21
Ter, Nov

Atlas da Violência 2017

  • “Mãe nenhuma cria filho para matar ou morrer”, diz dirigente da CTB sobre Atlas da Violência

    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta segunda-feira (5) o relatório Atlas da Violência 2017, feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os números são aterradores e confirmam o genocídio negro, principalmente da juventude e das mulheres.

    Os dados mostram que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Isso significa que a população negra possui 23,5% maiores de serem assassinados em relação aos brasileiros não negros.

    “Mais uma vez as pesquisas comprovam que a violência no Brasil tem cor, idade e mira nos mais pobres”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pelo levantamento do Ipea, somente em 2015, ocorreram 59.080 homicídios no Brasil. O que significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. O período analisado é de 2005 a 2015 e retrata crescimento de assassinatos de jovens negros e de mulheres negras. Mais de 92% das vítimas de homicídios são jovens negros.

    No período houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídios de negros entre 15 e 29 anos, moradores da periferia e pobres. Na população de não negros o índice diminuiu 12,2% nos 10 anos pesquisados. 

    O Atlas mostra ainda que mais de 318 mil jovens foram assassinados entre 2005 e 2015. Mais do que países em guerra. Para ela, “isso configura um verdadeiro genocídio da população negra, além da fábrica de prisão em que se transformou o sistema carcerário brasileiro”.

    Leia a pesquisa completa pelo link abaixo

    www.ipea.gov.br

    Já em relação às mulheres a situação se repete. Houve crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra elas, que subiu de 54,8% para 65,3%.

    “As mulheres negras sofrem violência direta e indireta. Direta quando são assassinadas, espancadas, violentadas e indireta quando perdem seus filhos. Nenhuma mãe cria filho para matar ou morrer”, acentua Custódio.

    Os dados apresentam crescimento maior da violência nos estados no Norte e Nordeste. “Justamente onde há menor presença do Estado”. Ela acrescenta ainda que as mulheres negras carregam o maior fardo, inclusive na questão da violência.

    Para a sindicalista carioca, isso justifica o aumento da população carcerária de jovens negros e “ainda querem reduzir a idade penal para ganharem mais dinheiro ainda com a desgraça alheia”. E com isso, as mulheres negras sofrem ainda mais.

    “Elas sofrem violência dentro de casa, institucional, não têm o respeito do Estado e são jogadas à própria sorte. São chefes do lar, porque os homens não assumem a paternidade e ficam vulneráveis a todo tipo de violência”, reforça.

    Para ela, a situação tende a piorar com os projetos do governo de Michel Temer. “Com o aumento do desemprego, da recessão e da insegurança no trabalho, a violência tende a aumentar e sempre sobra para os mais vulneráveis: os mais pobres, os negros, as mulheres”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Latuff

  • Audiência pública debate o genocídio da juventude negra em São Paulo, nesta terça (10)

    O movimento negro se une à deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) para realizar, nesta terça-feira (10), às 18h30, uma audiência pública para debater a matança de jovens negros, pobres e moradores da periferia. A audiência acontece no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp, na av. Pedro Álvares Cabral, 201, na capital paulista).

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), conta que leciona em escola pública da periferia há 14 anos e há 5 anos em escola da rede privada e sente a diferença de perspectivas de vida porque “como pode uma criança pobre acreditar que o estudo lhe dará boas chances de ter uma vida abastada, se ela vai para a escola esperando sua primeira refeição do dia?”

    audiencia contra genocidio juventude negra

    Participarão da audiência mães que perderam seus filhos pelas mãos do Estado e as entidades do movimento negro em São Paulo, além da Rede de Proteção e Enfrentamento ao Genocídio. A deputada Leci Brandão convida a todas as pessoas que acreditam na necessidade de parar com essa matança a parrticiparem dessa audiência.

    Confirme presença pela página do Facebook da audiência aqui.

    O Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que de cada 100 pessoas assassinada no Brasil entre 2005 e 2015, 71 foram negras, boa parte de jovens.

    Ainda de acordo com o Atlas, mais de 318 mil jovens foram assassinados no país nesse período. Os homens jovens, negros e pobres continuam sendo as principais vítimas com mais de 92% das mortes.

    Gomes ressalta a necessidade de criação de políticas públicas para combater a brutal diferença das escolas públicas da periferia e as escolas particulares. “Na periferia, as crianças e jovens ficam expostos a todo tipo de violência e até ao aliciamento por traficantes. Aí ou morrem pelas mãos da polícia ou pelo tráfico”.

    Por isso, denuncia a professora de história no interior de São Paulo, “as crianças da escola pública têm menos chances de sobreviverem do que os da escola privada. Essa audiência pode apontar caminhos para mudarmos essa triste realidade”.

    Campanha contra o genocídio da juventude negra 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Consciência Negra: população marcha em São Paulo contra o genocídio e o racismo

    A 14ª Marcha da Consciência Negra, na segunda-feira (20), em São Paulo, tem como tema “Contra o Racismo e o Genocídio: Por um Projeto Político de Vida para o Povo Negro”. De acordo com Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB nacional, “é fundamental reforçarmos as campanhas em favor da igualdade de direitos”.

    A concentração da marcha ocorre no vão do Masp – tradicional espaço de protestos na capital paulista -, a partir das 13h, com previsão de a caminhada começar às 16h. “A expectativa é de realizarmos um grande protesto para denunciarmos à sociedade a violência que sofremos em todos os campos da vida”, diz Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da CTB-SP.

    Saiba mais pelo Facebook oficial da marcha.

    As pesquisas confirmam o racismo estrutural vigente no Brasil. Como mostra o Atlas da Violência 2017, em cada 100 pessoas assassinadas no país, 71 são negras. O levantamento mostra que o genocídio da juventude negra cresce assustadoramente.

    De 2005 a 2015 foram assassinados 318 mil jovens, cerca de 80% rapazes, negros, pobres e moradores da periferia. Somente em 2015 foram assassinados mais de 60 mil jovens.

    “Boa parte pelas mãos do braço armado do Estado e sem razão alguma para isso. Outros ficam pelo caminho nas mãos do tráfico de drogas, pela absoluta falta de políticas públicas para a juventude. As mães choram as mortes de seus filhos que perdem a vida apenas por estarem na rua”, denuncia Custódio.

    Assista reportagem especial da TV Brasil sobre o Quilombo dos Palmares

     

    Como mostra o relatório “A Distância Que Nos Une”, da ONG Oxfam Brasil, a se manter o ritmo atual, negros e brancos só terão salários equivalentes em 2089 e “olha que os retrocessos promovidos por Michel Temer devem prorrogar isso para bem mais longe”, argumenta Gomes.

    Estudo do Dieese aponta que a taxa de desocupação entre os negros na Região Metropolitana de São Paulo aumentou de 14,9% para 19,4%, enquanto a dos não negros subiu de 12,0% para 15,2%.

    “A Questão que se coloca é que se for comparar salário e escolaridade, as diferenças se apresentam ainda maiores. Isso na mesma função e nível de escolaridade”, afirma Custódio. “É nesse quadro que chegamos aos 130 anos de Abolição”.

    Gomes assinala que, por isso, “a 14ª Marcha da Consciência Negra deve trazer à tona o necessário debate sobre o que fazer para acabar com o racismo e com a violência que atinge os negros, que corresponde a 54% da população brasileira”.

    Veja Quilombo (1984), de Cacá Diegues 

    “Estaremos nas ruas para denunciar todas as mazelas sofridas pelo povo negro. Porque queremos dignidade, porque queremos igualdade e o fim do genocídio de nossa juventude”, reforça.

    Enfim, diz Custódio, “continuamos a lutar pela nossa humanização. Pela nossa vida e pela vida de nossos filhos, continuamos a lutar por igualdade no mercado de trabalho, pelo direito ao trabalho, à saúde, à moradia digna e à tão sonhada educação pública de qualidade”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Para dirigente da CTB, os movimentos precisam entender que “o inimigo é o capital"

    Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, na terça-feira (25), a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, defende a unificação de pautas dos movimentos sociais.

    “É necessário unificar as bandeiras de todos os movimentos. Os movimentos sociais reivindicam umas coisas, o movimento negro outras, o movimento sindical outra, mulheres outras e ainda tem os LGBTs, a juventude, mas estamos todos no mesmo barco”, diz.

    Ela afirma essa necessidade porque a violência contra a mulher negra cresce absurdamente. Recentemente o Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprovou esse aumento.

    Entre os aos de 2005 e 2015, houve um crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra as negras, que subiu de 54,8% para 65,3%. 

    Para Custódio, isso nunca vai acabar se continuar essa “hierarquização das bandeiras defendidas pelos movimentos contra a ofensiva do capital sobre o trabalho”. De acordo ela, “parece que não somos todos trabalhadores”.

    Ela lembra que em 2018, a Abolição dos escravos completa 130 anos e a situação da população negra, maioria no país continua muito difícil por causa do racismo institucional. “Os movimentos precisam entender que o inimigo é o capital, independente do que se faz”.

    Na opinião de Custódio, os movimentos que lutam por uma sociedade mais igual e justa, deve se pautar pela Convenção 100, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa convenção defende igualdade de remuneração de trabalhadoras e trabalhadores por trabalho de igual valor.

    Saiba mais aqui

    Além dos 130 anos da Abolição, 2018 marca o centenário de Nelson Mandela. “Madiba (forma carinhosa como os sul-africanos chamavam Mandela) abriu uma janela para o mundo ver o sofrimento dos negros e a importância de todo mundo ter a cidadania respeitada".

    Por isso, ela defende que a agenda da classe trabalhadora seja pautada por cinco questões principais. O direito à terra, à educação, ao trabalho, à cultura e à saúde. “Trabalhar esses temas combatendo as desigualdades e as discriminações que só interessam ao capital”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Blogueiras Negras