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O começo de 2017 tem sido muito positivo para os metalúrgicos e metalúrgicas da Ford, em Camaçari (BA). Com o fim do layoff, mais de 1.500 funcionários retornaram oficialmente à fábrica, revertendo um cenário que há cerca de um ano parecia totalmente adverso.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, essa conquista se deve exclusivamente à pressão realizada pela entidade, com a confiança e apoio da categoria. “A vitória dos trabalhadores da Ford é fruto de muita luta. O retorno desses trabalhadores se deu única e exclusivamente pela pressão, pela imposição que fizemos”, afirmou o dirigente.

Ao lembrar todo o histórico desse processo de lutas, o presidente dos Metalúrgicos de Camaçari relembrou um episódio do final de 2015, quando surgiram os primeiros indícios de que 1.500 trabalhadores poderiam ser demitidos. “Paralisamos a fábrica por 24h e fomos até uma casa de espetáculos onde estavam o governador da Bahia e o vice-presidente mundial da Ford. Isso teve uma grande repercussão, um impacto enorme, que trouxe boas consequências para a negociação”.

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Para Júlio Bonfim, essa primeira atitude demonstrou para a Ford até onde a categoria estava disposta a pressionar para manter os empregos. A saída encontrada, a princípio, foi a implantação do layoff somada à manutenção de uma série de benefícios.

Contudo, o layoff que deveria durar cinco meses acabou se estendendo pelo dobro do tempo. A Ford chegou a abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que o Sindicato combateu fortemente. “A todo momento eu enfatizava no caminhão de som e no contato com a categoria que, se todos não retornassem à fábrica, a única alternativa que teríamos seria a greve”, relembra o dirigente.

Retorno e as novas lutas

Na avaliação de Bonfim, a Ford viu a capacidade de articulação do Sindicato com a categoria e não quis correr o risco de enfrentar uma greve no começo de 2017. “Em outubro de 2016 começou a se desenhar esse retorno. A Ford não quis pagar o preço de encarar a greve, pois ela apostava neste começo de ano nas vendas de seu automóvel KA. Com isso, conseguimos discutir sobre renovar o layoff e demos a opção do retorno do 3º turno”, relata.

Com a reativação do 3º turno e o retorno dos trabalhadores afastados, a Ford em Camaçari passou a ser a única grande montadora sem demissões em massa no atual período de crise econômica. “Está sendo um momento emocionante e único para o movimento sindical operário do Brasil”, define Bonfim.

Para o dirigente, uma vez restabelecido o 3º turno, a luta sindical para o próximo período terá como prioridade a garantia da empregabilidade. “Nosso Acordo Coletivo tem validade de dois anos, então até 2018 tudo já está assegurado, com aumento real tanto no salário quanto na PLR. Além disso, mantemos as 40h semanais até 2018 e melhoramos a jornada da manutenção. Com isso, estamos um pouco mais tranquilos e na luta para mantermos os postos de trabalho”, afirma. “O que precisamos cada vez mais é de uma grande conscientização para que os dirigentes sindicais estejam sempre no chão de fábrica para identificar os anseios do trabalhador, no sentido de tranquilizá-lo e também para que cada vez mais se capacitem para negociar com o patronato”, complementa.

Fernando Damasceno - Fitmetal