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Qua, Dez

Dilma Impeachment não vai er golpe

  • Ato em defesa da democracia reúne milhares de pessoas em Itabuna

    Com o grito de “Não vai ter golpe!”, milhares de pessoas lotaram às ruas de Itabuna na última sexta-feira (18). O ato, convocado pela Frente Brasil Popular, reuniu, segundo os organizadores, cerca de 5 mil pessoas. Após ficarem concentrados no Jardim do Ó, homens, mulheres e crianças de todas as idades, seguiram em marcha pacífica até a Praça Adami, quando lideranças dos movimentos sociais e políticas discursaram sobre a atual conjuntura política nacional.

    No rosto e na expressão de cada um, a certeza e a consciência de defender, sobretudo, a soberania nacional e sua democracia. “O povo não é bobo”, dizia o cartaz de uma estudante. “Reveja a sua fonte de informação. Livros de história é uma boa opção”, falava outro cartaz.

    O presidente do Sindicado, Jorge Barbosa, foi uma das lideranças que discursaram na manifestação. “Está em curso à tentativa de golpe no nosso país, por isso, precisamos ir às ruas mais vezes, conversar com os nossos familiares e amigos, utilizar as redes sociais com inteligência e objetividade. Nós temos que conscientizá-los que o golpe é contra o povo brasileiro, contra o direito dos trabalhadores, acabar com os programas sociais, privatizar as estatais e entregar o patrimônio público, especialmente o pré-sal, ao capital estrangeiro. Vamos continuar firme nessa luta. Viva o povo brasileiro! Viva o Estado Democrático de Direito”, finalizou.

    Em Salvador, cerca de 100 mil pessoas participaram da manifestação em defesa da democracia que se iniciou no Campo Grande e encerrou na Avenida 7 de Setembro.

    Em todo o Brasil, o Ato em Defesa da Democracia e Contra o Golpe levou milhões de trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, pedindo em uníssono a manutenção do mandato da presidenta Dilma Rousseff e da posse como ministro da Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maior concentração foi em São Paulo, fechando completamente a Avenida Paulista, com 500 mil pessoas.

    Fonte: Seeb-Itabuna

  • Aumentar a jornada vai agravar a crise do desemprego, avisa presidente da CTB

    Em pleno século 21, que acumula notáveis avanços das novas tecnologias e da produtividade do trabalho humano, é no mínimo lastimável que esteja sendo colocado na agenda governamental o aumento da jornada de trabalho para 12 horas diárias e a flexibilização dos contratos com o primado do negociado sobre o legislado ou do mercado sobre a Lei.

    A ascensão de Temer ao governo, na carona de um impeachment sem crime de responsabilidade, assanhou o patronato. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, chegou ao ponto de defender uma jornada de 80 horas semanais sob o argumento de que serão necessárias “mudanças duras” na legislação trabalhista e na Previdência para sair da crise.

    Os defensores do alongamento da jornada, flexibilização da legislação e outros retrocessos sociais procuram dourar a pílula com afirmações duvidosas sobre “modernização” da CLT para lograr a recuperação da economia e da oferta de emprego. Ou seja, o remédio embora amargo seria benéfico à classe trabalhadora. Mas trata-se de um discurso falso, usado para engabelar a opinião pública, sem base na teoria e muito menos nos fatos econômicos.

    A teoria e a experiência histórica revelam que o nível de emprego é inversamente proporcional ao tempo médio de trabalho, de forma que quanto menor a jornada maior a quantidade de trabalhadores e trabalhadoras que deve ser contratada para a produção, cujo valor e volume é determinado precisamente pelo tempo gasto na produção.

    Esta verdade elementar é implicitamente reconhecida pelo patronato nos acordos que preveem a redução simultânea de jornada e salários em até 30%, previstos no Plano de Proteção ao Emprego (PPE), amplamente usado na indústria automobilística. O patronato aceita tal arranjo momentâneo em tempos de crise porque não mexe no seu sagrado lucro, o que ocorre quando há redução da jornada sem prejuízo para os salários.

    Não restam dúvidas de que o desemprego em massa é um terrível flagelo para os assalariados e seu enfrentamento cobra urgência. Mas se houver uma honesta pretensão de combatê-lo é necessário inverter os termos da equação proposta pelos golpistas. Cumpre reduzir a jornada de trabalho para gerar emprego e não o contrário.

    Por que não se fala em estabelecer uma jornada de 5 horas diárias? Assim muito provavelmente teríamos fartura de emprego e com certeza estaríamos no caminho de solucionar este drama social, ainda que o patronato seja constrangido a abrir mão por algum tempo de parte dos seus lucros. De todo modo, este efeito, momentâneo, seria logo compensado pelo aumento da produtividade do trabalho, que geralmente acompanha a redução da jornada.

    Podemos pensar, de forma mais modesta, na instituição das 40 horas semanais, que segundo o Dieese resultaria na criação de alguns milhões de novos postos de trabalho no Brasil, aliviando o problema. Estaríamos contemplando uma demanda histórica do movimento sindical e da classe trabalhadora brasileira.

    Não é tão difícil entender a razão pela qual não se escolhe tal caminho, social e economicamente mais justo e à altura do século 21 e de suas novas tecnologias. O compromisso do governo ilegítimo, produto de um golpe parlamentar, é com a burguesia nacional e estrangeira, cujos interesses seguem na contramão da história, da classe trabalhadora e da nação.

    O interesse que orienta a agenda golpista nada tem a ver com o povo, a nação, a modernização ou o combate desemprego. Esta visa satisfazer exclusivamente o apetite insaciável de lucros dos grandes capitalistas. É por esta razão que a agenda social do governo golpista, machista e racista, mais parece uma declaração de guerra do capital contra o trabalho: terceirização sem limites, sobreposição do mercado à Lei, redução de direitos previdenciários, arrocho e congelamento dos gastos públicos por 20 anos, ampliação da DRU, privatizações, entrega do pré-sal, repressão e criminalização dos movimentos sociais.

    O usurpador fala em conciliação e pacificação nacional, mas o que verdadeiramente nos propõe é a capitulação sem choro nem vela a uma agenda de retrocesso neoliberal mais perversa do que a que orientou os militares golpistas em 1964. Não terá paz. O povo continuará ocupando as ruas e reclamando soberania. Só há um caminho viável para a pacificação nacional: Diretas Já!

    Adilson Araújo
    Presidente Nacional da CTB

  • Aumentar a jornada vai agravar a crise do desemprego, avisa presidente da CTB

    Em pleno século 21, que acumula notáveis avanços das novas tecnologias e da produtividade do trabalho humano, é no mínimo lastimável que esteja sendo colocado na agenda governamental o aumento da jornada de trabalho para 12 horas diárias e a flexibilização dos contratos com o primado do negociado sobre o legislado ou do mercado sobre a Lei.

    A ascensão de Temer ao governo, na carona de um impeachment sem crime de responsabilidade, assanhou o patronato. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, chegou ao ponto de defender uma jornada de 80 horas semanais sob o argumento de que serão necessárias “mudanças duras” na legislação trabalhista e na Previdência para sair da crise.

    Os defensores do alongamento da jornada, flexibilização da legislação e outros retrocessos sociais procuram dourar a pílula com afirmações duvidosas sobre “modernização” da CLT para lograr a recuperação da economia e da oferta de emprego. Ou seja, o remédio embora amargo seria benéfico à classe trabalhadora. Mas trata-se de um discurso falso, usado para engabelar a opinião pública, sem base na teoria e muito menos nos fatos econômicos.

    A teoria e a experiência histórica revelam que o nível de emprego é inversamente proporcional ao tempo médio de trabalho, de forma que quanto menor a jornada maior a quantidade de trabalhadores e trabalhadoras que deve ser contratada para a produção, cujo valor e volume é determinado precisamente pelo tempo gasto na produção.

    Esta verdade elementar é implicitamente reconhecida pelo patronato nos acordos que preveem a redução simultânea de jornada e salários em até 30%, previstos no Plano de Proteção ao Emprego (PPE), amplamente usado na indústria automobilística. O patronato aceita tal arranjo momentâneo em tempos de crise porque não mexe no seu sagrado lucro, o que ocorre quando há redução da jornada sem prejuízo para os salários.

    Não restam dúvidas de que o desemprego em massa é um terrível flagelo para os assalariados e seu enfrentamento cobra urgência. Mas se houver uma honesta pretensão de combatê-lo é necessário inverter os termos da equação proposta pelos golpistas. Cumpre reduzir a jornada de trabalho para gerar emprego e não o contrário.

    Por que não se fala em estabelecer uma jornada de 5 horas diárias? Assim muito provavelmente teríamos fartura de emprego e com certeza estaríamos no caminho de solucionar este drama social, ainda que o patronato seja constrangido a abrir mão por algum tempo de parte dos seus lucros. De todo modo, este efeito, momentâneo, seria logo compensado pelo aumento da produtividade do trabalho, que geralmente acompanha a redução da jornada.

    Podemos pensar, de forma mais modesta, na instituição das 40 horas semanais, que segundo o Dieese resultaria na criação de alguns milhões de novos postos de trabalho no Brasil, aliviando o problema. Estaríamos contemplando uma demanda histórica do movimento sindical e da classe trabalhadora brasileira.

    Não é tão difícil entender a razão pela qual não se escolhe tal caminho, social e economicamente mais justo e à altura do século 21 e de suas novas tecnologias. O compromisso do governo ilegítimo, produto de um golpe parlamentar, é com a burguesia nacional e estrangeira, cujos interesses seguem na contramão da história, da classe trabalhadora e da nação.

    O interesse que orienta a agenda golpista nada tem a ver com o povo, a nação, a modernização ou o combate desemprego. Esta visa satisfazer exclusivamente o apetite insaciável de lucros dos grandes capitalistas. É por esta razão que a agenda social do governo golpista, machista e racista, mais parece uma declaração de guerra do capital contra o trabalho: terceirização sem limites, sobreposição do mercado à Lei, redução de direitos previdenciários, arrocho e congelamento dos gastos públicos por 20 anos, ampliação da DRU, privatizações, entrega do pré-sal, repressão e criminalização dos movimentos sociais.

    O usurpador fala em conciliação e pacificação nacional, mas o que verdadeiramente nos propõe é a capitulação sem choro nem vela a uma agenda de retrocesso neoliberal mais perversa do que a que orientou os militares golpistas em 1964. Não terá paz. O povo continuará ocupando as ruas e reclamando soberania. Só há um caminho viável para a pacificação nacional: Diretas Já!

    Adilson Araújo
    Presidente Nacional da CTB

  • Desmonte do SUS aumenta casos de doença viral no Brasil

    Os impactos da Emenda Constitucional 95 começam a aparecer e alertam para o avanço dos casos de HIV e Hepatite C no Brasil. O Ministério da Saúde indica que 2017 foram registrados 57.272 casos de HIV a mais do que em 2016. No caso das hepatite C, foram 24,4 mil registros só no ano passado. A sífilis aumentou 10%.

    Em julho, o Ministério da Saúde divulgou que, somente este ano, foram 677 casos de sarampo. As situações mais graves são nos estados de Roraima e Amazonas, que chegaram a decretar situação de emergência ao longo do ano. 

    Em reportagem, a The Lancet (Leia matéria aqui), uma das principais publicações sobre medicina e saúde, acusa a gestão Temer de empreender  um dos mais severos e austeros projetos da história moderna. 

    “Em um país onde cerca de 80% da população depende exclusivamente do SUS, tal política de austeridade pode causar consequências negativas generalizadas. Em meio à grave crise econômica, com a taxa de desemprego em alta e o Produto Interno Bruto (PIB) em baixa, mais pessoas dependerão do sistema público de saúde. Como resultado, as grandes realizações dos últimos anos [2003-2015] (aumento da cobertura da atenção universal à saúde, redução da mortalidade infantil e redução da mortalidade por doenças crônicas) provavelmente serão revertidas”, diz a reportagem.

    Em 2017, pela primeira vez em quase 30 anos, o governo brasileiro gastou R$ 692 milhões a menos do estabelecido pela Constituição. Outros setores ligados à Saúde, como Educação e Ciência, também sofrem com o congelamento de investimentos: até 45% de cortes em pesquisas científicas e 15% em universidades públicas.

    Portal CTB - Com informações das agências

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  • Eleições 2018: É hora de transformar a luta em votos

    As Eleições de 2018 ainda não começaram oficialmente, mas, há um ano o movimento sindical brasileiro debate a centralidade de elegermos representantes comprometidos com a agenda da Classe Trabalhadora e com um projeto nacional que retome o crescimento, gere emprego digno, combata a miséria e distribua a renda.

    Raio-X do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) revela que, hoje, mais da metade da composição do Congresso Nacional é formada por parlamentares identificados com o empresariado ou representantes das elites nacionais. Lembremos que, em 2014, a frente sindical foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares, o menor, desde 1988, quando 44 sindicalistas compunham a representação no Legislativo.

    A luta geral cobra dos sindicatos, federações e confederações um reforço em sua resistência e a participação efetiva no processo que tomara a agenda dos amplos setores até outubro. E nunca é demais repetir que a UNIDADE será  uma aliada importante neste processo. 

    Mudar a correlação de força no Congresso é um passo importante na luta para reverter a agenda implementada pelo golpe, consumado em 31 de agosto de 2016. A hora é de transformar a resistência que ocupa as ruas em votos e, assim, eleger candidatos que trabalhem pela revogação da reforma trabalhista e da Emenda Constitucional 95, que barre os ataques à Previdência Social e garanta o fortalecimento do Estado, como indutor do desenvolvimento.

    Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indicam que 147,3 milhões de eleitores estão aptos para votar nas eleições de 7 de outubro, a maior da história do país. Segundo o TSE, o Brasil ganhou 4,8 milhões de eleitores em comparação com 2014. A maioria do eleitorado é composto por mulheres, com 77,3 milhões de votantes, 52,5% do total. 

    Eleger parlamentares que não se comprometem as bandeiras citadas acima significa manter a agenda de retrocessos liderada por Michel Temer. O chamado é para um participação profícua, é preciso que a classe trabalhadora brasileira participe conscientemente das eleições de outubro deste ano, apoiando e elegendo representantes legítimos de seus interesses.

    Desse modo, o desafio do movimento sindical nas eleições de 2018 será renovar o mandato dos atuais e eleger novos aliados da classe trabalhadora, preferencialmente os candidatos e candidatas provenientes do movimento sindical, seja para fortalecer nossa presença no Congresso, seja para enfrentar conjuntura adversa em que está mergulhado o país.

    À luta!

    Joanne Mota é jornalista e assessora da CTB Nacional.


     

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Em entrevista, Adilson Araújo debate a geografia do golpe no Brasil

    "Não podemos ter dúvidas do que está por trás do golpe", avisa Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em entrevista aos jornalistas Railídia Carvalho e Toni C., ao alertar sobre a agenda regressiva da gestão interina de Michel Temer.

    Programa de privatização de Temer quer vender o Brasil por R$ 30 bilhões

    Na oportunidade, Araújo falou sobre a natureza do golpe, sua geografia e o que sofrerão os trabalhadores e trabalhadoras caso as reformas da Previdência e Trabalhista sejam aprovadas.

  • Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo mostram sua força na defesa da democracia nesta quarta (16)

    Certamente a mídia burguesa vai dizer quer eram somente 3 mil pessoas, a Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin (PSDB) dirá que não passavam de 1,5 mil, mas quem estava lá sabe que eles mentem.

    Para quem não duvidava, mesmo com todas as dificuldades, os movimentos sociais democráticos levaram ao menos 300 mil pessoas às ruas nesta quarta-feira (16) em todo o Brasil contra o impeachment da presidenta Dilma, eleita democraticamente.

    Somente na capital paulista, os organizadores do primeiro ato conjunto das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo estimam que mais de 100 mil gritaram que não vai ter golpe na democracia.

    Em plena quarta-feira, trabalhadores e trabalhadoras tomaram as ruas após o horário de trabalho e fecharam a Paulista a partir das 17h. Foram horas marchando.

    Sacrifício alto para organizar um ato em tão pouco tempo com essa grandeza. Um custo alto para unir todas as forças progressistas e democráticas da sociedade. Mas o orgulho de defender a democracia e a nação brasileira não tem preço.

    E olha que o Metrô nem estava de graça. Depois marcharam pela rua da Consolação rumo à praça da República onde o ato foi encerrado.

    ato paulista 16 12 2015

    Mais uma vez a percepção de que será a unidade das forças populares que irá barrar o golpe tramado há anos por uma direita sem votos.

    Os inimigos da democracia foram rechaçados por todos. Sobrou para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mentor intelectual do golpe, Aécio Neves (dispensa comentários), José Serra (sem a presença de Kátia Abreu) e o ainda presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

    Nesta manifestação, skatistas são bem-vindos, assim como negros, brancos, orientais, indígenas, LGBT, enfim todos os que amam viver em liberdade.

    CTB, CUT, Intersindical, MST, MTST, UNE, Upes, Ubes, Levante Popular da Juventude, UBM, Marcha Mundial das Mulheres, Marcha das Mulheres Negras, Conam, entre diversos outros movimentos e partidos políticos.

    Todos de braços dados em defesa da democracia, contra o ajuste fiscal do ministro Levy e pelo Fora Cunha, que significa fora todos os golpistas.

    Fica claro que a imensa maioria do povo brasileiro quer a democracia e viver em liberdade. Dificilmente depois a conspiração golpista terá sucesso.
    Mais importante de tudo é que as manifestações dos trabalhadores e trabalhadoras está em ordem crescente, enquanto a dos golpistas perde adesão a olhos vistos.

    Este dia já entrou para a história como o marco inicial da resistência e da construção de um novo Brasil, com a unidade dos movimentos do campo democrático.

    Isso comprova que a unidade dos movimentos sociais, estudantes e centrais sindicais pode muito. Pode mais. Pode impedir o sucesso de qualquer atentado à democracia brasileira, que em 2016 completará 31 anos.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Luiz Gonzaga Belluzzo: "Dilma não cometeu crime de responsabilidade"

    Durante depoimento no julgamento do processo de impedimento contra a presidenta Dilma Rousseff, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo responde a perguntas dos senadores  e esclarece "Dilma não cometeu crime de responsabilidade".

    Acompanhe depoiemnto completo: 

    Portal CTB - Joanne Mota, com informações do Portal do Senado

  • Milhões se mobilizam em defesa da democracia em todo o Brasil; ato é o maior já realizado

    Em todo o Brasil, o Ato em Defesa da Democracia e Contra o Golpe levou nesta sexta-feira (18) milhões de trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, pedindo em uníssono a manutenção do mandato da presidenta Dilma Rousseff e da posse como ministro da Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Organizada pela Frente Brasil Popular, a comoção atingiu ao menos 45 cidades em todo o país, incluindo todas as capitais estaduais e Brasília.

    A maior concentração foi em São Paulo, fechando completamente a Avenida Paulista, onde por volta de 500 mil pessoas participaram do maior ato em defesa do governo até agora. Lula participou ele mesmo desse ato, assim como o prefeito da metrópole Fernando Haddad, eletrizando os militantes partidários, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais presentes. Muitos simpatizantes dos governos petistas compareceram de forma espontânea, seguindo as muitas convocações feitas por artistas e intelectuais pela Internet. Outras capitais também registraram cifras impressionantes: Recife reuniu 200 mil pessoas, e Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador reuniram 100 mil cada.

    Ao lado de Lula, o presidente da CTB, Adilson Araújo, falou aos manifestantes sobre a história particular de sua família, que migrou da Paraíba e da Bahia para São Paulo para escapar da pobreza que assolava o Nordeste. "A história da minha vida é a história da maioria do povo brasileiro, como é a história do presidente Lula. Nós viemos para São Paulo no pau-de-arara e sofremos muito, mas conseguimos avançar porque o povo brasileiro aprendeu a votar. E aí percebemos que foi muito bom vencer essa batalha, porque a minha famíla começou a ir nos rolezinhos, a ter acesso à universidade... Mas agora, estão assustados, porque a Lava Jato está fechando milhões de empregos! É necessário que a gente possa contribuir com esse debate - querem rasgar a Constituição, querem sepultar o Estado Democrático de Direito, e quando eles conseguirem fazer isso, aí vão poder botar fim na Petrobras, botar fim no pré-sal, acabar com o salário minimo e iniciar uma onda de desemprego", denunciou. "Vai ser muito bom tomar as ruas do Brasil para garantir a legitimidade do mandato, e fazer valer aquilo que é mais sagrado, que diz respeito a nossas vidas: a democracia, que é a nossa arma!", concluiu.

    Você pode ouvir o pronunciamento na íntegra logo abaixo.

    Entre as falas de dezenas de lideranças, um tema recorrente foi a manifestação de solidariedade ao ex-presidente e sua família, alvos de ações abusivas por integrantes do Judiciário e de uma agressiva campanha de difamação. Emocionado com o tamanho do protesto, Lula pregou o entendimento entre as pessoas de pensamentos diferentes, mas alertou para a necessidade de se respeitar as regras do jogo democrático. "Esse país tem que voltar a crescer, tem que ter convívio civilizado e democrático. Perdi eleição em 1989, em 1994 e em 1998, e em nenhum momento vocês me viram ir para a rua protestar porque outro ganhou", lembrou. "Eu não quero que o eleitor do Aécio vote em mim. Eu quero que todos compreendam que democracia é conviver com a diversidade. A maioria do povo brasileiro quer que deixem a presidenta Dilma governar, pois foi para isso que ela foi eleita", disse, com reações muito animadas do público. Ele disse que está entrando no governo para ajudar na estabilização da política e da economia, e encerrou sua fala com a palavra de ordem "Não vai ter golpe!", ecoada fortemente por toda a avenida.

  • Miséria no Brasil: região Nordeste é a que mais sofre

    Com o golpe de 2016 e a aprovação da Emenda Constitucional 95, Brasil volta a figurar no mapa da Fome. De acordo com relatório da Organização da Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), população do semiárido brasileiro volta a sentir a ausência de políticas estruturais para a região e sofre com o fantasma da fome. 

     

    O “mapa” revela que, em 2017, a fome no Brasil voltou a crescer, reflexo dos cortes dos programas sociais que excluíram, por exemplo, 1,1 milhão do Programa Bolsa Família, o que representa 4,3 milhões de pessoas, a maioria crianças.

    O país, que durante toda a sua existência sempre foi um caso complexo de pobreza extrema, começou a caminhar no sentido oposto ainda durante os governos de Lula (2003-2010), se tornando um exemplo mundial de combate à fome e à miséria, com programas de segurança alimentar, saúde básica, saneamento, educação, emprego e renda. E no primeiro governo de Dilma (2011-2014) o país saiu definitivamente do mapa da fome da ONU.

    Com a gestão Temer, o Brasil volta a experimentar o sabor amargo da fome, miséria e desesperança. Corte de gastos em áreas sociais, desemprego em massa, sucateamento da educação e da saúde, precarização do trabalho e reforma trabalhista e a a ameaça da reforma da previdência apontam para um cenário ainda pior. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Na noite da posse de Temer, a ordem foi soltar tiro, porrada e bomba nos manifestantes

    Não demorou mais que quatro horas para o recém-empossado governo Temer mostrar sua verdadeira postura diante de protestos contra sua legitimidade. Entre a cerimônia que coroou o golpista e os primeiros atos de repressão, bastou uma passeata e um rojão. A noite da quarta-feira (31) colecionou depoimentos e fotografias de uma sociedade em estado de convulsão.

    A situação icônica na Av. Paulista, em São Paulo, prenunciava o que viria: entre duas manifestações, uma a favor do impeachment (na FIESP), uma contra (no MASP), a Polícia Militar armou três fileiras de contenção. As três olhavam para o MASP. O responsável pela PM tentou convencer as lideranças anti-golpe a não "provocarem retaliação", mas frustrou-se ao ouvir de um professor que protestar é um direito. Limitou-se a responder: "Eu também tenho minha opinião sobre isso, mas esse aqui é o meu trabalho”.

    Uma hora mais tarde, já com uma boa distância da FIESP, a PM atacaria com bombas de gás e violência física. Reviveria também outra tática condenada pela ONU, a "panela de Hamburgo". O motivo do galope: um rojão.

    fora temer faixa maspA manifestação de São Paulo reuniu ao menos duas mil pessoas no MASP - em sua imensa maioria, jovens

    Em agosto de 2016, não causaria espanto confundir a ocasião com maio de 2013. Até a esquina do primeiro tiro foi a mesma - entre a Antônio Carlos e a Consolação.

    Em Brasília, a manifestação organizada contra o resultado do julgamento da presidenta Dilma acabaria de forma parecida, dispersada por bombas. A caminhada começou ao lado do Ministério da Justiça, rumo à Rodoviária do Plano Piloto. Já no trajeto, a PM fez ataques preventivos, com pequenos jatos de gás nas pessoas. Chegando à Rodoviária, o cenário virou palco para uma nuvem de gás de pimenta e o estalar de cacetetes.

    No Rio de Janeiro, o protesto teve um final menos temeroso. Com pelo menos três mil pessoas, a concentração aconteceu na Cinelândia, onde manifestantes discursaram contra o recém-empossado Michel Temer. Neste caso, o protesto foi organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que conseguiram negociar a paz com a PM. A cidade presenciou ainda um mega panelaço durante o discurso gravado de Temer, que foi ao ar às 20h.

    cinelandia fora temer 310816A Cinelândia teve protesto sob a coordenação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo (Foto: Marco Antonio Teixeira/UOL)

    Os coletivos de jornalismo registraram protestos anti-golpe ainda em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Santos, Curitiba e mais dezenas de cidades pelo país, com diferentes graus de comparecimento. Registraram também várias situações de violência repressiva, com pessoas passando mal, em função das bombas, ou sangrando, em função de policiais. Nos locais com conflito mais acirrado, registrou-se um número de prisões arbitrárias.

    Em meio a tudo isso, até os profissionais da imprensa alternativa foram ameaçados pelos policiais. Pelo menos em um caso, o jornalista teve sua câmera destruída.

    Zona de guerra

    O conflito mais tenso foi em São Paulo, onde os manifestantes levantaram barricadas incendiadas e destruíram fachadas de bancos. Na USP, os estudantes queimaram um ônibus. Conforme a tensão aumentou, a polícia passou a perseguir até quem já havia se separado das passeatas - o que rendeu,também, um sem-número de registros de abuso por parte da corporação. Ainda às 22h, a recomendação do Metrô era a de evitar a Linha Vermelha, pois a PM havia explodido gás lacrimogêneo no interior de algumas estações.

    Perto das 23h, um grupo de garotas que protestava em São Paulo nos pediram ajuda. Não deveriam ter mais que 18 anos, e estavam devastadas. "Ficamos atrás da marcha para evitar confusão, mas eles [a PM] atacaram com bombas pelas costas. Estamos com medo de cruzar o centro e acabar encontrando outro grupo [de PMs]”, explicaram. Enquanto as conduzíamos para o metrô, encontramos um cenário de guerra.

    barricadas sao paulo 310816Nas regiões de conflito em São Paulo, os manifestantes ergueram barricadas de fogo

    O terror das primeiras quatro horas do governo Temer serve de atestado da covardia de seu ministro da Justiça/cão de guarda, Alexandre de Moraes. Não vai ser fácil enfrentá-lo.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Pau-mandado que nasce torto obedece a globo

    Muito se tem falado sobre quem lidera a trama golpista contra a presidenta Dilma, eleita pelo voto popular. Nomes como o do senador josé serra* (PSDB-SP) aparece no topo da lista. E pasmem serra em 1964 era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
     

    A UNE não tem culpa disso, mas teve sua sede no Rio de Janeiro incendiada pelos golpistas, numa onda de ódio parecida com a que ocorre hoje. Os argumentos são praticamente os mesmos. A diferença é que hoje os meios de comunicação tomaram as rédeas de todo o processo.

    Na lista de golpistas também aprece o nome do sinistro vice-presidente da República michel temer, do PMDB, que exerceria um mandato-tampão, dando ar de ”legalidade” ao golpe. Ledo e Ivo engando, diria Luis Fernando Verissimo, pois temer está sendo usado para ser golpeado na frente.

    Também falam que fernando henrique cardoso, do PSDB, seria o “mentor intelectual” do golpe. Pasmem mais uma vez. fhc escreveu diversos livros de análise pretensamente marxista da história. Mas quando foi eleito presidente pediu para esquecermos tudo o que tinha feito antes.

    Nós poderíamos até esquecer, mas a sua ex-namorada Mirian Dutra não esquece e prestará depoimento sobre as acusações que fez ao ex-presidente, agora timoneiro golpista, de usar verbas públicas para mantê-la com seu filho afastada do Brasil.

    Já o senador aécio neves (PSDB-MG) de tanto pedir a renúncia da presidenta Dilma acabou ele renunciando à sua postulação em favor do golpe. O senador mineiro atende assim ordem dos verdadeiros comandantes da conspiração, a família marinho, dona do maior conglomerado de comunicação do país.

    Falam também do ainda presidente da Câmara dos Deputados eduardo cunha (PMDB-SP). Esse parece se manter no cargo às custas de levar à cabo o processo de impeachment da presidenta. Depois que a mídia perder o interesse em seus serviços, já era cunha.

    O juiz de primeira instância de Curitiba, sérgio moro, é muito esforçado em dar a sua contribuição. Alçado por setores conservadores ao cargo de “herói”, moro deu inúmeras provas de subserviência aos marinho. O que será dele quando não precisarem mais de seus “serviços”?

    Pelo que se vê na realidade, esses senhores são todos verdadeiros paus-mandados da família Marinho, dona da concessão pública da rede Golpista de televisão (antigamente chamada de globo).

    Justamente os marinho envolvidos em escândalos de sonegação fiscal, de lavagem de dinheiro e de remessa de lucros para paraísos fiscais.

    Recentemente têm sido alvo de acusações de terem construído uma mansão, de fazer inveja à monarcas árabes, em área de reserva ambiental, pertencente à União. E recorreram de ordem judicial determinando a derrubada do tríplex dos marinho em Paraty (RJ).

    Imaginem se todas as ordens de desocupação contra pobres e favelados tivessem a mesma sorte. Contra os pobres a Justiça determina desocupação e sem dar tempo de recorrer, a polícia age e destrói tudo sem nem pestanejar.

    Agora imaginem a família marinho mandando novamente no país. Será que seus aliados de plantão, tipo a rede record estarão livres para concorrer, sem sofrerem perseguição dos marinho?

    Os barões da mídia em uníssono utilizam de táticas nazistas e atacam tudo o que representa o pensamento progressista da sociedade brasileira com fome do poder que estão de fora há 14 anos. Mas uma vez instalados lá, se engalfinhariam feitos trogloditas ensandecidos.

    Finalmente, os piores paus-mandados são constituídos pelas pessoas ditas pelo pensamento fascista como “pessoas de bem”. São esses que saem às ruas vestindo preto por ordem do Jornal Nacional e atacam as pessoas que suam vermelho, inclusive uma mãe com sua filhinha de meses, como aconteceu no Rio de Janeiro.

    Pau-mandado que nasce torto obedece a globo (assim em minúscula, porque não merece tratamento melhor que isso).

    Felizmente, o golpe sob as ordens da família marinho não triunfará porque o Brasil é muito maior do que qualquer rede de televisão do país e do mundo. E o Brasil é dos brasileiros, mas de todos os brasileiros e brasileiras, sem medo de serem felizes.

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

    *Nomes escritos com as iniciais minúsculas para mostrar o apequenamento dessas pessoas que tramam golpe contra a democracia.
  • Periferia de SP lança frente e divulga manifesto contra o impeachment

    Após reunião no último fim de semana, movimentos formados nas periferias de São Paulo decidiram criar nos próximos dias um coletivo contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    Denominado #periferiascontraogolpe, os participantes pretendem reunir criadores, produtores, articuladores políticos e culturais comprometidos com as demandas das periferias e mobilizar-se contra o processo de impedimento que tramita no Congresso Nacional.

    No último sábado (19), após dias em que o clima político fritou nervos, cerca de 60 moradores das diversas periferias de São Paulo se reuniram em uma sala da Ação Educativa, na região central.

    “Estou perdida, com medo de sair na rua de vermelho”, desabafou a professora e articuladora cultural Suzi Soares, 49.
    Na noite anterior, ela havia participado das manifestações em apoio ao ex-presidente Lula e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff na avenida Paulista.

    “Apoiei o ‘Lula lá’, mas não consegui aplaudir ele ontem, ao mesmo tempo precisava estar ali. E hoje estou em busca de apoio para essa minha angústia. A corda vai arrebentar para o lado mais preto e a gente tem que buscar forças”, afirmou.

    A insatisfação e as divergências, presentes nas redes sociais e nas manifestações nas ruas, davam o tom dos discursos expostos no encontro. Educadores da rede pública de ensino, artistas, jornalistas e integrantes de movimentos culturais das periferias buscavam respostas para dúvidas como: quais são os nossos pontos de convergência? O que nos conecta?

    “É complicado não se posicionar nesse momento. Antifascismo é a grande convergência desse grupo. Estamos nos defendendo de uma mídia que orquestrou o golpe de 64, e que está em conluio com jurídico até a última raiz. Se houver um golpe, haverá um retrocesso”, disse a Solange Amorim, 46, diretora escolar no Campo Limpo, zona sul.
    Assim, como Suzi, ela também participou da manifestação com ressalvas. “Vejo o PT passando por um processo de degeneração política, mas nem por isso deixei de estar na Paulista. Encontrei fundamentalmente uma classe social representada”.

    Para a maioria, muitos desanimados com o governo petista, mas contra o processo de impeachment, a concordância vinha na apreensão com o retrocesso nas políticas públicas alcançadas pelos movimentos.

    “Tivemos várias conquistas nas quebradas com o governo federal, apesar dos problemas. Mas houve diálogo. A proposta é nos alinharmos para não corrermos o risco de perder os direitos que quase não temos. A elite está articulando tudo, para eles nós somos tudo um só, o pobre e periférico. E essa raiva que já existe, do racismo e discriminação, pode aumentar”, disse Alex Barcellos, 36, articulador cultural.

    O coletivo pretende retomar a cobrança sobre um manifesto assinado por mais de 150 coletivos e que foi apresentado para a presidente Dilma Rousseff antes da sua reeleição. Confira abaixo a íntegra do manifesto Manifesto dos Coletivos Culturais Periféricos de SP em favor da reeleição de Dilma Rousseff: 

    MANIFESTO #PERIFERIASCONTRAOGOLPE

    Cidadã(o) individual ou grupo

    Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”

    Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui para mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente

    Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que nos concedeu apenas migalhas enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande. Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje.

    Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.

    Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.

    Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

    Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores.

    Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo. Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra - criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.

    Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.

    Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.

    Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.

    Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.

    Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena - ainda que tentem nos impedir.

    Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.

    Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados - e ainda dizem: “menos um bandido”.

    Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.

    Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.

    Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.

    Por Cleber Arruda com colaboração de Jéssica Moreira, Semayat Oliveira e Thiago Borges

    Matéria atualizada em 23/03/2016

  • Política austera de Temer aprofunda desigualdade e escancara objetivos do golpe

    Divulgado no dia 7 de agosto, o estudo “Observatório da Austeridade Econômica no Brasil” comprova que a política austera da gestão Temer aprofunda a desigualdade e escancara objetivos do golpe em curso no Brasil desde maio de 2016. Acesse o documento aqui.

    De acordo com os organizadores, a elaboração do estudo "é resultado de um esforço coletivo que envolveu diversos pesquisadores e instituições e a criação de um fórum permanente de discussão. Uma boa parte de seu conteúdo faz uso direto do livro “ECONOMIA PARA POUCOS: Impactos sociais da Austeridade e Alternativas para o Brasil”, publicado pela editora Autonomia Literária, no qual se pode encontrar um maior detalhamento das ideias aqui apresentadas", diz o documento.

    A metodologia utilizada uma abordagem que cruza informações da macroeconomia – orçamento público, regime e política fiscal – com a dimensão social – políticas setoriais, financiamento de programas específicos. Para os pesquisadores, tal conciliação é necessária e crucial, porque os objetivos da política econômica deveriam estar fundamentalmente relacionados à garantia de que as dimensões produtivas, alocativas e distributivas da sociedade sejam aprimoradas e funcionem de modo a melhorar a vida das pessoas.

    austeriada temer ctbcontraogolpede2016

    Brasil refém de uma ideia perigosa

    A pesquisa alerta que o debate público no país está contaminado por um discurso que sustenta supostas virtudes da austeridade. Em um contexto de crise econômica e de aumento da dívida pública, a austeridade tem sido apresentada e praticada como remédio necessário que exige reformas estruturais na atuação do Estado brasileiro. Mas a austeridade tem uma longa história de fracassos porque, no fundo, trata-se de um programa de concentração de renda e riqueza. Basta ver a retórica economica que questiona, sem pudor, o pacto social da redemocratização brasileira, consolidado na Constituição de 1988.

    "As teses ideológicas de que “o Estado brasileiro não cabe no PIB” ou “as demandas sociais da democracia não cabem no orçamento” passaram a ditar os rumos do debate econômico com repetidas afirmações de economistas e intelectuais a serviço do mercado financeiro, valendo-se de uma teoria econômica débil, do ponto de vista teórico e empírico", alerta o relatório.

    A Emenda Constitucional 95 (EC 95) é prova inconteste disso. Ela é a maior expressão da desconstrução do pacto social de 1988 naquilo que ele tem de melhor: a cidadania social. A nova regra fiscal impõe a redução do tamanho do gasto do governo central na economia, que pode passar de 19,8% do PIB em 2017 para em torno de 12,4% em 2037 – o que impediria não somente a expansão e a melhoria da qualidade, mas também a manutenção da atual infraestrutura de bens e serviços públicos, gerando ineficiências econômicas e um grande prejuízo à garantia dos direitos sociais previstos pela Constituição.

    PRINCIPAIS MOTORES DE DESENVOLVIMENTO PARA UM PROJETO SOCIAL

    ctbpelaretomadaedesenvolvimentosocial

    Portal CTB

  • Sociedade das bravatas e ilusões

    É notório que as últimas eleições ratificaram uma mudança, significativa, nas relações sociais. Num mundo virtual, como o que vivemos, bravatas e ilusões dominam as sociedades que buscam um milagre, antes encontrado na fé, que hoje transbordam nos baús cibernéticos.

    O Governo que irá assumir nossa República no dia 1° de janeiro de 2018 usou e usa, com abundância, desse artifício e sem pudor aponta para o extermínio de conquistas trabalhistas e sociais que datam de décadas. Não basta o (des) Governo Temer ter massacrado as Leis Trabalhistas, implementas da Era Vargas, o futuro presidente quer aniquilar com o mundo do trabalho.

    Ao empresariado as benesses e aos trabalhadores o prejuízo, incalculável, tanto econômico quanto social. Mais que o humilhante trabalho intermitente, Bolsonaro aponta dois caminhos para o mundo laboral: ou direitos ou emprego. Mas, que emprego? Até o momento não foi apresentada proposta concreta de geração de emprego e renda.

    Ao contrário! Apresenta-se a chamada Carteira Verde e Amarela que, sendo opção, o cidadão declina dos seus direitos trabalhistas que, ainda, restam como o FGTS, PIS etc. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que a meta era reduzir o número de ministérios de 29 para "no máximo" 15. Mas, nesta terça-feira (13) já mudou o discurso – como vem ocorrendo – e disse que o número deve ficar entre 17 e 18. Entretanto hoje (05 de dezembro de 2018) o número está em 22 ministérios – será que para por aí?

    Mesmo assim, o alerta deve ser total. Dentre as modificações ministeriais, o presidente eleito falou em fusões e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), segundo o anúncio, será incorporado à três pastas – as políticas ligadas ao emprego ficarão no futuro Ministério da Economia (Paulo Guedes); a parte que cuida da concessão de cartas sindicais e fiscalização do trabalho escravo seguirá para futuro Ministério da Justiça e Segurança Pública (Sérgio Moro); restante ficará no Ministério da Cidadania, de Osmar Terra (MDB).

    A perda da autonomia do MTE coloca os trabalhadores em desvantagem. Para quem analisa o caso de fora do furação vê que haverá o estímulo ao descumprimento da legislação, um possível aumento de ações trabalhistas, enfraquecimento das investigações do próprio MPT, dentre outros pontos.

    A Reforma Previdenciária é o tema do momento. No vai e vem das ameaças e chantagens, números fictícios são apresentados e, vestidos de negatividades, a dívida está sendo enviada aos trabalhadores. Afirmar que o déficit da Previdência Social é por conta do excesso de aposentadorias precoces é, no mínimo, subestimar a inteligência dos brasileiros. Dentre diversos pontos, estudos comprovam que há, sim, altíssima inadimplência por parte do empresariado e, não, do trabalhador.

    Outro ponto que merece a atenção dos trabalhadores é quanto à declarada perseguição aos órgãos representativos – os Sindicatos. Inúmeras vezes, esse novo “líder” da Nação falou em exterminar com os ativismos e os ativistas. Um anúncio de “Caça às Bruxas” em cadeia nacional. Mais uma vez, comprova que este futuro Governo não é do povo e, sim, das oligarquias não só brasileiras como internacionais.

    A Idade das Trevas tem seu retorno e, como inquisidor, o Governo pretende deixar os trabalhadores a mercê dos mandos e desmandos dos empregadores. E a senda rumo ao caos continua. Percebe-se outro ponto de relevância que trata do anúncio de privatização geral, ampla e irrestrita. A ilusão de que tudo que é público não presta leva parte da minoria brasileira a pregar que, realmente, o melhor é vender. A falácia de que tudo o que existe no exterior é melhor que no Brasil é conto da carochinha. Programas sociais que aumentam a qualidade de vida do brasileiro existem e valem a pena conhecer. As mentiras implantadas pelas redes sociais sobre esses Programas precisam ser desmascaradas, para que o Estado de Direito possa reinar para todos.

    Ainda falando de privatizações, o Setor de Serviços – que engloba o setor portuário – tem a maior participação no Produto Interno Bruto (PIB). No 1º trimestre de 2018, o setor representou 72,5% do valor adicionado do PIB brasileiro. Mas, o fantasma da privatização volta a assombrar os trabalhadores portuários. Esse novo Governo aponta para as vendas das Cias. Docas. Caso se consolidem, além de milhares de desempregados, as sociedades irão amargar com uma queda na economia de inúmeros municípios e estados.

    A importância dos portos 3 é gigantesca e não falta pretendente para arrematar essas peças, sem olhar os dentes. A economia brasileira corre sério risco. Prepotencia e arrogancia dominam o staff bolsonarista. Posições desastrosas em relação ao comércio exterior levaram o Governo chinês a avisar ao Brasil que, se a opção do país em 2019 for por romper acordos com Pequim, quem sofrerá será a economia brasileira. Outro problema poderá ocorrer, caso o novo Governo acabe com o chamado Sistema S, que engloba o Sesi, Sesc e Senat.

    No caso do setor portuário, o fim do Sistema será profundamente prejudicial, sem falar no retrocesso. Nos últimos anos, trabalhadores e empresariado do setor vêm estruturando um modelo de treinamento utilizando parte do Sistema S.

    Embora as bravatas e ilusões tenham vencido uma batalha, a guerra pelo Estado Democrático de Direito, ainda, não acabou. Representantes dos trabalhadores de diversos setores laborais se movimentam para inibir o massacre com mundo do trabalho.

    A Federação Nacional dos Estivadores (FNE) não está de braços cruzados. Cumprindo seu papel institucional e sua responsabilidade para com os trabalhadores portuários estivadores está em defesa dos portos brasileiros e dos direitos trabalhistas e previdenciários. Articulações com o parlamento – Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Governo dos Estados e Prefeituras – já estão sendo traçadas. Não temos medo e avisamos que haverá enfrentamento!

    *José Adilson Pereira é presidente da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), vice-presidente da Conttmaf, presidente da Intersindical da Orla Portuária ES e do Sindicato dos Estivadores ES e vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Veja novo vídeo em que artistas se manifestam contra o golpe e pela democracia

    O Portal CTB disponibiliza para você mais um vídeo em que artistas se manifestam em defesa da democracia e contra o golpe. Inclusive, diversos artistas que trabalham na rede Golpe de televisão (também conhecida como Globo).

    Cresce a olhos vistos a resistência em defesa da democracia, contra a intolerância, contra o ódio, contra a manipulação midiática e judiciária e contra o golpe. 

    Tulipa Ruiz, Arnaldo Antunes, Daniel Dantas, Marina Person, Zezé Polessa, Elisa Lucinda, Tonico Pereira, Monica Iozzi, Letícia Sabatella, Tico Santa Cruz, Chico César, entre muitos outros, mostram alegria, irreverência, inteligência e voz firme em favor da Constituição Federal, da Justiça para todos e do respeito às diferenças.

    No vídeo gravado novamente pela TV Poeira, uma nova trincheira pela democracia, eles falam que "sem democracia você perde a voz" e defendem que "ser contra o golpe é ser contra o impeachment".

    Assista o novo vídeo:

     

    Destaque para alguns trechos:

    "Sou contra a justiça que só enxerga um lado, sou contra a justiça só para alguns, sou contra quem usa a justiça para cometer injustiça".

    "Vamos tomar as ruas em defesa da democracia"

    "Sem respeito ao voto popular não há democracia".

    "Sem a democracia você pode ir preso sem motivo algum".

    "Sem a democracia ninguém vai saber se você é a favor ou contra de nada".

    O vídeo vem acompanhado de um abaixo assinado em favor da democracia brasileira:

    "Algumas açōes do ministério público e polícia federal sāo espetacularizadas pela grande mídia, com conduções coercitivas sem intimação prévia, contrariando o nosso Código de Processo Penal, a Constituição Federal e convenções internacionais de proteção aos direitos humanos. Prisões preventivas se estendem por meses a fio, sem justificativa legal, de forma a coagir réus ou suspeitos a fazerem delações, o que configura o uso da tortura psicológica. Delações que estão protegidas por segredo de justiça são criminosamente vazadas, de forma claramente seletiva, para grandes órgãos de imprensa empenhados na desestabilização do governo. Palavras de delatores em desespero, que buscam reduzir suas penas e salvar suas fortunas, são tomadas como verdade absoluta, desde que se refiram ao governo federal e a partidos determinados", diz trecho da petição.

    Veja alguns memes que acompanham o texto do abaixo-assinado:

     chacina na favela

    alckmin merenda

    samarco

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    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB