públicos como forma de aglutinar forças para defender a democracia e combater a violência contra as mulheres.

    Discurso de Gicélia Bitencourt no ato

     

    “As mulheres negras estão gritando nas ruas que basta de violência. E esse grito ecoa em todos os cantos, porque não se tolera mais tanta mulher agredida, espancada e morta pelo simples fato de serem mulheres”.

    Bitencourt complementa ao afirmar que as mulheres da periferia não aceitam mais também o assassinato de seus filhos e filhas. “Nós lutamos por um país onde possamos viver o nosso sonho de igualdade e justiça com respeito às nossas vontades e à diversidade”, reforçou.

    Leia mais

    Acontece hoje: mulheres negras e latino-americanas marcham por igualdade e democracia

     mmn ato 2016 jogral

     

    IMG 20160725 WA0028

    A marcha lotou as ruas da maior metrópole do país

    Os gritos de “Fora Temer” e o canto por justiça chamava a atenção dos transeuntes. Maria das Neves, coordenadora a União Brasileira de Mulheres em São Paulo, disse que “hoje mostramos mais uma vez que não aceitamos mais o papel de meras coadjuvantes, somos protagonistas e iremos até o fim por nossos direitos”.

    "Nenhuma mulher merece ser maltratada. “A nossa luta é contra a cultura do estupro, as discriminações, mas principalmente pelo bem viver em paz e em segurança”, finalizou Bitencourt.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Mulheres negras marcham em defesa da democracia e do bem viver

    Para denunciar a situação precária de suas vidas, as mulheres negras marcham pelas ruas de Salvador e São Paulo nesta quarta-feira (25) - Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha - e no domingo (29) no Rio de Janeiro.

    Muitos eventos e manifestações vêm ocorrendo desde o dia 1º de julho para refletir sobre a necessidade de acabar a discriminação e a violência contra as mulheres. “Na conjuntura de retrocessos que vivemos é fundamental a mobilização das mulheres em defesa de seus direitos e de suas vidas”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Principalmente as mulheres negras que estão na base da pirâmide social”, complementa Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB. “O racismo institucionalizado e o sexismo impedem que as negras tenham uma vida plena e sem medo”.

    Bahia

    julho das pretas

    A marcha das baianas marca o ponto alto da 6ª Edição do Julho das Pretas, que lembra ainda o Dia Nacional de Tereza de Benguela, também comemorado em 25 de julho. Tereza viveu na no século 18 no Vale do Guaporé, no Mato Grosso e liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho. Segundo documentos da época, o lugar abrigava aproximadamente 79 negros e 30 índios. Ela foi morta após ser capturada em 1770.

    “Denunciamos a dupla discriminação que as negras sofrem e defendemos direitos iguais para todas e todos, pondo fim ao racismo e a todo tipo de discriminação”, diz Marilene Betros, secretária da Mulher da CTB-BA e de Políticas Educacionais da CTB.

    A concentração para a Marcha das Mulheres Negras de Salvador começa às 13h, na Praça da Piedade e seguirá ao Terreiro de Jesus, onde será realizado o Ato Político Cultural Mulheres Negras Movem a Bahia, a partir das 17h.

    São Paulo

    As paulistanas levam a sua força às ruas de São Paulo com o tema “Por todas nós e pelo bem viver! Exigimos o fim da negligência e violência do Estado”. Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, lembra que as estatísticas mostram que as mulheres negras ganham até 63% a menos que os homens brancos como atesta a ONG Women 20 Outreach Brazil.

    marcha mulheres negras sp 2018

    “A nossa luta é para criarmos condições de vida melhores para todas as pessoas”, afirma Gicélia. “A nossa marcha deste ano serve também para mobilizar a sociedade para o Dia do Basta (10 de agosto) para barrar os retrocessos promovidos pelo governo golpista”.

    A concentração acontece na Praça Roosevelt, centro da capital paulista, às 17h, com a participação do Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais e com forte presença da CTB.

    “Precisamos vencer o golpe, elegendo mais mulheres, negros, representantes da classe trabalhadora e candidatos comprometidos com a juventude para construirmos o país dos nossos sonhos”, conclui Gicélia.

    Rio de Janeiro

    O tema das Marcha das Mulheres Negras na capital fluminense é “Pela vida do povo preto: mais mulheres negras no poder”. De acordo com Regina Souza, do Coletivo de Mulheres da CTB-RJ, “A intervenção militar trouxe uma preocupação a mais às mulheres negras porque a violência contra a juventude vem aumentando nas comunidades”.

    Por isso, diz ela, o Fórum Estadual das Mulheres Negras do Rio de Janeiro com inúmeras entidades promete sacudir a “hipocrisia dos governantes que estão acabando com as conquistas sociais da população negra no Rio de Janeiro”. A concentração das cariocas ocorre às 10h no Posto 4 da Praia de Copacabana.

    mulheres negras rio 2018

    Sergipe

    Os movimentos sociais e sindical de Sergipe vêm realizando atividades ao longo de julho. Nesta quarta-feira (25) acontece o lançamento do jornal “Vozes Diaspóricas”, das 17h às 22h na Praça General Valadão, no centro de Aracaju e na quinta-feira (26) e na sexta-feira o Coletivo Quilombo Ubuntu Teatro Negro se apresenta na sede do Abaô (Rua Reis Lima, 193- bairro Industrial – Aracaju).

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Nesta sexta (29), as mulheres negras levam arte e reflexão em São Paulo

    A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo continua com as comemorações do Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha - 25 de julho -, mesma data do Dia Nacional de Tereza de Benguela.

    A programação começa nesta sexta-feira (29) com a peça teatral “Ida”, do Coletivo Negro, sobre as questões enfrentadas pelas mulheres negras no Brasil contemporâneo. Tais como o racismo e o machismo. Na Galeria Olido (av. São João, 473 – centro), às 19h.

    No sábado (30), já às 10h da manhã, tem a Feira Empreendedoras Negras, onde elas revelam seus talentos para a inovação. Mais tarde, às 12h a DJ Evelyn Cristina se apresenta e às 14h a Rua do Samba com as mulheres negras cantando suas histórias, no Largo do Paissandu.

    No Museu da Imigração (rua Visconde de Parnaíba, 1316, próximo ao Metrô Bresser) ocorre o seminário “Mulheres Imigrantes e Políticas Públicas na Cidade de São Paulo”. A coordenadora de Comunicação da secretaria, Patrícia Negrão, diz que “as inscrições para o seminário já estão encerradas“.

    No domingo (31), também no Largo do Paissandu, a festa começa às 10h e conta com as oficinas sobre a “troca de saberes sobre a Estética das mulheres negras”, de turbantes e de automaquiagem.

    Às 11h apresentação da DJ Vivian Marques e às 13h uma roda de conversa com a psicóloga Ana Helena Augusto de Souza a respeito da autoestima das mulheres negras. Às 14h, roda de conversa com o tema “Mulheres Negras: Conquistas e Desafios”.

    Acompanhe a programação completa:

     secretaria mulher sp benguela

    O bloco afro Ilú Obá de Min encerra o evento apresentando seu espetáculo às 16h. Com 11 anos de existência, o Ilú se propõe a cantar “as injustiças que existem”, diz Beth Beli, presidenta do bloco.

    Assista ao Ilú Obá de Min

     

    Tereza de Benguela

    A líder quilombola Tereza de Benguela foi homenageada com o Dia Nacional que leva seu nome por se destacar na luta contra a escravidão no século 18, sendo uma das líderes do Quilombo do Piolho, no Mato Grosso. Sob sua direção, o quilombo resistiu às forças portuguesas por duas décadas.

    Portal CTB com informações da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo

  • No Julho das Pretas, cetebistas negras contam suas histórias de enfrentamento ao racismo

    Por causa do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha - 25 de julho -, o mês passou a ser chamado de Julho das Pretas. O Portal CTB, por isso, perguntou a diversas dirigentes negras, sobre uma história de racismo que as marcou muito.

    As histórias denunciam a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras. São atacadas por serem negras e por serem objeto do desejo do homem branco. Desejo forjado pela ideologia patriarcal, desde a escravidão para justificar a luxúria dos senhores de escravos.

    A secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil nacional, Mônica Custódio, conta que estava sentada na faculdade estudando, quando chegou uma mulher branca e disse que queria o seu lugar. Ela espantou-se e questionou o porquê e a mulher disse que era porque ela estava "cansada”.

    Muitas relatam implicâncias com os cabelos afros e chegaram a perder a possibilidade de promoções por serem negras e, de acordo com os olhos do patronato branco, não têm boa aparência para determinadas funções.

    Acompanhe as histórias, se emocione e se revolte:

    Adriana Silva, secretária da Igualdade Racial da CTB-ES

    Racismo sofro todos os dias por ser mulher negra e da periferia. É algo que está presente no meu dia-a-dia, sofro na faculdade, no trabalho, em todos os lugares. Um exemplo disso é quando perguntam minha profissão e eu respondo que sou empresária aí me perguntam se concluí o ensino médio eu digo que faço faculdade, aí as pessoas se espantam.

    Cherry Almeida, dirigente da CTB-BA

    No Conselho Municipal de Saúde de Salvador aconteceu algo inusitado para mim. Resolvi disputa a eleição para a presidência do conselho. No dia da reunião na qual coloquei meu nome, ouvi alguém falar assim: “Eu acho que a Cherry é muito ousada, mas ela não tem o perfil para presidir o conselho municipal da terceira maior capital do país”.

    Fiquei pensando qual seria esse perfil em que eu não me enquadrava, justamente morando na cidade mais negra fora da África. Era o olhar do perfil do padrão de beleza ariano. Outra vez disseram: “A não, a Cherry é do Sindicato dos Comerciários, não é da saúde e ela está fora do perfil de um conselho municipal dessa envergadura”.

    Claudia Vitalino, dirigente da CTB-RJ e do Sindsprev-RJ

    Em meu primeiro ano na gestão do Sindsprev-RJ, na diretoria estadual da Secretaria Sócio- Cultural, uma filiada entrou na sala, querendo falar com alguém da diretoria para solucionar um problema.

    Eu iniciei o atendimento. Aí minha secretária loira voltou de uma tarefa que tinha ido resolver na rua. Na mesma hora em que ela chegou, a servidora do Ministério da Saúde começou a perguntar para ela tudo o que eu já tinha respondido, como se ela fosse a diretora e eu a funcionária do sindicato.

    A minha secretária, muito sem jeito, disse que eu era a diretora. A moça ficou muito sem graça, pediu desculpas e agradeceu o atendimento...

    Doméstica

    Uma outra vez eu estava em um ônibus na zona sul do Rio de Janeiro, ao meu lado sentou uma senhora branca aparentando uma boa condição financeira. Conversamos e quando eu estava me despedindo, ela me entregou um cartão e disse para mim que estava precisando de uma secretária doméstica e que se eu ou alguma amiga minha estivesse precisando para entrar em contato. Detalhe em nenhum momento da conversa falei sobre a minha profissão...

    Eu engoli a raiva e entreguei o meu cartão a ela e disse que se ela ou alguma amiga também estivesse precisando para ela me ligar. Ela ficou vermelha e tentou se desculpar...

    Izane Mare Ribeiro Mathos, diretora da CTB-RS

    Quando eu tinha 15 anos, buscando o primeiro emprego, não fui admitida em um supermercado, por ser afrodescendente. Fui dispensada, após olharem minha fisionomia, isso porque fui pessoalmente. Não havia mandado currículo.                   

    Já em meados de 1990 quando minha primogênita nasceu, uma conhecida branca, entrou no quarto do hospital, dizendo "deixa eu ver se não saiu neguinha".

    Outra vez mais recente, em um salão de cabelereiros a atendente, disse para mim: “Tu tens a pele clara, mas teu nariz achatado e o cabelo ruim denunciam tua raça". Na hora, eu disse: muito me orgulha a minha raça negra e meu cabelo não é ruim, é crespo. Falei que ela estava cometendo ato racista e discriminatório. Saí do recinto, sem retocar a tintura, que entrei lá para fazer.

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da CTB-SP

    Aos 17 anos, eu trabalhava em uma fábrica de instrumentos cirúrgicos em um bairro periférico de Campinas (SP). Estava cursando o terceiro ano de Processamento de Dados em um Colégio Técnico tradicional da cidade. Trabalhava e ajudava minha mãe a pagar metade da mensalidade.

    Um dia abriu uma vaga de secretária que necessitava saber usar o computador. Fui candidata à vaga e a gerente, que era minha amiga pessoal, desceu do escritório chorando copiosamente. Ela não conseguia me dizer qual era o problema.                       

    Depois de um tempo, se refez e me disse que eu não seria secretária porque eu era preta e que por isso, não ficaria bem eu ficar na frente da loja atendendo o público. Neste dia vi bem o que é ser negra no Brasil.

    Maria Alves de Souza, diretora de Políticas Sociais e Previdência da Fetaemg

    Comigo acontece muitas vezes, quando as pessoas anunciam a presença da diretora da Fetaemg, sinto olhares de desprezo. Essa situação só começa a mudar após eu começar a falar sobre ao assunto em pauta.

    Em minha cidade, Ouro Verde (MG), em um período de campanha eleitoral, fiz campanha para um candidato quilombola a vereador. No dia seguinte, as pessoas me abordaram na rua dizendo: De pentear os cabelos você não gosta, mas de subir em palanque e ficar interferindo na vida das pessoas você gosta”. Isso porque sou negra e me orgulho muito disso.

    Santa Alves, secretária da Igualdade Racial da CTB-DF

    O racismo comigo acontece no comércio, geralmente os vendedores nos olham como se pensassem será que tem dinheiro, aqui no shopping de Brasília tem câmeras que monitoram a chegada e os negros são todos suspeitos, falo isso pois tenho um amigo que trabalha na segurança. Os olhares acontecem sempre, mas não me abordaram.                       

    Também já me perguntaram na rua se eu sabia de alguém queria trabalhar como doméstica.

    Tereza Bandeira, secretária da Mulher do Sinttelba e dirigente da CTB-BA

    Em uma empresa no ramo do comércio, onde eu desenvolvia atividades, deixei de ser promovida por usar cabelo natural. Prevalecia a questão da "boa aparência", ou seja, cabelos alisados. O padrão de beleza europeu prevalece e as negras são marginalizadas.    

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy.  Foto: Blog Biotipo