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Ter, Mar

mídia hegemônica

  • “Terrorismo sobre governo Dilma virou euforia permeada de pânico”. Assista debate na íntegra

    Na segunda rodada de debates do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé para a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, o tema do encontro foi “A Imprensa e a Badalada Recuperação da Economia”.

    Na mesa estavam Leda Paulani, professora da Faculdade de Economia e Administraçao da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretária Municipal de Planejamento da cidade de São Paulo, e Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Fundação Perseu Abramo. A mediação ficou por conta de Ana Flávia Marx, diretora do Barão.

    Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    A discussão tentou desvendar como e por que a imprensa, ignorando números e indicadores, passou do terrorismo midiático sobre a economia durante o governo Dilma para um inabalável otimismo na era Temer.

    Leda Paulani iniciou sua fala lembrando que a crise que se iniciou em 2014 foi seguramente a maior em termos de queda de PIB que o Brasil já teve. Os crescimentos recentes, entre 1% e 0,2%, não representam uma retomada real, mas consequências imediatas de fatores pontuais, como a safra recorde no setor agrícola, uma mudança metodológica nos cálculos estatísticos do setor do comércio ou a liberação de parte dos fundos do FGTS.

    “É muito complicado você falar em recuperação quando você tem números desta ordem, por mais que a Folha escreva: ‘Economia dá sinais de recuperação’. Gente, se isso aí for sinal de recuperação, eu não sei como interpretar”, disse, refletindo sobre o otimismo excessivo da imprensa. “Se antes nós vivíamos um terrorismo financeiro nos noticiários, o que nós vemos agora é uma euforia infundada. Quando a gente olha a formação bruta de capital fixo, a capacidade produtiva caiu 6,5% em relação ao ano anterior. Outra coisa é o gasto do governo, que caiu 0,9%, e ainda assim nós temos alguns ‘analistas’ aí que estão falando que estão revisando o crescimento para 1% neste ano - é impossível!”, analisou.

    A interpretação de Leda é de que o aumento do PIB não é sustentável para 2018. Mesmo levando em conta a facilidade de crescimento que segue uma depressão econômica, o crescimento não deve ultrapassar 0,5%.

    “Há uma segunda característica essencial desse ‘euforia’, que é própria do pensamento neoliberal, que é a mistura da negação da realidade com uma espécie de alarmismo econômico que nunca desaparece. A imprensa dá essas notícias de recuperação ao mesmo tempo em que fala que ‘se isso não for feito, o país vai quebrar’, ‘se a Previdência não sofrer cortes, o Brasil vai falir’. É uma coisa que a gente vê desde 2002, quando a mídia começou a dizer que o país perderia a estabilidade monetária se o Lula vencesse, e vimos de novo em 2014, quando caíram os preços das commodities. Eu não entendo esse tipo de análise. Ou eles estão vendo algo que eu não vejo, ou já foram cooptados”, concluiu.

    Leia também: Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Pochmann preferiu fazer uma interpretação histórica das dificuldades econômicas brasileiras, e não falou muito da atuação da imprensa. “Eu não acho que bater na imprensa responde muito, porque eles sempre foram isso aí. A imprensa no Brasil sempre foi alinhada com as oligarquias, sempre foi a voz do patrão, nunca se alinharam de fato com os interesses da população. Então é o tipo de coisa que a gente já tem que levar em conta quando começa a pensar em um plano econômico”, criticou. Ele salientou que tratar a imprensa como um espaço imparcial é um erro da própria esquerda. “A mídia, no Brasil e em toda a América Latina, é a voz do capital, e está tornando o debate sobre o tema da economia cada vez mais pobre. Ela não permite espaço para a chamada ‘heterodoxia econômica’ que defende o desenvolvimentismo”.

    O professor acusou a política econômica de Michel Temer de comprometer as próximas duas décadas de crescimento no Brasil, além de reduzir o país a um paraíso financeiro no qual toda decisão empresarial será baseada no potencial de retorno de dividendos, e não de produtividade. “O que está sendo feito hoje será muito difícil de ser revertido. Nós vamos sair desta crise com uma indústria que corresponderá a menos de 10% do PIB - um patamar que o Brasil via desde 1910! Isso significa que seremos basicamente uma economia de serviços, dependente tanto do ponto de vista industrial quanto do ponto de vista tecnológico”, analisou.

    Para ele, a recessão pela qual hoje atravessa o país foi estimulada artificialmente pela direita para que fosse possível realizar um realinhamento econômico, contrário ao desenvolvimentismo. “Eles aproveitaram alguns erros do governo Dilma, fizeram o terrorismo e jogaram contra as medidas que o governo tentou tomar. Uma característica da sociedade brasileira é que os governos dificilmente sobrevivem a uma depressão econômica, nem a ditadura conseguiu, e eles apostaram nisso. Quando tomaram o poder, repetiram o receituário que levou à recessão da década de 80: transferência da renda das famílias para o pagamento da dívida, queda no consumo e produção e incentivos ao capital especulativo”, comparou.

    Vale lembrar que, depois da aplicação dessas medidas, o Brasil jamais conseguiu recuperar sua capacidade de investimento. Mesmo no governo Lula, a marca nunca ultrapassou 21%, um índice baixíssimo para um país em estágio de desenvolvimento.

    À exposição dos dois se seguiu uma rodada de perguntas sobre economia que encerrou o encontro. O Barão de Itararé realizará ainda uma terceira palestra na sexta-feira (21), conforme o panfleto abaixo. Ela será transmitida em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar o evento também através do perfil da CTB.

    barao ciclo debates

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Três jornalistas essenciais para a imprensa progressista se reuníram na noite desta segunda-feira (16) para falar do papel da mídia na política: Eleonora de Lucena, ex-editora executiva da Folha de S.Paulo; Inácio Carvalho, editor do Portal Vermelho; e Rodrigo Vianna, autor do blog Escrevinhador e diretor do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

    O encontro inaugura o ciclo de palestras organizado pelo Barão de Itararé para comemorar a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, e aborda um dos três aspectos centrais dos debates conjunturais frente ao golpe de 2016: a atuação da imprensa, a atuação da equipe econômica e a atuação do Judiciário. Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    Para Eleonora, mídia e política fazem parte de um todo, que não pode ser considerado de forma separada. “Todo jornal trabalha dentro de uma concepção política. A primeira evidência disso já veio na Revolução Francesa, quando o que hoje a gente chama de ‘fake news’ dominou o debate público. O que dá pra dizer é que em nenhum outro lugar no mundo a televisão conquistou tamanha força de influência na opinião pública quanto no Brasil. Ela tomou o papel formador, conciliador, e foi ela que formatou a ideia de nação na população”, refletiu a ex-editora da Folha.

    Ela citou o exemplo do debate entre Lula e Collor em 89 para ilustrar tal força, e disse enxergar justamente na vitória das esquerdas latino-americanas o impulso para que a imprensa oligopolista se agarrasse aos valores neoliberais. “Com o terremoto econômico de 2008, essa fúria da imprensa contra a esquerda se exacerba, se torna estridente. A mídia tenta proteger os interesses das elites, e daí vem a eliminação do contraditório, a estridência, a violência simbólica - é uma tentativa de justificar a falência do capitalismo. A ideia dessas organizações não é trabalhar no esclarecimento das dúvidas, mas no aproveitamento das dúvidas para direcionar o público”, concluiu.

    Para Inácio Carvalho, o momento brasileiro é único, pois nunca a mídia assumiu um papel tão militante quanto em 2016. “Eu me recordo que, ainda em 2010, o Estadão escreveu um editorial no qual assumia que ‘se a oposição não cumpria seu papel, então o cumpririam eles mesmos’. 2016 foi a consolidação daquilo, nos mostrou o caráter militante desses grupos, cujo objetivo é transformar os interesses dos oligopólios e das elites nos interesses de toda a população”, analisou.

    Ele explicou a visão política central do bloco golpista: de entrega do país, de privatização e aprovação das reformas. Para isso, faz-se necessária a construção de uma narrativa diferenciada de realidade, ainda que o governo Temer cometa erros que minem completamente sua credibilidade. A função da mídia progressista diante desse cenário seria explorar as contradições das forças reacionárias para fazer um apelo ao centro político, que foi esmagado a partir de 2015. “Nós temos entre 26 e 28 milhões de pageviews por mês em toda a mídia progressista, e isso tem uma força poderosa. Nós temos que usar isso para apontar caminhos, projetos, ideias. É possível buscar segmentos que dividem as nossas preocupações, como a questão da intolerância, da democracia, do desenvolvimento nacional, do combate ao trabalho escravo. Será possível que não existe ninguém que se iludiu com o golpe mas se sensibilize com esse projeto?”, questionou.

    O terceiro palestrante, Rodrigo Vianna, aproveitou seu tempo para fazer uma análise da disputa de narrativas entre a grande mídia, a mídia progressista e o segmento crescente de extremistas de direita no Brasil. Ele fez menção específica ao MBL, ao tratar do terceiro caso: “O caso da revista Veja, entre outros, mostra que a grande imprensa fomentou a intolerância, mas agora é atacada pelos próprios intolerantes que criaram. Os sinais que eles têm dado é de que eles estão com medo dessa direita conservadora representada por Bolsonaro e Doria. Nós precisamos inclusive fazer uma batalha de linguagem, de isolar esses grupos extremistas de direita e tachá-los pelo que são: “milícia”, “extremistas”, “radicais”, “contra a cultura e contra a democracia”. Talvez assim nós reencontremos o espaço para debate”, sugeriu.

    O blogueiro frisou, como seus colegas, que a imprensa sempre foi um instrumento de disputa, e que não há nada de recente na apropriação do jornalismo como “ferramenta da guerra”. Para ele, a falácia real é a ideia que foi vendida a a partir dos anos 80 de que a imprensa é independente. “Isso é uma falácia, não é verdade. Em 2016, o que nós vimos foi uma atuação blocada, muito parecido com 64. Agora estamos num momento em que aparecem dissonâncias entre os golpistas, e isso cria a questão da estridência. Nós podemos usar essa perda de controle para recuperar a opinião pública”, sugeriu.

    A mesa de debates é apenas a primeira de três, todas a serem realizadas pelo Barão de Itararé conforme o panfleto abaixo e transmitidas em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar os eventos também através do perfil da CTB no Facebook, ou assistí-los na íntegra aqui, no Portal CTB.

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    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O autoritarismo da Lava Jato e a conivência da mídia, segundo dois de seus opositores; assista

    No terceiro e último encontro da semana no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão e o jornalista Paulo Moreira Leite debateram sobre osefeitos da midiática Operação Lava-Jato no cenário político brasileiro. A conversa faz parte dos eventos da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação.

    Você pode assistir ao debate na íntegra logo abaixo, mediado pela coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mielli:

    Eugênio Aragão era o ministro da Justiça de Dilma Rousseff quando a Lava Jato tornou-se o monstro midiático que mergulhou o país no caos. Em sua fala, uma coisa é clara: o procurador aposentado não tem grande admiração pelos “meninos da Lava Jato”.

    Eu costumo dizer que a Operação Lava Jato foi, acima de tudo, uma grande vitória corporativa do Ministério Público. Desde o caso de Fernando Collor, surgiu esse impulso de heroísmo individual. Houve um processo de fulanização da Justiça, a imprensa deu capas falando dos meninos que ajudavam o procurador-geral como ‘Os Intocáveis’. Eu não tenho dúvidas de que muitos seguiram carreira do Ministério Público porque estavam impressionados”, explicou.

    Aragão criticou o excesso de benesses da carreira de procurador no Brasil, e acusou o sistema atual de favorecer dinastias. “Vocês imaginem o que é um menino que acabou de começar a carreira do Direito poder ganhar R$ 29 mil, olhar para o seu governador do Estado de olho a olho, poder esfregar a carteira na cara de qualquer autoridade… Isso realmente deixa qualquer um fora da casinha. Esses meninos estudam muito, porque têm o papai para bancar os anos que precisam para isso, e têm o objetivo de ir da periferia para o centro. São muito consumistas, muito acostumados com o conforto, e estão em busca da auto-afirmação. A Lava-Jato é isso: um grande projeto de auto-afirmação”, continuou.

    A avaliação do ex-ministro é de que a Lava Jato poderia ter contribuído para a moralização do ambiente de negócios no Brasil, mas se perdeu na “forma atabalhoada” como foi executada pelo Ministério Público. “Eles atribuíram para o Direito Penal um papel muito mais amplo do que ele pode exercer, de limpar a sociedade, e isso leva a todo tipo de comportamento autoritário”, avaliou. “Essa garotada não tem noção de economia, nem noção de política, nem noção de empresa. Se a gente pegar a Volkswagen, lá na Alemanha… ora, é uma empresa que não prima pelos métodos mais honestos. Agora, não me parece que veio nenhum promotor alemão aplicar multas exterminadoras de sua saúde econômica. Ninguém está interessado em acabar com a Volks, ela é um símbolo da Alemanha”.

    Paulo Moreira Leite, por outro lado, preferiu abordar a questão pelo aspecto da disputa midiática em torno da Lava Jato. Ele foi o autor do livro “A Outra História da Lava-Jato”, que expõe as violações cometidas pela equipe de Sergio Moro.

    Nós erramos feio ao não criar uma mídia progressista forte, capaz de competir com a grande mídia de igual para igual. A Lava Jato foi o começo de um projeto de um Estado de Exceção do Brasil, e ela é inseparável da mídia. Ela representa uma grande fantasia, uma grande ideologia, que coloca a corrupção como o grande mal do Brasil. Isso já havia sido feito na década de 50, quando a mídia tentou usar a mesma estratégia contra Getúlio Vargas”, relembrou, delineando a estratégia midiática daquela época. Leite enxerga nessa abordagem uma mentalidade que desqualifica o povo e suas decisões, no mesmo tom usado pelo General Mourão em seu recente discurso, no qual insinuou a possibilidade de um golpe militar.

    “Há um agravamento do pensamento unitário na mídia. Se há 30 anos você via uma certa diversidade no discurso da imprensa, hoje você tem uma casta que cria uma ideologia única, que justifica um projeto de desvalorização nacional, de entrega. Eles agem como se, no resto do mundo, o capitalismo fosse uma coisa pura, como se não acontecessem os mesmos processos de tráfico de influência e lobby que nós vemos por aqui”, acusou. É nesse contexto que o Sergio Moro e a Lava Jato são alçados ao posto de herói.

    “Os governos Lula e Dilma fizeram uma opção de buscar avanços sociais com o mínimo de conflito possível, e isso deu certo por um tempo, mas é muito complicado você tentar fazer isso no espaço da mídia, porque mídia é poder. Nós achamos que poderíamos ser clientes dessas empresas, e mesmo com a forte moderação daquele governo, ele ainda era visto como inimigo. Nós vivemos achando que a mídia vai dar a outra face, e eles nunca fizeram isso”, concluiu.

    Apesar do tom crítico, Leite vê possibilidade de reação no fato de que não há um vencedor no cenário político atual. A desmoralização da Lava Jato abre a possibilidade de uma nova atitude com relação à abordagem do público no Brasil - uma que seja menos policialesca, e mais propositiva. “A eleição será determinante. Dependendo de como for, o país vai andar de um jeito ou de outro. Ela nos obriga a estreitar laços com nosso público, a reassumir o caráter de ‘imprensa alternativa’”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Temer abre a torneira para a mídia golpista e concede aumento superior a 1.100%

    O governo golpista de Michel Temer aumenta substancialmente as verbas publicitárias destinadas à mídia que lhe deu apoio ao golpe. “O Temer está claramente pagando a fatura do apoio recebido da mídia hegemônica”, diz Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

    “Por mais que tenhamos críticas aos governos anteriores por destinar verbas muito polpudas à mídia comercial, pelo menos havia um movimento de destinação aos veículos alternativos, à mídia comunitária. Neste governo isso acabou”, reforça.

    Somente as Organizações Globo entre maio e agosto deste ano, receberam R$ 15,8 milhões de repasses federais (sem contar as estatais!), 24% a mais que no ano anterior, diz reportagem do blog Diário do Centro do Mundo.

    A revista Veja, do Grupo Abril recebeu R$ 380,77 mil entre maio e agosto deste ano do governo golpista, um crescimento de 624%. Como se vê, o corte de verbas desse governo acontece somente nas áreas sociais e contra a classe trabalhadora.

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    “O pior de tudo é que teve empresa que recebeu aumento superior a 1.100%. Isso é inconcebível”, diz Mielli. Isso significa, explica ela, que “a mídia hegemônica apoiou o golpe por uma identidade político-ideológica, mas não o fez de graça. E está cobrando agora”.

    A ativista da comunicação democrática afirma ainda que a distribuição das verbas é extremamente seletiva. “Antes a mídia alternativa e grupos pequenos ainda viam alguma fatia do bolo, agora quem não deu apoio ao golpe teve os contratos suspensos”.

    Anistia a veículos com prazo vencido

    Mielli comenta também a vergonhosa Medida Provisória 747/2016, que amplia o prazo de renovação de concessão às emissoras de radiodifusão que perderam o prazo. “Fazer isso através de medida provisória é um descaso total com a coisa pública”, diz.

    “Somente um governo fruto de um golpe poderia agir assim”, complementa. “Na prática ele está beneficiando amplamente o setor comercial, enquanto a mídia alternativa está jogada às traças e se vê obrigada a sobreviver da colaboração das pessoas”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Charge de Latuff