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Qui, Abr

demissões

  • Apesar de lucros exorbitantes em 2018, bancos ampliam demissões

    Sem justificativa, pois apresentam lucros exorbitantes, os bancos continuam cortando postos de trabalho. Foram eliminados, entre janeiro e novembro do ano passado, 1.540 empregos. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

    Os bancos múltiplos com carteira comercial (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) são responsáveis pelo desligamento de 640 empregados. A Caixa, sozinha, eliminou 1.059 vagas.

    A lucratividade alta reforça que não tem motivos para as empresas seguirem com a política de cortes. Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander lucraram, entre janeiro e novembro, mais de R$ 60 bilhões. A rotatividade colabora para a alta no lucro.

    Os bancários admitidos ganhavam, em média, R$ 4.323,00, enquanto os desligados recebiam R$ 6.555,00. Quer dizer, a remuneração dos contratados corresponde a 66% do salário médio dos demitidos.
    A política de cortes reflete na qualidade de vida. Os funcionários trabalham extremamente sobrecarregados, com nível de estresse nas alturas, comprometendo a saúde. Os clientes também são prejudicados com atendimento precarizado. 

    Desigualdade de gênero se acentua 

    A desigualdade de gênero no setor financeiro só aumenta. Entre janeiro e novembro, as mulheres admitidas nos bancos recebiam, em média, R$ 3.684,00, valor que corresponde a 74,9% da remuneração média dos homens contratados no mesmo período (R$ 4.918,00).

    A desigualdade é verificada também no desligamento, o que mostra discriminação contínua. As bancárias demitidas ganhavam, em média, R$ 5.640,00. O valor corresponde a 76% da remuneração média dos homens desligados entre janeiro e novembro, que era de R$ 7.457,00.

    Os dados do Caged ainda apontam que os obstáculos são maiores para elas subirem na carreira. Por isto, é antiga a luta do movimento sindical pela igualdade de oportunidades no setor. 

    Fonte: Bancários da Bahia
     

  • As falácias e factoides da General Motors do Brasil

    A General Motors cria factoide e ventila inverdades a respeito de possível prejuízos para aplicar a reforma trabalhista a qualquer custo. Ela tem por objetivo também se aproveitar dessa falsa história de prejuízos para se apropriar do dinheiro público, com diminuição de impostos e outras regalias.

    As suas exigências apresentadas aos dois sindicatos, de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, sendo aprovadas, significa absolutamente o fim de todos os direitos assegurados nos acordos coletivos, inclusive os direitos assegurados pela CLT. A GM que aplicação total da reforma trabalhista.

    Será o fim de uma história de luta e conquistas a favor dos trabalhadores e trabalhadoras desse complexo automotivo.

    A concretização desse processo significa um aumento sem precedentes na história da exploração da força de trabalho, da desqualificação e precarização das relações de trabalho dentro da GM.

    Ela quer o fim do acordo coletivo atual, que traz inúmeras garantias fundamentais para os trabalhadores; quer a introdução praticamente de tudo que a reforma trabalhista autoriza contra os direitos assegurados na CLT e no acordo coletivo.

    A GM não está no vermelho, ela já está há anos na frente de outras montadoras no comércio automotivo no Brasil. Ela blefa com o objetivo claro de retirada de direitos e pela ganância de auferir maiores lucros.

    Cabe nesse momento aos sindicatos cumprirem seu papel: o de defender os trabalhadores e não caírem nessa conversa de crise e de sair do Brasil. Não é a primeira e nem será a última vez que ela inventa essa história. 

    Os trabalhadores devem se unir, resistir e lutar contra essa tentativa da GM em acabar de vez com os direitos assegurados na convenção coletiva e da CLT. Todos e todas contra a reforma trabalhista!


    Marcelo Toledo é secretário de Formação da FITMETAL e ferramenteiro especializado, há 29 anos na GM de São Caetano do Sul.
     
     
     
     
     
     
     
     
  • Desmonte: Petrobras prepara saída do setor de fertilizantes

    “A saída da Petrobras do segmento de fertilizantes, além de comprometer a soberania alimentar, coloca o país na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão”, afirma nota da Federação Única dos Petroleiros (FUP), em resposta à decisão da Petrobras que iniciou nessa quinta (10) o processo de arrendamento das fábricas de fertilizantes do Sergipe (Farfen-SE) e da Bahia (Farfen-BA).

    Porta aberta para a privatização

    Com a decisão, a estatal deixará de ter o controle de uma produção de 3.100 toneladas por dia de fertilizantes, que passará para as mãos de empresas privadas. Também serão arrendados os terminais marítimos no Porto de Aratu (BA), com capacidade de armazenagem e carregamento de 50 mil toneladas dos produtos.

    Os números representam 30% de toda a produção brasileira. O país é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, hoje, importa mais de 75% do que utiliza. Para a F, as concessões deixarão o país refém das variações de preços do mercado internacional, o que impacta negativamente na estratégia de produção e na soberania nacional.

    Resistência na Câmara

    Em abril de 2018, Comissão Geral da Câmara dos Deputados identificou e alertou sobre os impactos da política de desinvestimentos da Petrobrás, liderada pela gestão Michel Temer, e suas consequências para a economia da Bahia e de Sergipe. Os deputados Daniel Almeida (PCdoB) e Caetano (PT), ambos da Bahia estiveram na luta de frente contra essa ação.

    Na Comissão, representantes do Sindipetro-Ba denunciou o fechamento das fábricas de fertilizantes nitrogenados da Fafen-Bahia, localizada em Camaçari, e da Fafen-Sergipe, na cidade de Laranjeiras. A iniciativa faz parte do projeto de privatização liderado ainda na gestão Pedro Parente.

    Demissões em massa

    A Petrobras anunciou em março de 2018 a desativação da Fafen até o final do primeiro semestre. O fechamento representará 550 postos de trabalho a menos para as duas cidades.

    “A notícia da desativação das atividades das unidades da Fafen é preocupante, especialmente em razão das consequências para a nossa economia, mas, sobretudo no já combalido mercado de trabalho, uma vez que há possibilidade de mais de mil trabalhadores diretos perderem os seus postos de trabalho”, externou Almeida durante o debate.

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Empresas tiram o que podem do trabalhador

    Com a nova legislação trabalhista criou-se uma possibilidade de os empregados negociarem direitos com os empregadores quando desligados, a chamada demissão acordada. A reforma também permite que o empregador proponha que o funcionário abra mão de até metade do valor da multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

    No entanto, um caso recente de demissão negociada, a funcionária desligada abriu mão de toda multa do FGTS e o TRT da 8ª Região (TRT-8), que atende os estados do Amapá e do Pará, considerou o acordo trabalhista inválido. Abrir mão da totalidade do valor do benefício não é permitido. No máximo até 20%.

    A causa foi analisada e os desembargadores entenderam que o acordo deve ser anulado, pois o direito da multa do FGTS é assegurado pela Constituição Federal. Os empresários deitam e rolam, principalmente depois que os sindicatos foram excluídos da homologação das rescisões de contrato. Os empregados agora devem ficar atentos às clausulas impostas em uma demissão sem justa causa.

     

    Fonte: bancariosbahia.org.br

  • Ford fecha fábrica. Cadê a mídia otimista?

    Por Altamiro Borges*

    A multinacional estadunidense Ford anunciou nesta terça-feira (19) que fechará a sua fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A abrupta decisão faz parte do projeto da empresa de encerrar a produção de caminhões nas unidades instaladas na América do Sul. A previsão é de que até o final do ano a "reestruturação" resultará na demissão de 2,7 mil metalúrgicos ─ além do corte nos empregos indiretos das firmas que fornecem peças e prestam serviços. Com certeza, a mídia burguesa ─ nutrida com milhões em publicidade ─ tentará abrandar o impacto do fechamento da fábrica. Até porque seus colunistas de aluguel vinham jurando que a economia, sob o comando do rentista Paulo Guedes com o seu plano ultraliberal e entreguista, já estava em plena retomada. Baita recuperação!

    Recentemente, outra multinacional ianque, a GM, também ameaçou abandonar a produção no Brasil. Há vários fatores que explicam essa possível fuga, como a prolongada crise da economia capitalista no mundo, o aparente esgotamento do modelo de negócios das montadoras de veículos e ─ na hipótese mais sacana ─ a tentativa de chantagear o frágil governo de Jair Bolsonaro, obtendo vantagens como o corte de direitos dos trabalhadores e outros subsídios. No comunicado lacônico e cínico divulgado à imprensa, a empresa apenas disse que o fechamento da unidade visa recompor a lucratividade, "com um modelo de negócios ágil, compacto e eficiente, fortalecendo a sua oferta de produtos e parcerias globais. A Ford prevê o impacto de aproximadamente US$ 460 milhões em despesas não recorrentes como consequência dessa ação".

    Para se contrapor à sacanagem da multinacional, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista está em plena mobilização. Conforme relata o jornalista Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, "com a notícia do fechamento, os trabalhadores na Ford decidiram não voltar à fábrica amanhã (20), nem na quinta-feira... O presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, conta que a reunião com a direção da empresa não foi propriamente uma negociação, mas um comunicado. 'Não houve nem um processo de conversa. Foi lacônico', descreveu. Segundo ele, a direção da Ford informou que dali a 40 minutos comunicaria a imprensa sobre sua decisão, surpreendendo os representantes dos trabalhadores".

    Ainda segundo a reportagem, os trabalhadores também avaliam que "a montadora pode estar tentando 'chantagear' os metalúrgicos, anunciando o fechamento para conseguir uma maior flexibilização de direitos. Vários lembraram do ocorrido recentemente na General Motors em São José dos Campos, interior paulista, onde um acordo foi aprovado em troca de garantia de investimentos naquela fábrica. 'Se for chantagem, não vai funcionar', diz Wagnão. 'Também há limites para as condições às quais temos de nos submeter no trabalho. Estamos abertos à negociação. Vamos insistir na reversão dessa decisão', afirma o dirigente. Ele também pretende conversar com representantes dos governos. 'Vamos buscar todas as instâncias. Não temos preconceito. Para nós, os trabalhadores estão acima dos interesses políticos'".

    Citando cálculos da Anfavea, a associação nacional dos fabricantes de veículos, Wagnão lembra que a decisão do fechamento da fábrica pode atingir até 27 mil pessoas, considerando, além da Ford, toda a cadeia produtiva. "O anúncio acontece exatamente 100 anos depois que a diretoria da Ford Motor Company, nos EUA, aprovou a criação de uma filial brasileira. Foi a primeira fabricante de automóveis instalada no país. Em 1967, a montadora produziu seu primeiro veículo brasileiro, o Galaxie. Naquele mesmo ano, a Ford assumiu o controle da Willys-Overland e passou a operar na unidade do bairro do Taboão, em São Bernardo, que produz o modelo Fiesta, além de caminhões. A empresa também tem unidades em Camaçari (BA), onde é fabricado o Ka, e em Taubaté (SP), que produz motores".

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Modelo de negócios da Globo está falido?

    Por Altamiro Borges

    Duas matérias publicadas na semana passada confirmam que a poderosa TV Globo passa por um período de muitas dificuldades – o que reforça a tese de que seu modelo de negócios está em crise. A primeira nota foi postada no site R-7, da rival Record:

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    Corte de gastos? Globo perde doze jornalistas famosos em um ano

    Por Keila Jimenez

    A dança de cadeiras do jornalismo da Globo parece não ter fim. Agora foi a vez da jornalista esportiva Cristiane Dias deixar o canal. Em um ano, a Globo perdeu mais de doze de seus maiores nomes do jornalismo, que não tiveram contratos renovados. Trata-se quase sempre de funcionários renomados, experientes, com muitos anos de casa e muitas vezes com salários mais altos.

    Os 'substitutos' são mais jovens e ganham muitas vezes menos da metade do salário desses que estão saindo. A lista de baixas é grande. Carla Vilhena abriu o ano de 2018 se despedindo do canal após mais de 30 anos na casa. Cristina Serra também deixou a emissora no início do ano passado. Em abril, foi a vez do querido Tônico Ferreira deixar o canal. Na sequência foi a vez de o jornalista esportivo Abel Neto não renovar o seu contrato com a emissora.

    Denise Barbosa deixou a GloboNews após mais de 20 anos de casa. O repórter Andrei Kampff não teve seu contrato renovado depois de 25 anos atuando na Globo. Millena Machado deixou o posto de apresentadora do “Auto Esporte”, programa exibido nas manhãs de Domingo, onde atuava desde 2011. Após voltar de uma licença médica, Izabella Camargo foi demitida. Depois de 36 anos servindo na empresa, André Luiz Azevedo deixou a Globo. Depois foi a vez do renomado Alexandre Garcia dizer 'adeus' ao jornalismo do canal.

    Sergio Aguiar surpreendeu a todos ao sair da GloboNews sem se despedir. Neste ano foi a vez de Fernando Rocha e Mariana Ferrão, do 'Bem Estar', deixarem o programa e não renovarem o contrato com o canal. Nesta quarta (27), Cristiane Dias teve a sua saída oficializada na rede. O contrato dela terminará em junho e não será renovado. A jornalista esportiva apresentava o "Globo Esporte ", programa exibido onde não há edição local, e o noticiário esportivo do "Bom dia Brasil". Ela ingressou na emissora no ano de 2006. Carol Barcellos já assumiu o lugar dela.

    Nos bastidores da Globo, é fato que essas demissões não são pontuais e nem devem parar por aí. A ideia do jornalismo é mesmo renovar e reduzir custos.

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    Já a matéria de Ricardo Feltrin, especialista em mídia do UOL, aponta problemas em uma área que a emissora sempre reinou isolada, o das telenovelas. “Nunca antes neste país, como diria um certo político, a Globo enfrentou um mau momento como o atual em suas faixas de novelas. Sim, as três tramas principais da casa – 18h30m, 19h30 e 21h30 – ainda são líderes de audiência no país (Painel Nacional de Televisão) e também na Grande SP (epicentro da publicidade brasileira). Mas, segundo apuração da coluna, é a primeira vez que as três principais novelas da casa registram menor público que suas antecessoras”.

    O jornalista dá detalhes sobre cada novela. “O Sétimo Guardião: Além de todos os problemas que enfrenta – inclusive dois processos de plágio, morte de figurante, tensão no elenco etc. –, em São Paulo o ibope da novela está empacado nos 29 pontos. Esse índice é abaixo do chamado ‘trilho’ previsto pela emissora para o horário, que é de 30 pontos (cada ponto em SP vale por cerca de 73 mil domicílios)... Na comparação somente nesta década, ‘O Sétimo Guardião’ dá hoje quase 10 pontos a menos do que "Fina Estampa" registrou em 2011”.

    “Verão 90: Até o capítulo nº 47, a novela das 19h30 da Globo também é líder, mas está dando o menor Ibope que as três antecessoras diretas no mesmo período. Supera apenas a quarta, ‘Rock Story’ (2017). Também na comparação com o maior sucesso da década no horário, ‘Cheias de Charme’ (2012), ‘Verão 90’ registra hoje quase seis pontos a menos em São Paulo... Para encerrar, a novela com o pior resultado na Globo hoje: ‘Espelho da Vida’. Apesar de ser também líder de ibope no país e em São Paulo, a novela de Elizabeth Jhin que aborda espiritualismo tem os piores números dos últimos cinco anos... ‘Espelho’ registra até o 154º capítulo apenas 17,6 pontos em SP. Bem menos que a antecessora direta, ‘Orgulho e Paixão’ (21,5 pontos)”.

    A demissão dos artistas veteranos

    A queda de audiência das telenovelas já havia resultado na demissão dos “veteranos”, como ocorre agora no jornalismo. Em abril de 2018, a mesma Keila Jimenez já havia registrado essa mudança. “Após 35 anos de emissora, Malu Mader deixa a Globo. A atriz não teve seu contrato renovado. Malu não é a primeira nem a última de uma lista de atores veteranos, com salários altos, que estão perdendo o contrato fixo com a Globo... Assim foi também com Maitê Proença e Carolina Ferraz”.

    “Nos bastidores da Globo é fato de que a emissora está em um processo de renovação e corte de gastos em seu casting. Ao mesmo tempo que não renova com atores veteranos (e mais caros), o canal corre para oferecer o famoso contrato de longo prazo para atores menos prestigiados, mas que fizeram sucesso no último trabalho... A conta é boa. Além de renovar seu time, o canal economiza pois contrata jovens e bons atores pagando pouco e se livra dos medalhões que ganham salários entre R$ 80 mil e R$ 200 mil mensais. A média de salário oferecido para os jovens que estão começando no canal está entre R$ 8 mil e R$ 12 mil para quem estiver no ar”.

    A queda de audiência, que faz desabar a publicidade e consequentemente gera “corte de gastos” – como a demissão de profissionais é chamada friamente pelos patrões –, reforça a tese de que o modelo de negócios da TV Globo está “fadado ao fracasso”. Essa ideia foi defendida com ênfase por Guilherme Stoliar, presidente do rival Grupo Silvio Santos, em artigo publicado na Folha. Após dividir as cinco principais emissoras do país em dois blocos – a TV Globo seria o ricaço “Cirque du Soleil”, e SBT, Record, Band e RedeTV seriam o pobretão “Circo Garcia” – o executivo afirma que esse formato não se sustenta mais devido ao avanço dos meios digitais e à própria crise econômica. Vale conferir sua instigante e provocativa análise:

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    Uma reflexão sobre a internet e a TV aberta

    Por Guilherme Stoliar – Folha, 14 de março de 2019

    Muito se pergunta a respeito do que acontecerá com a televisão aberta depois da internet banda larga. Tento responder com fatos nesta simples reflexão sobre os próximos cinco anos.

    Dados.

    1) Antes da internet banda larga, 100% da população tinha a televisão aberta como seu grande companheiro de informação e entretenimento.

    2) No Brasil, mais de 70% das famílias vivem com uma renda familiar inferior a R$ 3.000 por mês. Poder de compra muito restrito.

    3) As demais 30% até podem ter banda larga, Netflix, cabo e outras formas de se informar e se entreter.

    O que constatamos: todos continuam assistindo à TV aberta.

    Podemos dividir a televisão aberta em dois modelos, por suas características culturais e econômicas. O modelo Cirque du Soleil, que é a Globo, e o Circo Garcia, que são o SBT, a Record, a Band e a RedeTV!. Não considerei as demais emissoras porque as audiências são pequenas.

    Esses modelos são a caricatura de como são produzidos e exibidos os conteúdos desses canais. E penso que ninguém tem dúvidas a respeito!

    Até 2014, a televisão aberta reinava economicamente na mídia. Entretanto, de 2015 até 2018, a queda das suas receitas superou 30%. Uma parte foi perdida para a crise e outra, para os meios digitais, internet.

    A Globo, o “Cirque du Soleil”, detinha e ainda detém, por pouco tempo, mais de 70% da receita do bolo publicitário das abertas, o que gerava até 2014, lucros auspiciosos. As outras emissoras, o “Circo Garcia”, arrecadavam o restante, vivendo com grandes dificuldades e sendo obrigadas a locar espaços para igrejas e outros arrendatários para fechar as contas.

    Hoje, todas as emissoras abertas perderam 30% da receita e não conseguiram reduzir custos e despesas nessa proporção. Missão muito difícil para qualquer um.

    Como reduzir o custo dos direitos de futebol brasileiro? Missão impossível! Como reduzir o custo e manter a qualidade das novelas? Outro problema! Resultado: muito prejuízo, inclusive e principalmente no “Cirque du Soleil”. Quem diria? Falo da TV Globo, não do Grupo Globo.

    O que vejo pela frente.

    1) O mercado da TV aberta ainda não estabilizou. Começamos o ano e a receita ainda está menor do que em 2018, especialmente pela falta das verbas de governo. Ainda não chegamos ao fundo desse poço.

    2) O público da TV aberta ficará restrito às pessoas com renda familiar de até R$ 3.000. Esse grupo é representado por 70% da população, mas seu poder aquisitivo é pequeno.

    3) A TV aberta tem 80% de sua receita advinda de aproximadamente cem grandes clientes. Estes, a partir de 2015, dadas a crise e as novas possibilidades da internet, reduziram suas verbas na aberta. Só lembrando: faturamos hoje 70% do que faturávamos em 2014.

    4) Um fato importante e ilustrativo. Para você fazer um anúncio numa novela da Globo, o “Cirque du Soleil”, em rede nacional, um anunciante gastará R$ 800 mil e terá uma audiência de 30 pontos. Se fizer um anúncio nas novelas do SBT, Record, Band, o “Circo Garcia”, para atingir os mesmos 30 pontos, esse anunciante gastará R$ 250 mil. Pois é.

    5) Em pouco tempo, esses cem anunciantes vão abrir os olhos, acabar com preconceitos e, para não ficarem de fora da televisão aberta, que ainda terá os 70% do público brasileiro, anunciarão cada vez mais no “Circo Garcia” e menos no “Cirque du Soleil”.

    6) Uma coisa é certa, o dono do “Cirque du Soleil” não sabe fazer um “Circo Garcia”, e o contrário também é verdadeiro. É muito difícil a Globo reduzir seus custos na razão da atual conjuntura. A Globo não tem cultura e preparo para ser o Garcia e, se conseguir ser, terá sua receita dividida com as outras. E as demais emissoras, por força das necessidades, já estão ajustadas.

    7) Se os donos do “Circo Garcia” conseguirem sobreviver por mais algum tempo, vão poder assistir a esse filme em no máximo cinco anos.

    Nenhuma crítica ao Circo Garcia, que admiro muito. A televisão aberta é um veículo popular, como o são os 70% das famílias brasileiras.

    Ver para crer!

    * Guilherme Stoliar é presidente do Grupo Silvio Santos.

  • SP: PSDB corta 122 mil servidores e piora educação, saúde, mobilidade urbana e segurança pública

    A política de desmonte do Estado de São Paulo corta de onde mais o povo precisa - educação, saúde, mobilidade urbana e segurança pública. Os dados assustam. Entre 2011 e 2017, o estado perdeu 122,4 mil servidores públicos ativos, uma redução de 734,5 mil para 602,5 mil, nas mais diversas áreas.

    Todavia, a gestão Alckmin reforçou as contratações dos terceirizados - com jornada maior, salário menor e sem direitos. Os gastos aumentaram, nesse período, de R$ 10 bilhões para R$ 11,4 bilhões por ano.

    Ao comentar os dados, a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB/SP) credita a triste realidade ao projeto sem compromisso do PSDB para São Paulo. Segundo a parlamentar, é claro o descaso com os servidores e servidoras públicos e esse descaso é ainda maior com o povo que tanto sofre com a redução do quadro de funcionários, como com a piora do serviço.

    Brandão diz que a estratégia deixa claro o objetivo final do governo estadual: privatizar tudo.

    Portal CTB - Com informações das agências