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Dom, Jun

Cidade do México

  • O punho cerrado era o gesto característico de protesto dos Panteras Negras

    Neste mês faz 50 anos que surgiu o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, nos Estados Unidos, para reunir e representar os negros e negras que desejavam o fim das diferenças. “Organizou-se fortemente e cresceu rápido por colocar a luta racial no contexto da luta de classes”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    De acordo com o historiador Augusto Buonicore, o grupo “desde o início, adotou o marxismo como referência teórica da sua ação e logo se transformou no inimigo público número um do FBI (a polícia federal norte-americana)”.

    Isso porque os Panteras Negras acreditavam no confronto com os racistas para construir uma sociedade socialista, portanto, sem classes e sem discriminações. “Eles foram a primeira tentativa mais avançada de organização dos afro-americanos para a construção de uma nação mais solidária e justa e bem no centro do império do capitalismo”, afirma Custódio.

    "Panteras Negras: todo poder ao povo" (1997), de Lee Lew-Lee 

    O partido nasceu no meio de um forte acirramento das lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Nasceram como uma radicalização do movimento pacifista liderado pelo grande herói Martin Luther King (1929-1968), tão importante quanto os Panteras no combate ao racismo. 

    “O Black Panther Party (Partido dos Panteras Negras) se tornou referência obrigatória para todos os movimentos contra o racismo e pelos direitos civis da população negra ao redor do mundo pela postura contestadora, combativa e pela extrema preocupação com a formação teórica e política da militância e de constituição dos seus núcleos de atuação espalhados nos Estados Unidos, mas em permanente articulação com povos oprimidos do mundo”, afirma Ângela Guimarães, presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro).

    Para mostrar a diferença essencial entre o que os Panteras Negras defendiam e os seguidores de Luther king, Bobby Seale, presidente do partido, diz que “embora os Panteras Negras acreditem no nacionalismo negro e na cultura negra, eles não acreditam que levarão à liberdade negra ou à derrubada do sistema capitalista, e são, portanto, ineficientes”.

    Luther King seria assassinado cerca de 1 ano e meio após a criação do movimento dos Panteras, em 4 de abril de 1968. Inicialmente liderado por Malcolm X (assassinado em 21 de fevereiro de 1965), o grupo se notabilizou e ganhou inúmeros adeptos rapidamente.

    Tão famosos ficaram que os atletas velocistas dos 200 metros rasos, Tommie Smith (medalha de ouro) e John Carlos (medalha de bronze) na Olimpíada da Cidade do México em 1968, após receberem a medalha levantaram os punhos cerrados (como na foto abaixo), manifestação característica deles.

    panteras negras 1968

    Esse símbolo também foi adotado pelo jogador Sócrates (1954-2011) na comemoração de seus gols relembrando os Panteras e em protesto contra a ditadura brasileira, vigente na época em que ele atuou pelo Corinthians (veja foto abaixo). O centroavante do Atlético Mineiro, Reinaldo coemorava seus gols com o mesmo gesto e os mesmos motivos. Dizem alguns estudiosos que ele foi cortado da seleção brasileira por isso.

    socrates faz a tradicional comemoracao de gol depois de ajudar o corinthians a fazer 3 a 1 sobre o sao jose no parque antarctica pelo campeonato paulista de 1983 1315269166866 1920x1080

    “Neste momento onde há uma crise profunda do capitalismo no mundo acompanhada do recrudescimento do racismo e sexismo e os ideais dos Panteras materializado no seu programa torna-se ainda mais atual e necessário”, argumenta Guimarães.

    Mulheres negras e o feminismo

    Cientes da necessidade de propagar as suas propostas, criaram em 1967 a publicação semanal “The Black Panther”, que parou de circular em 1971, depois de 4 anos. “De um grupo exclusivamente masculino, ele logo passou a aceitar o ingresso de mulheres, que chegaram a representar mais da metade da militância”, diz Buonicore.

    “A militância feminina dos Panteras Negras marcou definitivamente o movimento feminista ajudando a colocar na pauta a questão das mulheres negras”, afirma Custódio. Uma das mais importantes militantes é Angela Davis, que tem seu livro “Mulher, raça e classe”, que ganhou recentemente tradução inédita em português.

    mulher raca classe angela davis

    Para ela essa é uma das heranças fundamentais para a luta das mulheres negras em todo mundo, deixada pelos Panteras. “O movimento feminista tinha dificuldade de entender as questões específicas das mulheres negras”, reforça.

    Outro fato importante, segundo a cetebista, é inserir a questão da igualdade racial no âmbito da luta de classes. “Interessante os Panteras defenderem a superação do capitalismo para atingirmos uma sociedade realmente igualitária, onde todos sejam respeitados”.

    Já Guimarães afirma que “a radicalidade em contestar a violência racial, mas sobretudo em situá-la como parte de uma violência sistêmica do capitalismo situou os Panteras como um dos movimentos-referência para as lutadoras e lutadores antirracismo de todo o mundo e para a Unegro os Panteras Negras são fontes permanentes de estudo, admiração e referência”.

    Custódio lembra ainda que coube aos Panteras Negras ressaltar as espeficidades da “beleza negra, ainda hoje renegada pelos eurocentristas, para quem só há beleza na tez branca, cabelos lisos e olhos claros”. Os Panteras Negras “fizeram muito bem, assumindo os cabelos black e os traços de sua negritude, mostrando toda a beleza do povo negro”, afirma Custódio.

    Os Panteras Negras existiram até 1989, após perda de militantes e penetração popular. Mas seus ideais permanecem nos corações e mentes de milhares de pessoas em todo o mundo. “A luta pela emancipação dos negros e negras se espalhou pelo mundo e isso ninguém tira de nós”, sintetiza.

    Para ela, “os Panteras deram uma contribuição fundamental para a compreensão de que a luta antirracista é uma das facetas da luta de classes, porque o racismo foi forjado para oprimir uma parcela substancial da humanidade”.

    Por isso, diz ela, “é importante a valorização dos 50 anos dos Panteras Negras e tudo o que eles somaram para a compreensão da necessidade de avançarmos para a superação do capitalismo e a construção de um mundo onde prevaleça a igualdade, a liberdade e o respeito”.

    Afinal, “lutar contra o racismo é lutar pela emancipação da humanidade”, conclui Custódio. “O legado que os Panteras deixaram é tão essencial para a superação da conjuntura atual que pode ser comprovado com a apresentação da Beyoncé (cantora negra norte-americana) no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos), onde fez referência direta aos Panteras Negras e causou frisson”.

    Assista a apresentação de Beyoncé para milhões de telespectadores (confira a tradução da letra aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Depois de provocar polêmica ao denunciar o golpe de Estado no Brasil, no Festival de Cannes, na França, em maio, o filme Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, não para de ganhar prêmios e a atriz Sonia Braga também vem abocanhando importantes troféus pelo mundo afora.

    A obra-prima de Mendonça Filho ficou em quarto lugar entre os melhores filmes do ano, no ranking da principal revista de cinema do mundo, a francesa Cahiers du Cinéma. Também entrou na lista do Top 10 do jornal norte-americano The New York Times. O importante crítico A. O. Scott o colocou em sétimo lugar.

    Ao fazer a apresentação da obra no Prêmio Fênix, na Cidade do México , o ator Wagner Moura, mais uma vez, denunciou a ditadura (assista vídeo abaixo) que se implanta no país e disse sentir orgulho da classe artística que sempre resistiu às ditaduras e ainda resiste.

    Wagner Moura apresenta Aquarius no Prêmio Fênix 

    Para ele, neste momento, Aquarius “sintetiza a resistência dos artistas à ditadura militar e, agora, ao que eu chamo o golpe político contra uma presidenta eleita”. Moura saiu do palco ovacionado e o filme levou os prêmios de melhor direção (Mendonça Filho) e melhor atriz (Sonia Braga).

    O jornal espanhol El País narra que “ao receber o Prêmio Fênix, limitou-se a dizer que seu país vive um momento ‘muito difícil’. No tapete vermelho, entretanto, brincava. Quando os fotógrafos gritavam “à direita!” para captar outro ângulo, respondia sorridente: “Nunca, eu não faço isso”.

    Com o ano quase acabando, mais uma premiação chegou nesta segunda-feira (12). Braga recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Cinema de San Diego, Estados Unidos.

    A revista norte-americana Rolling Stone, também listou Sonia Braga entre as melhores atuações do ano pelo papel da protagonista Clara no filme de Mendonça Filho. Parece que somente o Ministério da Cultura golpista não “viu” as qualidades de Aquarius.

    O filme nos leva a uma viagem incrível de sonhos, magia e cultura. Onde se vê claramente as nuances da luta de classes num país único como é o Brasil. Na resistência fica a esperança no futuro (leia mais aqui, aqui e aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Divulgação (cena do filme)

    Assista o filme completo 

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participa do 18º Congresso da Federação Internacional do Ensino (Fise), na Cidade do México, neste sábado (4) e domingo (5).

    “Diremos às educadoras e educadores de todo o mundo que não aceitaremos que retirem nossos direitos, pelo contrário, queremos avanços”, diz Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Já a organização do evento afirma que “o 18º Congresso da Fise será um congresso militante democrático que elegerá a nova liderança. Lá, vamos discutir sobre os sérios problemas dos trabalhadores na educação e decidiremos o plano de ação e o fortalecimento da Fise para os próximos cinco anos”.

    Uma das principais críticas à conjuntura se dá à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) - entidade europeia - que tenta determinar uma visão mercantilista da educação.

    Para os organizadores do evento, “o conteúdo da educação em todos os níveis está sendo adaptado à decisão da OCDE que quer que a educação seja uma mercadoria. Uma mercadoria que dá dinheiro”.

    Betros relata que o Ministério da Educação (MEC), do governo golpista de Michel Temer, também trata a educação como mercadoria e “pretende inicialmente privatizar as universidades públicas federais e o ensino médio”.

    De acordo em ela, essa será a mensagem da CTB no Congresso da Fise. Mas, “mostraremos que tem luta, e para resistir, precisamos de sindicatos fortes e atuantes nos locais de trabalho para esclarecer, conscientizar e mobilizar a classe trabalhadora”.

    Além do mais, complementa a sindicalista baiana, “o governo brasileiro reduz os investimentos na educação que estão congelados por 20 anos” e, para piorar, “prefeitos e governadores não respeitam nem a Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério”.

    Ela ressalta ainda que a reforma trabalhista causa mais prejuízos porque “os empresários da educação estão demitindo e efetuando contratos intermitentes ou terceirizando, deixando o que já era precário, ainda mais precarizado”.

    Por isso, reforça o texto da Fise, “é necessário acelerar e coordenar a ação dos sindicatos de professores. Defender a mão-de-obra, o salário, os direitos de segurança social em todos os níveis”.

    Para Betros o desafio de unir a classe trabalhadora e elevar a sua consciência política é um trabalho urgente do movimento sindical. “Precisamos mostrar, inclusive, que a melhoria dos níveis educacionais não se dá apenas no âmbito da luta educacional, mas também no enfrentamento à exclusão, à concentração de renda e às disparidades regionais e sociais, o que exige ações políticas e sociais articuladas”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) expressa seu apoio e solidariedade internacional com as vítimas do terremoto que atingiu o México na última terça-feira (19).

    CTB presta solidariedade às vítimas do furacão Irma e do terremoto no México

    O abalo sísmico de magnitude 7,1 na escala Richter deixou mais de 200 mortos e derrubou 45 edifícios em diferentes lugares da Cidade do México. O epicentro do sismo, localizou-se 12 quilômetros ao sudeste de Axochiapan, no estado de Morelos.

    Neste momento de dor, a CTB se solidariza com a população mexicana, os amigos e familiares das vítimas desta tragédia e se coloca ao lado do povo e do movimento sindical classista mexicano.

    Portal CTB 
    Foto: Osmar Torres - AFP 

  • A redução do limite de velocidade no trânsito tem incendiado os debates na campanha eleitoral de São Paulo. A medida, adotada pelo prefeito Fernando Haddad no ano passado, gerou polêmica imediatamente e agora é matéria-prima para a plataforma dos candidatos a prefeito.

    Dos cinco principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, apenas Haddad e Luiza Erundina (PSol) disseram que vão manter a redução e até aprimorá-la. Celso Russomanno (PRB) e Marta Suplicy (PMDB) prometeram revisar a medida. Com o slogan “Acelera SP”, o candidato João Doria (PSDB) já afirmou que irá aumentar os limites de velocidade no primeiro dia do seu mandato caso eleito.

    O El País acionou sua rede de correspondentes no mundo para saber qual é o limite de velocidade das principais capitais. A conclusão é que a redução do limite de velocidade é uma tendência inexorável. Em Nova York, por exemplo, há quase dois anos o limite na área urbana passou para 40 km/h e, em Londres, a máxima diminui para 32km/h em importantes avenidas da capital inglesa. Nas duas capitais os óbitos caíram. Em Santiago, por outro lado, houve aumento de 50 para 60 km/h do limite em 2002, e foi atestado um aumento de mortes no trânsito.

    A redução é apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que recomendou a adoção do limite de 50 km/h em áreas urbanas para diminuir os acidentes e melhorar o fluxo do trânsito nas cidades. De fato, em 2011, a Assembleia Geral da entidade lançou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. Uma série de medidas foi definida para que as vítimas de acidentes fatais no trânsito fossem reduzidas em todo o mundo. Entre elas, estava a o limite de velocidade de até 50 km/h para qualquer via urbana – sem distinção de tamanho ou capacidade. E, em áreas com grande movimentação de pedestres e ciclistas, a recomendação é de 30 km/h.

    Em São Paulo, a medida começou a ser adotada pela Prefeitura em julho do ano passado. De forma geral, o padrão adotado foi o mesmo estabelecido pela OMS. Em avenidas com cruzamentos, semáforos e circulação de pessoas, os limites foram reduzidos para 50 km/h. Nestas vias, radares de trânsito e guardas fiscalizam a velocidade dos veículos. Em grandes avenidas, sem semáforo ou cruzamento, como a 23 de Maio, que corta a cidade de Norte a Sul, os limites foram fixados em 60km/h.

    No caso específico das Marginais Pinheiros e Tietê – maiores vias de deslocamento da cidade –, existem três tipos de velocidades diferentes: 50 km/h nas “pistas locais”, que oferecem acesso a outras avenidas da cidade; 60 km/h nas “pistas centrais”, que são a ligação entre as pistas expressas e locais; 70 km/h nas “pistas expressas”, que não têm conexão direta com as vias da cidade. As duas marginais são fonte da maior parte das polêmicas da cidade. Segundo os críticos das medidas adotadas pela Prefeitura, as avenidas não deveriam ter entrado na redução do limite de velocidade por serem “vias expressas”. Apesar de grandes, contudo, elas estão dentro da mancha urbana e passam ao longo de inúmeros bairros da cidade.

    A Prefeitura defende a redução de velocidade com os dados de diminuição de mortes. Segundo estatísticas divulgadas pela Prefeitura de São Paulo e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no último ano houve uma queda de 20,6% no número de mortos em acidentes de trânsito. Pela primeira vez em dez anos, o número de acidentes fatais ficou abaixo dos 1.000. No caso específico das Marginais, a CET diz que na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e 2015, os acidentes caíram de 608 para 380 e de 27 fatais para nove.

    A crítica de muitos paulistanos, porém, foi o ônus que veio junto com a medida: as multas. Se a proposta é positiva por um lado, a mudança de hábito forçada – e com a falta de uma campanha de esclarecimento mais ostensiva, segundo alguns críticos – acabou irritando os motoristas. Fernando Haddad tornou-se alvo de desconfiança da população que entendeu o movimento do prefeito como uma tentativa de arrecadar recursos por meio de uma “indústria da multa”. De fato, mais que dobraram. No ano passado, entre agosto e dezembro, quando a nova regra já estava valendo, foram registradas 2,8 milhões de multas eletrônicas (registradas por radar) de excesso de velocidade. No mesmo período de 2014, quando o limite não era aplicado, a quantidade de infrações foi bem menor: 1,18 milhão, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

    A proposta acabou aumentando a fama negativa de Haddad, fartamente explorada na campanha eleitoral por seus adversários. Mas, se o próximo prefeito de São Paulo voltar atrás e aumentar as velocidades, estará se descolando da tendência global das grandes metrópoles. Aos poucos, a nova política tem ganho apoio, mas ainda divide a população. Segundo pesquisa Ibope divulgada no último dia 19, no ano passado, 43% dos paulistanos eram favoráveis à redução e 53%, contrários à medida. Neste ano, 47% se posicionaram a favor e 50% contra a redução. Leia aqui o relato dos correspondentes do El País sobre a política de velocidade urbana adotada em oito importantes metrópoles no mundo. Confira:

    Em novembro de 2014, a cidade de Nova York diminuiu o limite de velocidade nas ruas, que passou de 48 km/h para 40km/h. A medida é uma das implementadas pelo programa conhecido como Vision Zero. A ação está pensada principalmente para proteger os pedestres, já que a maioria dos acidentes com mortes na cidade é por atropelamentos. Um pedestre tem o dobro de possibilidades de sobreviver a um golpe de um carro a 40 km/h que a 48. Quando a nova legislação foi adotada, o total de mortos rondava 330 pessoas (em uma cidade de oito milhões).

    O limite dos 40 km/h cobre essencialmente 90% de todas as ruas nos cinco condados de Nova York. O limite de 48 km/h, em vigor desde 1995, se mantém para vias expressas e grandes avenidas que são consideradas artérias importantes do trânsito, como Queens Boulevard. Nestes casos se deve sinalizar que a velocidade é superior ao novo limite, assim como se faz nas zonas de colégios para indicar que é inferior a 40 km/h. (Por Sandro Pozzi)

    Na França o limite de velocidade nas ruas das cidades é de 50 km/h e de 30 km/h nas ruas de direção única. Nas vias de acesso aos aeroportos o limite é de 70 km/h e, em alguns casos, de 80km/h. Em 2005, a cidade de Grenoble começou a aplicar uma fórmula que se estendeu a várias outras: a velocidade nas ruas é de 30 km/h, salvo exceções que se aplicam a poucas avenidas e vias rápidas: 50km/h. Desde que Grenoble alterou o limite de velocidade, o número de acidentes na cidade caiu 65%, segundo a prefeitura. ( Por Carlos Yárnoz)

    Há mais de 15 anos, a cidade de Roma impôs medidas para limitar a circulação de veículos e de velocidade. Atualmente, o limite de velocidade urbana é de 50km/h, embora haja zonas, denominadas “ilhas ambientais”, em que o limite está restrito a 30km/h e outras, no centro, que o tráfego está proibido.

    No centro histórico, especialmente, a circulação de carros é restrita. Os 15 quilômetros estão reconhecidos como uma “Zona de Tráfego Limitado” e nela os carros só podem transitar quando autorizado – geralmente após as 18h30.

    Em parte devido a essas medidas, mas também como consequência de outros fatores como a melhora tecnológica dos carros, a criação do carnê por pontos e o aumento dos controles, os acidentes com mortes em Roma caíram 38% nos últimos 10 anos. ( Por María Salas Oraá)

    O tema da velocidade máxima nunca esteve presente na agenda de segurança das vias na Argentina. Em 2012, a cidade de Buenos Aires estabeleceu um novo regime de velocidades máximas, com dez limites diferentes segundo o tipo de veículo. Além disso, se determinou uma velocidade para as ciclovias. Nas ruas internas a máxima é de 40 km/h, mas em frente às escolas o limite é de 20 km/h e nas com ciclovia é de 30km/h. Nas avenidas, a velocidade máxima permitida para os carros é de 60km e para os ônibus, 50. Em algumas vias rápidas os veículos podem transitar a 70 km/h. As estradas urbanas variam de 80 a 100 km para carros e 90 para caminhões a ônibus. Já nas estradas fora da cidade, como as que levam ao aeroporto internacional ou a chamada Panamericana, o limite é de 130 km/h para os carros, 100 para os ônibus e 90 para caminhões. ( Por Federico Rivas Molina)

    Desde 2002, a velocidade máxima nas ruas de Santiago do Chile é de 60 quilômetros por hora e nas estradas é de 120 km/h. Antes disso, o limite da velocidade era menor: nas vias urbanas era permitido 50 km/h e nas estradas 100km/h. Um ano após o aumento do limite, houve um crescimento de 25% no número de mortes em acidentes de trânsito na cidade, segundo a Subsecretaria de Transportes de Santiago.

    Há um ano, o governo de Michelle Bachelet anunciou que tentaria baixar a velocidade máxima e retornar aos 50 km/h das zonas urbanas, mas até agora a mudança não aconteceu e nem houve uma discussão com a sociedade sobre o tema. Dado o aumento do uso de bicicletas, o Executivo também buscaria facilitar que os municípios determinem zonas calmas de velocidade, onde os carros não possam ultrapassar 20, 30 ou 40 km/h. (Por Rocío Montes)

    A Cidade do México tem seis zonas em que a velocidade dos automóveis está restrita. As pistas centrais das vias de acesso à capital têm um limite de 80 km/h, já nas avenidas principais a máxima permitida é de 50 km/h. Os motoristas não podem ultrapassar os 40 km/h em vias secundárias nem uma velocidade de 30km/h em áreas de trânsito mais calmo. Em zonas de hospitais, escolas, asilos e albergues a velocidade máxima é de 20 km/h.

    A lei vigente se estabeleceu no novo regulamento de trânsito de agosto de 2015 e entrou em vigor em dezembro do ano passado. A nova normativa também estabeleceu controles mais estritos como multas com fotos. Segundo a Secretaria de Mobilidade da Cidade de México, os incidentes de trânsito caíram 50% durante os primeiros meses deste ano. A Secretaria de Segurança Pública assegura que até agosto de 2016 as mortes associadas a acidentes diminuíram 18%. O objetivo é reduzir com a nova regulamentação 35% das mortes por acidentes de trânsito até 2018.( Por Elías Camhaji)

    A capital inglesa adota o limite de velocidade de 32 km/h em ruas e avenidas importantes da cidade. São as chamadas “20 mph zones”, que já representam 25% de todas as vias de Londres. A medida ajudou a reduzir em 40% o número de mortos e feridos graves em acidentes de trânsito.

    Em Barcelona, a velocidade máxima nas ruas da cidade é de 50 km/h e nas vias interurbanas 80 km/h. Também há ruas nas chamadas zonas 30, onde este é o limite máximo de velocidade. Geralmente estão localizadas em bairros com ruas antigas.

    No caso dos acessos à cidade, a velocidade baixa de 120 km (o limite da estrada) a 80 km quando há episódios de forte poluição (algumas vezes por ano). Antes, entre 2008 e 2011, um governo regional de esquerda reduziu a velocidade nesses acessos, sempre para diminuir a poluição. A medida não reduziu os acidentes, mas sim a gravidade deles. Quem determina a velocidade das vias urbanas é um regulamento de tráfego estatal. As prefeituras, no entanto, podem baixar a velocidade se quiserem. (Por Clara Blanchar)

    Fonte: El País Brasil