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Sex, Abr

Democratização da Comunicação

  • "O objetivo do governo Temer é acabar com a comunicação pública", acusa o presidente da EBC

    Há uma guerra institucional acontecendo entre a Empresa Brasil de Comunicações (EBC) e o governo golpista de Michel Temer - quem diz isso é próprio presidente da organização, Ricardo Melo. Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo nesta quarta-feira (14), o mandatário avaliou a situação crítica que circunda a comunicação pública brasileira, e não poupou palavras: “eu, pessoalmente, vou até o fim”.

    A posição é uma afronta contra Temer, que desde o início de seu governo já tentou remover Melo em duas ocasiões diferentes, sem sucesso. A EBC realiza eleições internas para escolher seus presidentes, e tem seu líder protegido de interferências do Executivo. Seu mandato está previsto para durar quatro anos, e sua missão é dar voz àqueles que normalmente não teriam direito à se manifestarem em grandes veículos de comunicação.

    "Num país como o Brasil, onde existe uma mídia oligarca na produção e praticamente monopolizada na opinião, há uma necessidade de outras vias de informação", explicou. Ele criticou as ações do governo golpista, em particular a medida provisória que extinguiu o conselho curador que reunia as entidades ativistas na direção da EBC. “O objetivo [do governo Temer] é acabar com a comunicação pública, mesmo sem saber direito como. Entre os empregados da EBC, a maioria está comprometida com as causas mais antigas da empresa e são a favor da continuidade desses princípios”, continuou.

    Melo lembrou que quase 95% dos funcionários da empresa são concursados, e que é justamente essa raridade de cargos de confiança que garante à empresa a sua independência. A medida provisória recente editada por Temer muda essa realidade. “Um presidente nomear e destituir diretores numa empresa pública a seu bel prazer para mim soa como aparelhamento. É a morte da EBC como um instrumento da comunicação pública”, concluiu.

    A entrevista completa pode ser acessada aqui.

    A vingança de Temer

    A tentativa de afastamento de Ricardo Melo não é gratuita. Durante o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, a EBC foi o único canal de TV aberta que agiu de forma isonômica com a defesa da presidenta, dando espaço equivalente para o contraditório e apontando as aberrações do processo.

    Depois do primeiro afastamento de Melo, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal para revogar a medida autoritária que resultou em sua demissão, e imediatamente atendeu a antigas reivindicações das entidades sindicais da comunicação. Em menos de uma semana, reformou o Comitê Editorial de Jornalismo da empresa nos moldes de seu Manual de Jornalismo, dando oito dos doze assentos aos empregados. O caráter propositivo do grupo garantiu que os trabalhadores tivessem voz ativa nos rumos da produção de conteúdo.

    Não à toa, um dos pontos principais da recente MP que alterou a estrutura da EBC envolve a dissolução desse mesmo comitê.

    A linha de atuação do governo Temer e seu ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, tem sido sempre na linha da destruição da atuação pública. Não bastasse a extinção do Ministério das Comunicações e o abandono dos critérios técnicos para a distribuição dos recursos da publicidade oficial, favorecendo os aliados do golpe, o próprio Michel Temer anunciou que pretende encaminhar projeto de lei para a extinção da TV Brasil. Ele também renovou a concessão pública da Rede Globo anos antes do necessário, e sem nenhum tipo de investigação quanto aos problemas na Justiça que a empresa enfrenta.

    O estado de ânimos suscita a pergunta: por que é tão importante para Michel Temer asfixiar a comunicação pública no Brasil? Se a EBC sempre foi considerada um projeto secundário nos planos de governo, por que tornou-se uma das primeiras vítimas do autoritarismo da cúpula golpista?

    A função da comunicação pública

    A posição única dos órgãos públicos de comunicação é a de poder empregar dinheiro público sob formas de administração independentes do poder estatal, captando o melhor dos dois mundos. Ao não se submeter nem aos patrocinadores e nem a quem detém o poder político, essas emissoras e agências servem exclusivamente aos ideais da profissão. Assim é o caso da BBC da Inglaterra, da NPR nos Estados Unidos ou da NHK no Japão. A direção é composta pelos próprios funcionários, que devem trilhar carreiras internas para chegar aos postos de comando. Desta forma, a prioridade se torna a informação de qualidade e diversificada, sem dar prioridade para os desejos de grupos de poder.

    A existência de uma organização nestes moldes está prevista inclusive na nossa Constituição Federal, que desde 1988 determina em seu capítulo V a existência da “complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”. Na mistura desses três formatos, a comunicação dá voz a todos os setores da sociedade, algo fundamental para uma democracia verdadeira. Enquanto o capital fala pela iniciativa privada e os políticos usam as estatais, o público excluído e sem poder é representado pelas agências públicas.

    Por Renato Bazan - Portal CTB (agradecimentos ao DCM)

  • “As elites não evoluíram. Ainda é muito parecido com 1964”, afirma historiadora

    Maria Aparecida de Aquino é professora titular aposentada da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, colabora com o Programa de Pós-Graduação em História Social da mesma instituição. Durante sua carreira, se dedicou ao estudo da repressão política durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, especialmente a censura exercida sobre os veículos de comunicação.

    Em entrevista recente ao Brasil de Fato, a acadêmica afirmou que não vê grande diferença entre os movimentos golpistas de 1964 e 2015, organizados pela elite enfurecida contra governos de perfil progressista. "Ela não aceita [o projeto reformista] porque não suporta partilhar, essa é a característica da nossa elite. E não apenas da elite do nosso país. É uma marca das elites dos países que eram considerados subdesenvolvidos", disse. A conversa aborda os motivos que levaram ao golpe de 64 e o papel exercido pela imprensa, fazendo comparações com o atual cenário da política nacional. Segundo a historiadora, há um elemento em comum entre passado e presente: “Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964.”

    Abaixo segue um trecho da conversa. O texto integral pode ser lido no Brasil de Fato

    BdF: Quais foram os motivos que levaram ao golpe de 1964?

    Maria Aparecida de Aquino: A gente precisa levar em consideração que no golpe estão presentes diversas forças dentro do Brasil, bem como existiu apoio internacional - mais especificamente, apoio dos Estados Unidos. Quando a gente pensa quais seriam os motivos que levariam essas forças internas e externas a embarcarem numa aventura que foi o golpe de 1964 - aventura essa ilegal e ilegítima sob todos os aspectos - existem razões bastantes diversas. Se tivéssemos que centralizar essas razões eu diria que, basicamente, foi o programa de reformas, as chamadas reformas de base do então presidente João Goulart, o elemento detonador dessa questão. Essas reformas atingiriam todos os setores: penetrariam na educação, no mundo agrícola, na indústria. Era uma proposta para mudar o Brasil.

    Mas não se tratavam de reformas feitas em outros países? Por que aqui não foram aceitas pela elite?

    Sim, era um projeto reformista, não revolucionário, mas “há elites e há elites”. Ela não aceitou porque não suporta partilhar, essa é a característica da nossa elite. Não apenas da elite do nosso país. É uma marca das elites dos países que eram considerados subdesenvolvidos.

    Enquanto você tem nos países considerados avançados, como Inglaterra, França, Alemanha, uma determinada caracterização das elites, na medida em que não existe um distanciamento tão grande entre aquele que pertence à elite e aquele que está alijado na sociedade, no Brasil e em outras nações você tem uma distância imensa. Existem nações em que a diferença entre o menor salário e o maior não ultrapassa dez vezes. Aqui não dá para mensurar quantas vezes ultrapassa. Consequentemente esse distanciamento tão grande faz com que essa elite nossa não seja tão permissiva.

    Em sua opinião, o que permaneceu intocado mesmo com o fim da ditadura?

    Hoje pouca coisa. Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964. As elites não evoluíram, não avançaram. Enquanto o Brasil mudou muito, para melhor, um país que inclui muito mais pessoas, e não só por causa dos últimos anos, vem num processo de inclusão muito importante. A realidade que vivemos hoje está a léguas de diferença da realidade de 50 anos atrás. Talvez a única que persista é uma atitude semelhante das elites, infelizmente.

    Então as elites ainda se comportam do mesmo jeito?

    Quando você analisa as elites que estavam posicionadas em 1964 elas são claramente golpistas. Elas querem a derrubada do regime democrático. Elas não sabem e não conseguem conviver com o Estado democrático. Portanto, partem para sua destruição e dissolução, que ocorre através do golpe, ilegal e ilegítimo.

    Hoje você tem uma elite que tem um pouco de receio. Ela tem um pouco de receio de dizer “para nós acabou a brincadeira, a bola é minha e não brinco mais” e assumir uma caracterização abertamente golpista. Não que ela não flerte. Não que ela não seja capaz de embarcar em uma aventura terrível, pela forma como age, pelas considerações que ela faz.

    Um exemplo foi quando a presidenta Dilma se elegeu. Ela teve uma capacidade eleitoral bastante grande no Nordeste. Quando você olha as redes sociais falando dos nordestinos, você vai ver a cara dessa elite. Ela é exatamente aquilo. Ela começa a dizer: “é esse tipo de gente que elegeu, e nós somos melhores”. Ela tem condições, desejo e vontade de flertar abertamente [com o autoritarismo].

    Ou seja, hoje você tem um processo ou uma proposta de inclusão social, que de uma maneira ou de outra dá acesso a determinadas instâncias, desde a casa própria até o ensino universitário, a pessoas que não teriam esse acesso.

    Essa proposta descontentava, como descontenta hoje. A proposta de inclusão. Se o Brasil vive um momento de crise, se é que existe a crise, se ela não é fabricada pelos meios de comunicação, essa crise se deve fundamentalmente a esse descontentamento. São os mesmos grupos, a mesma raiz, que não aceita que as pessoas que não têm nem acesso às migalhas passem a se sentar na mesa.

    O que você diria para alguém que defende o retorno da ditadura?

    Pensa, raciocina e observa o que o regime militar produziu. Um mundo sem luz. A desigualdade se ampliou enormemente nesse período, os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. É isso que você quer para a sociedade brasileira? O remédio para a sociedade brasileira é uma aventura antidemocrática? Para combater a corrupção é necessário acabar com a democracia?

    Para pessoas que pensam nisso, eu aconselharia a ver as contas da Transamazônica. Ou as contas nunca fechadas da Ponte Rio-Niterói. Ninguém falou, porque naquele momento não podia falar. Se você levantar, você vai trazer uma quantidade de coisas irregulares que arrepia os cabelos de qualquer um. Hoje, graças ao caminho que a sociedade brasileira trilhou, nós temos liberdade de falar. O autoritarismo corre ao lado da irregularidade, porque ele abafa a irregularidade.

    Do Brasil de Fato (via Opera Mundi)

  • A fantástica mudança no tratamento midiático da Petrobras, antes e depois do golpe

    O tratamento benevolente que a imprensa comercial vem dando à Petrobras depois do afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff começa a ganhar traços óbvios com a mais recente onda de notícias sobre a empresa. Nesta segunda-feira (12), com o a avaliação otimista de que o Brasil se tornará o maior produtor de petróleo do mundo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em 2017, a imprensa se desmanchou em otimismo.

    O fato, em si, é motivo de grande comemoração: com sete novas plataformas no pré-sal e 260 mil barris de petróleo a mais por dia, o Brasil terminará 2017 com produção diária de 3,37 milhões de barris. E isso deve acontecer em meio a um momento de contração da oferta mundial de petróleo, o que valoriza o produto. Só na América Latina, a OPEP prevê uma queda de 70 mil barris diários em 2016, aumentando o peso brasileiro na oferta regional em um momento de expansão de demanda por combustíveis. Some a isso as recentes quedas no custo de extração do petróleo da camada do pré-sal e não há projeção que coloque a empresa em um cenário ruim.

    Ainda assim, a mudança na retórica pode ser um choque. O texto mais recente no Estadão, por exemplo, não menciona em uma linha os casos de corrupção da empresa, a queda vertiginosa nos preços do petróleo desde 2008 ou o estado de endividamento da empresa. Quem lê sem conhecimento prévio poderia imaginar se tratar de uma empresa admirada pelos jornalistas, sem problemas, longe dos problemas de Brasília. A mesma pessoa ficaria chocada ao descobrir que, por mais de dez anos, a mesma imprensa bombardeou a estatal com todo tipo de crítica e desmoralização, a ponto de convencer a população de que a Petrobras estaria “falida” (apesar de ter seu patrimônio líquido expandido em 600% no mesmo período).

    “O ataque à reputação da companhia tem o objetivo de ‘quebrar a espinha da Petrobras’ e, assim, inviabilizar o modelo de partilha imposto pelo marco regulatório”, escreveu o ex-presidente da Petrobras e professor aposentado da UFBA, José Sergio Gabrielli. O executivo lembrou em carta aberta que, entre 2002 e 2015, o número de plataformas da empresa mais que dobrou, de 36 para 82, e que o resultado desse investimento foi o reconhecimento unânime da importância da empresa pela comunidade internacional.

    “Essa é a empresa real – com números reais – que querem esconder, valendo-se das denúncias que surgiram com a Operação Lava Jato, o que gerou o clima de forte especulação que fez a companhia perder tanto valor de mercado em tão pouco tempo. A Petrobras é uma empresa sólida, mas a campanha em curso – em discurso uníssono na imprensa – visa enfraquecê-la”, complementou. Ele enxerga nas possibilidades de exploração do petróleo nacional por estrangeiros o interesse primário desses ataques - algo que seria descontrolado numa eventual reversão do regime de partilha para o de concessões.

    comissao defesa petrobrasA imprensa não dá voz aos atos e argumentos dos petroleiros, que são os especialistas do setor. Por quê?

    Para o petroleiro e secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, a principal estratégia desse grupo é usar a campanha anticorrupção como cavalo-de-Troia para desmoralizar a estatal diante do mercado e facilitar/baratear o seu desmonte. “Desde a sua fundação, a Petrobrás sempre foi alvo de tentativas de desestabilização. Só mais recentemente, durante o governo Lula, o seu papel de indutora da economia nacional tem sido resgatado. Portanto essa é uma disputa permanente. A grande mídia brasileira nunca aprovou as mudanças na legislação que permitiram à Petrobras dar o salto que deu nos últimos 10 anos”, explicou. Ele vê na definição das regras de exploração o aspecto central da disputa, e avalia: “Elas são o ponto da luta, porque determinam de quem é e para quem servirá essa nossa riqueza. Atualmente, as empresas devem atuar submetidas à premissa de pertencimento ao Brasil, e isso não agrada aos interesses empresariais”.

    Ao povo, a tragédia; ao capital, a promessa

    A tática por trás da mudança no tratamento midiático é reforçada por uma série de editoriais do pós-golpe, saídos de veículos como a Folha e o Globo, em que os barões da comunicação usam a crise econômica como pretexto para retomar as privatizações. Repetidamente, eles se aproveitam da bagunça nacional para pregar sua agenda econômica: Estado mínimo, com a desconstrução de todas as estatais e remoção de diversos diretos sociais. Criam a imagem de um governo incompetente e corrupto, cuja única salvação é a anulação completa.

    Fazem, assim, uma jogada combinada a mando das multinacionais petrolíferas, que possuem também um braço parlamentar no Brasil. Enquanto os jornalistas convencem a população da desimportância das estatais, um grupo numeroso de políticos comandados por José Serra vai empurrando as leis que deixarão nas mãos dessas gigantes o controle do petróleo e do gás. Ainda na terça-feira (12), conseguiram uma grande vitória: deram mais um passo na aprovação da urgência da tramitação da entrega do pré-sal. O requerimento foi aprovado por uma maioria esmagadora na Câmara, 337 votos a favor e 105 contrários.

    Um paradoxo vai se estabelecendo. Ao mesmo tempo em publicam suas reportagens denunciando a corrupção e o estado deteriorado das contas, os grandes veículos exaltam as possibilidades de lucro da Petrobras, dando a entender que o problema se restringe ao governo. Essa contradição tem objetivo claro: criar no mercado a percepção de um bom negócio, enquanto isola a população de participar dessa discussão.

    O jogo duplo desmobiliza as resistências populares contra o entreguismo e faz com que os petroleiros pareçam bandidos por defenderem o que construíram. Mais importante: abre o caminho político para a tomada de controle dos recursos brasileiros pelo empresariado internacional.

    “Retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significa retroceder à lógica predatória e imediatista da época na qual o mercado era dominado por sete grandes companhias internacionais. Significa, em última instância, renunciar à gestão estratégica de um recurso finito e não renovável”, explicou o jornalista Marcelo Zero, comentarista do setor. “Sem essa gestão estratégica, o Brasil poderá se converter em mero exportador açodado de petróleo cru, ao sabor dos interesses particulares e imediatistas de empresas estrangeiras, contribuindo para deprimir preços internacionais e deixando de investir em seu próprio desenvolvimento”, complementou.

    E qual seria o interesse das empresas de comunicação em promover esse cenário? Essencialmente agradar seus anunciantes e donos. São duas realidades atrasadas e que, neste caso, convergem contra os interesses da população: por um lado, há mais de 150 parlamentares que são donos, direta ou indiretamente, de veículos de comunicação pelo país, cujas campanhas políticas foram ou serão financiadas pelas ditas petrolíferas - para eles, defender o interesse dessas gigantes é garantir o próprio futuro em Brasília; por outro lado, grandes anunciantes como bancos e seguradoras são todos acionistas dessas multinacionais, e exigem das redes nas quais anunciam que propaguem visões de realidade que favoreçam seus negócios.

    A estrutura da mensagem abandona a busca pela verdade e se transforma pela conveniência de quem detém o controle das publicações - mais controle da opinião pública, mais dinheiro para os oligopólios e seus mestres. Morre o jornalismo em cada redação.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • A TV Brasil se transforma em TV do Temer

    Não se pode mais chamar a TV Brasil de TV Pública. É triste mas é a verdade. Com a extinção do Conselho Curador, do mandato do presidente da EBC e o fim das garantias de independência, será uma TV governamental. Ou estatal, como gosta de dizer a mídia privada. A não ser que, ao votar a MP 744, o Congresso impeça as aberrações que ela contém. Não tenho esperanças, está tudo dominado naquela Casa pelo espírito do retrocesso.

    E para completar a esquizofrenia do desmonte, a nova direção da empresa negocia acordo com a TV Cultura de São Paulo para retransmitir sua programação. Será a TV do Temer prestando reverência à TV do Alckmin. Sem falar nas irregularidades legais que cercam a nova tomada da EBC, que os iluminados do Ministério Público não enxergam.

    Na vertigem política que açoita o Brasil, a percepção do sentido da desconstrução da EBC é obscurecida pelos fatos graves que acontecem todos os dias. Trata-se de um dos mais toscos e retrógrados subprodutos do golpe. Tosca e truculenta foi a tomada da EBC, pela segunda vez, pelos gestores indicados por Temer, depois da revogação da liminar do ministro Toffoli que havia garantido o mandato de Ricardo Melo. Temer deu a volta no Supremo editando uma medida provisória. Retrógrada é a decisão de rebaixar uma instituição criada e gerida com a participação da sociedade, para prestar serviços de comunicação pública, nos termos previstos pela Constituição, a um mero aparelho de comunicação governamental. Isso é involução, atraso, caranguejada. Um triste sinal dos tempos.

    Depois das violências de maio, quando tomou posse pela primeira vez, sendo afastado pela liminar do STF, o novo presidente, Laerte Rimoli, voltou a ocupar a presidência da EBC com truculência: demitindo, injuriando antigos gestores, desconstruindo a institucionalidade erigida nos últimos anos. Depois que ele foi exonerado por força da liminar de Toffoli, Temer sancionou a lei das estatais, que impede a ocupação de cargos de direção em empresas públicas por quem tenha atuado em campanhas eleitorais. É o caso dele, que trabalhou na de Aécio Neves. Mas o governo contornou a situação, deu um jeitinho. A Advocacia Geral da União, sob nova direção, decidiu que não seria preciso nomeá-lo novamente, através de um decreto que trombaria com a lei. E assim está sendo.

    Nos últimos oito anos, a TV Brasil construiu uma rede com emissoras educativas estaduais e independentes. Os contratos de rede foram revogados. Produziu conteúdos que alimentaram sua grade e a das emissoras parceiras. Licenciou conteúdos de qualidade, dos produtores nacionais independentes e de emissoras públicas internacionais. Tem um riquíssimo banco de conteúdos, alguns próprios, outros em parceira com produtores brasileiros. Tem acervo e tem equipamentos modernos para continuar produzindo. Mas produzir para quê? Devem se perguntar os gestores. Está em marcha o acordo com a TV Cultura para reproduzir sua programação.

    A parceria com a emissora paulista é desejável e começou em minha gestão, quando firmamos o acordo que garantiu o abrigo dos transmissores do canal paulista da TV Brasil na torre do Sumaré. Em troca, a EBC forneceu à TV Cultura seu primeiro transmissor digital. Outros acordos foram firmados, inclusive para coproduções. Mas trocar uma grade própria pela de outra emissora tem o propósito de desmontar a TV Brasil, de reduzi-la a nada. Melhor que a reduzam logo, e explicitando isso na lei que está sendo alterada, à condição real de emissora governamental. Será jogo mais limpo.

    A História não acaba em Temer. A luta pela comunicação pública não acaba com o desmonte da EBC. Será retomada, haverá reconstrução, à luz da Constituição. O que é inaceitável é não dar às coisas seu devido nome. Temer e seu governo precisam assumir que estão desconstruindo a maior experiência de comunicação pública que o país já teve. É simples. Basta que digam, inclusive na MP: não haverá mais canais públicos, apenas governamentais. Pois assim já é na prática, embora não esteja dito na MP 744, que vem recebendo dezenas de emendas, tentando consertar o estrago.

    As chances de restauração da Lei 11652/2008 são poucas, sejamos realistas. Mas uma coisa devemos exigir: sem que isso aconteça, não chamem a TV Brasil de TV Pública. Eu chamarei de TV do Temer.

    Tereza Cruvinel é jornalista e foi presidente-fundadora da Empresa Brasil de Comunicação na presidência de Lula. Atualmente é colunista do Brasil 247.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

  • As inscrições para o encontro Visão Classista sobre a Diversidade Social terminam na sexta (11)

    As inscrições para o encontro nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social, se encerram nesta sexta-feira (11). O evento Acontece entre os dias 18 e 20, no Rio de Janeiro. Participe!

    “O objetivo é justamente levar para esse encontro toda as demandas dos setores sociais mais atingidos pelo golpe de Estado que tirou a presidenta Dilma do poder”, diz Celina Arêas, secretária de Formação e Cultura da CTB.

    Ela explica que o evento espera contar com a participação de 150 pessoas, indicadas pelas seções estaduais da central. “É muito importante a participação de todos e todas que tenham ligação com o tema da diversidade brasileira”, afirma.

    Trata-se, de acordo com Arêas, de um encontro de formação para elevar o patamar dos debates acerca dos temas trabalhados pelas seis secretarias envolvidas: Comunicação, Formação e Cultura, Igualdade Racial, Juventude Trabalhadora, Mulher Trabalhadora e Políticas Sociais.

    Para Arêas, os temas a serem abordados nesse encontro estão na ordem do dia, ainda mais porque são os setores mais atingidos pelos cortes da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241 e pelos desmandos do desgoverno Temer.

    “Nem as mulheres, nem os negros têm representatividade compatível com a sua parcela majoritária na população brasileira e nós precisamos refletir sobre isso. Nesse contexto, é necessário incluir a juventude, que luta por seu espaço, num mundo cada vez mais hostil aos jovens”.

    Por isso, as secretarias de Políticas Sociais e Comunicação aderiram ao projeto para “debatermos o papel da mídia numa sociedade conservadora como a nossa e como resistir para manter as políticas sociais de combate às desigualdades”, reforça Arêas.

    diversidade social ctb

    Ela lembra que as mulheres são 48% do mercado de trabalho, mas exercem poucos cargos de direção, "inclusive no movimento sindical", dia Arêas. Pesquisas comprovam que as mulheres trabalham mais e ganham cerca de 30% a menos, além de sofrerem violências de todos os tipos nas ruas, no ambiente do trabalho e em casa.

    Já na sexta-feira (18), o evento começa às 10h, com apresentação cultural e solenidade de abertura, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro. No período da tarde ocorre uma palestra com o professor Luiz Fernandes (a ser confirmado) sobre a conjuntura nacional.

    A seguir palestra com a professora e socióloga Mary Castro sobre a questão da mulher no mundo contemporâneo. “Ela abordará as diferentes formas de promoção da emancipação humana”, diz Arêas.

    No sábado (19), das 9h30 às 13h ocorrem oficinas com temas relacionados “à igualdade racial, emancipação feminina, diversidade sexual, democratização da comunicação, cultura e a junção de toda essa diversidade para impulsionar as lutas pelas garantias dos nossos direitos”.

    Às 14h ocorre a plenária final e a divulgação da resolução do encontro, como um indicativo para a direção ad CTB sobre os temas debatidos. A noite ocorre uma confraternização e no domingo (20), os participantes do encontro marcam presença na Marcha da Consciência Negra na capital fluminense.

    É importante que as CTBs estaduais promovam encontros para prepararem os representantes que irão participar do encontro. Desde já a Comissão Nacional Organizadora do Encontro se coloca à disposição para acompanhar os encontros estaduais e tirar qualquer dúvida.

    Contatos com:

    Márcia – 11-99678-4934

    Liliana -11-97446-2946

    Portal CTB 

  • China anuncia pesquisa para criação de Internet 5G

    O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China anunciou nesta quinta-feira (7) que investirá no desenvolvimento da tecnologia de quinta geração de Internet móvel - popularmente apelidada de "5G", em referência ao 4G atual. O calendário do governo chinês prevê que o projeto seja concluído até 2018, com prestadores de serviços e telecomunicações preparados para o mercado já em 2020.

    A expectativa entre especialistas é que, quando concluída, a malha 5G consiga prover velocidades até 10 vezes maiores que o atual padrão de rede móvel - na prática, isso significaria que um vídeo em alta definição, que hoje é baixado em 10 minutos, teria o tempo de download diminuído para 8 segundos. Além disso, por causa de modernizações no roteamento dos sinais, a rede super-rápida aumentaria em 1.000 vezes o número de conexões disponíveis em cada antena.  

    "O objetivo da investigação será apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de padrões globais 5G e promover o setor de telecomunicações", disse Cao Shumin, chefe da equipe de pesquisa e desenvolvimento de 5G subordinado ao ministério. "A China tem feito progressos em algumas áreas de investigação essenciais relacionadas com a tecnologia 5G", disse o engenheiro-chefe do ministério, Zhang Feng. Desde 2013, eles têm sido dois dos principais membros da força-tarefa formada pelo ministério para o assunto.

    O desenvolvimento de uma malha de comunicação que supere o protocolo LTE atual (4G) é de grande interesse para a China, que é o país com o maior número de internautas no mundo. O censo mais recente do país mostrou que nada menos que 905 milhões de usuários usam a rede de Internet móvel do país - dentre esses, cerca de 380 milhões são usuários de 4G. Com todas as principais companhias nacionais de telecomunicação envolvidas no projeto, espera-se inclusive o lançamento de uma versão prévia do 5G (chamada "Pré-5G") em território chinês já em 2016.

    Com informações da agência Xinhua

  • Contra decisão do STF, Temer encaminhará projeto de lei para extinguir a TV Brasil

    O presidente interino e ilegítimo Michel Temer não se intimidou com a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da exoneração do diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Ricardo Melo. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (17) na Folha de S.Paulo, ele deverá encaminhar projeto de lei ao Congresso para alterar a legislação da EBC, o que vai resultar no fechamento da Tv Brasil e do Conselho Curador da empresa. A mídia golpista aplaude.

    A abordagem da matéria do jornal dos Frias mostra o jogo duplo da Folha, que alardeia as delações contra Temer, para posar de isenta junto à população, enquanto tenta reduzir a um simples jogo de interesses os ataques à tv Brasil. Não é de se estranhar visto que a própria Folha defende o fechamento da EBC desde que ela foi criada.

    Na opinião de jornalistas que atuam pelo direito à comunicação, a intenção do presidente golpista Temer, levado a essa condição com a apoio da imprensa empresarial, é destruir uma experiência de 8 anos voltada para a construção, de maneira inédita no Brasil, de uma prática de comunicação balizada pelo interesse público. “É a luta pela comunicação pautada pelo interesse público, com uma programação que se distingue da programação da comunicação comercial privada, que está voltada para os interesses comerciais e para a venda de anúncio”, afirmou Renata Mielli, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em reportagem para o Portal Vermelho, no início de junho. No artigo “Valor da comunicação pública é maior que os interesses do governo da vez”, publicado nesta quinta-feira (16) no portal do FNDC, o jornalista Lalo Leal reforça que existem outras formas de fazer rádio e televisão diferentes daquelas que vendem produtos ou arrecadam dinheiro para as igrejas.

    Lalo lembrou que a EBC surgiu para completar o tripé de modelos de radiodifusão no Brasil, dominada pelos modelos privado e estatal. “O privado é o dominante há décadas, o estatal sobrevive com a Voz do Brasil no rádio e a TV NBR e o público, de caráter nacional, começa a ser construído com a EBC que administra hoje duas emissoras de televisão, oito de rádio, duas agências de notícias e uma prestadora de serviços externos”, explicou.

    Renata declarou que o agravamento da crise política e econômica no Brasil desviou o foco de alguns progressos obtidos pela TV pública. “O seu formato (EBC) é uma iniciativa que está em construção. Existem críticas em relação à abordagem de temas que carecem mais de diálogo com o movimento social e de se distanciar mais da grade da comunicação privada, mas isso é um processo de construção política. A EBC só tem oito anos”, lembrou Renata.

    “Na TV Brasil, por exemplo, os programas infantis hoje banidos das emissoras comerciais alcançam as maiores audiências”, lembrou Lalo. Ele destacou ainda na grade da TV Brasil o programa de samba, único na TV aberta brasileira, o espaço para o debate sobre concessões das emissoras, a presença do negro na televisão, a ditadura da imagem da mulher e ainda sobre a onda de intolerância, que estimula a violação aos direitos humanos alimentada pelos programas de tv policialescos. “Coube à TV Brasil, recentemente, colocar no ar o primeiro programa LGBT da televisão brasileira, mostrando com seriedade e respeito um mundo excluído e ridicularizado em outras emissoras. Personagens da vida pública, com algum compromisso com as lutas sociais mais amplas, só encontram espaço nos programas de entrevistas e nos telejornais da TV Brasil”, enfatizou Lalo.

    Por Railídia Carvalho, do Vermelho

  • Demissões em massa no Terra são o raio-x de como a imprensa burla a CLT

    Nesta quinta-feira (6), o grupo de jornalismo Terra anunciou um das maiores demissões da imprensa moderna, com aproximadamente 80% de sua equipe de jornalismo sendo dispensada. São cerca de 60 profissionais, no total, a maior parte deles integrante das sucursais do Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. Essas filiais funcionarão apenas como escritórios comerciais a partir de agora. Somente oito jornalistas devem permanecer no portal, com função de abastecer o site com notícias e conteúdos de parceiros brasileiros.

    Ao Portal Imprensa, o CEO do Terra, Paulo Castro, explicou que as mudanças não têm relação com a atual crise econômica enfrentada pelo Brasil, mas correspondem a “uma reorganização que responde a como o mercado contrata publicidade, de como o mercado remunera a atividade da mídia”, e que “a mudança foi planejada com anos de antecedência”. Castro explicou que o Terra continuará atuando como portal de notícias, utilizando o conteúdo de agências, parceiros e colaboradores. Entre as fontes de notícias que serão priorizadas estão a revista IstoÉ, o diário esportivo Lance! e agências de notícias internacionais EFE e BBC.

    Precarização do trabalho e da diversidade na imprensa

    Apesar de ser apresentado apenas como uma mudança no plano de negócios, o que acontece no Terra é mais um passo no processo de precarização de trabalho e concentração de poder que a imprensa vem atravessando na última década. Ao demitir quase todo o seu quadro de jornalistas, o portal passa a depender da produção de outros veículos, que se vêem projetados em um número cada vez maior de espaços de leitura. A diversidade de vozes fica menor, e com isso desaparecem interpretações alternativas para os fatos públicos. A força dos veículos oligárquicos aumenta a cada nova demissão.

    A isso, os jornalistas costumam dar o nome de “pasteurização jornalística”, por tirar dos veículos individuais a variedade de pontos de vista.

    Ainda mais nocivo para os profissionais do setor é a tendência a que o Terra adere ao dispensar funcionários devidamente contratados, regularizados pela CLT, para buscar material pronto de terceiros. O uso de conteúdo de agências de notícias e repórteres freelancers é um ataque duplo ao mercado de trabalho, pois diminui o número de vagas disponíveis e dá margem a processos de hiperexploração do trabalho, em que o trabalhador é remunerado de forma pobre e não tem nenhuma proteção do vínculo empregatício.

    Assim, a qualquer momento, a empresa pode encerrar a relação contratual sem arcar com o ônus da decisão. E mesmo que a mantenha, não precisa remunerar férias nem prover qualquer espécie de benefício, como o registro no INSS ou a concessão de licença-maternidade.

    Não à toa, as ondas de demissão no jornalismo são normalmente seguidas da contratação de colaboradores freelancers e jornalistas “pejotizados” (que trabalham como Pessoa Jurídica), que recebem pagamento mais baixo e não têm direito às proteções das Leis do Trabalho.

    O que o Terra faz, portanto, é implementar uma forma velada de burlar a CLT. Ele não é o primeiro veículo a fazer isso - a Globo faz isso há uma década em seus próprios portais -, nem será o último.

    Por Renato Bazan, com informações do Portal Imprensa
    Arte: V. Kazanevisky

  • Depois de lei do direito de resposta, Globo apaga reportagens sobre Lulinha

    Depois de se retratar, na primeira página, pelo erro cometido pelo colunista Lauro Jardim contra Fabio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, o jornal O Globo retirou da internet seis publicações da repercussão sobre o caso. Jardim havia dito, equivocadamente, que Fabio teria sido citado na delação de Fernando Baiano como beneficiário de pagamentos de R$ 2 milhões. Como a informação é falsa, Fabio processa O Globo, que tenta se resguardar.

    A medida revela uma tendência derivada da nova lei que regulamenta o direito de resposta a quem se sentir ofendido por algum veículo de imprensa, assinada pela presidenta Dilma Rousseff nesta quinta-feira (12). A partir de agora, o direito de resposta será garantido quando uma reportagem atentar, “ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”. Pelo projeto aprovado, o reclamante tem 60 dias a partir da veiculação da reportagem para solicitar o direito de resposta diretamente ao órgão de imprensa ou à pessoa jurídica responsável. Caso a resposta não seja publicada sete dias após o pedido, o reclamante poderá recorrer à Justiça.

    Leia, abaixo, a nota em que O Globo explica a retirada das reportagens:

    O GLOBO eliminou de seu site, e outros canais digitais, matérias relacionadas à notícia publicada com erro envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula. Como já noticiado pelo jornal, ele não foi citado pelo lobista Fernando Baiano na delação que fez na Operação Lava-Jato. O GLOBO, na coluna de Lauro Jardim do dia 11 de outubro, errou ao dizer que Baiano afirmara ter dado R$ 2 milhões para pagar contas de Lulinha. Na verdade, Baiano não citou o nome e disse que o também lobista e pecuarista José Carlos Bumlai é que pediu o dinheiro alegando que seria para uma nora de Lula.

    A correção foi publicada na primeira página do jornal impresso, na capa do site e no blog de Lauro Jardim no último dia 8 de novembro.

    Por questões tecnológicas, a correção nos textos de outras matérias relacionadas ao caso faria com que seus títulos, baseados na informação original com erro, fossem publicados novamente. Assim, para evitar a replicação do erro, as seguintes matérias foram retiradas da rede:

    Para oposição, revelação de Baiano sobre Lulinha é grave

    http://oglobo.globo.com/brasil/para-oposicao-revelacao-de-baiano-sobre-lulinha-grave-17749460

    Oposição cobra explicação de filho de Lula sobre contas

    http://oglobo.globo.com/brasil/oposicao-cobra-explicacao-de-filho-de-lula-sobre-contas-17752474

    PPS solicita a Janot acesso à delação de Fernando Baiano

    http://oglobo.globo.com/brasil/pps-solicita-janot-acesso-delacao-de-fernando-baiano-17757496

    Lulinha nega ter tido despesas pagas por delator

    http://oglobo.globo.com/brasil/lulinha-nega-ter-tido-despesas-pagas-por-delator-17750470

    STF nega a Lulinha acesso à delação da Lava-jato

    http://oglobo.globo.com/brasil/stf-nega-lulinha-acesso-delacao-da-lava-jato-17853291

    Lulinha e Cunha têm o benefício da dúvida, diz peemedebista

    http://oglobo.globo.com/brasil/lulinha-cunha-tem-beneficio-da-duvida-diz-peemedebista-17749582

    Com informações do Brasil 247 e do Portal do Senado

  • Especialistas apontam superconcentração da mídia como obstáculo à democracia

    A urgência de democratizar a comunicação no Brasil foi tema de debate no Seminário Internacional Mídia e Democracia nas Américas, realizado em São Paulo no último fim de semana. Entre os convidados para tratar do tema da regulação da imprensa estavam autoridades como Edison Lanza, Relator Especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA), Néstor Busso, ex-presidente do Conselho Federal de Comunicação da Argentina e pai da Lei de Meios em seu país, e Javiera Olivares, presidenta do Colégio de Jornalistas do Chile. O governo brasileiro esteve representado pelo secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José da Silva Filho.

    Entre mais de uma dezena de exposições sobre a situação atual do debate de regulação em toda a América, sobressaíram dois consensos: primeiro, de que diversidade e pluralidade nos meios de comunicação é uma condição fundamental para a garantir a liberdade de expressão; segundo, de que esses meios encontram-se em um estágio agravado de concentração em muitos países do continente, com tendência de piora.

    Aristocracia midiática

    Lanza dedicou boa parte de seu tempo para criticar o falso argumento de que regulação é “censura” - uma lema dos grandes empresários do setor. “São os monopólios e oligopólios atentam contra a democracia e a liberdade de expressão, porque roubam do povo a sua pluralidade de vozes”, disse. “É obrigação do Estado garantir o direito à voz comunitária, e isso parte da regulação do sistema de comunicação”. Ele lembrou que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos assume posições contrárias à excessiva concentração de meios por grupos privados, e concluiu: “É fundamental que haja intervenção em um mercado com tendência ao monopólio”.

    Apesar de o Brasil apresentar um cenário de particular desalento com relação a este tema, com cinco família controlando quase toda a malha de emissoras, surpreende a constatação de que a situação é ainda pior em países cuja política é dominada por lideranças conservadoras. O jornalista Luis Hernández Navarro, editor do jornal mexicano La Jornada, explicou que o México enfrenta hoje uma concentração de 96% das licenças comerciais de televisão nas mãos de duas empresas, além de 80% das rádios nacionais sob a tutela de três círculos comerciais. Javiera Olivares, do Chile, apresentou números parecidos: 90% de concentração da radiodifusão sob o comando de duas corporações. Edgard Rebouças, pesquisador da Universidade do Quebec, no Canadá, mostrou que dois grupos controlam praticamente sozinhos a imprensa canadense.

    Concentração e corrupção

    O professor aposentado Venício Lima, da cadeira de Ciência Política e Comunicação da UnB, avaliou que a regulação não trata apenas de uma questão comercial - ela é necessária para que se criem processos contrários à corrupção da opinião pública. “Se a corrupção é a prevalência de interesses privados e ilegítimos sobre interesses públicos, o que a mídia brasileira faz é corromper a opinião pública”, disse. “A própria elite política da América Latina identificou, em uma pesquisa feita há dez anos, que os meios de comunicação são um dos principais obstáculos para a consolidação da democracia no continente. Se houve alguma alteração nesse panorama, é de que a situação se agravou”, sublinhou.

    Para a Secretaria de Comunicação da CTB Nacional, Raimunda “Doquinha” Gomes, “é preciso fortalecer a mídia alternativa, para que esta sirva de contraponto à mídia burguesa”. A secretária citou o modelo de participação midiática com divisão igualitária entre governo, empresariado e comunidades, implementado com sucesso na Argentina e no Equador, como modelo a ser perseguido, e declarou: “A grande imprensa brasileira não está interessada nas necessidades da população. Burlam a política, burlam a informação e não permitem que a população tome conhecimento dos fatos. O risco atual de um golpe que ela ensaia não é algo que esta limitado ao Brasil, é na América Latina toda”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB
    Foto: Douglas Mansur

  • Fitmetal aprimora sua comunicação e lança novo site

    A Fitmetal lança nesta segunda-feira (15) seu novo site, com o intuito de atender às expectativas dos metalúrgicos e metalúrgicas classistas em ter um meio de comunicação moderno e que seja um contraponto à chamada “grande mídia”.

    O lançamento do site é um marco da nova fase iniciada em 2016 pela Federação, que no último dia 7 de janeiro finalizou seu processo de fundação, ao receber do Ministério do Trabalho o registro sindical.

    O presidente da Fitmetal, Marcelino Rocha, enxerga o novo site como mais um instrumento de promoção dos interesses dos brasileiros. “É necessário que o movimento sindical compreenda seu papel na sociedade. Não podemos admitir que tantos profissionais da comunicação sindical convivam com o massacre da mídia ‘oficial’, que continua deitando e rolando contra a maioria dos interesses do povo brasileiro. A Fitmetal tem o dever de, junto a outros, promover a comunicação real e não a que interessa apenas a elite”, indica o presidente.

    Segundo Marcelino, a autocrítica do movimento sindical nesse momento é necessária, pois ele enxerga que os trabalhadores e trabalhadoras não possuem muitos contrapontos à grande mídia. Para ele, as experiências de comunicação independentes e alternativas aos veículos tradicionais têm sido importantes, porém insuficientes.

    Assim, o novo site corrobora com o compromisso da presidenta Dilma Rousseff que afirmou, no último dia 2 de fevereiro, que irá enviar o Marco Regulatório das Telecomunicações para o Congresso Nacional, com o intuito de regulamentar a Constituição de 1988, para acabar com os monopólios midiáticos e democratizar os meios de comunicação. Para o presidente da Federação, “a regulamentação mais avançada e democratizada da comunicação só faz reforçar as forças democráticas e populares do país”, diz Marcelino.

    DESIGN E ADAPTABILIDADE

    Conforme opinião da Agência SempreViva, responsável pelo site, foram realizadas muitas mudanças em comparação ao site anterior. “Foi feita uma mudança radical de design. O site hoje está muito mais parecido com um site de notícias. E é esse o objetivo. Além de falar da própria FITMetal, disponibilizar conteúdo de interesse dos trabalhadores e da sociedade em geral”.

    Ainda de acordo com a Agência SempreViva, o site está mais bem adaptado para as tecnologias atuais, e pode ser visto no computador, em tablets e celulares. “O site foi refeito com ferramentas mais modernas e as últimas tendências da web em sites editoriais. Para quem acessa ficou mais fácil a navegação e com um design mais próximo com o de uma agência de notícias”.

    CONTEÚDO MAIS AMPLO

    Ao promover as mudanças em seu site, a Fitmetal espera oferecer um conteúdo que tenha como público prioritário os metalúrgicos e metalúrgicas de todo o país, sem deixar de lado os profissionais de outras categorias e todos aqueles que, em seu dia a dia, lutam pela valorização do trabalho e por mais direitos sociais.

    Dessa forma, além das notícias referentes às atividades da Federação e de seus sindicatos filiados, o novo site buscará oferecer um conteúdo que abranja as áreas de política, economia, mundo do trabalho e sindicalismo internacional.

    Para o secretário de Comunicação da Fitmetal, Valdir Silva, esse tipo de conteúdo é cada vez mais uma exigência dos dirigentes sindicais e da classe trabalhadora. “O mundo atual, com a facilidade tecnológica que dispomos, demanda uma comunicação diferenciada e integrada a todas as inovações disponíveis. Vamos dar um passo importante nessa direção a partir deste lançamento”, acentua o dirigente.

    Fonte: FITMetal

  • Fitmetal aprimora sua comunicação e lança novo site

    A Fitmetal lança nesta segunda-feira (15) seu novo site, com o intuito de atender às expectativas dos metalúrgicos e metalúrgicas classistas em ter um meio de comunicação moderno e que seja um contraponto à chamada “grande mídia”.

    O lançamento do site é um marco da nova fase iniciada em 2016 pela Federação, que no último dia 7 de janeiro finalizou seu processo de fundação, ao receber do Ministério do Trabalho o registro sindical.

    O presidente da Fitmetal, Marcelino Rocha, enxerga o novo site como mais um instrumento de promoção dos interesses dos brasileiros. “É necessário que o movimento sindical compreenda seu papel na sociedade. Não podemos admitir que tantos profissionais da comunicação sindical convivam com o massacre da mídia ‘oficial’, que continua deitando e rolando contra a maioria dos interesses do povo brasileiro. A Fitmetal tem o dever de, junto a outros, promover a comunicação real e não a que interessa apenas a elite”, indica o presidente.

    Segundo Marcelino, a autocrítica do movimento sindical nesse momento é necessária, pois ele enxerga que os trabalhadores e trabalhadoras não possuem muitos contrapontos à grande mídia. Para ele, as experiências de comunicação independentes e alternativas aos veículos tradicionais têm sido importantes, porém insuficientes.

    Assim, o novo site corrobora com o compromisso da presidenta Dilma Rousseff que afirmou, no último dia 2 de fevereiro, que irá enviar o Marco Regulatório das Telecomunicações para o Congresso Nacional, com o intuito de regulamentar a Constituição de 1988, para acabar com os monopólios midiáticos e democratizar os meios de comunicação. Para o presidente da Federação, “a regulamentação mais avançada e democratizada da comunicação só faz reforçar as forças democráticas e populares do país”, diz Marcelino.

    DESIGN E ADAPTABILIDADE

    Conforme opinião da Agência SempreViva, responsável pelo site, foram realizadas muitas mudanças em comparação ao site anterior. “Foi feita uma mudança radical de design. O site hoje está muito mais parecido com um site de notícias. E é esse o objetivo. Além de falar da própria FITMetal, disponibilizar conteúdo de interesse dos trabalhadores e da sociedade em geral”.

    Ainda de acordo com a Agência SempreViva, o site está mais bem adaptado para as tecnologias atuais, e pode ser visto no computador, em tablets e celulares. “O site foi refeito com ferramentas mais modernas e as últimas tendências da web em sites editoriais. Para quem acessa ficou mais fácil a navegação e com um design mais próximo com o de uma agência de notícias”.

    CONTEÚDO MAIS AMPLO

    Ao promover as mudanças em seu site, a Fitmetal espera oferecer um conteúdo que tenha como público prioritário os metalúrgicos e metalúrgicas de todo o país, sem deixar de lado os profissionais de outras categorias e todos aqueles que, em seu dia a dia, lutam pela valorização do trabalho e por mais direitos sociais.

    Dessa forma, além das notícias referentes às atividades da Federação e de seus sindicatos filiados, o novo site buscará oferecer um conteúdo que abranja as áreas de política, economia, mundo do trabalho e sindicalismo internacional.

    Para o secretário de Comunicação da Fitmetal, Valdir Silva, esse tipo de conteúdo é cada vez mais uma exigência dos dirigentes sindicais e da classe trabalhadora. “O mundo atual, com a facilidade tecnológica que dispomos, demanda uma comunicação diferenciada e integrada a todas as inovações disponíveis. Vamos dar um passo importante nessa direção a partir deste lançamento”, acentua o dirigente.

    Fonte: FITMetal

  • FNDC lança campanha para fortalecer a luta pela democratização da comunicação

    Por meio da campanha “Fortaleça a Luta pela Democratização da Comunicação”, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) convoca as entidades da sociedade civil a apoiarem a luta por diversidade e pluralidade na mídia. A campanha, lançada nesta terça-feira (14), estimula a adesão de novas entidades e a regularização financeira das entidades já filiadas. A filiação pode ser feita diretamente pela internet, sem burocracia, através do Sistema de Filiação online. Aprimorado, o sistema também passa a permitir doações avulsas, inclusive de pessoas físicas. 

    Criado em 2016 para facilitar a aproximação com entidades nacionais e regionais, o Sistema de Filiados do FNDC recebeu adesão recorde ao longo do último ano, com mais de 500 filiações. Agora, novas entidades podem se somar nessa luta e aquelas que já fazem parte do Fórum também poderão regularizar suas contribuições e participar das instâncias deliberativas da entidade, como a Plenária Nacional, que em este ano será realizada durante o 3º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), em Brasília (DF).

    A coordenadora-geral do Fórum, Renata Mielli, lembra que nesses 25 anos de história a entidade vem atuando com apoios de organizações internacionais e algumas contribuições do movimento social nacional. “Precisamos ir além, dar o primeiro passo no caminho da independência financeira da nossa entidade. Para isso, é necessário ampliar a participação da sociedade civil organizada do Fórum e garantir que as entidades filiadas mantenham suas contribuições em dia”.

    fndc apoio

    Atualmente, o FNDC está organizado em quase todo o território nacional, por meio de 20 comitês regionais e estaduais, e congrega, entre suas mais de 500 entidades filiadas, associações, sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais e coletivos. Com sede em Brasília, o Fórum organiza atividades locais e regionais, acompanha a pauta legislativa no Congresso Nacional e produz a revista MídiaComDemocracia, além de desenvolver campanhas como a Calar Jamais!, lançada no ano passado para denunciar o agravamento das violações do direito à liberdade de expressão no país após a ascensão do governo golpista.

    “Mais do que nunca, precisamos do apoio do movimento sindical brasileiro para continuar produzindo informações sobre o direito à comunicação, desenvolvimento campanhas e discutindo de forma aprofundada a importância de combater o monopólio privado nos meios de comunicação, enfrentar a ofensiva dos grandes grupos econômicos no campo da internet e enfrentar a desnacionalização da economia no terreno das telecomunicações”, enfatiza Renata.

    Doações online

    A novidade desta campanha é a plataforma para doações online. Voltada para pessoas físicas e organizações que não estão filiadas ao Fórum, mas desejam contribuir com a luta pela democratização da comunicação, essa plataforma aceita doações a partir de R$ 30, via boleto ou cartão de crédito. Os recursos serão destinados exclusivamente para financiar ações do FNDC para promoção de políticas públicas de comunicação.

    Apoie o FNDC!

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    Fonte: FNDC

  • FNDC realiza reunião do conselho deliberativo sobre 2016. Evento teve convidados especiais

    O Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC) realizou na última sexta-feira e sábado (27 e 28) mais uma reunião de seu conselho deliberativo. O evento trouxe entidades e comitês que compõem o seu conselho para em São Paulo (SP), na sede do Centro Barão de Itararé. A pauta dos reunidos foi um debate conjuntural na sexta-feira, seguido no sábado pela construção de estratégias e um calendário de atividades e mobilização para levar adiante a luta pela efetivação do direito à comunicação no Brasil.

    Entre os convidados especiais da reunião estiveram a comunicadora social Nilza Iraci, diretora do Geledés Instituto da Mulher Negra; o advogado Paulo Mariante, presidente do Conselho de Direitos Humanos de Campinas-SP e coordenador de direitos humanos do grupo Identidade; Bruna Provazi, militante feminista e organizadora da Marcha Mundial das Mulheres; e Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Todos eles falaram sobre experiências recentes em que a discussão da comunicação se misturou com seus respectivos movimentos.

    Para Iraci, o momento traz um novo significado para a luta pela liberdade de expressão, pois essa se confunde com a liberdade da manifestação do ódio. "A mídia conservadora age livremente, desrespeitando a concessão de um espaço público e a Constituição Federal. Ao mesmo tempo, assistimos a uma reação rápida e implacável das pessoas contra essas manifestações de ódio. Tudo indica que há uma consciente crescente da população contra o ódio e a discriminação", refletiu. Para a militante, os agressores só fazem essas coisas porque acreditam que a Internet é uma terra sem lei, mas seus ataques são apenas uma extensão das violências cotidianas que afligem as parcelas de população chamadas de "minorias". "A luta pela liberdade de expressão deve ser acompanhada da luta pelo que é humano e o que é diverso. Na origem de todos os fascismos sempre esteve a indisposição das pessoas em defender minorias", concluiu.

    Mariante falou sobre sua experiência de enfrentamento diante do apresentador João Kleber, que conduz na RedeTV! um programa de auditório repleto de atitudes discriminatórias. Recentemente, o advogado conseguiu na Justiça o bloqueio completo do sinal da emissora, depois de um caso flagrante de homofobia perpertrado pelo programa. Depois de 25 horas fora do ar, a RedeTV! fechou um acordo com o Ministério Público para substituir o programa condenado por uma série de especiais sobre as lutas sociais, produzidos e protagonizados pelos próprios movimentos. "A luta pelos direitos não deve ser pulverizada. Com a ajuda do Intervozes, tiramos a RedeTV! do ar. O acordo permitia o quadro de uma hora para entidades do movimento LGBT, mas foi deles a decisão de dividir o horário com outros movimentos", explicou. "Usamos esses 30 dias para mostrar que é possível fazer uma TV diferente", continuou.

    A militante da Marcha Mundial das Mulheres, Bruna Provazi, focou sua fala nas possibilidades que a Internet deu ao movimento feminista. "Foi um novo fôlego que encontramos. O conservadorismo também encontrou uma nova forma de espalhar ignorância. Ao mesmo tempo em que avançamos, a contraofensiva chega forte", disse. Ela explicou que a mídia de massas tenta acompanhar o que acontece na rede, mas ainda trata a mulher apenas como publico, não como voz ativa. Um caso de exceção importante a este comportamento foi o movimento #AgoraÉQueSãoElas, em que colunistas de diversos veículos cederam seus espaços para vozes femininas de distintas origens. No total, mais de 100 jornalistas participaram dessa campanha.

    Por último, Camila Lanes falou sobre as ocupações das escolas e sua relação conturbada com a imprensa, que se posta fielmente ao lado do governo do estado. A estudante contou que este ato de resistência à "reestruturação" das escolas públicas estaduais nasceu da Internet. Logo, foi apelidada de "primavera secundarista" pelos estudantes, que já estão em mais de 230 escolas. Por causa da atitude condenatória da grande imprensa, as ocupações decidiram permitir apenas à mídia alternativa o acesso às escolas, devido ao papel de defesa que empenharam. Conforme o movimento ganha corpo, os próprios estudantes passam a se articular para fazer as coberturas das ocupações, contando suas próprias histórias - os que são interessados em comunicação, pelo menos. Ela agradeceu os presentes, em nome dos estudantes, pelo apoio que têm recebido no processo de exposição da luta.

    O FNDC divulgará em breve o calendário decidido no sábado.

    Portal CTB

  • Formação: CTB realiza curso "Pleno emprego como fundamento da Democracia"

    A Secretaria nacional de Formação e Cultura da CTB realiza no dia 31 de janeiro, das 10h às 17h, no Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, localizado na Rua André Cavalcante, 33 - Lapa,  o curso presencial "Pleno emprego como fundamento da Democracia".

    O curso será ministrado pelo economista e professor José Carlos de Assis e é inteiramente gratuito, tendo como público-alvo os militantes de sindicatos filiados e núcleos da CTB. 

    Inscreva-se aqui!

    "Em tempos bicudos de aumento do desemprego, a compreensão de que ¨sem pleno emprego não há plena democracia¨é fundamental para compreender a centralidade do emprego no processo de desenvolvimetno. No curso, o professor José Carlos de Assis faz uma retrospectiva das principais teorias econômicas sobre a questão do emprego, abordando ainda a dinâmica do desemprego no capitalismo", ressaltou o secretário de Formação da CTB, Ronaldo Leite.

    Acompanhe temas que serão abordados no curso:

    1. A dinâmica do desemprego no capitalismo: descompasso entre produção de bens e produção de máquinas;
    2. Ciclos econômicos (Marx);
    3. Crise Financeira (Minsk);
    4. O exército industrial de reserva (Marx);
    5. Crise social provocada pelo desemprego e crise política: os anos 30;
    6. Política econômica para reverter o desemprego: Keynes;
    7. Financiamento do consumo através do déficit público; essencialidade do déficit em situação de recessão prolongada ou grande depressão;
    8. Interesse financeiro dos banqueiros e financistas em impedir o déficit público ou o aumento da dívida pública: inflação e credibilidade da dívida;
    9. O mantra universal dos neoliberais segundo o qual o Estado não pode, em nenhuma circunstância, inclusive em situação de alto desemprego, gastar mais do que arrecada;
    10. Análise dos argumentos: inflação e credibilidade da dívida.

     

    Biografia

    José Carlos de Assis é jornalista, economista político, professor, autor de mais de 25 livros sobre Economia Política e Filosofia Política.

    Inscreva-se aqui!

    Portal CTB

  • Fórum de Governança da Internet em João Pessoa abre com presença de fundador da Internet; assista

    Aproximadamente 5 mil pessoas se encontram a partir desta terça-feira (10) no Fórum de Governança da Internet (IGF), em João Pessoa, para discutir o papel da rede mundial de computadores na Agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030 da ONU. O evento vai até a sexta-feira (13). Entre dezenas de representantes de diferentes governos nacionais, o encontro terá a presença de figuras como Lenni Montiel, secretário-geral das Nações Unidas para o Desenvolvimento Econômico, o ministro das Comunicações brasileiro, André Figueiredo, e até mesmo o fundador da Internet, Vinton Cerf.

    O evento está sendo transmitido integralmente em tempo real pelo YouTube, através de seu canal oficial. Você acessá-lo CLICANDO AQUI. Alternativamente, é possível assistir ao evento pelo webcast oferecido.

    Este é décimo encontro do tipo, mas o primeiro a ser sediado depois da aprovação da nova agenda de desenvolvimento da ONU. Entre as metas estabelecidas pelo documento, encontra-se o objetivo de “aumentar significativamente o acesso à informação e à tecnologia da informação, e lutar pelo provimento universal e acessível da Internet nos países menos desenvolvidos até 2020”, cujas implicações iriam do setor educacional até a própria segurança alimentar.

    O tema do IGF deste ano é “Evolução da Governança da Internet: Empoderando o Desenvolvimento Sustentável”, em consequência tanto da agenda recém-aprovada quando pela iminência da realização da cúpula mundial de discussões sobre o clima, a COP-21. Entre os debatedores, assuntos como segurança de dados, economia digital, transparência, diversidade e defesa dos direitos humanos serão discutidos nas diferentes experiências internacionais, desde países com controle restritivo das comunicações, como a China, até nações com liberdade de expressão garantida, como o Brasil.

    Apesar de não ter poder de vinculação legal em suas declarações, o IGF tem um papel fundamental no desenho da Internet atualmente. Desde 2006, quando foi fundado, o Fórum contribui com a formação de consensos e lideranças nos assuntos da rede, traçando a rota para negociações multilaterais e regulações internacionais. No Brasil, por exemplo, o encontro teve um papel ativo na orientação do Marco Civil da Internet, cujo texto final manteve-se fiel aos princípios da neutralidade por atuação de autoridades avalizadas pelo encontro.

    A Assembleia Geral da ONU considera atualmente estender a representatividade do Fórum de Governança da Internet para dentro da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS), o encontro mais importante sobre o tema das tecnologias da comunicação em instância mundial. A próxima edição do WSIS acontecerá em Genebra, na Suíça, em maio do ano que vem.

    Com informações do IGF

  • Instituto Barão de Itararé sedia debate "A mídia e a cultura do silêncio" na próxima segunda (3)

    Na próxima segunda-feira (3), o Instituto Barão de Itararé sediará o lançamento do livro "Cultura do silêncio e democracia no Brasil: Ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015)", de Venício Lima. A ocasião servirá para debater "a mídia e a cultura do silêncio" no país, com uma mesa composto por Lima, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) e da deputada Luciana Santos (PCdoB-PE). A atividade, marcada para as 19h, é aberta ao público.

    A comunicação e a defesa da liberdade de expressão são temas recorrentes na extensa obra de Venício Lima. Composto de 20 ensaios, "Cultura do silêncio e democracia no Brasil" traz uma reflexão profunda sobre o tema, sempre sob a ótica da democracia, princípio historicamente ausente quando se trata da mídia no Brasil.

    No site do Barão estão publicadas duas resenhas sobre a nova obra: uma de Emiliano José e outra de Tereza Cruvinel, que escreveram suas impressões sobre a obra.

    Serviço

    Lançamento e debate do livro "Cultura do silêncio e democracia no Brasil"
    Onde? Instituto Barão de Itararé - Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 - República - São Paulo
    Quando? Segunda-feira, 3 de agosto.
    Horário? 19h.
    Entrada gratuita.

  • Para que sindicato? Por que comunicação?

    O título deste breve artigo também poderia ser: "Até quando o movimento sindical vai seguir subestimando a importância da comunicação?" Ou, "Até quando o movimento sindical continuará apostando em estratégias de comunicação superadas há mais de 20 ou 30 anos?"

    Há muito tempo, temos tentado chamar a atenção sobre o anacronismo que caracteriza a comunicação praticada pelas entidades sindicais. São, em geral, modelos totalmente superados, que pouco ou quase nada conseguem frente à complexa disputa simbólica que há na sociedade e, sobretudo, nas relações entre capital e trabalho.

    O movimento sindical brasileiro, com raríssimas e honrosas exceções (sim! existem excelentes trabalhos de comunicação no movimento sindical, mas são pouquíssimos!), não compreende a dimensão estratégica da comunicação nas disputas sociais. Na maioria dos sindicatos, a comunicação é tratada de forma secundária e meramente instrumental - é velha, na sua gestão e execução. 

    Tampouco se percebe vontade política nas entidades para contribuir, de forma decisiva, na construção ou no fomento de canais alternativos de comunicação para a sociedade; ou de participação ativa na luta e nos movimentos pela democratização do sistema de comunicação altamente excludente e antidemocrático existente no país. 

    Os dirigentes sindicais precisam saber que não sabem

    Os dirigentes sindicais ainda acreditam que a transmissão do DISCURSO DURO e a "sua verdade" são suficientes para conquistar “os corações e as mentes” da classe trabalhadora, menosprezam, assim, a FORMA e os CANAIS adequados à mensagem. 

    Muitos dirigentes sindicais (nem todos, mas quase todos) não valorizam a inteligência, nem os profissionais da área, e desconhecem completamente as habilidades complementares que formam o "modus-operandi" da comunicação e suas especificidades (jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas). Não raro, acreditam saber mais que aqueles que se formaram para trabalhar na área. Além disso, negligenciam aspectos centrais que caracterizariam uma política de comunicação avançada, moderna e capaz de superar o atraso existente no meio sindical. 

    Cito aqui alguns destes aspectos, absolutamente decisivos para uma política de comunicação que queira realmente fazer a diferença em uma entidade sindical, mas que raríssimas possuem: 

    • o uso de PESQUISAS de opinião qualitativas e quantitativas para conhecer melhor e com mais profundidade os trabalhadores e as trabalhadoras, seus anseios, dificuldades, necessidades e opiniões; 
    • a necessidade da gestão de IMAGEM da entidade sindical, ou seja, saber como ela é percebida pela base e pela sociedade em geral, e o que fazer para que esta imagem seja alterada positivamente; 
    • a importância fundamental da unidade entre FORMA e CONTEÚDO em um sistema de comunicação, tendo em vista a complexidade que há na relação entre estes dois elementos, e a questão estética e simbólica na comunicação; 
    • a necessidade de um SISTEMA de comunicação sindical, em cada entidade, com a definição precisa dos canais de comunicação para se atingir e dialogar de forma efetiva com a base e a sociedade (o que é crucial para a já citada gestão da imagem); 
    • as relações com a chamada "grande mídia": como utilizar e disputar estes espaços (isto também é, em geral, fazer política); 
    • participar ativamente de uma agenda efetiva pela construção de mídias alternativas e integradas com as lutas sociais dos trabalhadores e da sociedade: portais de informação, blogs, TVs e rádios comunitárias, jornais locais, grupos de discussão, iniciativas culturais, coletivos, etc; 
    • e, JUNTO DISSO TUDO, o novo desafio que é constituir inteligência e ter políticas de comunicação para as REDES SOCIAIS, o que exige ainda mais compreensão sobre o seu funcionamento, domínio de dados, tecnologias e AINDA MAIS INVESTIMENTO por parte das entidades.

    A letargia, quando vai acabar?

    O movimento sindical, ainda hoje - após um ano da implementação da reforma trabalhista - está mais para "um trem desgovernado" do que para aquilo que a nova realidade impõe: a reinvenção da ação sindical, o que passa, necessariamente, por uma nova relação simbólica com as bases e a sociedade. 

    O problema também está ai: a comunicação faz parte daquelas ações estratégicas que dependem de clareza sobre posicionamento e rumo, perspectivas de médio e longo prazos. Se as entidades sindicais têm tido dificuldades para engendrar as mudanças que necessitam agora e para o futuro (sim, qual é o futuro?), isto tende a ser uma dificuldade adicional para a comunicação. Se você não sabe direito para onde vai, como vai saber o que e como comunicar? E o que fazer com sua imagem?

    Quando o movimento sindical necessitou mais de comunciação? 

    Nos setores de comunicação dos sindicatos, pouco tem se percebido de iniciativas novas ou reação por parte das entidades. Não há nenhuma reinvenção à vista, embora fosse necessária em função da nova realidade que se impôs com a reforma trabalhista! O termo “disrupção” e seu conceito tão em voga hoje em dia nos mais diversos setores da sociedade tem passado longe. O que os profissionais da área estão vivendo é uma brutal diminuição nas já precárias estruturas de comunicação e nos investimentos. Muitos jornalistas e comunicadores estão sendo demitidos ou (com sorte) precarizados. 

    Porém, aqui reside uma evidente contradição: Quando o movimento sindical necessitou mais de comunicação do que neste momento? 

    Não dá para desconhecer que, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope Inteligência, com foco no Índice de Confiança Social (ICS) das instituições brasileiras, divulgada em agosto de 2018, o nível de confiança nos sindicatos estava no menor patamar dos últimos 10 anos. Em uma escala de 0 a 100, era de apenas 35 pontos. 

    Outro dado importante é o que trouxe pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontou que, em 2015, apenas 19,5% dos trabalhadores brasileiros eram sindicalizados. O estudo mostrou que o principal motivo para a não associação era desconhecer qual sindicato representava a categoria! Somente aqui reside um brutal problema de comunicação, em escala gigante!

    Dentre os trabalhadores não sindicalizados, 26,4% afirmaram que não sabiam qual era a sua entidade representativa. Outros 23,6% disseram que não se sindicalizavam porque o sindicato não oferecia serviços que lhes interessavam. Já entre aqueles que se filiaram a algum sindicato, 50,8% disseram que se associaram por acreditar que a entidade defendia os direitos dos trabalhadores e 79,1% não usavam os serviços oferecidos pelos sindicatos.

    Os dois exemplos servem para reforçar a necessidade de uma política de comunicação ESTRATÉGICA, que seja capaz de enfrentar o problema do necessário reposicionamento de imagem das entidades sindicais, bem como mostrar para que serve o sindicato, o que faz pelos trabalhadores e trabalhadoras, por suas famílias. 

    Isto se torna ainda mais urgente agora, num momento em que as narrativas do mercado e do governo (o atual, e o que vai assumir) caminham no sentido de "vender" como positiva a ideia ultraliberal de que o trabalhador não necessita de Estado, nem de sindicato. E que as relações de trabalho podem ser resolvidas em negociação direta e individual com o patrão.

    Por isso, é muito importante (muito mesmo!) o reposicionamento de imagem e da ação sindical das entidades. Os sindicatos necessitam estar fortalecidos e ter perspectivas diante das novas dificuldades e dos novos desafios. Isto passa, sobretudo, por encontrarem um novo equilíbrio para sua manutenção. Fala-se que um patamar ideal de sustentabilidade para as entidades inicia com cerca de 60% da categoria associada. E a experiência mostra que quando há confiança no sindicato, a filiação é um processo natural. Olha ai de novo a necessidade da gestão da imagem!

    Ou seja, para garantir a sua sobrevivência, os sindicatos necessitam de reposicionamento estrutural e de imagem. Isto implica na urgente ampliação no número de sócios com campanhas bem estruturadas e bem resolvidas quanto às suas estratégias de comunicação.

    O sucesso de uma campanha de sindicalização depende de vários fatores, mas os principais são: se o apelo e a narrativa da campanha estão bem construídos (bem sintonizados quanto às expectativas da base e em relação à conjuntura); e se a imagem da entidade e de seus dirigentes, direção executiva e de base, são boas. Para que sindicato? O que o trabalhador ganha ao ser sócio? São questões aparentemente simples, mas difíceis de serem respondidas na atualidade.

    A nova cultura da comunicação e os sindicatos

    Um grande desafio é atualizar os sistemas de comunicação das entidades, com investimento “pesado" na utilização das redes sociais e suas novas ferramentas, além de promover a sintonia da luta sindical com a nova cultura da comunicação.

    A recente eleição presidencial mostrou o quanto as redes sociais cresceram e o grau decisivo que possuem na vida das pessoas. Mais do que processos de comunicação, elas permitem processos de organização.

    O Facebook atingiu a marca de 127 milhões de usuários ativos no Brasil, segundo dados do primeiro trimestre de 2018. Destes, 90% usam a rede a partir de dispositivos móveis, principalmente smartphones.

    Já o WhatsApp está com mais de 120 milhões de usuários ativos no país. O Instagram, que tem crescido muito no Brasil, já supera os 50 milhões de usuários, e o Twitter conta com cerca de 41 milhões de usuários.

    Em que pese, nos últimos tempos, o Facebook e a Cambridge Analytica estarem no centro da acusação das redes sociais serem inimigas da democracia. A Cambridge Analytica teria usado informações pessoais de milhões de usuários do Facebook para configurar campanhas de propaganda política, manipulando as emoções dos eleitores, em casos como o das presidenciais de 2016 nos EUA, ganhas por Donald Trump. Ou no caso mais recente das eleições no Brasil, com a utilização massiva das redes sociais, especialmente do WhatsApp, na difusão de notícias falsas que beneficiaram a eleição de Bolsonaro, cabe destacar a urgente necessidade de o movimento sindical brasileiro dominar as novas tecnologias e utilizar as novas plataformas de maneira efetiva na relação com os trabalhadores e a sociedade. E isto necessita de investimento!

    O que fazer?

    Mais do que nunca, o principal desafio da luta social no momento que vivemos é buscar um "mergulho na base". Recuperar representatividade, diálogo e força junto aos trabalhadores e à sociedade. Isto é possível, mas não se pode mais perder tempo. É preciso fazer a mudança!

    No caso do movimento sindical, dois desafios imediatos se inter-relacionam: a luta de resistência diante dos ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, e a necessidade de construir um novo modelo de atuação, representativo e sustentável frente ao fim do imposto sindical e aos ataques que visam o enfraquecimento das entidades. Existe um ponto de equilíbrio sustentável que precisa ser encontrado, isto passa pela ampliação no número de sócios e a modernização da gestão das entidades.

    Só que as velhas estruturas não servem mais e, provavelmente, não sobreviverão! É necessária uma rápida reinvenção, com entidades mais modernas, representativas e ampliadas horizontalmente, com capacidade de representar e organizar não só as bases diretas e constituídas - os empregados -, mas também o precariado, os desempregados.

    É necessário construir novas formas de contato com os trabalhadores e a sociedade. O velho modelo dos anos 1980, das assembleias (e somente presenciais), está superado faz tempo. Elas ainda são muito importantes, mas hoje é possível constituir outras formas, tais como: ações sociais, programas de formação, oficinas culturais, programas de solidariedade mútua, estruturas de comunicação alternativas, grupos de mães, cinema comunitário, atividades de lazer, são algumas das novas possibilidades (nem tão novas assim!).

    Estamos vivendo uma era de comunicação e subestimar isso pode ser fatal. Não basta ser, tem que parecer ser! A comunicação é, portanto, elemento decisivo e estratégico para a luta social dos trabalhadores - e não um mero instrumento. 

    É preciso recuperar o terreno perdido. Reconectar-se com os trabalhadores, firmar e ampliar os laços do sindicato com a base e a sociedade e fazer a disputa de narrativa com os setores conservadores. Fortalecer a necessidade da luta coletiva, da solidariedade, da união, de que é preciso estar juntos - ao lado do sindicato - para resistir e defender os direitos. O modelo que querem implantar no Brasil é, cada vez mais, o da relação individual do trabalhador com seu patrão, sem a mediação e a representação do sindicato.

    Atualizar a comunicação sindical e colocá-la em um novo patamar, capaz de enfrentar os desafios atuais da disputa simbólica na sociedade requer decisão política, mudança de compreensão, planejamento e investimento. Valorizar profissionais e a inteligência da comunicação. É preciso se comunicar com a sociedade de uma forma nova, criativa, organizada e estratégica e, PLENA com as novas tecnologias.

    Ou será que é possível o movimento sindical enfrentar seus enormes e novos desafios sem comunicação?

    * Clomar Porto é jornalista e especialista em gestão estratégica da comunicação.

  • Requião, Venício Lima e Comparato criticam mídia monopolista em evento

    O senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o professor Venício Lima tiveram uma grata surpresa em debate na sede do Barão de Itararé, em São Paulo, nesta segunda-feira (3): o jurista Fabio Konder Comparato prestigiou a atividade e presenciou uma rica discussão que foi de temas amplos, como a histórica ausência de democracia na mídia brasileira, até assuntos picantes, como o papel do Poder Judiciário, representado principalmente pela figura do juiz Sérgio Moro, no acirramento da crise política que sacode o governo e o campo progressista no país.

    Autor de vasta produção acadêmica no campo da liberdade de expressão, Venício Lima falou sobre o lançamento de seu novo livro, Cultura do silêncio e democracia no Brasil: Ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015) (Ed. UnB). “O livro faz uma coletânea, em ordem cronológica e autobiográfica, do que produzi nos últimos 35 anos”, diz.

    A ideia de 'cultura do silêncio', conforme explica, permeia toda a obra em suas diferentes temáticas. “O sistema de comunicação brasileiro conduz à exclusão e à falta de liberdade de expressão, o que gera, entre várias consequências, uma opinião pública corrompida, que é o que temos visto a cada dia”, sintetiza.

    Lima resgata um sermão do padre Antônio Vieira, de 1640, em que usa a palavra 'infas' (aquele que não tem voz, em latim), na presença do então vice-rei, para explicar a sociedade da época. “Vieira já dizia, lá atrás, que a principal característica do país era o 'mutismo', o tolher-se a fala”, pontua. “Claro que o Brasil ainda não era a nação que é hoje, mas a ideia da cultura do silêncio, da ausência da possibilidade de se manifestar e de participar, continua”.

    Em plena era do avanço das tecnologias de comunicação, acrescenta o estudioso, o conceito é extremamente adequado para explicar o silêncio das massas na sociedade brasileira. A ironia, para ele, é que “os defensores da pretensa liberdade de expressão são os detentores das técnicas que impedem a participação da população nos debates públicos”.

    Quanto ao papel partidarizado jogado pelos grandes meios de comunicação no país, Venício é direto: “Eu quero acreditar que há uma percepção, mesmo nos mais intolerantes, que os grandes grupos midiáticos passaram dos limites. A imprensa deixou de fazer jornalismo para fazer oposição e isso já é mais do que óbvio”.

    "Oposição não quer impeachment, quer sangue"

    Questionado sobre os bastidores do Senado quanto à possibilidade de um final precoce do segundo mandato de Dilma Rousseff, Roberto Requião não titubeou: não ocorrerá impeachment, acrescentando que 'põe a mão no fogo' pela presidente. “A oposição está satisfeita com a situação, sem impeachment, pois sabem que Dilma é uma mulher honrada e inimputável. O que eles buscam são flancos para colocar em marcha o projeto do capital financeiro”, disse. “Eles não querem a ruptura, querem é sangrar o governo”.

    Então governador do Paraná, Requião trabalhou com o juiz Sergio Moro, cuja condução da Operação Lava Jato tem sido duramente criticada pela esquerda por blindar políticos de determinados partidos e atacar os de outros, muitas vezes com expedientes jurídicos apontados como ilegais. “Trabalhei com ele e, no meu estado, ele denunciou um esquema de desvios do PSDB”, garantiu. “O problema é que estão fazendo um jogo de paladinos, para agradar a mídia, como foi o espetáculo da prisão irregular de José Dirceu. Só falta usarem o capuz da Santa Inquisição ou a máscara do Zorro... Falta equilíbrio”.

    Direito de resposta: em urgência, mas engavetado

    Autor do Projeto de Lei do Direito de Resposta, que garante o direito à defesa de qualquer cidadão brasileiro que se sentir ofendido, caluniado ou difamado nos meios de comunicação, Requião criticou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por mantê-lo repousando em sua gaveta. “O debate em torno do PL durou dois anos e acabou convencendo, ou constrangendo, os senadores”, conta. “Desde então, está em regime de urgência, mas é ignorado solenemente primeiro por Henrique Alves e, agora, por Cunha”.

    Em defesa da comunicação pública, ele lembrou da iniciativa de seu governo na TV Educativa do Paraná, que chegou a integrar o pacote da Sky. “O canal vocalizava as ações do poder público e todos os secretários prestavam contas na TV, em um programa semanal, dando transparência e, ao mesmo tempo, unidade ao governo”. A TeleSur, idealizada por Hugo Chávez, também foi transmitida em determinados horários pelo canal.

    “Em visita de Lula ao Paraná, contei a ele, então presidente, sobre a TV Educativa e o fato de cortarmos toda a verba publicitária para a grande mídia”, recorda. O 'erro brutal' do governo, em sua avaliação, foi acreditar que abastecendo os meios tradicionais de comunicação com a Globo, com dinheiro, teria-se apoio e tranquilidade. “Os interesses da mídia estão muito acima do que o Estado pode pagar”.

    "Mentalidade coletiva sempre foi submissa ao poder"

    Fabio Konder Comparato destaca o papel dos blogs e meios alternativos. Foto: Felipe BianchiFabio Konder Comparato destaca o papel dos blogs e meios alternativos. Foto: Felipe BianchiPara o jurista Fabio Konder Comparato, ilustre presença na sede do Barão de Itararé, discutir a conjuntura não basta. “É preciso buscar a causa profunda da moléstia”, opina. “No Brasil, o poder sempre foi oligárquico e a mentalidade popular sempre submissa. A 'cultura do silêncio', da qual fala Venício, é um dos principais fatores que deformaram a essa mentalidade ao longo de nossa história”, pontua.

    Segundo ele, a falta de liberdade de expressão fez com que a população não se sentisse autorizada a tomar decisões. “Me dá a impressão de que o povo quer um tutor, um pai, que lhe dê favores e não direitos”. “Contra esse cenário”, sugere, é preciso abrir rachaduras, como o Projeto de Lei do Direito de Resposta”. Outra brecha, de acordo com Comparato, são as iniciativas que partem do campo popular, como as mídias alternativas e blogs não associados ao poder do capital.

    Ele relembra, ainda, a Ação de Inconstitucionalidade proposta por ele, em nome do PSOL, em 2010. “Foi uma ação por omissão em relação à Constituição. Há mais de um quarto de século, a carta magna é ignorada em sua proibição ao monopólio e oligopólio dos meios de comunicação, entre outros pontos previstos para o setor”, denuncia. “A ação teve parecer favorável da Procuradoria da República. Em 2012, porém, Rosa Weber disse que a matéria era tão complexa, que até hoje não deu em nada, e nem dará, porque o povo está excluído desse debate.

    Por Felipe Bianchi, do Centro Barão de Itararé

  • Rovai: contrário a Jucá, Jornal Nacional da segunda-feira (24) foi negociado com Temer

    O Blog do Rovai revelou nesta terça-feira (24) que a cobertura jornalística da Rede Globo contrária ao ministro interino do Planejamento, Romero Jucá, teria sido negociada diretamente com a assessoria de comunicação de Michel Temer. Rovai escreve que a reportagem, que divulgou o protagonismo de Jucá na conspiração que levou a cabo o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff, "foi fruto de uma intensa negociação".

    "O áudio da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado fez com que os luas pretas da Central Globo de Jornalismo trocassem inúmeras mensagens e realizassem uma reunião de emergência logo cedo. A avaliação era de que não havia saída para o agora licenciado ministro do Planejamento. E a mensagem foi enviada para Temer através de Wellington Moreira Franco", conta Rovai. "Só ao final da tarde, quando a solução do afastamento de Jucá já havia sido negociada por Temer, é que se decidiu por fazer um Jornal Nacional onde o caso teria destaque relevante. E que se liberou os âncoras e comentaristas da GloboNews para que pudessem tratar de forma mais intensa do assunto", continua.

    O objetivo seria o de preservar Temer, oferecendo Jucá como responsável único pelas articulações reveladas nos áudios da Folha de S.Paulo. O blog conta que ele ameaçou Temer com novas delações premiadas, mas recusou entrevista sobre o assunto à reportagem da sucursal brasiliense da Globo. Você pode ler o texto completo aqui.

    A Rede Globo tem interesse em manter Michel Temer no governo, muito por conta das alterações que o presidente interino fez nas políticas de comunicação assim que assumiu o Planalto. Além de anular a política de distribuição técnica das verbas publicitárias federais, reconcentrando esse dinheiro em poucos veículos aliados, Temer extinguiu o Ministério das Comunicações, que tinha por objetivo fiscalizar o setor no Brasil. Na prática, a Globo passa a ser a força determinante das políticas brasileiras para a área.

    Com informações do Blog do Rovai

  • Um dia após impeachment, Temer inicia desmonte da EBC

    O primeiro ato oficial de Michel Temer na presidência em relação às políticas de comunicação é alarmante: nesta quinta-feira (1), o novo governo praticamente decretou o desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Além de interferir na direção da EBC de forma definitiva, ao arrepio da lei, Temer também extinguiu o Conselho Curador da Empresa.

    A Medida Provisória foi publicada no Diário Oficial da União, passando a valer imediatamente. Objeto de polêmica e único revés judicial sofrido por Temer no período em que foi presidente interino, a ingerência na presidência da EBC voltou a ocorrer, com a exoneração do jornalista Ricardo Mello e a nomeação de Laerte Rímoli, profissional ligado a Globo, a Eduardo Cunha e que já foi assessor de Aécio Neves.

    Em maio, Temer já havia feito a mesma operação. No dia 2 de junho, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, deferiu liminar devolvendo o cargo a Ricardo Mello. Vale lembrar que o mandato de quatro anos não consiste em um cargo de confiança justamente para garantir autonomia e independência da comunicação pública em relação aos governos e aos períodos de transição.

    “Já sabíamos que Temer apenas aguardava a votação do impeachment de Dilma Rousseff para iniciar esse processo de desmanche”, avalia Renata Mielli, Secretária-Geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

    Sociedade civil rechaça nas redes o ataque à EBCSociedade civil rechaça nas redes o ataque à EBC“Algumas das vítimas do golpe em curso no Brasil são a liberdade de expressão, a participação social e a luta por uma mídia com mais diversidade e pluralidade”, acrescenta Mielli. “Não aceitaremos isso de forma passiva. Vamos buscar nossos direitos, como cidadãos, de garantir a manutenção de uma comunicação verdadeiramente pública, com participação social. Vamos recorrer da maneira que for possível e denunciar internacionalmente esse ataque”.

    Em debate no Barão de Itararé, na ocasião das primeiras sinalizações de ataque à EBC por parte do então presidente interino, Franklin Martins opinou ser “sintomático que um sujeito entronizado no poder por um golpe ataque a comunicação pública com tamanho violência e urgência”.

    Um dos responsáveis pela implementação da EBC em 2007, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) avalia: “Por um lado, foi um recado do governo provisório ao seu grande aliado e porta-voz do golpe, que é o monopólio da mídia. Por outro, também escancara um incômodo profundo dos golpistas com vozes dissonantes na comunicação brasileira”.

    No mesmo debate, a ex-presidenta da EBC Tereza Cruvinel disparou: “Todo governo autoritário começa por calar a divergência e isso explica o ataque à EBC”. A jornalista chegou a publicar, em seu blog, uma carta aberta endereçada a Temer, recordando o então presidente interino de que ele havia assinado a lei que criava a EBC e estabelecia regras para garantir a sua autonomia.

    “Sob o discurso de ‘atacar o partidarismo e o aparelhamento’, o governo ilegítimo de Temer retira os principais mecanismos que protegiam a empresa, com todos os seus defeitos e limites, deste mesmo partidarismo e aparelhamento pelo governo”, opina Jonas Valente, coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do DF e trabalhador da Empresa Brasil de Comunicação

    “A MP escancara o que o governo Temer queria: extirpar o diretor-presidente indicado na época de Dilma Rousseff, acabar com a participação social e atacar os instrumentos concretos que configuravam o seu caráter público”, avalia. “Na prática, a MP abre a porteira para a EBC voltar a fazer comunicação governamental”.

    A sociedade civil, reunida na Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública, chamou ato para esta sexta-feira (2), às 14h, em frente à sede da Empresa.

    Saiba o que determina a MP de Temer contra a comunicação pública:

    - Extingue o Conselho Curador, acabando com o espaço de participação da sociedade civil;

    - Acaba com o mandato do diretor-presidente, que só podia sair por dois votos de desconfiança do Conselho Curador, tornando o cargo suscetível à exoneração e nomeação da Presidência;

    - Exclui o artigo que reafirma a autonomia da EBC em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão;

    - Deforma o Conselho de Administração, incluindo mais representantes do governo (Ministérios da Educação e da Cultura)

    Por Felipe Bianchi, no Barão de Itararé

  • Vereador do MBL quer extinguir o feriado do Dia da Consciência Negra em São Paulo. Assista!


    Eleito vereador pelo Democratas (DEM), em São Paulo, Fernando Silva Bispo, conhecido como Holiday, disse à TV Câmara (assista no final), nesta quarta-feira (4), que vai apresentar uma proposta para revogar o Dia da Consciência Negra, (20 de novembro) na maior cidade do país.

    Destacado integrante do fascista Movimento Brasil Livre (MBL), Holiday é negro, mas é também racista. “Desde que o golpe contra a presidenta Dilma foi consumado, a direita vem tentando barrar todas as conquistas do povo brasileiro”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    De acordo com Bitencourt, a elite nunca engoliu as políticas públicas com vistas a promover a igualdade racial no país. A começar por Zumbi dos Palmares, o homenageado do Dia Nacional da Consciência Negra, sendo reconhecido oficialmente como importante herói do povo brasileiro.

    “Estão acabando com as cotas raciais nas universidades, nos concursos públicos e dessa forma tiram as oportunidades de negros e negras melhorarem de vida.”, acentua. “Esse vereador, que é negro, trabalha para implantar a ideologia fascista no país”.

    "Vou ter propostas de várias frentes, algumas delas mais polêmicas, como propor o fim das cotas raciais em concursos públicos municipais em São Paulo. É um debate que há muito tempo venho encampando, contrário às cotas porque acredito que elas reforçam o machismo ao invés de ajudar os negros”, diz Holiday.

    Para Bitencourt, essa atitude não é novidade. “Desde a campanha pelo impeachment que o MBL vem pregando propostas racistas, sexistas e homofóbicas. O fascismo é o reverso da democracia e defende a supremacia de uma elite rica, branca, composta somente por homens”.

    Holiday também diz que vai combater o que chama de "vitimismo" para que qualquer pessoa, independentemente de raça, possa "alcançar o sucesso sem precisar de migalhas do Estado para isso".

    Já a dirigente da CTB-SP argumenta que o movimento sindical estará atento a essas demandas para se contrapor às propostas de retrocesso. “A CTB sempre defendeu a igualdade e vai continuar nessa luta até todos e todas terem as mesmas oportunidades”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Diário do Centro do Mundo

    Entrevista de Fernando Holiday à TV Câmara: 

  • Vitória no Equador e batalha midiática na América Latina são temas de debate nesta terça (25)

    No dia 25 de abril, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé recebe o ministro da Educação Superior do Equador, Rene Ramirez, para debater a vitória eleitoral de Lenin Moreno e a questão da mídia. O evento, com entrada franca, ocorre na sede da entidade, na Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83, em São Paulo, a partir das 19h.

    Em segundo turno contra o o representante dos bancos, Guillermo Lasso, o povo equatoriano elegeu Lenin Moreno, então vice-presidente de Rafael Correa, para dar continuidade à chamada Revolução Cidadã. Durante seu ciclo, Correa promoveu mudanças significativas no país, com ênfase em políticas sociais, na integração regional e na busca pela soberania nacional. Para se ter ideia, desde 2007, mais de 2 milhões de equatorianos saíram da linha da extrema probreza.

    O papel jogado pelos grandes meios de comunicação por lá, no entanto, é muito similar ao que ocorre no Brasil e nos países vizinhos. O filme se repete desde o partidarismo dos meios hegemônicos durante o processo eleitoral até o movimento da oposição derrotada nas urnas em não reconhecer os resultados eleitorais e armar um verdadeiro escarcéu pela recontagem dos votos, acirrando os ânimos e desestabilizando a democracia - tudo com ampla reverberação por parte do oligopólio midiático.

    No Barão de Itararé, Rene Ramirez falará sobre a vitória nas urnas, os desafios colocados ao governo equatoriano e à esquerda continental, além da batalha midiática na América Latina - vale ressaltar que o Equador aprovou sua Ley Orgánica de Comunicación (clique para saber mais) ainda em 2013. Participe!

    Barão de Itararé