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Dom, Fev

Transporte Público

  • CPTM é condenada a pagar indenização de R$ 50 mil para vítima de abuso sexual em trem

    O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, decidiu favoravelmente à vítima de violência sexual dentro de um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

    Ele determinou a indenização de R$ 50 mil porque "o assédio em debate gerou na vítima evidentes ofensas extrapatrimoniais, atingindo-a como ser humano que, certamente, teve irreparável trauma. Deve, portanto, a ré, indenizar a autora".

    Para Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “decisões judiciais como essa devem ser mais frequentes para obrigar as empresas de transporte coletivo a se responsabilizarem pela segurança dos passageiros”.

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    “Relações sexuais sadias são importantes para a vida de todas as pessoas”, diz Celina Arêas

    A direção da CPTM anuncia que vai recorrer da decisão de primeira instância por considerar que a companhia “não é responsável pelo ato doloso de terceiros”. No entanto, a Lei 12.587/12 determina a responsabilidade da empresa sobre a segurança dos passageiros.

    A vítima conta no processo que o suspeito se aproximou dela dentro de um vagão do trem e ejaculou em sua direção. No processo constam testemunhas e Bezerra afirma ainda que a CPTM acabou reconhecendo a sua responsabilidade ao confirmar “o lamentável assédio descrito na inicial”, dessa forma, portanto, “reconheceu, por consequência, não ter cumprido o contrato de transporte em questão, por ter deixado de levar a autora incólume ao local de destino".

    Levantamento feito pelo R7, em 2017, mostra que a cada dois dias ocorre um relato de abuso sexual no metrô de São Paulo. Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP afirma que “o transporte público na Grande São Paulo é um caos, trens, metrô e ônibus trafegam superlotados, facilitando a violência contra as mulheres”.

    Ela defende uma ação mais contundente para impedir a ação criminosa. “É necessário exigir a responsabilidade dos empresários em garantir a segurança das passageiras. Determinar que tenham uma fiscalização mais eficiente e ao mesmo tempo intensificar campanhas educativas sérias contra o abuso sexual”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Marcus Oliveira

  • CTB-MG publica nota de repúdio contra truculência da PM em Belo Horizonte

    A CTB-MG publicou nesta sexta-feira (14) uma nota oficial de repúdio contra a PM, condenando a truculência com a qual foi reprimido o protesto em Belo Horizonte na última quarta-feira (12). O enfrentamento ocorreu por conta de um novo aumento nas tarifas dos transportes públicos, acatado pela Justiça apenas 8 meses depois do anterior. Para dispersar a manifestação, que era pacífica, a PM usou balas de borracha, bombas de efeito moral e prendeu pelo menos 60 pessoas, incluindo menores de idade. O governador Fernando Pimentel (PT-MG) considerou o episódio "lamentável" e ordenou a instalação de um inquérito.

    Leia a íntegra da nota:

    "Violência da PM contra manifestantes é inaceitável

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/MG) repudia veementemente a ação truculenta e desproporcional da Polícia Militar de Minas Gerais durante o protesto pacífico contra o aumento das passagens de ônibus, na noite de quarta-feira (12). Foram cenas estarrecedoras com ataques da polícia com bombas e balas de borracha, além da agressão e prisão de dezenas de jovens no Hotel Sol, no centro da capital.

    A prática do comando da polícia mineira de atacar os direitos básicos de livre manifestação precisa ser responsabilizada. A atuação da PM tem se mostrado assombrosa em manifestações pacíficas dos movimentos sociais.

    As cenas protagonizadas pela polícia na Rua da Bahia, centro da cidade, ficarão registradas em páginas tristes da história da capital mineira. É preciso relembrar que a manifestação era contra o aumento abusivo das passagens, aprovado pela prefeitura de Belo Horizonte, que reajusta o valor 20% em apenas 8 meses, um contrassenso com a qualidade do transporte público e um ataque ao salário da classe trabalhadora.

    A CTB/MG se une a diversas entidades sociais e sindicais para exigir punição dos responsáveis pela criminalização das manifestações. O alerta é também para a ofensiva contra os movimentos de luta no Brasil. No mesmo dia do ataque covarde aos manifestantes belo-horizontinos, a Câmara dos Deputados colocou em votação o Projeto de Lei 2016/2015 que tipifica protestos em terrorismo.

    Como a coerção nunca calou quem luta, os manifestantes do dia 12 voltarão às ruas da Praça Sete às 17horas desta sexta-feira. A CTB/MG reforça também a convocação para o grande ato do dia 20 de agosto que tem como bandeiras exatamente a defesa pela democracia e por direitos."

    Da CTB-MG

  • CTB-RJ repudia aumento das passagens e cancelamento do passe livre no Rio; leia a nota oficial

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro tem acompanhado com bastante preocupação o debate entorno das passagens na capital do estado. O transporte público, fundamental para o direito de ir e vir da nossa população, cada vez mais é um problema para as famílias de trabalhadores brasileiros, causando um grande impacto no orçamento diário do trabalhador e da trabalhadora. As restrições colocadas pelo Governo do Estado no Bilhete Único intermunicipal já são um grande dificultador de mobilidade para o nosso povo trabalhador. Um aumento das passagens na capital para R$ 5,30 seria um duro golpe no direito à locomoção do trabalhador carioca e fluminense. Também manifestamos nossa total oposição ao cancelamento do passe livre de milhares de estudantes, promovido pelo Governo do Estado, que se consolida como mais um ataque à classe trabalhadora e coloca em risco o futuro da nossa juventude.

    Repudiamos, pois, a proposta que segue em trâmite judicial para esse aumento. Uma proposta que fere o limite do bom senso! Também repudiamos qualquer proposta de aumento, pois ele será nocivo para o povo trabalhador do Rio de Janeiro. O transporte público no Rio de Janeiro não é climatizado, não presta um serviço de qualidade e as empresas aumentam seus lucros a cada ano às custas de decisões do poder público que vão de encontro às necessidades do nosso povo. É preciso dar um basta nesse ciclo. Aumento de passagem não pode seguir o modelo do ex-prefeito Eduardo Paes, que, como dizia sem pudor, as tratava como o Reveillón, realizando-as todos os anos. Não aceitamos aumento anual, não aceitamos aumento ao bel prazer dos que controlam as empresas desse ramo! O custo da passagem deve ter caráter social e atender às necessidades dos trabalhadores e da população mais pobre.

    É nesse sentido que, além de ser contra o aumento das passagens, a CTB defende o passe livre para estudantes, idosos e desempregados, bem como uma auditoria nas empresas de ônibus para a instalação imediata de uma tarifa cidadã que seja condizente com as necessidades do povo do Rio de Janeiro. O novo prefeito, Marcelo Crivella, prometeu em campanha acabar com as regalias dos empresários de ônibus, mas já abriu mão de mais de R$ 70 milhões em benefício dos empresários do setor (ao passo que ameaça não pagar servidores por falta de caixa).

    A CTB Rio de Janeiro repudia qualquer aumento de passagem e defende auditoria no setor para construção de uma tarifa mais justa para a classe trabalhadora e o fim imediato da relação promíscua que existe entre poder público municipal e estadual, poder judiciário e os empresários do setor.

    Rio de Janeiro, 4 de maio de 2017

    Ronaldo Leite
    Presidente da CTB-RJ

    Da CTB-RJ

  • CTB-RJ: "Não ao aumento das tarifas! Melhorias nos transportes públicos já!"

    Os trabalhadores e trabalhadoras do Rio de Janeiro receberam um verdadeiro presente de grego no inicio de 2016. A Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e o Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciaram, na virada do ano, um novo aumento acima da inflação, das tarifas dos transportes públicos.

    Aumentou o valor do bilhete único e as tarifas de ônibus municipais, estaduais, trens e barcas. Aumentos que surgem num contexto em que o transporte público continua de péssima qualidade, em que a mobilidade dos trabalhadores é cada vez mais dificultada, que o emprego dos trabalhadores é ceifado pela nefasta dupla-função e que os lucros das empresas de ônibus atinge níveis absurdos.

    Não podemos nos silenciar diante de uma prefeitura que onera os trabalhadores e dá prazos cada vez mais generosos para os empresários apresentarem melhorias mínimas na rede de transportes públicos(como a frota 100% com ar condicionado, por exemplo).

    Nós, trabalhadores e trabalhadoras, não podemos aceitar de braços cruzados mais um aumento que impacta diretamente no orçamento de nossas famílias. Os salários não foram reajustados acima da inflação.

    Salientamos que, desde o ano passado, o Tribunal de Contas do Município (TCM) determinou a redução do preço das tarifas. Os empresários de ônibus já recebem milhões de isenções no ISS e no IPVA, não podemos aceitar que além de tudo isso, seu lucro ainda seja ampliado às custas do suor do trabalhador e da trabalhadora.

    Nos posicionamos contra o aumento das tarifas e exigimos a redução do preço das passagens e melhorias na política de transportes públicos já!

    Por Ronaldo Leite, presidente da CTB-RJ

  • Frente à ameaça de greve, Prefeitura de São Paulo decide manter cobradores empregados

    Chegou a um aparente acordo a longa batalha travada entre o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo e o prefeito da metrópole, João Doria. Nesta segunda-feira (22), depois de uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho, patrões e empregados finalmente decidiram manter a categoria dos cobradores de ônibus empregada.

    Desde que Doria afirmou à imprensa que iria "acabar gradualmente" com a categoria de cobradores no município, os trabalhadores do transporte passaram a denominá-lo de "traidor". Os protestos crescentes culminariam em uma greve prevista para esta quarta-feira (24), concomitante ao #OcupaBrasília. Com a nova proposta, a paralisação foi adiada até que uma assembleia decida se aceita os novos termos.

    "Estamos fazendo enfrentamento com o patronal do transporte que é ruim de conversa, ainda vive no século passado, com estratégia 'manjada' de fazer corpo mole e empurrar com a barriga as negociações", escreveu a entidade em seu site oficial. "Quando a categoria colocou em execução o Plano de Lutas, os empresários de ônibus correram para pedir ajuda à Prefeitura que até, então, se mantinha de braços cruzados, sem querer se envolver. Chegamos no nosso limite".

    Segundo o sindicato, a Prefeitura de São Paulo se comprometeu não só a manter os cobradores no sistema de transporte, como também aumentar a oferta anterior de correção salarial, de 3,26%, para 4%. Além do reajuste, foram garantidos aumento de 7,3% no ticket refeição e aumentos nos subsídios para seguro médico e odontológico.

    Atualmente, a cidade de São Paulo emprega 19 mil cobradores, cujo salário médio não passa de R$ 1,5 mil.

    Portal CTB

  • Motoristas de aplicativos protestam no Rio de Janeiro contra PLC 28/2017

    Na manhã desta segunda-feira (30), centenas de motoristas de aplicativos como Uber, 99 e Cabify, em conjunto com o Sindicato dos Motoristas de Transportes por Aplicativo (Simtrattipp), fizeram um grande ato em forma de carreata que percorreu as ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro, do Aterro do Flamengo até a Praia de Copacabana protestando contra a PLC 28/2017, que pode ser votada no Senado nesta terça-feira (31). Os trabalhadores e as trabalhadoras motoristas rejeitam o projeto de lei, que muda regras do serviço.

    “Somos contra o PLC 28. Defendemos a regulamentação mas não essa regulamentação. Esse projeto institui a placa vermelha, nos remete à concessão das prefeituras e nos coloca nas mãos dos políticos. Ele institui uma limitação de ação em um único município e, com essas mudanças, praticamente inviabiliza nosso trabalho", afirmou Rafael Amaral, Presidente do Simtrattipp e dirigente da CTB Rio de Janeiro.

    O projeto de lei (PLC 28/2017) cria regras para o funcionamento dos aplicativos, porém, não atende à demanda dos profissionais que atuam no segmento. Um dos pontos prevê a classificação dos aplicativos como um serviço de natureza pública. Assim, eles teriam de cumprir uma série de quesitos, incluindo a autorização municipal para funcionar. Os municípios seriam responsáveis por regular o serviço impondo regras como o uso de placa vermelha, o pagamento de tributos municipais por parte das empresas e o seguro obrigatório de passageiros.

    Os trabalhadores do segmento afirmam que o PLC inviabiliza o serviço.

    Da CTB-RJ

  • Sem confrontos diretos com a PM, Passe Livre reúne 11 mil jovens em favor do transporte público

    As passeatas do Movimento Passe Livre desta quinta-feira (14) contaram com mais de 11 mil pessoas em São Paulo, de acordo com a organização do evento. O número é a soma dos blocos que saíram às 17h do Theatro Municipal e do Largo da Batata, ambos fortemente pressionados pela Polícia Militar e pela Tropa de Choque do governo do estado. No trajeto, o grupo do centro parou diante de diversos pontos de interesses dos governos estadual e municipal, como a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria de Segurança Pública, para realizar jograis reivindicatórios e provocativos, antes de seguir para o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

    A composição dos manifestantes demonstrou-se bem diversa àquelas das passeatas contra e a favor do impeachment em 2015: uma maioria absoluta de jovens, muitos ainda no Ensino Médio, comandavam a multidão pelas ruas da cidade. Eram racialmente diversos e com perfis econômicos de classe média e trabalhadora, com uma presença apenas secundária dos movimentos sociais organizados. Houve presença equilibrada entre mulheres e homens, mas elas estavam no comando da caminhada. Especialmente entre os black blocs, que faziam a segurança contra as forças repressivas da PM, havia mais mulheres que homens.

    Em todo o percurso, houve forte presença da polícia, que manteve a tática de “envelopar” a passeata, ou seja, cercar com cordões de policiais a frente, as laterais e a retaguarda dos grupos. A própria PM criou um raio de isolamento de diversos quarteirões ao redor do protesto, divergindo o tráfego de carros e pessoas pela cidade. Isso criou um ambiente de tensão entre os manifestantes, que passaram a bradar palavras de ordem pelo fim da Polícia Militar em paralelo às reivindicações de transporte público.

    Após o término do ato, a estação Trianon do Metrô, na Avenida Paulista, foi fechada, forçando os manifestantes a se dirigirem em massa para a estação Consolação. A entrada da estação ficou sobrecarregada e vidros do acesso as escadas rolantes foram quebrados. A polícia atirou bombas de gás lacrimogênio para dispersar as pessoas. Há registro de ao menos um ferido, atendido pelo Grupo de Apoio ao Protesto Popular. A polícia não informou se houve detidos.

    Autoritarismo à tucana

    Na quarta-feira (13), o secretário de Segurança Pública do estado, Alexandre de Moraes, voltou a dizer que caso os manifestantes não informem antecipadamente o percurso que as passeatas vão seguir, a própria polícia determinará as ruas em que elas deverão passar. A posição da secretaria, no entanto, é vista como ilegal pela Coordenação da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP).

    “A Constituição Federal permite a livre manifestação, permite a reunião e exige apenas uma prévia notificação, um aviso. Não existe nenhuma lei abaixo da Constituição, como afirma o secretário de Segurança, a determinar que você tenha de informar à polícia o local [em que a passeata irá passar], e a polícia autorizar. Isso é contra a lei”, disse o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo, Martim de Almeida Sampaio.

    No protesto de terça-feira (12) do Movimento Passe Livre, após parte dos manifestantes tentar driblar o forte policiamento para seguir em direção ao Largo da Batata, em direção contrária à definida pela PM, policiais começaram a disparar bombas de estilhaços e de gás lacrimogêneo e a bater com cassetetes nos manifestantes. Passaram a disparar também contra a multidão que permanecia na Praça do Ciclista, confinada por cordões policiais. Os ativistas ficaram encurralados, tendo de um lado policiais da tropa de choque disparando bombas e, de outro, um cordão que impedia a saída dos manifestantes da praça.

    "O que houve foi uma operação militar, de cerco e aniquilamento dos manifestantes. Cercaram e jogaram, durante seis minutos, 47 bombas. Uma bomba a cada 7 segundos. Qualquer polícia em um estado democrático tem é de assegurar àqueles manifestantes o direito de ir e vir, liberdade de reunião. Eles têm o direito de se manifestar", disse Sampaio.

    De acordo com o MPL, pelo menos 20 manifestantes foram feridos por estilhaços de bombas e balas de borracha atirados pela polícia naquela ocasião, e precisaram ser encaminhados a hospitais da região. Um deles é o estudante de arquitetura Gustavo Camargo, que teve fratura exposta no polegar direito. Segundo a mãe do jovem, Ana Amélia Camargo, o rapaz, de 19 anos, foi atingido por uma bomba lançada pela polícia e passou ontem por uma operação. “A cirurgia foi para limpar. A preocupação inicial era de não infeccionar. Amanhã é que eles vão ver como reconstituir o dedo”, contou Ana Amélia.

    Portal CTB, com informações da Agência Brasil

  • Sobre rodas e trilhos: a luta da classe trabalhadora nos transportes públicos

    Historicamente, os transportes públicos possuem papel central na deflagração de importantes movimentos sociais

    Em 1 de dezembro de 1955, a costureira afro-americana Rosa Parks (1913-2005) foi presa por recusar-se a ceder seu assento no ônibus a um homem branco. O escândalo engatilhou um boicote ao transporte público da cidade que precipitou o movimento por direitos civis dos negros.

    Em 27 de fevereiro de 1989, o governo venezuelano massacrou os trabalhadores e trabalhadoras de Caracas, jogando o exército contra os manifestantes. O estopim para o movimento, que ficou conhecido como “Caracaço”, foi o aumento no preço dos transportes. Os apedrejamentos, saques e incêndios eram sintoma de um país com 85% da população abaixo da linha da pobreza.

    Em 13 de junho de 2013, um pequeno grupo de manifestantes tomou a Avenida Paulista, em São Paulo, exigindo a gratuidade dos sistemas de ônibus, metrô e trem na metrópole. A resposta violenta da PM disparou uma onda de revolta que culminou com milhões de pessoas indo às ruas - manifestação que foi desviada de seu propósito original e capturada por setores da direita com finalidades explicitamente políticas.

    Em 28 de abril de 2017, a paralisação do metrô, dos ônibus e dos portos em diversos estados do país, convocada pelas centrais sindicais, foi decisiva na deflagração de um evento histórico: a maior greve geral dos últimos 21 anos. A adesão dos transportes à greve foi fundamental para que o movimento alcançasse a dimensão que teve.

    Todos estes eventos ressoam um mesmo tema: a centralidade do transporte na mobilização dos trabalhadores. A urbanização crescente no século XX, aliada ao aumento populacional e às concentrações industriais, trouxeram o desafio de deslocar-se por grandes distâncias diariamente. A mobilidade tornou-se, literalmente, questão de sobrevivência.

    caracazoO Caracazo acabou com mais de 2 mil feridos, seguindo uma revolta pelo direito a tarifas mais baratas, e projetou Hugo Chávez como liderança (Fotos: BBC)

    Para refletir sobre o tema, a Revista Visão Classista falou com três especialistas: o coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo; o ex-diretor do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Zé Carlos Negrão; e o presidente da Federação dos Arrumadores e Conferentes Portuários e dirigente cetebista, Mario Teixeira. Os três enxergam no setor uma função estruturante para a mobilização da classe trabalhadora.

    “Evidentemente, as nossas ações têm um impacto direto no dia-a-dia de outros. Quando o porto para, por exemplo, toda a área de transporte também para. Isso afeta o transporte rodoviário, altera o transporte ferroviário e o aquaviário. Além do prejuízo financeiro, a paralisação afeta a mobilidade de toda a região”, explicou Teixeira. “Isso gera uma força de negociação extraordinária”.

    Leia também:A solução da crise econômica não virá pelo roubo dos nossos direitos

    Fajardo encara essa disputa com mais ceticismo. “Ainda hoje, o transporte público e urbano não é prioridade para os governos. Há um problema de concepção do direito - o cara prefere ter um bom carro a ter um bom ônibus”, criticou. Ele vê nisso um segundo problema: “Essa concepção individualista está arraigada a tal ponto que se torna prioridade. O automóvel passou a ser o bem mais importante”.

    Para Zé Carlos Negrão, o desvirtuamento do debate foi agravado ao cair nas mãos de empresas privadas. “Quando eles decidiram privatizar [o sistema de ônibus], a primeira coisa que ouvimos foi aquele velho discurso do ‘custo’ e da ‘corrupção’. Agora está provado que os empresários não têm perfil de honestidade. Mas o sistema já é deles, e carrega uma visão de lucro em primeiro lugar”.

    A luta de classes em movimento

    A complexidade operacional torna a arena dos transportes simbólica para a luta de classes. De um lado, a burguesia revela seu impulso privatizante, buscando os ramais mais lucrativos e abandonando os restantes; de outro, o proletariado exige tarifas mais acessíveis e maiores malhas. No meio desse embate, a pequena burguesia adquire seus próprios meios privados, e o Estado busca contemplar os interesses do empresariado sem provocar revolta nos usuários.

    “Por se tratar de um serviço essencial, esse mercado não poderia estar 100% na mão dos empresários”, explicou Negrão. Ele argumentou que é preciso haver alguma participação estatal, para formar técnicos e balizar o trabalho dessas empresas. A complementação impediria a degradação e o encarecimento, da mesma forma que as linhas estatais do metrô impedem excessos nos ramais privatizados.

    metro pinheiros lotadoMetrô Pinheiros, em São Paulo, depois de uma falha. "A precarização é parte do projeto de primazia do transporte privado", avalia Jose Carlos Negrão (Foto: Will Nath)
    Já na experiência de Fajardo, a mera partilha não é suficiente. “A população precisa se envolver de forma permanente. Não existe nenhum movimento para uma empresa pública de transporte. O único elemento mobiliza a população é a tarifa”, observou.

    Negrão também enxerga o erro estratégico: “Aquela movimentação de 2013 se deu exclusivamente para que houvesse a redução. Ela não pedia o transporte público. Mas você não pode pedir uma redução de tarifa sendo que a empresa não é sua, não é da cidade. Se o transporte não é estatal, fica difícil. Ninguém sabe direito o custo da tarifa dos ônibus!”.

    Atualmente, quem fornece as informações que a SP Transportes usa para negociar valores e subsídios são as próprias concessionárias. Isso cria uma contradição, na qual essas operadoras são recompensadas por distorcerem seus números. Se uma empresa decide circular seis ônibus por hora, mas relata dez, a prefeitura não pode questioná-la. O mesmo se aplica a cada fator que compõe o custo do bilhete: custo do diesel, reposição de peças, gastos com manutenção. Uma empresa pública ajudaria o governo a mensurar com mais exatidão os custos operacionais, dificultando fraudes.

    “Números produzidos sem auditoria são uma caixa preta, e os movimentos não estão interessados nisso”. O condutor elencou formas variadas para reduzir o preço das tarifas sem comprometer o equilíbrio do sistema, como a redução da margem de lucro ou a criação de isenções fiscais para insumos.

    Os portuários também estão sujeitos a esse dilema. Nos portos, ela se manifesta nas tarifas, conta Mário Teixeira: “Há uma máfia estabelecida entre as empresas de transporte marítimo, que operam para aumentar o preço para os concorrentes e, por extensão, toda a população. É um mercado muito oligopolizado, e as empresas estrangeiras vêm ao Brasil comprar terminais. Estamos sujeitos a um cartel muito poderoso”.

    A difícil resposta para a mobilidade

    A ambiguidade do debate sobre a mobilidade se dá porque, enquanto trabalhadores e poder público buscam formas de desafogar o sistema, empresários tentam canalizar essa demanda para o lucro. “A primeira coisa é inverter essa lógica. Precisamos eleger governos que tenham coragem de priorizar o público”, sugeriu Fajardo. O metroviário elogiou a gestão de Fernando Haddad em São Paulo, que criou mais de 400 km de corredores de ônibus, baixou os limites de velocidade para níveis mais seguros e abriu ciclovias e ciclofaixas.

    estudantes ocupacao camara spA União Estadual dos Estadantes de São Paulo ocupou no inicio de agosto a ALESP, depois que o prefeito Joao Doria ameaçou cortar o Passe Livre (Foto: UEE-SP)

    “Ele fez isso sem poder contar com o governo federal, que jogou contra o transporte urbano. Aí perdeu a eleição exatamente porque fez isso - olha a contradição!”, lamentou. “A população ainda não entendeu, o discurso está incompleto. Aquele ‘não’ ao aumento de tarifas puxado pelos estudantes acabou assim que o prefeito abriu algumas isenções. Como não havia debate, o ‘cala boca’ funcionou, e logo se passaram dois anos sem aumento. Aí a prefeitura fica num dilema: ou ela aumenta a tarifa, ou ela aumenta o subsídio, porque não controla nada”.

    Negrão enxerga um cenário cuidadosamente planejado de estagnação do transporte coletivo. “Você pega o metrô do México, que começou bem depois do nosso - eles já estão com mais de 200 km de metrô, enquanto ainda estamos com 70, 80km. Seria preciso expandir a malha, integrar os ônibus ao metrô, colocar mais corredores, desenvolver uma política 24 horas… Eliminar por completo a dependência do carro!”.

    O primeiro passo é ganhar a consciência pública. Mas Mário Teixeira desabafa: “Nós enfrentamos uma situação frustrante. Na última greve que fizemos, no 1º de Maio, todo mundo ficou sabendo em Buenos Aires, mas os próprios brasileiros não! A imprensa nacional não divulga nossas mobilizações, procura esconder”. E assim também aconteceu com a Greve Geral de 28 de abril.

    A oligarquia parece encontrar o lugar errado para ocupar, como sempre. Aos trabalhadores, resta resistir.

    Por Renato Bazan - Portal CTB - Matéria orignalmente publicada na Revista Visão Classista

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  • Tá na hora de rever o transporte no Rio

    No Grande Rio, somos 12 milhões de pessoas. Para garantir a mobilidade de uma população deste tamanho, é indispensável um transporte público de alta capacidade, como trens, barcas e metrô. Apesar disso, os sucessivos governos do Estado e dos municípios da região sempre privilegiaram o transporte sobre rodas. Ao ponto do ônibus realizar hoje mais de 80% das viagens diárias regulares.

    Nessa curva, as políticas de transporte derraparam feio. Não adianta quadruplicar pistas, cavar túneis ou encher a paisagem de cinzentos viadutos. O ônibus é poluente, caro e leva poucos passageiros em cada viagem. Quando se aposta nele, não tem jeito, o engarrafamento, a poluição e os prejuízos sempre vem. Segundo estudo da UFRJ, perdemos em tempo, combustível e desgaste de material cerca de R$ 12 bilhões por ano. Mas o maior prejuízo é sempre do trabalhador, que perde qualidade de vida em ônibus lotados, desconfortáveis, inseguros e guiados por motoristas mal pagos e trabalhando muitas vezes em dupla função.

    Investir no ônibus não foi bom nem para o Rio, nem para os cariocas. Só foi bom para… as empresas de ônibus! E toda a vez que a sociedade tenta discutir a melhoria e abertura das contas do sistema, os empresários puxam o freio de mão e colocam o debate numa caixa-preta. Para se ter uma ideia, até hoje só eles sabem (e informam o que querem aos governos) quantos passageiros transportam por dia. Uma informação que é vital para definir o preço da passagem ou determinar os investimentos para melhorar o sistema fica só na mão dos empresários. Ou seja, a raposa tomou conta do galinheiro.

    A mão deles continua firme nesse volante, principalmente, porque eles nunca deixam de fazer grandes doações às campanhas políticas de prefeitos e vereadores. Avançam o sinal, porque a lei proíbe doações de concessionários de serviços públicos, mas molhando a mão do guarda achavam que a multa nunca ia chegar. Só que, dessa vez, dormiram no ponto e perderam a viagem.

    Uma grande operação da Polícia Federal desbaratou o cartel das empresas e prendeu seus principais “pilotos”. Estão trancados em Bangu, dentre outros, o presidente da poderosa Federação das Empresas (Fetranspor), Lélis Teixeira, e o empresário Jacob Barata Filho, “rei do ônibus”, investigados pelo suposto pagamento de R$ 500 milhões em troca de aumentos das passagens. De 1994 a 2015, enquanto a inflação foi de 400%, a tarifa disparou 1.000%, com todos os ganhos embolsados pelos empresários do setor.

    A prisão desse pessoal abre espaço para um novo tempo. Agora, livre da pressão econômica das empresas, o povo tem a chance de escolher políticas de mobilidade mais responsáveis, que ajudem a cidade a se desenvolver com dignidade, conforto e tarifas justas para os usuários dos serviços. Para que possamos discutir, por exemplo, a transformação dos trens da Supervia em metrô de superfície, beneficiando moradores da Baixada, Zona Norte e Zona Oeste. Assim como a ampliação e melhoria do transporte aquaviário, fundamental para acelerar a locomoção entre a capital, Niterói, São Gonçalo e outras cidades no entorno da Baía de Guanabara. Sem falar no passe livre social nos transportes para desempregados, trabalhadores informais, estudantes de todos os níveis e beneficiários do Programa Bolsa Família.

    Tá na hora de botar nos trilhos (e na água) o transporte do Rio.

    Márcio Ayer é presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro


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