Sidebar

13
Ter, Nov

Hillary Clinton

  • Mulheres derrotam Donald Trump em eleição histórica nos Estados Unidos

    A terça-feira (6) entra para a história dos Estados Unidos como o dia em que as mulheres derrotaram o presidente Donald Trump, eleito dois anos antes atacando as questões de gênero, os imigrantes e defendendo propostas racistas e xenófobas. As semelhanças com Jair Bolsonaro não param por aí. Trump também é acusado de utilização de fake news para derrotar a adversária democrata Hillary Clinton.

    “As estadunidenses se mobilizaram para avançar nas lutas por igualdade de direitos”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, com base em informações do jornal The New York Times. Com o resultado o Partido Democrata conquistou maioria na Câmara, mas se mantém em minoria no Senado. Nas duas casas legislativas, a representação feminina já ultrapassa os 20%.

    De acordo com as repórteres Susan Chira e Kate Zernike , “as mulheres participaram de grupos de base determinadas a reconquistar o controle democrata sobre a Câmara, e lotaram organizações que as prepararam para concorrer aos cargos. Como candidatas, elas quebraram regras e derrotaram a sabedoria política convencional”.

    Até o momento já eram 92 eleitas, em 435 parlamentares, superando o recorde anterior de 84 para a Câmara dos Representantes. “Como ativistas, expandiram a definição das questões femininas para além da educação e dos direitos reprodutivos, incluindo assistência médica, imigração, violência armada e proteção do meio ambiente”, assinalam as repórteres. No Senado foram eleitas 10 mulheres nas 35 vagas em disputa.

    camara dos representantes como era como fica v5

    Para Celina, o resultado da eleição da maior potência capitalista do mundo, significa “uma pedra no caminho dos projetos anti-imigração, belicista e armamentista, contra os direitos humanos de Trump”.

    Foram muitas boas novidades. Pelos democratas: em Massachusetts, Ayanna Pressley se tornou a primeira negra eleita. Rashida Tlaib, em Michigan e Ilhan Omar, em Minnesota serão as primeiras muçulmanas no Congresso. Sharice Davids derrubou um republicano no Kansas e Deb Haaland prevaleceu no Novo México, tornando-se as primeiras indígenas eleitas para o Congresso. No Tennessee, Marsha Blackburn, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado.

    Kelly Dittmar, cientista política da agência de Rutgers, disse ao New York Times que "para algumas mulheres, isso significava não esperar a sua vez", enquanto “para outras, isso também significava concorrer de uma maneira que adotasse o gênero e a raça como um trunfo para a candidatura e a manutenção de escritórios, em vez de um obstáculo que precisam superar para ter sucesso no mundo da política eleitoral masculino".

    senado como era como fica v5 1

    Jared Polis foi eleito no Colorado como o primeiro governador de um estado estadunidense, assumidamente gay, também pelos democratas. “Ampla derrota para Trump, que viu suas plataformas principais ruírem”, analisa a sindicalista da CTB.

    Especialistas indicam polarização entre o eleitorado masculino e feminino, muito parecido com o fenômeno que aconteceu na eleição brasileira. “A luta das mulheres não vai parar enquanto houver discriminação, violência e preconceito. O resultado dessa eleição vai além dos números e traz grande signifido político para avançarmos na unidade em defesa da igualdade e do respeito a todas as pessoas”, finaliza Celina. Para ela, a reeleição de Trump em 2020 está comprometida "para o bem da humanidade".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Norte-americanos elegem Hillary ou Trump nesta terça-feira (8)

    Chega ao fim a disputa pela presidência dos Estados Unidos da América. Nesta terça-feira (8), a candidata pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, ou republicano, Donald Trump, irá suceder Barack Obama. As últimas pesquisas, realizadas no país, apontam que a democrata está com uma pequena vantagem, em média, de três pontos à frente do empresário.

    A estudante de enfermagem brasileira, Bábara Larissa Santos, que mora em Nova York há oito anos, conversou com o Portal CTB sobre o tema. Ela acredita que a população está dividida. “Por um lado, muitas pessoas dizem que vão votar na Hilary, porque ela está mais preparada, tem mais experiência política, mas sabendo que vai manter a política neoliberal; e por outro lado tem Trump, com o histórico que ele tem”, expressou.

    O republicano é dono de um império no país, boa parte herdado do pai. Acusado de assediar sexualmente pelo menos 11 mulheres, propôs construir um muro na divisa do país com o México para impedir a entrada de estrangeiros. Ele ameaçou rejeitar o resultado da eleição caso perca.

    “Trump seria um completo desastre: racista, contra os trabalhadores imigrantes e com políticas anti-sindicais, apoia a extrema-direita e é fascista”, expressou o representante permanente da Federação Sindical Mundial (FSM) na ONU, Frank Goldsmith.

    O secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, concorda com Goldsmith. “Como surge um elemento com estas propostas anticivilizacionais , propagando a xenofobia, misoginia, discriminação e se torna candidato à presidência do país”, questionou.

    Na avaliação de Goldsmith, se Hillary vencer, ela apoiará políticas contra os governos progressistas e de esquerda na América do Sul e América Central. “Trump é um personagem da televisão e Clinton um produto do Partido Democrata”, disse.

    Eleição indireta

    Diferente do Brasil, nos Estados Unidos os votos dos eleitores de cada estado servem para eleger os delegados no Colégio Eleitoral, que é composto por 538 pessoas, são estes que representarão os eleitores de sua unidade federativa na escolha final do presidente. Para vencer, o candidato precisa ter o apoio de 270 votos (metade mais um).

    De acordo com Pereira, este sistema eleitoral é uma verdadeira “farsa da democracia”. “Os norte-americanos, que se dizem tão democráticos, realizam a votação de maneira indireta. Isto é uma falácia”, frisou.

    Diante deste cenário, Goldsmith acredita que o movimento sindical internacional precisa estar unido e se fortalecer. “Precisamos continuar lutando, orientados pelo sindicalismo classista como a CTB, em todos os países e como FSM em sua perspectiva internacional. Ninguém pode vencer politicamente sem a orientação classista em suas bases. Vamos derrotar os “Trumps” independente de qual país "eles" tentam restaurar seu poder. Vamos derrotar o neoliberalismo da mesma forma”, concluiu.

    Ambos os candidatos estão com índices recordes de rejeição, mais de 50%, num país em que o voto é facultativo. O vencedor deverá ser conhecido entre 2h e 3h da madrugada desta quarta-feira (9), quando os últimos Estados fecharão suas urnas. 

    Érika Ceconi - Portal CTB
    Foto: Reprodução

  • Trump é menos perigoso que Obama e Clinton

    Não restam dúvidas de que o presidente dos EUA, Donald Trump, é um demagogo bufão. Mas em matéria de política externa ele parece menos perigoso e agressivo do que seu antecessor democrata, Barack Obama, e a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton. Isto apesar da retórica explosiva contra a Coreia do Norte e o Irã. O caráter imperialista da política e do Estado americano evidentemente não mudou (e não poderia ser diferente).

    É preciso lembrar que Obama deixou os EUA à beira de uma guerra com a Rússia, país ao qual impôs duras sanções econômicas em função das divergências em relação à Ucrânia e à Síria, que serviram também de pretexto para que mobilizasse e concentrasse força militar no entorno de Moscou. Clinton, candidata de Wall Street e do complexo industrial-militar que sofreu uma inesperada e humilhante derrota para Trump, era ainda mais belicosa que Obama.

    Os fatos sugerem que o atual presidente está reduzindo, sem muito alarde, as tensões em relação à Rússia, encerrou o apoio da CIA a grupos terroristas que combatem o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e anunciou uma nova política para o país, não mais centrada na oposição implacável a Assad, cuja cabeça era exigida por Obama, Clinton, CIA e Pentágono. Isto não é pouco quando se sabe que enfrenta forte oposição interna a tal orientação.

    Depois de encontrar o presidente Vladimír Putin em sua recente visita ao continente asiático, o presidente estadunidense afirmou que acredita na versão do líder russo de que Moscou não interferiu nas eleições americanas. Contradisse e contrariou a mídia e os serviços de inteligência, integrantes do “Estado oculto”, que sustentam o contrário.

    Em Pequim, Trump apontou o déficit comercial como principal causa da desindustrialização e decadência dos EUA (no que ele está coberto de razão), mas isentou a China de responsabilidade no problema, diferentemente de seus antecessores que não se cansavam de acusar a potência asiática de manipulação cambial e acenar com sanções e represálias.

    Reafirmou também, durante a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), a retirada dos EUA da chamada Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que a última administração democrata concebeu como uma ampla aliança para isolar e confrontar a China, cujo poder e influência geopolítica cresce diariamente naquele continente e em todo o mundo, ameaçando a belicosa Pax americana.

    Donald Trump é um político bilionário que pode ser definido como um falastrão reacionário. É produto da desindustrialização e decadência americana, mas seu propalado isolacionismo é bem-vindo para o mundo na medida em que reduz os conflitos na Ásia e Eurásia com as duas principais potências rivais - China e Rússia. E é basicamente por isto, muito mais do que por suas opiniões conservadoras em vários outros temas, que vem sofrendo forte oposição dentro dos Estados Unidos e não é impossível que venha a ser vítima de impeachment como Richard Nixon em 1973.

    Umberto Martins é jornalista e assessor político da CTB