Sidebar

20
Qui, Jun

MC Carol

  • Não dá mais par segurar. As mulheres tomaram conta da política nesta eleição. O movimento feminista assumiu a oposição ao candidato Jair Bolsonaro e suas propostas fascistas.

    “A campanha do #EleNão ganhou uma dimensão gigantesca porque as mulheres entenderam que a hora é agora para barrar o avanço das propostas contra os interesses do país e do povo brasileiro”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Letícia Sabatella, Daniela Mercury, Anitta, Linniker, Chay Suede, Pabllo Vittar, Carolina Abras, Maria Ribeiro, Bete Carvalho, Teresa Cristina, Bruna Linzmeyer, MC Carol, Camila Pitanga, Caetano Veloso, Chico Buarque e muitos outros artistas dizem #EleNão.

    A cantora paraense Júlia Passos deu a sua contribuição gravando um dos hinos do movimento; confira o talento

    O movimento começou pelas redes sociais na internet, principalmente com a página Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que na sexta-feira (14) foi invadida por hackers bolsonaristas e chegou a ser removida pelo Facebook. Já no domingo (16) estava de volta. Ganhou impulso maior ainda e já conta com mais de 3 milhões de integrantes.

    Várias artistas dão o seu recado; assista 

    Artistas que já se posicionavam contra as propostas fascistas do candidato da extrema-direita, já vinham se mobilizando em defesa da democracia, se unem às mulheres pela democracia e pelos direitos humanos. Vídeos começaram a circular e a cantora baiana Daniela Mercury gravou falando contra Bolsonaro e desafiou a carioca Anitta a se posicionar.

    As artistas garantem presença nos atos contra Bolsonaro em todo Brasil; no sábado 

    Nasceu a campanha #DesafioUnidasNasRuas e as artistas começaram a desafiar as suas colegas a se engajarem no movimento. A defesa da liberdade e dos direitos da classe trabalhadora ultrapassou fronteiras e se espalhou pelo mundo. A manifestação do sábado já está garantida em ao menos 50 países e conta com apoio de inúmeros artistas internacionais.

    O jovem ator Chay Suede também se posiciona e mostra que os homens que respeitam as mulheres também são contra Bolsonaro; confira 

    “Elas estão no front, mas muitos homens caminham junto”, assinala Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB. “O mais interessante desse movimento é que ele uniu pessoas de pensamentos muito diferentes com o objetivo comum de barrar os retrocessos e pôr novamente o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social”.

    Centrais sindicais, artistas, empresários, intelectuais, torcedoras e torcedores de futebol, religiosos, as pessoas do campo popular e democrático sentem a necessidade de se posicionarem contra a candidatura do retrocesso.

    Pabllo Vittar gritou Ele Não no Prêmio Multishow; veja 

    Várias artistas foram agredidas pelas redes sociais ao gravarem vídeos ou postarem textos favoráveis à campanha #EleNão. Caetano Veloso prestou solidariedade à atriz Marília Mendonça, que excluiu seu vídeo, após ela e sua família receberem ameaças.

    Assista o depoimento de Caetano Veloso 

    “Esse movimento é irreversível e promete unir a nação brasileira para termos uma eleição limpa”, sintetiza Celina. “A volta da democracia depende do nosso engajamento com candidaturas que defendam a liberdade e a justiça. Todas e todos às ruas no sábado (29)".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O casal com a filha Titi (Foto: Reprodução Instagram)

    Os ataques racistas pelas redes sociais crescem em novembro - Mês da Consciência Negra . "Já passou da hora de serem tomadas providências para acabar com as práticas de ódio e violência no país”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A vítima da vez é uma garotinha de apenas 2 anos. Titi, a malauiana adotada pelo casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso. O casal prestou queixa na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática no Rio de Janeiro, como informa o jornalista Ancelmo Gois.

    Um dos comentários na página do Instragram afirma que "Vcs tinham que adotar uma menina de olhos azuis isso sim iria combinar e não aquela pretinha parece uma macaquinha #lugardepretoénaafrica!!!”.

    Para Custódio, o poder público deve assumir sua responsabilidade e “implementar um grande trabalho de educação de toda a sociedade para extirpar de uma vez por todas a chaga do racismo, que envergonha a nação perante o mundo”.

    Esse tipo de crime tem sido corrente no país. Mas após o golpe à democracia brasileira vem aumentando substancialmente. Antes ainda, em 2013, Carlinhos Brown e Helena Buarque de Hollanda foram morar em Salvador porque seus filhos foram vítimas de ataques racistas no condomínio onde moravam no Rio de Janeiro.

    O mesmo perfil, supostamente falso atacou a cantora paraense Gaby Amarantos. Somente neste ano as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais. "A polícia tem que investigar e punir esses covardes, porque é inaceitável que isso ocorra e nada seja feito", reclama a dirigente da CTB.

    A violência não acaba. No ano passado chegou ao conhecimento do público ataques à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo e à atriz Taís Araújo, no mês de novembro. Neste ano, as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais.

    “O pior é que as manifestações proliferam e a violência cresce com o assassinato de milhares de jovens negros, pobres e moradores da periferia todos os anos no país”, acentua Custódio. “Vamos organizar grandes atos no Dia da Consciência Negra (20 de novembro) para mostrar que repudiamos o ódio, a discriminação, a desigualdade e a violência”. Inclusive o Mapa da Violência 2016 mostra que os jovens negros são assassinados 2,6 vezes mais do que os brancos.

    Contraponto

    Marcha do orgulho crespo curitiba Foto Tony Mattoso RPC Curitiba

    1ª Marcha do Orgulho Crespo em Curitiba (Foto: Tony Mattoso/PC Curitiba)

    Para mostrar que a maioria dos brasileiros e brasileiras querem a igualdade, centenas de negras e negros ocuparam as ruas de Curitiba para a 1ª Marcha do Orgulho Crespo, no sábado (12).

    De acordo com a imprensa local , a manifestação ocorreu sem incidentes e os participantes estavam com cartazes com dizeres contra o racismo e a favor da beleza negra.

    O objetivo da passeata, segundo os organizadores, foi o de empoderar a mulher negra, que está na base da pirâmide social no país. "As mulheres negras são as que mais sofrem com o racismo e o machismo", finaliza Custódio. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy - Foto: Reprodução Instagram

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", disse MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que se excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A mulher sempre esteve presente em todos os gêneros que fazem parte do cancioneiro popular do país. Algumas autoras e alguns autores conseguiram captar o universo da alma feminina de maneira singular e com rara beleza encantam os ouvidos mais exigentes. Neste 8 de março - Dia Internacional da Mulher - vá para as ruas defender a igualde de direitos e impedir os retrocessos, mas cante conosco a força da mulher brasileira.

    As oito canções selecionadas versam sobre separação, amor, sexo, violência, mulheres negras, que sofrem dupla discriminação. Mostram com certa acidez, mas com muita candura, que toda mulher quer amar, ser livre e viver sem medo.

    Inclusive a lista contém o hino das feministas brasileiras "Maria, Maria".

    Aprecie sem nenhuma moderação, mergulhe fundo:

    100% Feminista (MC Carol e Carol Conka) 

    Olhos nos Olhos (Chico Buarque) 

    Malandragem (Cazuza e Frejat) 

    Coisas do Mundo Minha Nega (Paulinho da Viola) 

    Acreditar (Dona Ivone Lara) 

    Mulheres Negras (Yzalú) 

    Beija Eu (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) 

    Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O debate sobre a descriminalização do aborto ganha realce após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (29), descriminalizando a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação, ferve um debate apaixonado em torno do tema.

    De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto 2016, divulgada nesta segunda-feira (5), uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já fez aborto no Brasil. Sendo 64% casadas, 88% professam uma religião e 81% já têm filhos (veja abaixo mais dados no vídeo Precisamos Falar Sobre Isso, publicado pelo grupo Olmo e a Gaivota).

     

    De acordo com pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais de 8,7 milhões de brasileiras, entre 18 e 49 anos, fizeram aborto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 200 mulheres morrem todos os anos no país, vítimas de abortos clandestinos. Já no mundo, a OMS aponta 47 mil mortes de mulheres por abortos mal realizados entre 2003 e 2008 e mais de 8 milhões tiveram sequelas.

    A cantora MC Carol afirma que o aborto só é visto “como crime, como uma coisa errada e ilegal quando a mulher é pobre! Na Europa e em outros países, em até 12 semanas, o aborto é legalizado. Quando a mulher é rica, de família rica, ela vai para o exterior onde não é crime, tira o feto com os melhores médicos, faz uma lipo e volta”.

    Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), concorda com a funkeira. “O que está por trás de toda essa cortina em torno da criminalização do aborto é o machismo”.

    Para ela, o aborto não é descriminalizado para o sistema patriarcal manter seu “domínio sobre a vida e o corpo da mulher”. Fora disso, “é pura hipocrisia de religiosos fundamentalistas que são a favor da pena de morte e falam em defesa da vida, qual vida”?

    A dirigente da CTB lembra de pesquisas mostrando que o aborto é legalizado em 74% dos países no mundo, mas que na América Latina isso acontece apenas em quatro países: Cuba, Guiana, Porto Rico e Uruguai.

    “Nos países onde o aborto foi legalizado, a interrupção da gravidez caiu, enquanto o problema só aumenta onde ele é proibido. Tem gente ganhando dinheiro arriscando a vida das mulheres pobres”, reforça.

    Ciência e religião

    Drauzio Varella questiona o argumento religioso de que a vida começa a partir do momento da concepção. "Muitos consideram que a vida humana começa no instante da fecundação. Mas, por esse raciocínio, a então vida começa antes, porque o espermatozoide é vivo e o óvulo também".

    O famoso médico diz ainda que "o aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia." Texto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posiciona visceralmente contra.

    “Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção”, diz trecho do documento da CNBB. Já o deputado federal Evandro Gussi (PV-SP), da bancada evangélica, ataca a decisão dessa turma do STF.

    Ele acredita que isso revoga o Código Penal, que só admite a interrupção da gravidez em caso de estupro, quando a mãe corre risco de morte e bebês com anencefalia. “Revogar o Código Penal, como foi feito, trata-se de um grande atentado ao Estado de Direito. O aborto é um crime abominável porque ceifa a vida de um inocente”.

    Já Pereira entende a necessidade de se rever o Código Penal, elaborado em 1940. “Esse Código Penal foi feito com preceitos conservadores em relação aos direitos da mulher”, portanto, argumenta, “O STF está certo em fazer prevalecer os preceitos constitucionais”.

    Assista Somos Todas Clandestinas 

    "Os deputados até podem colocar algo no Código Penal que explicite que o aborto é crime mesmo quando praticado nos três primeiros meses da gestação", diz Ivar Hartmann, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas, mas não podem mudar uma decisão do STF, garante.

    Quando a vida começa?

    Essa questão tem suscitado inúmeros debates. E o pastor evangélico, escritor e doutor em Ciências da Religião, Hermes Fernandes elucida posicionamento interessante. Para ele, a polêmica não consiste há vida a partir da concepção.

    “A questão é se há algum nível de consciência no feto. Há vida em cada espermatozoide e ninguém é acusado de ter cometido um genocídio depois de masturbar-se ou interromper um coito”, afirma.

    “Não é o início da vida que está em debate aqui, e sim o começo do indivíduo humano como ser consciente, dotado de uma mente e, portanto, apto a receber a proteção do Estado”.

    Ele argumenta também que a ciência decreta o falecimento de uma pessoa a partir da morte cerebral e que esse conceito deve ser levado para distinguir o início da vida, portanto quando o cérebro começa a ganhar forma no feto a partir dos três meses da gravidez.

    “O cérebro não tem sua arquitetura básica formada no mínimo até o terceiro mês da gestação. Isso significa que o embrião não percebe o mundo, não tem consciência, é um conjunto de células como qualquer pedaço de pele”, conclui Fernandes.

    Criminalização da pobreza

    Ele também critica o posicionamento de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Macedo defende o aborto para se evitar o nascimento de “bandidos”, como se as crianças que nascem na pobreza estivessem predestinadas a esse futuro.

    Pereira conta uma história que aconteceu em Sergipe, seu estado de origem. Numa pesquisa em uma escola, descobriu-se que “uma menina engravidou e o seu namoradinho a convidava para ir à quadra esportiva da escola, onde ele chutava a barriga da menina para ela abortar”.

    O grupo Católicas pelo Direito de Decidir pergunta “como pode o Estado – isto é, um delegado de polícia, um promotor de justiça ou um juiz de direito – impor a uma mulher, nas semanas iniciais da gestação, que a leve a termo, como se tratasse de um útero a serviço da sociedade, e não de uma pessoa autônoma, no gozo de plena capacidade de ser, pensar e viver a própria vida?".

    “As mulheres que fazem o aborto são mais felizes porque exercem o direito de decidir sobre o seu próprio corpo, sobre a sua vida”, finaliza Pereira. “Legalizar o aborto é defender a vida de centenas de mulheres que morrem todos os anos em abortos clandestinos no país".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy