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Qua, Dez

Governo Temer

  • Derrotar o golpe, enfrentar o racismo e lutar por Diretas Já

    O ano de 2016 chega ao fim e é impossível não fazer um balanço desses 366 dias que, como um raio devastador, representou um período de retrocessos e perdas históricas para a classe trabalhadora e para o conjunto da população, especialmente a população negra.

    Iniciamos o ano sob a pressão da aceitação do impeachment da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff e sob a qual nunca se comprovou nenhum crime de responsabilidade. Uma da série de “vinganças” promovidas pelo então presidente da Casa, Eduardo Cunha, hoje preso por sua extensa lista de crimes de corrupção. Daí em diante, 2016 aprofundou o que 2015 já anunciava: a rearticulação das forças mais retrógradas, racistas, misóginas, conservadoras, anti-povo e entreguistas da sociedade, a união da elite parlamentar, judiciária, midiática e financeira que por meio de um golpe tomou de assalto a presidência do País com fito de implementar sua agenda ultraliberal e deixar o país à beira da insolvência.

    A primeira fotografia deste arremedo de governo não deixava dúvidas de seus reais compromissos e interesses: um Ministério 100% branco, racista e misógino, sem sequer uma mulher, composto por membros das piores oligarquias regionais, quase todos envolvidos em múltiplos escândalos de corrupção, empenhados em revogar todas as conquistas sociais do povo até aqui em especial a ascensão da população negra e pobre a direitos até então inimagináveis como o acesso a universidade e empregos formais.

    A agenda desta gangue não poderia ser outra: desmonte dos direitos sociais, ataque aos programas de transferência de renda (com cortes de beneficiários do Bolsa Família), educacionais, de moradia, de cultura, esporte, entrega das nossas reservas do Pré Sal a multinacionais exploradoras, congelamento dos investimentos nas áreas sociais e do salário-mínimo por longos 20 anos com a maldita PEC 55 (antiga 241/#PECdaMorte), ataques aos direitos de trabalhadoras/es com o PL da Terceirização e agora a aterrorizante Reforma da Previdência que pretende aumentar para 49 longos anos o tempo de contribuição para a aposentadoria integral, estabelecendo como perspectiva para homens e mulheres aposentadoria somente aos 70 anos num país cuja expectativa de vida é de 76 anos!! Qualquer semelhança com a Lei do Sexagenário de 1885 não é mera coincidência!!

    Este programa macabro comporta ainda o desmonte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço com a redução das multas, o PL 257 que congela salários dos servidores públicos, a instituição da jornada flexível de trabalho, a prevalência do negociado sobre o legislado, o aumento de 41,5% do Judicário e tantas outras medidas do infindável pacote de maldades do ilegítimo governo. Some-se a isso a atual crise das instituições, onde reina a submissão do Congresso ao Executivo (índice de fidelidade ao governo em 88% das proposições), interferência do STF no Senado (caso da Lei de Abuso de Autoridade), recusa do Presidente do Senado em cumprir decisão do STF que ordenava seu afastamento e a eterna parcialidade e seletividade da Justiça que tem por conseqüência a blindagem de membros do PSDB. Tudo isso piorado pelo aumento da violência de Estado tanto no que toca a repressão às manifestações dos movimentos sociais quanto no dia a dia das favelas e periferias. Se antes as forças policiais já agiam como se tivessem licença pra torturar e matar, hoje elas se sentem absolutamente à vontade e protegidas pelo atual mandatário do Ministério da Justiça, velho conhecido pelas arbitrariedades promovidas no estado de São Paulo. Passos largos na direção da barbárie!

    O povo se levanta com rebeldia

    Mas nada disso aconteceu sem resistência! Ainda em junho de 2016, a Unegro realizou, em São Luís do Maranhão, o seu 5º Congresso sob o lema “Negras e negros no poder e em defesa da vida” que contou com a participação de cerca de mil delegadas/os de todo o Brasil. Neste congresso que consolidou a Unegro como a maior entidade do movimento negro brasileiro, a militância reunida refletiu sobre os desafios da conjuntura nacional e a imperiosa necessidade de amplificar a organização do povo contra os desmandos do Governo golpista, reafirmando o compromisso da Unegro com um país democrático, livre do racismo, da misoginia e da Lgbtfobia, desenvolvido e justo socialmente. Aprovou ainda as bandeiras do #ForaTemer e #DiretasJá!

    Por sua vez, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além da Convergência Negra contra o Racismo, vêm promovendo uma série de manifestações locais e nacionais, reagindo a cada uma dessas propostas, denunciando ao caráter golpista, racista e elitista deste governo, lutando por Diretas Já. Outra grande e talvez maior lição de rebeldia, resistência e esperança tenha vindo das estudantes - especialmente secundaristas - por todo o Brasil: as ocupações das escolas! Lindas lições de luta, amor e solidariedade surgiram das milhares de escolas ocupadas no Brasil contra a maldita #PECdaMorte (PEC 55), contra a MP 746 que desregulamenta o Ensino Médio e da luta por uma educação de qualidade, crítica e formativa de valores de solidariedade e liberdade. A Unegro foi apoiadora de muitas dessas ocupações em todo o Brasil!!

    Cresce a percepção do povo diante da tragédia social representada pelo governo Temer

    Superando o estado inicial de incredulidade e indiferença diante deste cenário, o povo vem sendo insistentemente chamado pelas forças patrióticas e progressistas a participar do debate sobre os rumos do país e as primeiras respostas começam a surgir: em dezembro 51% dos brasileiros consideram a gestão do presidente ruim ou péssima, ante 31% em julho; para 40% da população, a gestão de Temer é pior que a anterior, de Dilma Rousseff; 65% consideram o presidente falso e 75%, defensor dos mais ricos. Metade dos brasileiros vêem Temer como autoritário e 58%, desonesto.

    Além da queda na popularidade de Temer, a percepção da população sobre a economia piorou. Para 66% dos entrevistados, a inflação vai aumentar. Já o crescimento do desemprego é apontado por 67% dos entrevistados. Em relação ao poder de compra, 59% dos entrevistados pensam que haverá diminuição. Sobre a situação financeira pessoal dos entrevistados, a percepção de piora foi apontada por 50%. Para 38%, a situação permaneceu a mesma e, para 10%, melhorou. Quanto ao futuro da economia, 41% acha que se deteriorará, 27%, que não será alterada e, 28%, que ficará melhor. Do ponto de vista pessoal, 27% aguardam piora nas finanças!!

    Enquanto o governo Temer desaba nas costas do povo as contas do seu “ajuste” os ricos se tornam ainda mais ricos!! Lucros dos grandes bancos ultrapassou R$ 70 bilhões e o país deixou de arrecadar apenas em 2016 o total de 450 bilhões devido à sonegação das grandes empresas que se recusam a pagar seus impostos devidos.

    Não há tábua de salvação para este governo corrupto e alinhado com os banqueiros e as elites! #ForaTemer!! Cabe agora aos movimentos sociais – e a Unegro está devidamente empenhada neste desafio – aumentar o tom das mobilizações por bairros, setor de trabalho, nas escolas e universidades, feiras livres, praças públicas, saídas de ônibus, trens e metrôs, zonas comerciais de grande fluxo e chamar o povo a ser timoneiro do seu presente e futuro! Não cabe ao Congresso, ao Ministério Público ou à Polícia Federal, ninguém dessa sopa de letrinhas, representar os anseios maiores do povo por emprego, direitos e democracia! Que o povo decida quem deve governar a Nação: DIRETAS JÁ é o grito que vai ecoar por todo o ano de 2017!!!

    “Aprenda, homem no asilo!
    Aprenda, homem na prisão!
    Aprenda, mulher na cozinha!
    Aprenda, ancião!
    Aprenda, jovem!
    Você tem que assumir o comando!

    Freqüente a escola, você que não tem casa!
    Adquira conhecimento, você que sente frio!
    Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.
    Você tem que assumir o comando”.
    (Elogio do Aprendizado, Bertolt Brecht)

    Ângela Guimarães é socióloga e presidenta Nacional da União de Negros pela Igualdade.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Miséria no Brasil: região Nordeste é a que mais sofre

    Com o golpe de 2016 e a aprovação da Emenda Constitucional 95, Brasil volta a figurar no mapa da Fome. De acordo com relatório da Organização da Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), população do semiárido brasileiro volta a sentir a ausência de políticas estruturais para a região e sofre com o fantasma da fome. 

     

    O “mapa” revela que, em 2017, a fome no Brasil voltou a crescer, reflexo dos cortes dos programas sociais que excluíram, por exemplo, 1,1 milhão do Programa Bolsa Família, o que representa 4,3 milhões de pessoas, a maioria crianças.

    O país, que durante toda a sua existência sempre foi um caso complexo de pobreza extrema, começou a caminhar no sentido oposto ainda durante os governos de Lula (2003-2010), se tornando um exemplo mundial de combate à fome e à miséria, com programas de segurança alimentar, saúde básica, saneamento, educação, emprego e renda. E no primeiro governo de Dilma (2011-2014) o país saiu definitivamente do mapa da fome da ONU.

    Com a gestão Temer, o Brasil volta a experimentar o sabor amargo da fome, miséria e desesperança. Corte de gastos em áreas sociais, desemprego em massa, sucateamento da educação e da saúde, precarização do trabalho e reforma trabalhista e a a ameaça da reforma da previdência apontam para um cenário ainda pior. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Na noite da posse de Temer, a ordem foi soltar tiro, porrada e bomba nos manifestantes

    Não demorou mais que quatro horas para o recém-empossado governo Temer mostrar sua verdadeira postura diante de protestos contra sua legitimidade. Entre a cerimônia que coroou o golpista e os primeiros atos de repressão, bastou uma passeata e um rojão. A noite da quarta-feira (31) colecionou depoimentos e fotografias de uma sociedade em estado de convulsão.

    A situação icônica na Av. Paulista, em São Paulo, prenunciava o que viria: entre duas manifestações, uma a favor do impeachment (na FIESP), uma contra (no MASP), a Polícia Militar armou três fileiras de contenção. As três olhavam para o MASP. O responsável pela PM tentou convencer as lideranças anti-golpe a não "provocarem retaliação", mas frustrou-se ao ouvir de um professor que protestar é um direito. Limitou-se a responder: "Eu também tenho minha opinião sobre isso, mas esse aqui é o meu trabalho”.

    Uma hora mais tarde, já com uma boa distância da FIESP, a PM atacaria com bombas de gás e violência física. Reviveria também outra tática condenada pela ONU, a "panela de Hamburgo". O motivo do galope: um rojão.

    fora temer faixa maspA manifestação de São Paulo reuniu ao menos duas mil pessoas no MASP - em sua imensa maioria, jovens

    Em agosto de 2016, não causaria espanto confundir a ocasião com maio de 2013. Até a esquina do primeiro tiro foi a mesma - entre a Antônio Carlos e a Consolação.

    Em Brasília, a manifestação organizada contra o resultado do julgamento da presidenta Dilma acabaria de forma parecida, dispersada por bombas. A caminhada começou ao lado do Ministério da Justiça, rumo à Rodoviária do Plano Piloto. Já no trajeto, a PM fez ataques preventivos, com pequenos jatos de gás nas pessoas. Chegando à Rodoviária, o cenário virou palco para uma nuvem de gás de pimenta e o estalar de cacetetes.

    No Rio de Janeiro, o protesto teve um final menos temeroso. Com pelo menos três mil pessoas, a concentração aconteceu na Cinelândia, onde manifestantes discursaram contra o recém-empossado Michel Temer. Neste caso, o protesto foi organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que conseguiram negociar a paz com a PM. A cidade presenciou ainda um mega panelaço durante o discurso gravado de Temer, que foi ao ar às 20h.

    cinelandia fora temer 310816A Cinelândia teve protesto sob a coordenação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo (Foto: Marco Antonio Teixeira/UOL)

    Os coletivos de jornalismo registraram protestos anti-golpe ainda em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Santos, Curitiba e mais dezenas de cidades pelo país, com diferentes graus de comparecimento. Registraram também várias situações de violência repressiva, com pessoas passando mal, em função das bombas, ou sangrando, em função de policiais. Nos locais com conflito mais acirrado, registrou-se um número de prisões arbitrárias.

    Em meio a tudo isso, até os profissionais da imprensa alternativa foram ameaçados pelos policiais. Pelo menos em um caso, o jornalista teve sua câmera destruída.

    Zona de guerra

    O conflito mais tenso foi em São Paulo, onde os manifestantes levantaram barricadas incendiadas e destruíram fachadas de bancos. Na USP, os estudantes queimaram um ônibus. Conforme a tensão aumentou, a polícia passou a perseguir até quem já havia se separado das passeatas - o que rendeu,também, um sem-número de registros de abuso por parte da corporação. Ainda às 22h, a recomendação do Metrô era a de evitar a Linha Vermelha, pois a PM havia explodido gás lacrimogêneo no interior de algumas estações.

    Perto das 23h, um grupo de garotas que protestava em São Paulo nos pediram ajuda. Não deveriam ter mais que 18 anos, e estavam devastadas. "Ficamos atrás da marcha para evitar confusão, mas eles [a PM] atacaram com bombas pelas costas. Estamos com medo de cruzar o centro e acabar encontrando outro grupo [de PMs]”, explicaram. Enquanto as conduzíamos para o metrô, encontramos um cenário de guerra.

    barricadas sao paulo 310816Nas regiões de conflito em São Paulo, os manifestantes ergueram barricadas de fogo

    O terror das primeiras quatro horas do governo Temer serve de atestado da covardia de seu ministro da Justiça/cão de guarda, Alexandre de Moraes. Não vai ser fácil enfrentá-lo.

    Por Renato Bazan - Portal CTB