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Qui, Jun

Secretaria de Políticas para as Mulheres

  • A luta pela emancipação feminina é uma das principais para o avanço da democracia brasileira, e a melhoria de vida da classe trabalhadora passa por colocar mais mulheres no poder. O Dia Internacional da Mulher tem grande peso no calendário de mobilizações da CTB, mas a luta continua o ano inteiro - seja por meio da nossa publicação "Mulher de Classe", seja por meio dos encontros e seminários que organizamos mês a mês. E sem esquecer da luta da mulher negra, que enfrenta cumulativamente o racismo e o machismo no cotidiano.

  • Aconteceu nesta terça-feira (6) a primeira audiência do processo movido pelo ator Alexandre Frota contra a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do governo Dilma, Eleonora Menicucci. 

    Dezenas de mulheres realizaram um ato de solidariedade à Menicucci e contra a cultura do estupro (leia mais aqui), em frente ao Fórum do Juizado Especial Cível Central no bairro Paraíso, na capital paulista.

    Frota move uma ação indenizatória no valor de R$ 35 mil porque a ex-ministra o acusou de fazer apologia ao estupro em um programa de tevê. Menicucci fez a crítica quando o ministro golpista da Educação Mendonça Filho recebeu o ator em uma reunião para uma consultoria sobre políticas educacionais, em maio deste ano.

    Menicucci reclamou de o ministro receber alguém que já confessou ter feito sexo com uma mãe de santo sem o consentimento dela, no programa “Agora É Tarde”, da Band, que era apresentado por Rafinha Bastos à época, o mesmo que insinuou fazer sexo com Wanessa Camargo e o bebê dela, ainda no ventre.

    “É inadmissível alguém como esse sujeito ter tamanho prestígio nesse governo golpista. Por isso, se julga no direito de atacar os direitos das mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Basta assistir ao programa em que o ator fez a sua parafernália, com vídeo disponível na internet, para a Justiça entender que a ex-ministra tem toda razão e quem vai ser obrigado a indenizar será o ator pornô, não a Menicucci”, complementa.

    Ivânia afirma que a CTB presta solidariedade à ex-ministra e cientista política e se põe a disposição para o que “ela precisar para vencer essa batalha judicial tão descabida e imoral”. O Instituto Patrícia Galvão também se solidariza com Menicucci.

    O “posicionamento crítico em relação a um episódio de banalização do estupro narrado pelo ator Alexandre Frota em rede nacional, quando Ministra das Mulheres, foi imperativo, essencial e importante para as mulheres do país”, diz nota do instituto sobre Menicucci.

    A audiência conciliatória terminou sem conciliação e o processo continua. A ex-ministra garante que vai até o fim. Porque tem a certeza do dever cumprido. Ela acusa o governo golpista de promover amplo retrocesso nos direitos conquistados pelas mulheres na última década.

    Depois do término da audiência, a ex-ministra disse que “a minha história jamais permitiria que eu fizesse um acordo. Nem pedir desculpas e, tampouco, achar que ele fez o programa gratuitamente. Ele está me processando por eu ter falado que ele fez apologia ao estupro? Há uma articulação maior do que o simples fato dele estar me processando. Essa é uma cultura fascista que nós estamos enfrentando no Brasil”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Luciana Maria da Silva

  • Acontece nesta sexta-feira (8), Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia, na Casa de Portugal, na capital paulista, a partir das 14h.

    portuga

    “As mulheres estão mostrando a sua força e impulsionando o movimento para a presidenta voltar ao cargo para o qual foi eleita”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista afirma que o movimento das mulheres não é “apenas a defesa de um mandato, mas sim o respeito à escolha democrática de milhões de brasileiras e brasileiros, que elegeram a presidenta Dilma”.

    Além disso, ela argumenta que o golpe está em andamento para acabar com as conquistas da classe trabalhadora. Ela cita a proposta de “idade mínima para a aposentadoria aos 70 anos, a terceirização escancarada, o desmonte da Secretaria de Políticas para as Mulheres e o cerceamento de diversos direitos e a proposta de mudança da Lei Maria da Penha, dificultando as denúncias”.

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    Mulheres encontram Dilma em ato pela democracia nesta sexta (8), em São Paulo

    Além disso, afirma, “os direitos das mulheres correm sérios riscos com esse governo golpista e neoliberal”. Ela se refere aos inúmeros projetos em tramitação no Congresso Nacional mais conservador do período pós-ditadura, que visam dificultar a vida das mulheres.

    Ela lembra ainda que a Comissão de Anistia aprovou nesta quarta-feira (6) anistiou pós-morte a  líder sindical rural, Margarida Maria Alves, que deu nome à Marcha das Margaridas, liderada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. “É de suma importância o reconhecimento do Estado brasileiro do assassinato dessa guerreira do nosso povo”. Margarida foi assassinada em 1983, por lutar pela reforma agrária e pela igualdade de direitos.

    Ivânia acredita que esse encontro de amanhã (sexta, 8), em São Paulo, fortalecerá a presidenta Dilma em sua volta ao Palácio do Planalto. “Somente com Dilma na Presidência poderemos convocar um plebiscito com ampla participação popular para decidir sobre novas eleições”.

    Participações Culturais

    Ilú Obá de Min
    Luana Hansen
    Sharylaine

    Serviço

    Encontro das Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia

    Sexta-feira (8), a partir das 16h
    Local: Casa de Portugal São Paulo - Av. da Liberdade, 602 - Liberdade

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) constitui um marco na história política do Brasil. Sua criação em 1985 (Lei 7.353/85) representa a luta das mulheres brasileiras na afirmação de sua igualdade social como fator fundamental para um verdadeiro processo de democratização de nossas instituições políticas, após 21 anos de ditadura militar. O CNDM teve um papel fundamental na garantia dos direitos da mulher na Constituição de 1988.

    Desde então o CNDM tem exercido a função de propor, avaliar e fiscalizar as políticas públicas com vistas a promoção dos direitos das mulheres (Decreto nº 8.202 de 2014). Exerce esse controle através de suas integrantes, representantes da diversidade do universo de mulheres brasileiras e atuantes na defesa de seus direitos através de redes, articulações, entidades de classe, associações, sindicatos e organizações não governamentais.

    Cumprindo seus objetivos o CNDM coordenou as 4 grandes Conferências Nacionais para a elaboração de políticas públicas para as mulheres, em articulação com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). A esse ciclo virtuoso de conquistas e avanços, enfrentamos hoje o desmonte do Ministério da Mulher da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que passa a ser. uma subsecretaria do Ministério da Justiça.

    Acompanhamos, com muita preocupação e indignação, o desenrolar do golpe que a cada passo desmonta as políticas sociais, sobretudo com a Publicação da Nº 611/junho de 2016, que desmobilizou e inviabilizou por 90 dias todas as atividades dos Conselhos de Controle Social, vinculados ao Ministério da Justiça. Se não bastasse, outra grande perda com a publicação do decreto publicado no último dia 22/06/2016, transferindo e subtraindo os recursos no valor de R$12.927.981,00 já destinados à SPM, para Presidência da República.

    cndm manifesto

    Para além dos desmandos, das contradições e das irregularidades amplamente denunciadas, tanto do encaminhamento deste processo, quanto das figuras que o encaminham, sobre as quais pesam múltiplas e comprovadas acusações, preocupamo-nos também com o papel da grande mídia. Em ação determinada e articulada com setores do judiciário e do parlamento, esta mídia ora fabrica, ora repercute seletivamente notícias, fatos e factoides que ajudam a construir a versão de um crime inexistente que se quer legitimar, sem o menor respeito à diversidade em suas fontes, ou à pluralidade de opiniões, como deveria ser a função de uma mídia minimamente imparcial e descente. Quem são os beneficiários dessa manipulação?

    Culparam a presidenta pela crise econômica em curso, embora saibam que a crise é global, e vem se arrastando, atingindo economias de grandes países capitalistas em todo o mundo. Utilizaram-se de repertórios machistas e misóginos para difamar a figura da presidenta eleita pelo simples fato de ser mulher. Charges, memes, hashtags pornográficas, adesivos alusivos ao estupro da presidenta, reportagens de jornais e revistas traduzem o duro viés do discurso misógino, fundado no patriarcalismo estrutural presente na sociedade brasileira. Os meios utilizados para desconstruir a imagem da presidenta Dilma enquanto gestora e mulher, não agridem somente a ela, agridem a todas nós mulheres e motivam a incitação e apologia do crime contra mulheres, tão evidenciado nos últimos dias.

    A absurda reforma ministerial realizada pelo governo ilegítimo encabeçado pelo vice Michel Temer logo após a votação pela admissibilidade do processo de impeachment no Senado, modificou diversas prioridades políticas do mandato eleito democraticamente pela população brasileira. Vários ministérios foram limados ou desmontados. Qual será o destino dos programas sociais? Qual será o destino dos projetos que defendiam mulheres, negros, LGBTTs, pessoas com deficiência, pessoas sem moradia?

    O nosso país é constituído majoritariamente de mulheres e de negros e o governo interino, de forma compatível com a atitude retrógrada e discriminadora, não indicou nenhuma mulher, nenhum negro para compor o primeiro escalão do seu governo ilegítimo. Além dessa atitude claramente machista e racista, indicou para dirigir as principais pastas da administração federal, um grupo de deputados federais que incluía vários investigados e com ordens de prisão decretadas conforme fartamente divulgado pela mídia.

    Se não bastasse, sob denúncias de setores da própria mídia, o presidente ilegítimo nomeia a ex-deputada federal Fátima Pelaes, que defende a submissão do estado às crenças religiosas e está sendo processada no seu Estado do Amapá, por desvio de três milhões de reais do Ministério do Turismo. Isso é uma vergonha para as mulheres brasileiras que se manifestam contra sua nomeação por todo o país.

    Se não bastasse, o presidente ilegítimo nomeou a ex-deputada federal Fátima Pelaes que se opõe ao Estado laico e defende a submissão deste às crenças religiosas. A nova secretária, além de tudo, ainda é alvo de processo no seu Estado do Amapá, por desvio de quatro milhões de reais do Ministério do Turismo. Isso é uma agressão a todas as mulheres brasileiras que se manifestam contra sua nomeação por todo o país.

    É inaceitável que os compromissos eleitos nas urnas sejam vendidos.

    E lembrando Simone de Beauvoir: Estamos vigilantes

    "Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.
    Simone de Beauvoir

    Assinam este manifesto as entidades da sociedade civil que compõem o pleno do CNDM - 26 JUNHO DE 2016.

    Redes e Articulações feministas e de defesa dos direitos das mulheres

    1) Articulação Brasileira de Lésbicas/ABL
    Conselheira: KAROLINE SOARES CHAVES
    2) Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica/ABMCJ
    Conselheira: RENATA SCHMIDT CARDOSO
    3) Associação Nacional de Travestis e Transexuais/ANTRA
    Conselheira: CHOPELLY GLAUDYSTTON PEREIRA DOS SANTOS
    4) Confederação das Mulheres do Brasil/CMB
    Conselheira: LIDIA CORREA DA SILVA
    5) Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil –
    BPW Brasil
    Conselheira: EUNICE APARECIDA DA CRUZ
    6) Fórum de Mulheres do Mercosul Brasil/FMM
    Conselheira: JEANETE MAZZIEIRO
    7) Fórum Nacional de Mulheres Negras/FNMN
    Conselheira: SILVANA DO AMARAL VERISSIMO
    8) Liga Brasileira de Lésbicas/LBL
    Conselheira: SILVANA BRAZEIRO CONTI
    9) Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia/MAMA
    Conselheira: MARIA ANTONIA S. SALGADO
    10) Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil/MMC
    Conselheira: JUSTINANA INÊS CIMA
    11) Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa
    Conselheira: CRISTIANE YUKIKO KONDO
    12) Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos/RNFS
    Conselheira: SHEILA REGINA SABAG KOSTIN
    13) União Brasileira de Mulheres/UBM
    Conselheira: LÚCIA HELENA RINCON AFONSO
    14) União de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira/UMIAB
    Conselheira: ROSIMERE MARIA VIEIRA TELES
    15) União Nacional dos Estudantes (UNE)
    Conselheira: BRUNA COUTO ROCHA

    Organizações de caráter sindical, associativa, Entidades de Classe que atuam na promoção dos direitos das mulheres

    1) Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)
    Conselheira: Ana Maria Costa
    2) Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil/CTB
    Conselheira: Ivânia Pereira da Silva Teles
    3) Central Única dos Trabalhadores/CUT
    Conselheira: Mara Luzia Feltes
    4) Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação/CNTE
    Conselheira: Isis Tavares Neves
    5) Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura/CONTAG
    Conselheira: Alessandra da Costa Lunas
    6) Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos/FENATRAD
    Conselheira: Sueli Maria de Fátima Santos
    7) Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria/CNTI
    Conselheira: Sônia Maria Zerino da Silva
    8) Conselho Federal de Psicologia (CFP)
    Conselheira: Valeska Maria Zanello de Loyola

    Conselheiras de notório conhecimento das questões de gênero

    1) Jacqueline Pitanguy de Romani
    CEPIA – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
    2) CONSELHEIRA EMÉRITA: CLARA CHARF

  • Em reunião, nesta terça-feira (21), o Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT) decidiu que não interessa para as mulheres dialogar com o governo golpista e machista de Michel Temer.

    “Tiramos uma posição unânime contra o golpe”, afirma Gilda Almeida, secretária de Finanças Adjunta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e integrante da Comissão Nacional de Mulheres da central.

    Gilda explica que “as dirigentes das secretarias de mulheres das centrais que compõem o Fórum (CTB, CUT, Nova Central, Força Sindical e UGT) definiram posição contra todas as medidas que estão sendo tomadas pelo governo golpista”.

    Por isso, o FNMT é contra a reforma da previdência, essencialmente sobre elevar a idade mínima para aposentadoria para 65 anos. Também “vamos elaborar um documento contra os retrocessos na saúde pública, na educação, na cultura e nos direitos sociais e individuais, propostos por Temer”.

    Na reunião ficou definido ainda que é muito importante defender a manutenção dos programas sociais, como o Bolsa Família, o Universidade Para Todos (ProUni), o Financiamento Estudantil (Fies), dentre outros necessários para “combater a desigualdade social”, reforça.

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    O Programa de Valorização do Salário Mínimo foi entendido com essencial para aquecer a economia e elevar o patamar de vida dos mais pobres, principalmente, o FNMT defende “que os aumentos acima da inflação para o mínimo sejam referência para o pagamento de aposentadorias e pensões, como tem sido feito nos últimos anos”.

    O FNMT vai ainda lançar um documento que para “debater o impacto sofrido pelas trabalhadoras com o rebaixamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres, assim como os projetos perniciosos que tramitam no Congresso Nacional”.

    Também foi deliberado marcar audiência pública na Câmara dos Deputados ou no Senado para denunciar a violência e a discriminação que as mulheres sofrem no Brasil, “amplificada com esse governo golpista”, diz Gilda.

    Além de defender que é fundamental combater a cultura do estupro, o FNMT definiu o lançamento de uma cartilha abordando a Convenção 156, da Organização Internacional do Trabalho, que pretende a igualdade de oportunidades e de tratamento para trabalhadores e trabalhadoras, assim como as suas responsabilidades familiares.

    Outra unanimidade do FNMT foi sobre a necessidade de participação no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a importância de se contrapor ao projeto de lei 07/2016, que pretende alterar a Lei Maria da Penha, prejudicando as vítimas de violência.

    “As mulheres das centrais sindicais presentes decidiram também a realização de um ato público em Brasília em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), da educação pública e de combate à violência contra as mulheres e pelo fim da cultura do estupro”, finaliza Gilda.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: Eric Paixão

  • Para acabar com a violência contra as mulheres no Brasil, foi aprovada no dia 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340, que ganhou o nome de Lei Maria da Penha. “Os resultados da Maria da Penha são incontestes”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A lei ganhou esse nome para homenagear a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, quem em 1983 levou tiros do marido, enquanto dormia. Ela se fingiu de morta e ele deu queixa de assalto à polícia, quando chegaram ela denunciou o algoz.

    Mesmo paraplégica, Maria da Penha não se entregou e foi à luta para incentivar as mulheres a denunciar seus companheiros algozes. “Ela se transformou em uma heroína das brasileiras pela coragem que teve de superar dificuldades e defender os direitos de todas as mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista sergipana, ressalta a efetivação de mais Delegacias da Mulher, da Patrulha Maria da Penha Rural, “meio onde as mulheres são mais vulneráveis pela falta de presença do Estado e de políticas que possibilitem uma reação maior e essa patrulha facilita”, diz.

    “Mesmo com os avanços”, fala Pereira, “é preciso avançar muito mais, porque faltam delegacias da mulher em muitos locais e a maioria delas não funciona 24h”. Ela acentua a criação da Casa da Mulher Brasileira como muito positivo, mas acredita que esse governo não vai investir no combate à violência contra as mulheres.

    Pesquisas apontam para uma violência descomunal. Cerca de 5 mil mulheres são assassinadas por ano. Ocorrem aproximadamente 50 mil denúncias anuais de estupros, em muitos casos contra meninas de 14 anos ou menos. Mas estima-se que apenas 10% dos crimes são denunciados.

    lei maria da penha

    “O pior é que a maioria das agressões ocorre dentro de casa, onde as meninas deveriam estar mais protegidas”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP. Mas, diz ela, “as mulheres sofrem assédio moral e muitas vezes sexual, no trabalho e são agredidas diariamente no transporte público e nas ruas com cantadas ofensivas e molestamentos”.

    Pereira lembra que o Congresso Nacional quer alterar a Lei Maria da Penha, “pelo que ela tem de melhor” e dificultar as denúncias, tirando o poder do Judiciário e passar a responsabilidade sobre alguns encaminhamentos para delegados de polícia, o que pode “dificultar para as vítimas porque podem acumular as denúncias e os policiais não darem conta”.

    Dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres indicam que uma em cada cinco mulheres sofrem violência doméstica, em 80% dos casos, os agressores são os companheiros ou parentes das agredidas.

    “Parece que com o governo golpista aumentou a vulnerabilidade das mulheres e as agressões misóginas se fazem mais presentes, muito pela confiança na impunidade”, reforça Pereira. Mas nada disso, segundo ela, tira a importância da Lei Maria da Penha.

    “Foi a partir da Lei Maria da Penha que as mulheres foram criando mais coragem para denunciar as atrocidades”, conta Bitencourt. “Isso aliado às inúmeras políticas públicas criadas posteriormente, principalmente no governo Dilma”.

    Já para Pereira, a Lei Maria da Penha representa um marco na história da luta por igualdade de gênero no país, embora “as conquistas das mulheres correm sérios riscos se o golpe vencer se o impeachment for efetivado”.

    Exatamente por isso, a “primavera feminista promete continuar nas ruas e nas redes enfrentando todo o tipo de violência de gênero”, assegura Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes (Ubes).

    Serviço:

    Para denunciar use o Ligue 180

    Também pode usar o Disque 100, que cuida de denúncias sobre Direitos Humanos

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Viraliza na internet uma situação constrangedora ocorrida em uma prova oral para admissão de candidatos ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Nela, o promotor Alexandre Couto Joppert elabora um caso hipotético de estupro e cai na armadilha do inconsciente. Inclusive a prova foi gravada e tem um áudio divulgado na internet. 

    Joppert expõe o caso: "um segura, outro aponta arma, outro guarnece a porta da casa, outro mantém a conjunção - ficou com a melhor parte, dependendo da vítima - mantém a conjunção carnal, e o outro fica com o carro ligado para assegurar a fuga."

    A repercussão foi imediata. “É lamentável que uma coisa dessa aconteça em um órgão do Judiciário, que existe para nos defender”, reclama Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    À BBC  Brasil, Joppert disse que "essa frase, talvez ouvida fora do contexto, pode dar uma ideia errada. Eu quis dizer 'a melhor parte' não na minha ótica, obviamente. A melhor parte na ótica da mente doentia do criminoso. Em todo o estupro, o objetivo principal do criminoso, naquela patologia psíquica que ele tem, é alcançar a satisfação da sua lascívia. Como no estelionato a melhor parte a é obtenção da vantagem indevida".

    A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP, Gicélia Bitencourt argumenta que “quanto mais ele tenta se explicar, mais se complica. Está muito claro que a cultura do estupro não escolhe classe social e precisa de um combate mais efetivo com um amplo trabalho de educação de toda a sociedade”.

    homem respeitar mulher nao temer

    Enquanto Ivânia ressalta a complexidade do tema. “Todas essas expressões e violências dos últimos dias estão intrinsicamente ligadas ao regime de exceção que estamos vivendo”, diz. “O que esperar de um governo composto por homens, brancos, ricos e defensores desse nível de posicionamento?”

    Para ela, os projetos do governo golpista e os em tramitação no Congresso Nacional que retiram direitos da classe trabalhadora e, essencialmente das mulheres “incitam essas posturas, a violência,a misoginia e empobrece a vida de todos e todas, porque nos joga na barbárie”.

    Gicélia afirma que “a visão de que o afastamento da presidenta Dilma, deixou as mulheres sem proteção parece ter reacendido uma vontade de vingança contra as conquistas que tivemos e contra os espaços que conquistamos”.

    “Aflora também um sentimento de impunidade com o recente corte de mais de R$ 12 milhões da já enfraquecida Secretaria de Políticas para as Mulheres”, afirma Ivânia. Além disso, diz ela, “a mídia reforça a cultura do estupro quando mostra a mulher como objeto”.

    Ouça o áudio abaixo:

    De acordo com a reportagem da BBC Brasil, o Ministério Público do Rio instaurou procedimento para apurar a conduta de Joppert e que ele foi afastado cautelarmente da banca examinadora até que tudo se resolva.

    Mesmo com os pedidos de desculpas feitos por Joppert, a antropóloga Jacqueline Muniz, professora da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, acredita que ele “incitou mais uma vez a prática de estupro, portanto é chocante que isso venha de segmentos do Ministério Público que representam a sociedade. É como se a atitude dele fosse duplamente violenta: ela por si mesmo reitera a lógica da cultura do estupro, e a outra pela posição que a pessoa ocupa, certamente fere decoro e ética de sua função".

    Ivânia acentua que a questão colocada pelo promotor “da forma como foi feita se iguala à fala do deputado Bolsonaro (Jair) quando disse à deputada Maria do Rosário que não a estupraria por ela ser feia. É a mesma ideia absurda de que a mulher é propriedade dos homens”.

    De acordo com ela, “inclusive a Justiça começa a tomar como verdade o não direito, a não cidadania e o não respeito aos direitos mais elementares da pessoa humana”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy