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Dom, Fev

BBC Brasil

  • “Quem manipula a mídia que manipula a gente?”, questiona o músico Criolo

    Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A grife de roupas de luxo Brooksfield Donna é flagrada utilizando trabalho escravo em São Paulo

    Parece estar virando lugar comum no mundo das grifes luxuosas o flagrante de utilização de trabalho escravo em oficinas de costuras. A bola da vez é a Brooksfield Donna, pertencente ao grupo Via Veneto.

    “Não dá mais para aceitar que essas grandes empresas continuem com essa prática abusiva”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). 

    A empresa foi flagrada por auditores do Ministério do Trabalho e Previdência Social explorando mão de obra análoga à escravidão e trabalho infantil em uma oficina em Aricanduva, na zona leste da capital paulista, nesta segunda-feira (20).

    Cinco bolivianos foram encontrados na oficina de costura, inclusive uma menina de 14 anos. Os auditores disseram à ONG Repórter Brasil que a adolescente não poderia trabalhar nessa atividade porque “a costura é uma das atividades econômicas onde é proibida a contratação de menores de 18 anos”. 

    Além disso, a legislação brasileira permite que jovens de 14 a 16 anos trabalhem apenas como aprendizes e em meio período. Dentro da oficina, os fiscais encontraram outras duas crianças. Elas moravam com as mães, que passavam quase todo o tempo sobre as máquinas de costura, informam os auditores.

    Os trabalhadores encontrados continuam em uma situação de extrema fragilidade devido à postura da Brooksfield diante dos problemas. “A empresa demonstra uma falta de vontade de resolver uma situação básica, de dignidade básica do trabalhador”, diz Lívia Ferreira, auditora fiscal que coordenou a operação. 

    Leia mais

    Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil: Por que a erradicação pode melhorar a vida do país?

    Todos foram encontrados “sem carteira assinada ou férias, eles trabalhavam e dormiam com suas famílias em ambientes com cheiro forte, onde os locais em que ficavam os vasos sanitários não tinham porta e camas eram separadas de máquinas de costura por placas de madeira e plástico”, informa a reportagem da BBC Brasil.

    Em nota, o departamento de marketing da Via Veneto afirmou que "a empresa não terceiriza a prestação de serviços e seus fornecedores são empresas certificadas. A empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico que lhe são aplicáveis".

    Mas relatório de inspeção do ministério mostra que a marca "é inteiramente responsável pela situação encontrada na oficina”, considerada "a real empregadora" e, portanto, totalmente responsável "pelos ilícitos trabalhistas constatados".

    Rogério defende que a sociedade exerça o seu poder fiscalizador e promova boicote às empresas que explorem trabalho escravo ou infantil. “Já que a mídia, por interesses comerciais, não denuncia, nós temos que fazer a nossa parte”.

    “O movimento sindical deve tomar a frente de campanhas de boicote a todas as marcas que forem flagradas condicionando seres humanos à escravidão”, reforça. “Nenhum ser humano merece ser submetido a formas degradantes de trabalho, muito menos crianças e adolescentes, que estão em formação e precisam de nosso apoio”. 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com agências

     

  • As mulheres tomam conta das redes e das ruas para acabar com a violência e a discriminação

    A ONU Mulheres definiu em 2015 a campanha Dia Laranja Pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, efetivado no dia 25 de cada mês. “Data muito significativa para a conscientização de todos e todas sobre a necessidade imperiosa de acabarmos com essa violência que vitima mulheres todos os dias em nosso país”, diz Santa Alves, secretária de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF).

    Já para a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira, “a existência de campanhas como essa e a presença constante das mulheres nas ruas e nas redes sociais têm sido fundamental para elevarmos o patamar da luta das mulheres por direitos iguais”.

    A mídia faz um papel perverso na propagação do machismo e das ideias patriarcais e arcaicas, diz ela. “De um modo geral, a mídia transforma a mulher em mercadoria, sempre com pouca roupa para vender os produtos e agradar aos homens”.

    Pereira afirma que estão “vendendo a inocência, a juventude e com isso criam o fetiche mercadológico dessa cultura machista, que chega a ser pedófila, muitas vezes”. Ela cita também a recente pesquisa do Datafolha, pela qual 33% dos entrevistados responsabilizam a vítima por ter sido estuprada.

    E ainda vem “esse desgoverno Temer e pretende uma reformulação do ensino médio tirando as matérias que cultivam a criatividade na juventude, como artes, filosofia e sociologia e educação física que propicia desenvolvimento corporal saudável”, reforça. Tem ainda a discriminação sofrida pelas mulheres no mercado de trabalho.

    Veja vídeo da ONU Mulheres sobre a campanha  

    “Somos as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem recontratadas. Trabalhamos mais e ganhamos menos e ainda temos a tripla jornada”, acentua Pereira. Ela conta que “em pleno século 21, existem fábricas que obrigam as trabalhadoras a mostrarem seus absorventes com sangue todo mês, para provarem que não estão grávidas”.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, lembra dos 10 anos da Lei Maria da Penha. “Criada há 10 anos para punir os agressores de mulheres, a Lei Maria da Penha por si só não está sendo suficiente para inibir a violência. Precisamos de delegacias da mulher 24 horas e de mais aparatos repressivos, além de campanhas educativas”, afirma.

    A própria Maria da Penha diz em entrevista à BBC Brasil, que "hoje em dia a violência continua. Mas tem muita mulher que acha que só é violência quando ela está machucada. Ela não entende que a violência doméstica também é psicológica, moral, sexual". (Leia a entrevista na íntegra aqui).

    Para Bitencourt, “o movimento feminista está no rumo certo e enfrentando as adversidades do machismo com a cara e a coragem”. Pereira mostra fé na juventude. “Essas meninas estão firmes e fortes estudando o feminismo e mostrando para a sociedade que as mulheres não estão para brincadeira, principalmente na luta por igualdade de gênero”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Até que ponto a educação sexual pode ajudar no combate à pedofilia?

    A partir da ação final da segunda fase da Operação Glasnost, da Polícia Federal (PF), que investiga crimes de abuso sexual à crianças e pedofilia, levou para a prisão 33 pessoas, entre elas, pais, professores, médicos, estudantes e um porteiro, com idades de 18 a 80 anos, o Portal CTB debate como coibir a pedofilia e o abuso sexual de crianças e jovens.

    A operação ocorreu em 14 estados, mas foi o Paraná que teve o maior número de prisões e apreensão de material pornográfico em computadores, celulares e máquinas fotográficas. De acordo com o delegado da PF, Flávio Augusto Palma Setti, esta ação chamou a atenção pela prisão inclusive de pais abusadores das filhas.

    O problema da pedofilia trouxe à tona o debate sobre a necessidade de ter educação sexual nas escolas como uma das formas de se coibir essa violência.

    “É fundamental o debate sobre as questões de gênero e sexo nas escolas para alertar as crianças e os jovens sobre o que é carinho e o que é abuso”, diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista baiana concorda com a nadadora pernambucana Joanna Maranhão que criou a Organização Não Governamental (ONG) Infância Livre, para cuidar de crianças que sofrem abusos em Recife, a partir de sua própria experiência. Em uma entrevista à BBC Brasil, a atleta defende educação sexual nas escolas, inclusive para dificultar a ação de pedófilos.

    Para ela, "mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola".

    Betros reforça a necessidade de um amplo debate sobre a sexualidade para “além de coibir ações de pedófilos, orientar as crianças a identificar os abusos e as famílias a apoiarem suas filhas e filhos”.

    É muito importante também, diz, “orientar as educadoras e os educadores sobre como identificar os sinais do abuso que as crianças e jovens dão, porque em muitos casos, as vítimas não entendem o que está acontecendo, mesmo sentindo-se mal com a situação”.

    Ela defende a necessidade de efetivação de políticas públicas capazes de impedir a ação de abusadores com o aparelhamento dos conselhos tutelares que “não têm os equipamentos necessários para prestar ao atendimento devido”.

    Também há necessidade de “locais apropriados de atendimento para as vítimas, com médicos, psicólogos e tudo o que for preciso para salvar a vida da criança abusada. Porque a gravidade da agressão pode levar a vítima até ao suicídio por não enxergar saídas, principalmente porque boa parte dos agressores são pessoas próximas”, conclui.

    A escola exerce papel fundamental para alertar sobre essa violência contra vulneráveis. “Educação, diálogo e informação de qualidade são essenciais para coibir não só a pedofilia, mas toda a ação de exploradores sexuais”.

    Porém, alerta Betros, "somente a educação sexual nas escolas não basta, é necessário criar um amplo movimento nacional para proteger as nossas crianças, orientando as famílias a identificar as situações de violência".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Coletivo da Cidade

  • Com Temer, o Brasil está no rumo errado para 87% da população, revela pesquisa

    A BBC Brasil publicou nesta segunda-feira (29), o mais recente levantamento do Instituto Ipsos, mostrando que 87% dos brasileiros e brasileiras acreditam que o país está no rumo errado. Ao mesmo tempo, o governo interino de Michel Temer segue rejeitado por 68% da população.

    A pesquisa ouviu 1.200 pessoas, em 72 municípios, entre os dias 30 de julho e 9 de agosto. Os dados apuraram que 61% reprovam as medidas de combate à inflação do desgoverno Temer. Quando o tema é a reforma da Previdência, a situação piora: 64% a rejeitam.

    Além de ser rejeitado por quase 70% da população, a atuação de Temer no Palácio do Planalto é considerada ruim ou péssima por 49% das pessoas entrevistadas, sendo que o vice-presidente em exercício na Presidência conseguiu somente 8% de ótimo ou bom.

    “Dados significativos, divulgados justamente no dia em que a presidenta eleita Dilma Rousseff vai ao Senado fazer a sua defesa. A pesquisa deixa claro que a população sabe que a presidenta não cometeu nenhum crime de responsabilidade e deve voltar à Presidência para convocar um plebiscito sobre novas eleições”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Criolo questiona: “quem manipula a mídia que manipula a gente?”

    Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil: Por que a erradicação pode melhorar a vida do país?

    Além de ser o Dia dos Namorados, o domingo (12) marca uma data ainda mais importante. É o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, instituído pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), desde 2002, quando foi apresentado o primeiro relatório sobre o tema na Conferência Anual do Trabalho e constatou-se a exploração de milhões de crianças e adolescentes no mundo todo.

    Já em 2007, o governo brasileiro determinou o 12 de junho com o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, com grandes mobilizações e campanhas para extinguir essa prática no país, onde mais de 7 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos eram explorados.

    Além desses dados aterradores, os ativistas dos direitos da infância e da juventude prestaram uma homenagem à menina Marielma de Jesus Sampaio, de apenas 11 anos. Entregue pela família para ser babá do bebê de um casal em Belém do Pará.

    Reportagem de Fernanda da Escóssia para a BBC Brasil lembra que a criança foi “torturada, estuprada e morta pelos patrões, em 2005, em caso que se tornou símbolo da luta contra trabalho infantil no Brasil”.

    O “laudo médico apontou costelas quebradas, rins e pulmões perfurados, além de cortes e queimaduras. O exame também indicou sêmen no corpo da menina, indício de violência sexual”, denuncia Fernanda. O casal foi condenado, mas quem restitui a vida de Marielma?

    “Situações como a dessa garotinha ocorrem no Brasil, porque as famílias pensam que estão fazendo um bem para suas filhas e acabam por entregar essas meninas para serem exploradas”, realça Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    rogerio ato alesp estudantes

    Rogério lembra que a meta determinada pela Organização das Nações Unidas e pela OIT, com adesão do governo brasileiro, é erradicar o trabalho infantil por completo até 2020. “A sociedade precisa entender que lugar de criança e adolescente é na escola”, acentua.

    Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o Brasil reduziu em 60% a exploração do trabalho infantil, nos últimos 12 anos, mas indica também que 2014 esse índice cresceu 4,5% em relação a 2013.

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    “Muito preocupante quando os adultos veem na exploração da mão de obra de crianças e adolescentes para superar problemas financeiros em suas casas”, adverte Rogério. “A situação pode piorar ainda mais com esse governo golpista que é extremamente contra os interesses da juventude”.

    Segundo o sindicalista, “é necessário intensificar os trabalhos para mudar a mentalidade obsoleta de que criança é um adulto em miniatura e não um ser em desenvolvimento”. Muito importante, diz ele, proporcionar condições para a infância e a juventude ter um desenvolvimento pleno”.

    Pare ele, o trabalho infantil deve ser extirpado. “É fundamental o Estado brasileiro ampliar as políticas públicas em defesa da criança e do adolescente para que tenham um desenvolvimento saudável e em segurança, além de ser importante para o desenvolvimento do país que as crianças possam se dedicar aos estudos".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Educação sexual nas escolas ajuda o combate à pedofilia, diz Joanna Maranhão

    A nadadora pernambucana Joanna Maranhão conta em entrevista à repórter Renata Mendonça, da BBC Brasil, como superou o abuso sexual que sofreu aos 9 anos. Na qual, a atleta defende educação sexual nas escolas para prevenir ações de pedófilos.

    A denúncia feita por ela em 2012, contra seu ex-treinador, resultou na Lei 12.650/2012 - batizada de Lei Joanna Maranhão -, que altera o Código Penal e, a partir de então, a prescrição de crime de abuso sexual, começa a contar somente quando a vítima completa 18 anos e não a partir de quando ocorreu a ação criminosa.

    A nadadora que disputa sua quarta olimpíada no Rio de Janeiro, aos 29 anos, criou em 2014 a ONG Infância Livre para apoiar crianças que sejam molestadas sexualmente na região da Grande Recife, onde ela reside atualmente.

    Em sua ONG ela diz receber "muitas mensagens com relatos de vítimas de abuso”. Para ela, "mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola".

    "Uma pessoa com o destaque que tem a Joanna Maranhão, defender a inclusão de educação sexual nos currículos escolares é importante para mostrar a necessidade de se levar para dentro das escolas o debate sobre as questões de gênero, tanto para as meninas quanto para os meninos", diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a escola tem que ser plural. Precisa ter um olhar amplo sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo”. Por isso, “nós defendemos que a escola forme cidadãos e cidadãs plenamente, com uma pedagogia voltada para o respeito e para a igualdade”.

    Mas a educadora ressalva que não adianta querer ensinar a anatomia do corpo humano, em vez de “debater tudo o que envolve a sexualidade humana e levar para as crianças e jovens informação adequada sobre tudo o que se relaciona com os seus corpos e de como enfrentar os problemas do desenvolvimento humano”.

    Ela defende que os currículos contenham todos os assuntos que afetam a infância e a juventude, "ensinando-os a estarem preparados para enfrentar a vida com a disposição necessária".

    Para evitar que aconteçam violências como o caso de Joanna, Marilene defende que é fundamental “romper o tabu de a escola não poder dialogar com as crianças e jovens sobre tudo o que se relaciona com a vida delas, inclusive para precaver ações de pedófilos”.

    “A família cumpre um papel importante na educação e proteção dos filhos, mas é na escola que crianças e jovens têm a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial, desde que a educação tenha o compromisso de ensinar os alunos a trilhar os caminhos dos avanços que a humanidade requer”, reforça Marilene.

    Leia a entrevista na íntegra aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: CBDA SSPress

  • Educação sexual nas escolas pode prevenir violência contra as mulheres, defende Unesco

    A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil reafirmou nesta terça-feira (7) seu compromisso com a garantia dos direitos das mulheres e da população LGBT, posicionando-se de forma contrária a toda forma de discriminação e violação dos diretos humanos em qualquer circunstância e, em especial, em espaços educativos.

    “As desigualdades de gênero, muitas vezes evidenciadas pela violência sexual de meninas, expõem a necessidade de salvaguardar marcos legais e políticos nacionais, assim como tratados internacionais, no que se refere à educação em sexualidade e de gênero no sistema de ensino do país”, diz comunicado da Unesco.

    A entidade baseia-se nos alarmantes índices de violência contra as mulheres no país e em recentes acontecimentos com estupros coletivos, principalmente o ocorrido no Rio de Janeiro, no qual mais de 30 homens estupraram uma menina de 16 anos.

    Por isso, para a Unesco no Brasil, é essencial aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero no país. “Aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade”.

    Recentemente a nadadora Joanna Maranhão defendeu em entrevista à BBC Brasil a inclusão de educação sexual nos currículos escolares como forma de se coibir a pedofilia. Para ela, "É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola". Joanna sofreu abuso sexual na infância e criou a ONG Infância Livre para combater essa prática.

    Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e secretária da Mulher da CTB-BA acredita que “a escola tem que ser plural. Precisa ter um olhar amplo sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo”. Por isso, “nós defendemos que a escola forme cidadãos e cidadãs plenamente, com uma pedagogia voltada para o respeito e para a igualdade”.

     todas sangrando

    Porque isso, “orienta as crianças sobre algo que elas ainda não são capazes de entender sozinhas e, portanto, não sabem lidar", afirma Isis Tavares, presidenta da CTB-AM. "Esse tipo de orientação para crianças e adolescentes nas escolas deve ser abordado com base na biologia e na psicologia, levando em conta a afetividade e questões sobre a cidadania, tudo de modo interligado para possibilitar o conhecimento pleno e sem tabus", complementa.

    “Isso se torna ainda mais importante uma vez que a educação é compreendida como processo de formar cidadãos que respeitem às várias dimensões humanas e sociais sem preconceitos e discriminações”, diz a Unesco.

    A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Camila Lanes, defende que a educação deva ser compreendida com uma área estratégica em qualquer país e, portanto, sirva para disseminar o saber, voltado para o respeito ao ser humano, às diferenças” e, assim, “combater todas as formas de violência, ódio e discriminação”.

    Ela lembra inclusive que no ano passado o tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". O que provocou a fúria dos setores reacionários da sociedade, principalmente porque muitas meninas retrataram casos reais (leia aqui).

    Em todos os seus documentos, a Unesco defende que “estratégias de educação em sexualidade e o ensino de gênero nas escolas é fundamental para que homens e mulheres, meninos e meninas tenham os mesmos direitos, para prevenir e erradicar toda e qualquer forma de violência, em especial a violência de gênero”.

    Com diz, Ivânia Pereira, secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, “não existe sociedade democrática sem a participação efetiva das mulheres na construção de uma civilização que respeite os direitos de todos e todas dialogarem e se posicionarem sem medo de serem felizes”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: Gabo Morales/Acnur

  • Encontro sobre diversidade social cria Coletivo LGBT e propõe uma secretaria na CTB

    O Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social que ocorreu entre os dias 18 e 20, no Rio de Janeiro, trouxe importantes novidades para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entre as novidades está a criação do Colevito LGBT. Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da central, afirma que a criação do coletivo significa um “importante avanço para o movimento sindical”.

    Para ele, a CTB “dá um passo importante para abranger essas pessoas tão discriminadas pelo mercado de trabalho”. Além de incluir os LGBTs no mundo do trabalho, Nunes defende o combate a todas as formas de violência e discriminação.

    “Quanto mais espaços para a diversidade, mais possibilidades de acabar com o assassinato de transexuais e travestis no país”, reforça. Já que pesquisa da Transgender Europe coloca o Brasil na incômoda posição de campeão da violência contra as pessoas trans.

    De acordo com o levantamento entre 2008 e 2016 foram assassinados 900 trans no país, num total de 2.016 no mundo. Ou seja, “o Brasil responde por 46,7% dos homicídios registrados de pessoas trans em todo o mundo”, afirma Gabriela Loureiro, da BBC Brasil (leia a íntegra da reportagem aqui).

    Informações do Disque 100 (serviço para denúncias de violações dos direitos humanos) mostram que em 2015 foram registradas 1.983 ligações denunciando violência contra trans, um crescimento de 94% em relação a 2014, quando ocorreram 1.024. A maioria das denúncias referem-se a casos de discriminação (53%), já 25% são de violência psicológica, 11% de agressões físicas e 2% outros.

    "Nós precisamos enxergar com muita importância e respeito a diversidade. Afinal, defendemos e lutamos por  uma sociedade que valorize as diferentes expressões humanas. Assim, considero que demos um passo importante na nossa organização, sobretudo diante da tarefa de valorizar os segmentos de LGBT como lésbicas, gays, mulheres e homens bissexuais, travestis e mulheres e homens trans", fala Adilson Araújo, presidente da CTB.

    Por isso, o coletivo vai se reunir em breve para elaborar proposta de “criação da Secretaria LGBT como uma forma de ampliar o leque de luta por igualdade em nosso país”, define Nunes. A proposta deve ser encaminhada ao congresso da CTB, que ocorre em agosto do ano que vem.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Alexandra Reichart

  • Estudo sobre queda no desmatamento da Amazônia desmente Temer

    O engenheiro florestal Paulo Barreto, um dos autores do estudo sobre o desmatamento na Amazônia, desmente o discurso que o presidente ilegítimo Michel Temer fez na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (19).

    "Os dados que o Imazon (instituto de pesquisa sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia) mede mensalmente podem indicar uma tendência. Portanto, é possível que o desmatamento caia. Mas não podemos dizer 20% porque não temos a precisão que essa afirmação exige", afirma Barreto à BBC Brasil.

    "Trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos", disse Temer na ONU.

    De acordo com Barreto, a informação apresentada por Temer não é oficial. “Os dados do governo ainda não foram divulgados e parece que o presidente está comparando dados oficiais do ano passado com os nossos, de agora, sendo que as metodologias são totalmente diferentes". Para ele, "o governo está fazendo coisas que vão gerar aumento futuro no desmatamento".

    Rosmarí Barbosa Malheiros, secretária de Defesa de Meio Ambiente e Saneamento, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), ataca os projetos do governo federal porque “prejudicam a agricultura familiar e a população mais pobre do campo e da cidade”.

    Além de “não dar nenhuma importância ao desenvolvimento de uma economia sustentável, visando o bem-estar de todas e todos”, diz. Com isso, “a tendência é de aumentar e muito a degradação do meio ambiente no país todo, mas principalmente na Amazônia e suas riquezas naturais”.

    Tanto que ocorreu nesta terça, em Brasília, um seminário sobre as políticas socioambientais do governo com a participação do movimento #resista - que reúne cerca de 150 entidades ambientalistas, do campo, indígenas e de direitos humanos. “Nós queremos o fim dos projetos que acabam com as limitações para a exploração de nossas terras, seja por mineradoras, madeireiras ou outras empresas”, diz Malheiros.

    Confira o manifesto do #resista aqui.

    A manifestação em defesa da Amazônia e do meio ambiente aconteceu na Praça dos Três Poderes, justamente para “protestar contra o discurso falacioso de Temer que tentou passar a impressão de que a agenda socioambiental está melhorando no Brasil. Na realidade, os dados mostram que “o desmatamento na Amazônia aumentou 58% em 2016” afirma a secretária da CTB.

    “O Congresso Nacional aprova leis que só atendem aos interesses do capital, incentivando o desmatamento e a destruição da biodiversidade. Nós, da agricultura familiar, temos experiências interessantes que comprovam que é possível sim produzir alimentos de forma sustentável, preservando o meio ambiente e sua biodiversidade, além de gerar desenvolvimento para o território e renda para a sua população”, explica Malheiros, que também é secretária de Meio Ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Beto Barata/Presidência da República

  • Mc Carol, negra, gorda e funkeira vira sex symbol, a favela na São Paulo Fashion Week

    MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Nadadora olímpica, Joanna Maranhão é vítima de intolerância e ódio em São Paulo

    Prestes a representar o Brasil em sua quarta olimpíada, no Rio de Janeiro, a medalhista olímpica Joanna Maranhão sofreu uma agressão misógina (ódio às mulheres) e de intolerância na capital paulista. A nadadora pedalava pelas ciclovias da cidade quando o fato ocorreu.

    Ela explica que “foi obrigada a parar na ciclovia porque mais uma vez um carro estava estacionado em frente ao restaurante Crystal (uma pizzaria de gente rica). Então pedi ao motorista que tirasse seu veículo pois ali era proibido para carros”.

    Foi quando o rapaz respondeu: “Você vai esperar ter vaga no estacionamento. Tá achando que isso é o problema do país? Vagabunda petista”.

    joanna maranhao odio petista

    “Quem me conhece sabe que sou sangue quente, mas a agressividade desse jovem me pegou tão de surpresa, que eu fui embora e comecei a chorar. Triste situação, triste realidade, maldita polarização”, relatou, em sua rede social.

    No ano passado, Joanna sofreu ataques cibernéticos quando postou vídeo dispensando a torcida dos deputados federais que votaram a favor da redução da maioridade penal (leia e assista o vídeo aqui).

    Também ironizou os "paneleiros" quando o senador Aécio Neves (PSDB) foi acusado na Lava Jato e ninguém bateu panela (leia).

    Em entrevista recente à BBC Brasil, a atleta defendeu a inclusão de educação sexual nas escolas como forma séria de se combater a pedofilia (acesse aqui e saiba mais). Joanna diz ter superado há pouco uma depressão, causada por violência sexual sofrida na infância por um técnico de natação. Ela só teve coragem de denunciar o agressor em 2012, aos 21 anos.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências

  • Negra, gorda e funkeira vira sex symbol e a favela invade a São Paulo Fashion Week

    MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", disse MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que se excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Negra, gorda e funkeira vira sex symbol, a favela invade a São Paulo Fashion Week

    MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O mercado de trabalho capitalista descarta as mães, comprova pesquisa

    Publicada pela BBC Brasil, na reportagem “Por que ter filhos prejudica mulheres e favorece pais no mercado de trabalho”, nesta quinta-feira (17), a pesquisa “Como famílias de baixa renda em São Paulo conciliam trabalho e família?”, feita pelo Insper (uma instituição de ensino superior e pesquisa), na periferia da capital paulista comprova o dado cruel: o mercado de trabalho não contrata mulheres que têm filhos.

    O levantamento feito em 2012, foi publicado recentemente em uma revista científica e mostra “a discriminação sofrida pelas mães num mercado de trabalho machista e perverso”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A pesquisa foi feita com 700 moradores de 30 bairros da periferia paulistana, com pelo menos um filho de até 6 anos. Constatou-se que 38% das mulheres casadas que não trabalhavam gostariam de estar empregadas. Pior ainda, praticamente a metade delas reclamou de não ter onde deixar os filhos e por isso serem rejeitadas nos empregos que procuravam.

    Além de serem discriminadas pelo mercado de trabalho, “a falta de creche para que as mães possam deixar seus filhos e filhas em locais de confiança é um dos maiores problemas enfrentado pelas mulheres trabalhadoras”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

    Entre as mulheres separadas, 43%, estava sem emprego na época da pesquisa, 24% disseram não encontrar trabalho e 23% reclamaram não ter acesso a creche ou escola para os filhos. A maioira relata falta de vontade de contratação dos empregadores.

    A maquiadora Thaa Rodrigues, que tem dois filhos, conta à repórter Camilla Veras Mota, da BBC que recebeu um sonoro não em uma entrevista de emprego em uma loja no bairro do Brás, quando disse que tinha dois filhos e era separada. "Em geral, depois do 'Quantos filhos você tem?', eles perguntam, 'mas você é pelo menos casada, não é?'", diz Rodrigues às BBC.

    Para Pereira, essa questão é mais comum do que se imagina porque “o capital quer a reprodução da força do trabalho para manter um exército de reserva e dessa forma deixar a mão de obra com custo baixo, mas a reprodução humana é altamente castigada”.

    casal e crianca

    Madalozzo revela também que boa parte dos homens entrevistados percebe uma certa valorização no trabalho com a chegada do primeiro filho. “De forma geral, eles afirmam que a paternidade os fez mais responsáveis e que os patrões perceberam e os recompensam por isso", explica a pesquisadora.

    A especialista em planejamento financeiro Sonia Tomiyoshi, conta à revista Crescer que foi recusada em um processo seletivo de uma empresa por ser mãe. Ela conta que depois de dois meses e aprovada em todas as etapas do processo recebeu uma ligação lhe agradecendo.

    Segundo ela, a pessoa disse não ter “dúvidas de que eu era a melhor candidata e faria um bom trabalho, mas que infelizmente a diretoria não me contrataria por ter dois filhos pequenos”.

    O fato acontece porque “a cultura patriarcal reforça a ideia de que homens com filhos não fazem greve, não defendem seus direitos, devido às maiores responsabilidades”, argumenta Branco.

    Além do mais, complementa ela, “de uma maneira geral é responsabilidade da mãe que cuida das crias, é a mãe que falta ao trabalho quando o filho fica doente, enquanto o pai fica mais firme no trabalho para prover o lar”.

    A pressão sobre as mulheres é tamanha que “existem fábricas que exigem que mostrem o absorvente menstruado para comprovar que não estão grávidas”, conta Pereira. “Exigem que não seja casada, que não tenha namorado”.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB nacional, Pereira, diz que o preconceito é tão incutido, inclusive nas mulheres, que os homens participantes do Curso de Paternidade Responsável do Sindicato dos Bancários de Sergipe reclamaram no sindicato que suas companheiras não confiavam neles para cuidar de seus bebês. A solução encontrada foi “fazer o curso para os casais e acabar com essa desconfiança”, conta ela.

    Branco lembra ainda que “as mulheres recebem quase 30% a menos que os homens e são as primeiras a serem demitidas e as últimas a conseguir recolocação no mercado de trabalho. Além de existirem pouquíssimas mulheres em cargos de chefia tanto o setor público quanto no privado”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Para 95% da população, o Brasil está no rumo errado, revela pesquisa

    Falta pouco para o presidente Michel Temer conquistar a unanimidade contra o seu governo. A pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, mostra que 95% da população acredita que o país está no rumo errado.

    "Não vemos nenhuma fagulha de esperança por parte da população quanto à melhora nos rumos do país", diz o responsável pelo estudo, Danilo Cersosimo, à BBC Brasil. Isso aparece na rejeição ao governo Temer, avaliado como ruim ou péssimo por 84% dos pesquisados.

    Para Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “esses dados revelam que a maioria já percebeu a canoa furada que o país embarcou após o impedimento da ex-presidenta Dilma Rousseff”.

    Para ele, “com esse projeto de desenvolvimento, voltado para os interesses de poderosos grupos financeiros, não poderia dar outro resultado. O povo rejeita retrocessos". O sindicalista argumenta também que "a recessão faz o índice de desemprego disparar e ainda temos as reformas trabalhista e previdenciária que acabam com os sonhos da classe trabalhadora”.

    "Ocorre uma enorme desvalorização do trabalho", diz Nunes, "o que acarretam cortes em investimentos nas áreas sociais, com educação e saúde, a tendência é a vida dos brasileiros e brasileiras piorar e a esperança de futuro digno desaparece”.

    Já a economista Monica de Bolle, afirma que "este governo é formado por gente que sempre esteve muito afastada do dia a dia do brasileiro comum. O governo Dilma tinha vários defeitos, mas havia muita gente em cargos técnicos e de assessoria que entendia o que é ser de classe média baixa no Brasil. Este governo não tem isso. É um governo que vêm da elite da elite".

    Além de reprovarem os rumos do governo ilegítimo de Temer, 93% o desaprovam, segundo a pesquisa. Isso porque "desde o impeachment, o Brasil está paralisado” e “o clima é de desesperança generalizada", conclui Cersosimo.

    “Na verdade, o Brasil está afundando porque a base do governo golpista não dá ouvidos ao povo que deseja Diretas Já”, reforça Nunes.

    O levantamento entrevistou 1.200 pessoas, em 72 municípios, em todas as regiões do país, de 1º a 13 de junho. A margem de erro é de três pontos percentuais.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Sehii Lohvyniuk

  • Para especialistas da ONU, austeridade de Temer aprofunda as desigualdades

    "Pessoas em situação de pobreza e outros grupos marginalizados estão sofrendo desproporcionalmente por causa de medidas econômicas austeras num país que já foi considerado um exemplo de políticas progressistas para reduzir a pobreza e promover a inclusão social", diz um comunicado assinado especialistas em Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Assinam o texto Juan Pablo Bohoslavsky (Argentina), Léo Heller (Brasil), Ivana Radačić (Croácia), Hilal Elver (Turquia), Leilani Farha (Canadá), Dainius Pūras (Lituânia) e Koumbou Boly Barry (Burkina Faso).

    Esse documento foi divulgado nesta sexta-feira (3) pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH). Os sete estudiosos que assinam o comunicado lembram que o Brasil já foi destaque no combate à miséria e às desigualdades.

    “O Bolsa Família chegou a atender mais de 13 milhões de famílias e a Política de Valorização do Salário Mínimo sustentou a economia brasileira por muitos anos durante os governos de Lula e Dilma”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. "E ainda querem acabar com a aposentadoria".

    “Aos poucos”, diz ela, “Temer vai exterminando todos programas sociais que impulsionaram o desenvolvimento com distribuição de renda, mesmo que timidamente, e o país, inclusive já retornou ao Mapa da Fome da ONU”.

    Os especialistas citam a proposta de liberação de uso indiscriminadamente de agrotóxicos “revertendo suas políticas para segurança alimentar" e pondo em risco a vida das pessoas para obterem lucros sem grandes investimentos na produção agrícola. Vânia cita ainda os cortes nos programas de agriculttura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos.

    Mencionam também a questão da moradia como um dos mais graves problemas brasileiros. “O fim do Minha Casa, Minha Vida para os mais necessitados é um verdadeiro crime contra a nação”, argumenta Vânia.

    Entram na crítica da ONU os cortes em investimentos nas áreas de saneamento e acesso à água. O governo de Michel Temer entregar o saneamento e à água” para “as multinacionais que tratam a água como mera mercadoria, sem se preocupar com a qualidade da vida das pessoas”, diz Rosmarí Malheiros, Secretária de Meio Ambiente da CTB.

    Nenhuma política devastadora do governo golpista escapa dos especialistas da ONU. Eles atacam a Emenda Constitucional (EC) 95, que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais e os salários de servidores públicos.

    “A EC 95 liquida com a possibilidade de melhoria da educação pública e visa acabar com o SUS (Sistema Único de Saúde), única maneira que as classes menos favorecidas têm de atendimento médico seguro”, acentua Vânia.

    Já Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais, lembra que essa emenda está tirando a disposição da juventude em ingressar no magistério, porque “não há nenhum atrativo e ainda corre-se o risco de forte censura à atividade de lecionar”.

    Outro problema muito sério é o crescimento da mortalidade infantil após 26 anos sucessivos de queda nesse índice. De acordo com a Fundação Abrinq entre 2015 o 2016, o número de mortes de crianças passou de 5.595 para 6.212.

    Isso porque, segundo os especialistas, “mulheres e crianças em situação de pobreza estão entre os mais impactados, assim como afro-brasileiros, populações rurais e pessoas morando em ocupações informais”.

    Portanto, para eles, "atingir metas macroeconômicas e de crescimento não pode ocorrer às custas de direitos humanos: a economia é serva da sociedade, e não sua senhora".

    O Ministério das Relações Exteriores, divulga nota defendendo a austeridade. "O ajuste das contas públicas tem-se mostrado fundamental para a manutenção e aprimoramento das políticas sociais, entre as quais o programa 'Bolsa Família', o Benefício de Prestação Continuada, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água da Chuva e outras Tecnologias Sociais e a Política de Microcrédito Produtivo Orientado", diz a nota.

    “O Brasil retrocedeu décadas nesses dois anos de governo golpista”, sintetiza Vânia. “A reforma trabalhista, a do ensino médio, os cortes nas pesquisas científicas e a entrega das riquezas nacionais aprofundam a crise”, além disso, “a austeridade deixa os ricos mais ricos e transforma os pobres em miseráveis. Até quando?”

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da BBC Brasil

  • Para especialistas existe relação direta entre estabilidade no emprego e produtividade

    A matéria “Por que o medo de ser demitido prejudica a produtividade do funcionário a longo prazo”, publicada pela BBC Brasil trouxe à baila uma importante discussão à cerca do aprofundamento da crise econômica no Brasil e o desemprego galopante.

    Já são mais de 15 milhões de desempregados, boa parte constituída por jovens. Soma-se a isso, a aprovação da reforma trabalhista e o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O medo de ser demitido aumenta substancialmente em períodos de grande desemprego, fazendo com que trabalhadores e trabalhadoras se sujeitem a toda forma de opressão”, diz Elgiane Lago, secretária da Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista lembra que o desemprego freia inclusive as denúncias de assédio moral e sexual no mundo do trabalho e “certamente isso adoece mais as pessoas”. De acordo com ela, o medo de perder o emprego inclusive cria “desmotivação para o trabalho”.

    Luiz Carlos Fadel, pesquisador do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, vai no mesmo rumo de Lago. “A reforma trabalhista vai agudizar ainda mais essa situação, porque manter-se no emprego pode ficar tão difícil que as pessoas se submeterão a qualquer condição para não ficar sem trabalho”.

    Para o especialista em medicina do trabalho, o desemprego crescente e a insegurança que a reforma trabalhista trará “acarretarão problemas sérios de saúde mental e problemas vasculares. O ser humano não existe para viver sobre pressão constante, precisamos de válvula de escape”.

    O especialista William Schiemann, chefe do grupo Metrus, nos Estados Unidos, afirma à BBC que “é um tiro pela culatra quando empresas usam a segurança no emprego como um graveto, em vez de uma cenoura, porque os funcionários perdem o sentimento de compromisso”.

    “Eu tenho percebido campanhas para incentivar a denúncia de assédios sexuais e morais no trabalho, mas realmente infelizmente a falta de oferta de emprego e a situação econômica no país acaba sujeitando as mulheres a passarem por esses constrangimentos”, diz Lago.

    Certamente, diz ela, “isso afeta muito a saúde mental da trabalhadora porque além de trabalhadora ela é mulher, mãe e esposa”. Por isso, “temo muito pela regularização da reforma trabalhista que vai afetar terrivelmente a qualidade de vida da classe trabalhadora, levando as pessoas a uma carga de estresse ainda mais insuportável”.

    Tinne Vander Elst, uma psicóloga organizacional da Universidade de Leuven, na Bélgica conclui que "há uma relação entre insegurança com o trabalho, níveis mais baixos de performance e de comportamento inovativo e mais comportamentos de bullying e rotatividade real".

    Fadel concorda com a cetebista gaúcha e acrescenta que “o crescimento do adoecimento de quem trabalha vai ficar invisibilizado porque com a quebra do vínculo trabalhista, as pessoas terão onde notificar o seu caso”.

    Para ele, “os planos de saúde não farão essa notificação e o Sistema Único de Saúde (SUS) tão pouco”. Fadel argumenta que a situação pode ficar tão ruim que “a indústria farmacêutica vai ganhar muito dinheiro, se as pessoas tiverem dinheiro para se medicar”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Ilustração: Arte/UOL

  • Para Joanna Maranhão, educação sexual nas escolas ajuda o combate à pedofilia

    A nadadora pernambucana Joanna Maranhão conta em entrevista à repórter Renata Mendonça, da BBC Brasil, como superou o abuso sexual que sofreu aos 9 anos. Na qual, a atleta defende educação sexual nas escolas para prevenir ações de pedófilos.

    A denúncia feita por ela em 2012, contra seu ex-treinador, resultou na Lei 12.650/2012 - batizada de Lei Joanna Maranhão -, que altera o Código Penal e, a partir de então, a prescrição de crime de abuso sexual, começa a contar somente quando a vítima completa 18 anos e não a partir de quando ocorreu a ação criminosa.

    A nadadora que disputa sua quarta olimpíada no Rio de Janeiro, aos 29 anos, criou em 2014 a ONG Infância Livre para apoiar crianças que sejam molestadas sexualmente na região da Grande Recife, onde ela reside atualmente.

    Em sua ONG ela diz receber "muitas mensagens com relatos de vítimas de abuso”. Para ela, "mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola".

    "Uma pessoa com o destaque que tem a Joanna Maranhão, defender a inclusão de educação sexual nos currículos escolares é importante para mostrar a necessidade de se levar para dentro das escolas o debate sobre as questões de gênero, tanto para as meninas quanto para os meninos", diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Isso é importante, porque orienta as crianças sobre algo que elas ainda não são capazes de entender sozinhas e, portanto, não sabem lidar", afirma Isis Tavares, presidenta da CTB-AM. Para ela, "esse tipo de orientação para crianças e adolescentes nas escolas deve ser abordado com base na biologia e na psicologia, levando em conta a afetividade e questões sobre a cidadania, tudo de modo interligado para possibilitar o conhecimento pleno e sem tabus", complementa.

    Para Marilene, “a escola tem que ser plural. Precisa ter um olhar amplo sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo”. Por isso, “nós defendemos que a escola forme cidadãos e cidadãs plenamente, com uma pedagogia voltada para o respeito e para a igualdade”.

    Mas a educadora ressalva que não adianta querer ensinar a anatomia do corpo humano, em vez de “debater tudo o que envolve a sexualidade humana e levar para as crianças e jovens informação adequada sobre tudo o que se relaciona com os seus corpos e de como enfrentar os problemas do desenvolvimento humano”.

    Ela defende que os currículos contenham todos os assuntos que afetam a infância e a juventude, "ensinando-os a estarem preparados para enfrentar a vida com a disposição necessária".

    Para evitar que aconteçam violências como o caso de Joanna, Marilene defende que é fundamental “romper o tabu de a escola não poder dialogar com as crianças e jovens sobre tudo o que se relaciona com a vida delas, inclusive para precaver ações de pedófilos”.

    “A família cumpre um papel importante na educação e proteção dos filhos, mas é na escola que crianças e jovens têm a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial, desde que a educação tenha o compromisso de ensinar os alunos a trilhar os caminhos dos avanços que a humanidade requer”, reforça Marilene.

    Leia a entrevista na íntegra aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: CBDA SSPress